Terça-feira, 2 de Junho de 2009

A Menina da Ilha






______________A Menina da Ilha______________






Menina da Ilha
Um mar tão grande nos separa
Vou lançar minha barca
Nas águas azuis

O vento Sudeste
Há de me levar
Além do horizonte
Onde vejo o Sol se deitar

Deus queira eu aporte
Caindo uma outra tarde
Nas areias da praia
Onde o Amor é mais forte

Ó, encanto de sereia
O oceano não apaga
A paixão que incendeia

Nem me aquece a fogueira
A lua a noite não clareia
Sou vaga-lume preso na teia
Vila inundada na cheia

Ó sereia
Dos olhos perdidos
No léu do infinito
No horizonte vem vindo
Deus Netuno te amar



Rob Azevedo








Do Outro Lado do Muro






_____Do Outro Lado do Muro_____





Do outro lado do muro
A desventura torna meu dia escuro
O viver absurdo
O Sabiá pousado no galho mudo
Eu esmurro
Tijolo por tijolo
Essa parede
Que nos separa

Dá uma espiada
Vê minha alma desesperada
Dilacerando as mãos
Na ponta da faca

Que tão logo caia
Essa muralha
De palavras
Que não saem
Da minha boca

Dizer-te tudo e mais um pouco
Sangrando de Amor louco
Acabar no fim esvaído e rouco
Para que saibas das malhas
Intrincadas da paixão que me enredaram

Sou um preso aqui do outro lado
Do muro
Erguido pela vida ingrata,
Sem dó me separa
Do jardim
Onde há o Jasmim
Que sonhei pra mim

Enquanto tiver que ser assim
Sem a livre
E espontânea
Saciada vontade
Eu te espero
Platonicamente te amando
Esmurrando
Tijolo por tijolo
Essa parede
De eternidade
E lamento
Que é o tempo
Sem estar ao teu lado



Rob Azevedo









Sábado, 1 de Novembro de 2008

Ars Longa, Vita Brevis




____________Ars Longa, Vita Brevis____________






Vim das eras medievais
Cavalgando num cavalo branco
Sou um predestinado
A te encontrar

Minhas vestes são principescas
Meu olhar profundo e apaixonado
O desejo que trago no peito
Sagrado

Não sou desse tempo
De hoje
Nem desse mundo
Vim dum conto
De fábulas

Perguntam-me se existo...
Se sou real...
Alguns crêem
Que talvez eu seja
Apenas um fantasma
Uma sombra
O sopro
Do vento

Pareço um sonho
Uma imagem difusa
De um caleidoscópio
Uma branca nuvem
Sem destino indo ao léu

Um dia, eu sei
Voltarei pra d`onde vim
E serei apenas
Eternamente
Um conto
De fábulas
Em versos
Escritos em linhas enigmáticas
Em páginas de livros

Eis o que sou
Desvendando meu segredo:

Sou um poema
Que se tornou vivo
Fez-se homem
Por força
Do deus
Sentimento

Vim ao mundo cantar
Ser trovador
Em noites de luar
Solidão
Dor
Saudade
Desilusão
Tristeza
Felicidade
Amor

Meu canto
Deu sentido
À vida de ser humano
Na qual agora existo
Retornando tudo ao início
E tive muitos filhos
Poemas

Esse agora
É contigo...

És dele a mãe...

Filho nascido
Para te sussurar no ouvido
Que sou um predestinado
A te encontrar
Nada é por acaso

O poema que se tornou homem
Aprendeu a te amar
Logo ao primeiro olhar...

Amor... Ah! O Amor!
O que seria de um poema
Sem ele?

Ao mundo então
Também veio o poema tornado homem
Para vivê-lo
Como só um poema o pode
Numa catarse infinita do sentimento
Onde tudo é imenso
Comparado sempre ao que é belo –

Teus negros olhos me são
O firmamento noturno
Pontilhado de estrelas cintilantes...

O brilho que deles me vem
O luar prateado

Teus cabelos de igual cor aos olhos
São pétalas
De tulipas negras...

Tua boca
Uma ânfora
Cheia de vinho
Quero bebê-la toda...

Teu corpo
Um porto
Para meu navegar perdido
Em alto mar...

Nele há uma enseada
Onde se encontra uma ostra
Entreaberta
Guardando uma pérola...

Assim vê quem ama o poema
Tornado homem
Vê além
Do que os olhos enxergam
Vê a essência, a alma
De cada coisa
E no Amor lhe faz jus
Em grandeza

Ah! Se essa magia
Não lhe passasse desapercebida
A verdade entenderia
Contida em cada palavra...

Não lhe escorreria
Entre as mãos
Feito água
O presente
Que veio de graça

O reteria, encheria a taça
E o beberia
Em companhia
Do predestinado
A te encontrar
Que veio a cavalgar
Num cavalo branco
De mais longe
Do que a imaginação alcança...

D`outros tempos
D`outro mundo
D`outras crenças
Dum conto
De fábulas
Em versos...

Hei de voltar
À minha terra pátria lendária...

Deixando este lugar, onde a vida é breve...

Levar-te-ei comigo
Ó Calíope!
Ao meu castelo
No plano transcendente
Porque aqui
Só vim de passagem
Buscar-te...

Lá o Alfa
Beta
Ômega
Que uma noite me juraste
Entraríamos em supremo êxtase
Será real e eterno
Sem sequer eu precise
Vir trazido pelo vento
Sentindo teu perfume

Então
O Amor conheceremos
Ao fazê-lo
Como rezando
Uma oração redentora...

E o homem-poema juntar-se-á
Num espiritual enlevo
À sua mulher-poesia
Sem que nada, nada
Os possa separar...



Rob Azevedo













Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

No Jardim dos Alecrins




______No Jardim dos Alecrins______

- Com eu lírico feminino -






No jardim dos alecrins
Solitária, espero-te
Tu, meu homem cálido, que já tardas tanto
Deixando-me cá calada
Sentada num banco
Divagando ardente em lembranças saudosas
Daquelas noites de outrora
Que não quero
Deixá-las esvaecerem
Na memória
Tornarem-se apenas
Sonho difuso
Opaco
Envolto em brumas
Que o tempo traz

Ó meu homem cálido!
Vim sem nada por baixo
Os botões do sobretudo
Desabotoei todos
Cá neste ermo jardim
Sereno, esquecido
Meu corpo se mostra
Nu
Ardente a te esperar
Como tantas vezes o vira
E o teve
Naquelas noites de outrora
Que as tanto quero
De volta

Minha boca te espera
Para beijar-me
Matar minha sede
Que a água não mata
Meus seios te esperam
Para acolher-te
Brincar com teus lábios
E língua
Minhas coxas, ancas, dorso
Esperam-te
Como teu parque
Para que neles passeies
Como bem queiras
Meu sexo aflora
E espera-te
Como tua casa
Para aninhar-te
Desejoso do teu corpo
Sobre o meu
Dentro do meu
A comprimir-se
Saciando minha extrema saudade

Ó meu homem cálido!
O quão me tornou voluptuosa
Queimando em chamas
Tua ausência que se demora

Chego a ser devassa
Despudorada
Meretriz
Em meus devaneios solitários
Lembrando-te, banhada em suores
Ofegante
Quando como um vulcão de virilidade,
Insaciável, me possuías
Como tua Ambrósia
Segurando-me pela cintura
Desflorando-me por trás
Sem tanto respeitar-me
Puxando-me pelos cabelos
Sussurrando dizeres safados
Arteiros e meigos
Enquanto lambias minhas costas
Mordiscando-a, cobrindo-a de beijos
Apertando-me e arranhando-me

Quando eu era
Tua comida
Que faminto devoravas
Lambendo depois os beiços
Ao repousar aninhado em meus seios
Contente e satisfeito
Até não mais do que meia hora
Quando tudo se repetia

Ah! Tu meu homem cálido!
Em nossos momentos
Nunca se melindrou comigo
Esperando por qualquer autorização
Ou dela precisou
Para fazer tudo o que bem querias
Por mais dissoluto que fosse
Tão somente ia e fazia
De todo seguro, com autoridade inquestionável de mestre
Por saber que vindo de ti
Tudo era desavergonhadamente
Vertiginosamente
Escandalosamente
De-li-ci-o-so
E sempre me satisfazia
Eu que era assim inteiramente
Tua fêmea submissa
Serva das tuas vontades
Tu mandando, eu obedecendo
E agradecendo aos céus
Ter a ti como meu senhor

Como nunca careci pedir a ti
Que fizesse isso ou aquilo
Em nossas horas sagradas
Tu de antemão o fazias
O que eu queria já sabias
Ao meu gosto com exatidão
Enlouquecendo-me
Em cada pêlo, poro
Víscera, pensamento
E gota de suor escorrida

Desavergonhadamente
Escandalosamente
Vertiginosamente
Tanto e tão perfeitamente
Completamos-nos na cama
Deliciosamente bem nos dando
E ainda de Amor tão grande e verdadeiro nos amando
Que, ó, meu homem cálido!
Ohhhhhhh...
Desnuda te espero
Ofegante
Aqui neste jardim ermo
Sentada num banco
Ardendo em chamas
Tomada por saudade extrema
Para que logo venhas
E me tenhas na grama

Acaso nos verem assim
Como dois animais selvagemente
Amando-nos no cio entre os matos
Abençoado será o escândalo desavergonhado
Porque sei será
Desavergonhadamente, escandalosamente
De-li-ci-o-so, bem aventurado
Valendo a pena
Qualquer seja

Ó meu homem cálido!
Ohhhhhhh...
Lânguida
Cerrando os olhos turvos em gozo
Para ver-te
Ardo como fogo em brasa
Suspirando, estremecendo
Arrepiando-me, gemendo secretamente

Despudoradamente
Quero-te!
Preciso-te!
Espero-te!

Venha logo
Não tarde...

Apaixonadamente
Amo-te!



Rob Azevedo







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Vida São Franciscana




___ Vida São Franciscana ___











Vou-me embora aos prados verdejantes
Bem distantes
Viver entre as cabras
Tão serenas e amáveis
A pastarem e mugirem
De vem em quando

Hei de pastoreá-las
Tendo em meu alforje
Água
Em minha bolsa de lona
Um bom pedaço
De pão
No mais, a companhia
Do meu cajado de pastor
E de um cão
São Bernardo

Basta-me...

Quero a simplicidade do campo
O vento uivando
Curvando os matos
O murmurar das águas
Correndo no leito pedregoso dos rios
O silvar dos pássaros

Quero o bálsamo
Das noites brandas
Onde tudo é quietude
À luz do luar
E dos lampiões
Ouvindo o cri-cri dos grilos
E coaxar dos sapos

Acordar alvorecendo o dia
Ao canto das cotovias
Dos galos
Sabiás
E cigarras
Sentindo o cheiro de café forte
Que alguém faz na cozinha
No fogão à lenha

Sobre a mesa
O pão da venda
A milhas de distância
O pote de mel
Em favos
Das colméias criadas na propriedade
Sob abelhas revoando
Ao redor

O leite ordenhado das vacas
Enchendo a caneca
De alumínio
Coberto de grossas natas

E mais um dia
Pastoreando cabras
Pelos verdes prados

Ó vida São Franciscana!
Quero-te!
Passar meus dias
Contemplando as borboletas
Voejando por sobre as flores
Exalando suaves aromas

Ouvir os passarinhos cantando
Empoleirados nos galhos das árvores
Ver o Beija-Flor
Colhendo o néctar das rosas
No bico
E as formiguinhas trabalhando
Levando folhinhas recortadas
Para seus ninhos

Brincar com joaninhas entre os dedos
Delicadamente
Contemplando seus cascos
Coloridos
Salpicados de bolinhas

Ver um coelho correndo
Se escondendo no mato
Uma cotia
Uma gambá
Um tatu
Um João-de-Barro
Construindo sua casa

Longe dos olhos humanos
Poder com eles conversar
E com as flores
As árvores
Com o rio
As pedras
O Sol
A Lua...

Pois sou irmão deles
Com eles quero estar
E conversar
Chamando-os de meus irmãos
E minhas irmãs...

Ó vida São Franciscana!
Quero-te!

À noite
Ver os pirilampos cintilando
E rezar
Por meus irmãos e irmãs
Da Natureza
Pedindo a eles
Todo o bem que possa haver
E me deitar
Sereno
Como os prados verdejantes
Com os quais sonho
Em meus ideais franciscanos




Rob Azevedo








Cântico do Irmão Sol (ou Cântico das Criaturas)


(Quase cego, sozinho numa cabana de palha, em estado febril e atormentado pelos ratos, São Francisco deixou para a humanidade este canto de amor ao Pai de toda a Criação.
A penúltima estrofe, que exalta o perdão e a paz, foi composta em Julho de 1226 no palácio episcopal de Assis, para pôr fim a uma desavença entre o Bispo e o Prefeito da cidade. Estes poucos versos bastaram para impedir a guerra civil.
A última estrofe, que acolhe a morte, foi composta no começo de Outubro de 1226).





Altíssimo, onipotente e bom Deus,
Teus são o louvor, a glória, a honra
e toda benção.

Só a Ti, Altíssimo, são devidos,
e homem algum é digno
de Te mencionar.

Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as Tuas criaturas.
Especialmente o irmão Sol,
que clareia o dia
e com sua luz nos ilumina.

Ele é belo e radiante,
com grande esplendor
de Ti, Altíssimo é a imagem.

Louvado sejas meu senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas,
que no céu formastes claras,
preciosas e belas.

Louvado sejas meu Senhor,
pelo irmão Vento,
pelo ar ou neblina,
ou sereno e de todo tempo
pelo qual as Tuas criaturas dais sustento.

Louvado sejas meu Senhor,
pela irmã Água,
que é muito útil e humilde
e preciosa e casta.

Louvado sejas meu Senhor,
pelo irmão Fogo,
pelo qual iluminas a noite,
e ele é belo e jucundo
e vigoroso e forte.

Louvado sejas meu Senhor,
pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e nos governa,
e produz frutos diversos,
e coloridas flores e ervas.

Louvado sejas meu Senhor,
pelos que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.

Bem aventurados os que sustentam a paz,
que por Ti, Altíssimo serão coroados.

Louvado sejas meu Senhor,
pela nossa irmã a morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.

Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
conforme à Tua Santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.

Louvai e bendizei a meu Senhor,
e daí lhes graças
e servi-O com grande humildade.

Amém.









Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Psicologia da Tristeza e do Riso




_Psicologia da Tristeza e do Riso_






É tão triste
Estar triste
Não existe
Nada mais triste
Do que estar triste
Porque tudo o que todos mais querem
É ser felizes...

A regra da vida é tão simples...

Busque a felicidade, fuja sempre da tristeza e seja feliz!

Compadeço-me profundamente de mim
Decepcionando-me assim
Estando infeliz
Tristonho
Ainda que seja
Tão somente por esses dias
Semanas ou meses
Que se demoram tanto

Olho um retrato meu preto e branco
De quando eu era uma criança de cinco anos
E tenho uma pena imensa daquela criança sonhadora
Cheia de esperanças
Sabendo que agora estou frustrando-a tanto
Com a infelicidade

Penso na minha família
Em minhas amizades queridas
Em todos aqueles que de verdade me amam
E esse pensar, me traz pesar
Aprofundando ainda mais minha tristeza
Pela íntima certeza
De que agora
Estou triste
E que eles tanto querem
Que eu seja feliz
Plenamente

É, estou os decepcionando também...

Hei, você?
Também já se sentiu assim
Ou agora mesmo se sente?

Somos todos irmãos nessa desventura da vida
Nalgum momento...

Pode durar mais tempo
Ou menos...

O importante
Custe o que custar
É encontrarmos força dentro de nós
E tornarmos a duração da tristeza
O mais curta possível
Voltando a sorrir
Ser feliz
Alto astral
Cheio de bom humor
E empolgação
Não levando as coisas tão a sério
Fazendo piadas com tudo
Rindo de uma orelha a outra

Ah! Que sejamos uns palhaços mesmo!

Os palhaços são historicamente
Tudo de bom
Trazem o riso
As gargalhadas
O divertimento
Só nos lembram bons momentos
Felizes...

Não sei por que depreciam tanto a designação “palhaço”...

Tornou-se algo pejorativo ser um palhaço...

Que lástima!

Um ser mágico que vive entre as crianças
Que o olham entusiasmadas, surpresas, encantadas
Aquele rosto pintado, todo colorido
Em cores quentes
Aquele nariz redondo vermelho
Aquelas roupas espalhafatosas
Aqueles trejeitos hilários

Toda palavra que sai da boca dele
É riso
Gargalhada
Diversão...

Depreciativo deveria ser chamado de soldado!
- Que impõe armas, mata os outros -

De político!
- Que rouba todo mundo e ainda ri da nossa cara -

Ser chamado de algo assim...

É que de fato deveria ser um grande insulto, imperdoável...

Agora que estou tão triste
É que vejo como a vida tem coisas bestas...

Quando eu estou tremendamente feliz
Rindo à toa
A torto e direito
Fazendo piada de tudo
Dizem-me que não tenho siso
Sou um doido varrido
Um palhaço de circo

E agora que estou tão triste
Essas mesmas pessoas que assim me dizem
Recriminando minha felicidade
Do jeito que ela é
Sumiram todas
Deram-me as costas...

Se resolvem aparecer
Em boa parte das vezes
Só pioram as coisas
Porque elas não têm psicologia alguma
Ao invés de serem pra mim palhaços
Trazendo-me o riso
A doce falta de siso
Fazem tudo invertido
Julgando que é compartilhando a dor, a tristeza
Que elas também têm ou tiveram
Ou aquela que conhecem de alguém que tem ou teve
Dando aqueles longos e sentidos e exaustivos depoimentos
(Parece um ritual no Muro das Lamentações
Ou um daqueles programas de rádio ou TV que só contam infelicidades
E todo mundo chora e fica bem triste)
É que vão amenizar nossa tristeza
Consolando-nos...

Tristeza não se ameniza com tristeza!
Oras!
Apenas a aumenta...

Tristeza só se ameniza com o riso, a alegria!

Seu oposto...

Então não me venham nessas tristes horas
Dizerem-me coisas também tristes
Imaginando que irão me consolar
Pois somente me deixarão mais triste
Impregnado daquele senso fatalista
De que não tem jeito
É assim com todo mundo

Venham me contar piadas!
Levantar meu astral!
Só me dizerem coisas boas
Felizes
Para que eu volte a ser feliz

Sabe, já que ninguém me ajuda ou sabe como fazê-lo
Eu vou contar piadas pra mim mesmo e rir sozinho...

Já estou rindo...

Ahahahahahahahahaha...

Tá vendo só como são as coisas?

Eta vida besta!

Já tem gente aqui me chamando de louco de novo!

Ah! Meu Deus do Céu!

Vixe Maria!

E eu enfim resolvi minha tristeza!

Já sou feliz de novo!

Ahahahahahahahahaha...

Que me chamem de doido varrido
Palhaço de circo
Porque eu rio sozinho
Das piadas que eu mesmo conto pra mim...

Não quero nem saber!

Eu quero é ser feliz!

Não é isso que você também quer?

Então pronto!

Não vamos discutir!



E ponto final

Até mais!




Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha...

Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha...

Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha...





Rob Azevedo











Era Glacial Interior




_________Era Glacial Interior_________












Que essa noite amarga me traga
A morte da amargura
A ventura
De um nascer do Sol feliz

Fatigante demais
É o tédio
Quando não há remédio
Nem para o hoje
Nem para o amanhã
Apenas algo assim que pareça
Um longo exílio solitário na Antártida
Naquele cenário frio de neves
Vendo pingüins
E comendo enlatados

Ah! Meu exílio amargo!
Longe das palmeiras
Dos Sabiás...

Quem dera eu voltar
Para o lugar de onde não vim
E nele te encontrar
Dentro de mim

É lá que estou
Feito um caramujo
Soturno
Um urso polar
Hibernando

Porque agora é inverno
No meu eu profundo
Assim sozinho
Sem quem o aquecia
O tornando verão eterno

Tudo ecoa tédio
Marasmo
Sem sentido
Vazio
No mundo congelado
Onde então vivo

Será longo meu exílio
Trancafiado dentro de mim?

Resta-me passar o dia
A ver os pingüins
Andarilhando sobre as neves
Desajeitados
Buscados as águas gélidas
Do mar salgado
Tornado pedra
De gelo

Ó cenário monocromático!
O colorido se perdeu
Tudo é branco
Até onde se perde a vista
No horizonte

Geleiras e neves...

Eu mesmo, creio
Tornei-me uma pedra de gelo!

Ah! Isso passa, isso passa!
É só um momento transitório
Em minha vida
Cinza, frio
Como há
Na de qualquer pessoa...

- Digo para mim mesmo –

O problema
É que me digo tal coisa
Desde não sei quando
Tento contar os dias marcados na parede
Do meu exílio dentro de mim
E não consigo...

Pego meu velho violão
Descansando num canto
E não sei por que
Espontaneamente, ao acaso
A canção que vou cantando
E dedilhando nas cordas
Diz:

“É impossível ser feliz sozinho...”

Mas o sentido desse “sozinho”
É bem amplo...

- Reflito –

Não diz Camões
Que há o “solitário andar entre a gente” ?

Mil companhias que eu tenha
Por virtuosas que sejam
Não me fazem menos só do que estou
Sem quem um solitário – exilado na Antártida
Tornei-me por não tê-la
Como nos dias findos de verão
Naquelas terras
Onde há palmeiras
E Sabiás

Na verdade os pingüins
Dos meus devaneios nas geleiras
Do Pólo Sul
São em simbologias
As pessoas todas
Que agora vejo
Ao não vê-la

Não me fazem a companhia adequada
Nem tampouco posso me comunicar com elas!

Estou incomunicável da alma!

Portanto um exilado
Calado dentro de mim

Até quando não sei...

O horizonte é sombrio
Desolador...

Mas Deus queira
Ainda verei as andorinhas em revoada
Anunciando a volta do verão...

E ouvirei o canto dos Sabiás
Empoleirados nas palmeiras...

Senão ao lado dela
De alguém que me mereça
Trazendo o Sol, o calor e o sentido
Mais uma vez à minha vida



Rob Azevedo














Balada para os Elefantes




___ Balada para os Elefantes ___





Incomodo os elefantes
Ruminantes
No pátio dos dementes
Da Rua Marquês de Abrantes

Tão invejosos!
Suas invejas
Os enlouqueceram
E morreram vivos
Cobiçando meus versos
Os mais belos

Ao invés de cuidarem de suas vidas
Lastimosas
Passaram seus dias
Tentando secar as rosas
Do meu jardim
Que floresceu
Ainda mais
Lindo
Tão divino
Quanto o céu

Dão voltas e mais voltas sem fim
Em torno da amendoeira que há
No pátio dos dementes
Da Rua Marquês de Abrantes

Esbravejando pragas
Lamuriando-se de suas mediocridades amargas
Não aprenderam os elefantes ruminantes
A baterem palmas...

Eu
Dessa lição passei
Faz tempo
Agora as ouço
Aclamando-me
Efusivamente...

E meu jardim
Floresce
A cada dia mais e mais
Por tanta gente
Intrometida e invejosa
Cuidar dele
Ao invés
De seus próprios canteiros
Definhando sob o revés
Da miserabilidade do espírito



Rob Azevedo











Domingo, 19 de Outubro de 2008

DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS EM TODA MINHA OBRA







████████████████████████████████████████

Brevemente estarei lançando livros de Poesia e Prosa
no mercado editorial, assim como CDs de música Bossa Nova
e MPB no cenário musical, aguardem!!!

Toda minha obra literária (e musical) consta com os devidos
registros na Biblioteca Nacional - Direitos Autorais Reservados.

Denuncie o plágio. A violação de direitos autorais é crime.
Lei Federal 9.610, de 19.02.98.

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Rob Azevedo






A Culpa




_________A Culpa_________







A culpa é tua
Por minha alma nua
No meio da rua
Rimando dor e amor
Ofertando sem jeito à Lua

Ai, que amargor!
A culpa é toda tua!
Por minha ufana loucura
Equivocada mensura
Do que há além
De chamar-te Meu Bem
Revestindo de doçura
O que sei
É de ninguém
Sou eu, Meu Bem
Sou eu, Meu Bem
Quiçá
Tu também

A culpa é tua!
Por minha carne crua
Queimando por dentro
Por fora
Querendo
Sentar a pua!
A culpa é tua!
A culpa é tua!

A culpa é tua!
Pela aurora
Quando não é hora
Por ver-te
Como meu pão
Pelo verde
Que colhi
Imaginando maduro
Pela inundação
Do meu coração
Pela solidão
Que me traz teu não

Se eu for embora
E tu chorares
Ó Minha Senhora
E me rogares
Volta!
A culpa
Será toda tua
Se for tarde
E eu me cale
Outra ache
Que te desole
E a mim console

A culpa
Será tua
Por minha morte
Quando amanhecer o dia
Eu sentir profundo o corte
Mirando ao lado
Outro corpo
Que não seja
Tua forma nua
Minha consorte
Escolhida
Pro hoje e, quem sabe, Deus queira
O amanhã da vida

A culpa então
Será toda tua
Por ser ouvida
Em pranto
Comovida
A si mesma
Exclamando
Aflita:

- Mea Culpa, Mea Culpa, Mea Maxima Culpa!




Rob Azevedo













A República da Poesia




________ A República da Poesia ________






Penas em riste
Proclamam
A República da Poesia!

Bem longe do mundo triste
Sem versos, nem excessos
De lirismo e romantismo

Nas terras das trovas
Tudo são odes maravilhosas
Ao que de melhor existe
O Amor, a Saudade Doce
O Mar, as Rosas
O Sabiá, as Prosas
Entre corações enamorados...

A Música, o Canto
Os Encantos do Sol e da Lua
As Estrelas, o Pranto
Por paixões fugidias

Lá na República da Poesia
Tudo são flores
Em dias primaveris
São suspiros de amores
E mesmo espinhos e dores
Mas daquelas que valem a pena
E tornam a vida grande

No sarau a céu aberto
Com a fronte coroada por heras
Declamo meus versos
E vejo as antigas quimeras
A frente, cintilantes
Ao luar

A platéia me ouve
Concentrada, extasiada
São poetas alados
Malabaristas no teatro mágico
Vou recitando e aguardo
O momento final
Quando as palmas me aclamarão
Em glória triunfal

Declamando me arrebato aos céus
Sou um deus, sou Zeus
Incorporado da Arte Dramática
Em cada poro tomado
Levantando as mãos ao alto
O olhar ao léu
Enxergando distante
Na Acrópole
O Templo de Afrodite

É o Amor
Sagrado e Eterno
Em mim que me move
Levando-me além
Aonde ninguém
Pode ir sem o ter
Gravado na alma
E no coração

Mirando perdido as sendas
Da Via Láctea
Cerro enfim os olhos
Recitando meu último verso
E ponto final...

Chovem Lírios
Crisântemos
Rosas
Margaridas
Tulipas
Camélias
Açucenas
Gardênias
Hortênsias
Papoulas...

Chovem sobre mim as flores
De toda Babilônia!

E Palmas...

E Palmas...




Rob Azevedo












A Pianista




____________ A Pianista ____________

Como um pássaro liberto que Silva
Na ventania...






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O mundo
É deixado de lado
Por um breve momento
Tão longo e profundo
Quanto o que há além
Do infinito

Porque a pianista
Se põe defronte
Às teclas alvas
Do piano
Pinceladas de ébano

Suas mãos tocam
Madrepérolas que afundam
E sobem
Ecoando notas
Belíssimas
Reavivando os mortos
Da alma

Ela mesma se sente
Então viva
Como nunca antes
Porque toca
Seu piano amante

Ó finito e eterno momento
Tão magnífico e profundo
Quanto o que há além
Do infinito

O piano tocado
Apaixonadamente
De inanimado instrumento
Torna-se homem amante
De sua pianista virtuosa
E lhe oferece rosas
Em notas sonoras

Ah! Que segredo se esconde
Entre a música que se ouve!
Que bela e romântica história
De Amor tão antigo e grande
Desde os tempos de menina
Sonhando em ser pianista
Talentosa

Ó que belas rosas
Em sonoras notas
O piano amante
À pianista oferece...

Ó que Amor tão antigo e grande!

Que Lua de Mel romântica
Sem fim
Como um pássaro liberto que Silva
Na ventania...



Rob Azevedo














Sine Qua Non




_♥_♥_♥_♥_♥_♥ Sine Qua Non ♥_♥_♥_♥_♥_♥_





Quando te vejo
Desejo
Desejo um beijo
Sem floreio
E creio
Creio no Amor verdadeiro
Sem erro
Eu quero
Quero ser o enlevo
Que bate em teu peito
Eu peço
Peço um ninho em teu seio
Um lugar ao teu lado
Em teu leito
Eu vejo
Vejo um céu aberto de Sol
De Norte a Sul
Eu rezo
Rezo por nós dois
Antes, durante e depois
Do beijo
Que te peço
Eu peco
Peco por excesso, demasiado zelo
Pelo muito que faço
Nunca por ausência
Omissão
Insuficiência
Eu entrego
Entrego meu coração
Em tuas mãos
Com condição
Sine Qua Non:
Sem devolução!
Eu rogo
Rogo eternidade
Em cada finito instante
Te amando sempre bem mais do que antes
Eu choro
Choro estar longe
De ti neste momento
Como estive ontem
Eu consolo
Consolo a mim mesmo
Imaginando que ainda hoje
Contigo estarei
Eu confesso
Confesso que te amo e amo e amo
E amo tanto nem sei quanto
Eu nego
Nego o mundo pra te ter
O ouro, o ar, o que haver
Eu rego
Rego a flor que há de nascer
No jardim ao amanhecer
Eu pego
Pego no céu as estrelas que quiseres
Faço delas pingentes em teus colares
Eu meço
Meço na amplidão do infinito
O Amor que por ti eu sinto
Eu pulo
Pulo a corda, o muro
O rio, o mar
Para te encontrar
Eu fujo
Fujo do absurdo
De viver sem teu Amor
Sem ter por quê
Pra quê
Prazer
Eu juro
Juro em cada verso
Amar-te com esmero...

No claro ou escuro!







Rob Azevedo


VIS-CE-RAL-MEN-TE VIS-CE-RAL...













Sábado, 18 de Outubro de 2008

A Morena do Marinheiro de Vila Velha




__ A Morena do Marinheiro de Vila Velha __







O farol
Sobre o despenhadeiro
Ilumina o veleiro
Que vem de longe
De longe
Distante
Singrando o mar

Na praia a cantar
A mulher do marinheiro
Que saiu a pescar

Vem depressa, ó, marinheiro
Teu Amor te espera
Rezando o Rosário
Acendendo uma vela

Na praia a cantar
Da morena mais bela
Escorre uma lágrima
Se colhe uma pérola

Porque é da ferida
No coração
Que nasce a canção mais sentida
Ouvida com funda paixão

É na dor comovida
Que choram aflitas as cordas
Do violão

Vem depressa, ó, marinheiro
A morena bonita
Teme pela vida
Que pulsa em teu peito

O mar é traiçoeiro
Num instante ligeiro
Engole pra morte
Gente forte
Que tem na terra
Firme um Norte
Do Amor a sorte
De alguém que lhe espere

Vem depressa, ó, marinheiro
A morena mais bela
De toda Vila Velha
Chorando reza
Acendendo uma vela



Rob Azevedo










O Canto do Pescador




_________O Canto do Pescador_________

– Letra de música MPB -











O
pescador
De manhazinha
Saiu pro mar
Trouxe nas redes
A sereia
Filha de Iemanjá

O pescador
Antes do pôr
Do Sol
Desenhou na areia
Um coração
A onda levou

O pescador
Conheceu o Amor
E depois do pôr
Do Sol a dor
E desandou a chorar
Na beira do mar

O pescador
No pranto que derramou
Se afogou
Na areia à beira
Do mar

Ó sereia
Filha de Iemanjá
Vede a dor
Por que não voltar
Do verde mar?

Ó sereia
Filha de Iemanjá
Vede o Amor
Maior que o mar
Por que não voltar
Pro pescador?

Ó sereia
Filha de Iemanjá
Volta do mar!
Volta do mar!

Ó ondas a quebrar na areia
Traz a sereia, traz a sereia

Ó pescador a se afogar no pranto a derramar
Verde é a esperança, a cor do mar
Ela há de voltar, ela há de voltar

Ó dor, ó dor, ó dor, ó dor
Maior que o mar
É por ti que estou a cantar
Estou a cantar

Ó amor, amor, amor, amor
Maior que o oceano
Por ela bem mais eu canto
Bem mais eu canto

Eu amo, eu amo, eu amo, eu amo
O Amor é tanto, a dor sem tamanho
Que eu canto, eu canto, eu canto, eu canto
Pela sereia que amo
De Amor maior que o oceano

E canto e canto e canto e canto...




Rob Azevedo













Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Amor d`Além Mar




_________ Amor d`Além Mar _________








O
mar azul
Separa
Nós dois

Ó lusitana
Menina das terras
De Camões

O mar azul
Separa
Nós dois

Ó Atlântico Sul
Suas ondas brancas
Espumantes
Quebrando nos corais
São canções
De saudade
Entre corações

Ó Atlântico Sul
Ao lembrar de nós
A trinta Nós
Quero cruzar-te
Antes que tarde
A vida e se cale

Amar, amar, amar, amar...
Alguém de tão longe
É amor de monge
Triste cancioneiro
De dor e saudade

Ó meu Rio de Janeiro
Que venha logo um veleiro
A me levar
Ao outro lado do mar
Na cidade do Porto
Eu quero
Aportar

Porque amar, amar, amar, amar...
Um amor d`além mar
É recolher a âncora
Içar a vela e zarpar
Cruzar o Oceano

Ó Atlântico Sul
Teu azul me é tão triste
Calando fundo
O amor que existe
Não há ninguém feliz no mundo
Vivendo distante
De quem ama
Loucamente
Como eu amo
De amor tão grande
Quanto o oceano

Só em ver o mar
Balouçando e cantando
Prateado ao luar
Ou dourado pelo Sol
Quero recolher a âncora
Içar a vela e zarpar
Cruzar o Atlântico Sul

Amar, amar, amar, amar...
Alguém de tão longe
É triste, é triste
Dói fundo, tão fundo
Quanto o profundo
Mar azul
Que nos separa



Rob Azevedo











Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Blues Num Quarto Escuro




Blues Num Quarto Escuro

- Letra de Música -










No quarto escuro eu quebro o muro
Entre nós dois
Desatando os botões
Da calça jeans
Por favor eu quero
Mais duas pedras de gelo
No meu Gin
Deixa disso e vem comigo
Diz que sim!

Um Blues toca na vitrola
Ela se assanha e rebola
Com olhar de louca

Essa loba me dá bola
E agora eu lhe peço esmola...

Por favor, tire a roupa!

Amor assim não dá
Abra ao menos o feche Clair
Quero ver o que há
Na tua sala de estar

Oh-yeah!

Onde você está
Com a cabeça nessa hora boa?

Se demorar consumo
Todo o Gin sozinho
Depois deito na cama
De bode
Viro pro lado e durmo

Essa loba se assanha
E rebola ao som do Blues
E agora vê se pode?
Eu lhe peço esmola...

Por favor, tire a roupa!

Amor assim não dá
Abra ao menos o feche Clair
Quero ver o que há
Na tua sala de estar

Oh-yeah!

Onde você está
Com a cabeça nessa hora boa?

Se demorar consumo
Todo o Gin sozinho
Depois deito na cama
De bode
Viro pro lado e durmo

A gata mia lá fora
Ao luar namorando
A gaita aqui dentro me consola
No quarto escuro

Sem meia sola faço hora
Pego a guitarra e dedilho um solo
Enquanto a cigarra canta
D`outro lado do muro

Eu sem jeito fico mudo
Meditando o absurdo
De nós dois num quarto escuro
Você vestida, eu desnudo

Por favor, tire a roupa!

Amor assim não dá
Abra ao menos o feche Clair
Quero ver o que há
Na tua sala de estar

Se demorar consumo
Todo o Gin sozinho
Depois deito na cama
De bode
Viro pro lado e durmo

Oh, não!

Oh, não!

Oh, não!




Rob Azevedo






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Você Não Deu Valor




Você Não Deu Valor
- Letra de música – Estilo: Pagodinho/MPB -



Você não deu valor
No meu amor
Agora chora
Porque vou embora
Já passou da hora
De enxergar quem sou
Não só um sonhador
Louco trovador
Agora chora
Não tem vela nem rosa
Mas tudo entre você e eu
Morreu, adeus
Porque não deu valor
No meu amor
E pisou na flor
Então chora
Já passou da hora
De enxergar quem sou
Sou teu amor
Só teu amor
E o teu amor é meu
Você não entendeu
Agora chora
Porque não deu valor
Ao que é teu
O meu amor
E o teu sou eu
Você não entendeu
Agora chora
Não tem vela nem rosa
Pelo amor que morreu
Ninguém mais sofreu
Do que eu
Mas agora é você quem chora
Porque vou embora
Já passou da hora
De dizer adeus
Adeus, adeus
Amor dos céus
Adeus, adeus
Vai com Deus
E chora
Não tem vela nem rosa
Mas tudo entre você e eu
Morreu, adeus
Amor dos céus
Vai com Deus
E chora...



Rob Azevedo










Nem Sei Mais




Nem Sei Mais
- Letra de Música MPB -




Já nem sei mais
O que dizer
Sem ter o por quê
Eu te amar demais

Tanto faz
Também nem sei mais
O que é ter paz
Longe de você

Vai doer
Se deixar morrer
O Amor
Que tenho a oferecer

O calor do Sol
Nem o cobertor
Vai nos aquecer
Do frio interior

Nem tente me esquecer
Eu já tentei
Não lembrar mais você
Não deu
Nem um dia não pensei
No Amor que eu te dei
E você me deu

Dizer adeus
De nada valeu
Eu sei você sofreu
Tanto quanto eu sofri
Dizendo adeus

O calor não aquece
Quando não se esquece
O Amor que se viveu

Solta o passarinho e volta
Pros braços meus
Nas mãos tenho rosas
Em minha porta
Há pousado um Louva-Deus

Mas não finja
Que me esqueceu
Não, nem minta
Que nosso Amor morreu
Com o coração
Não se brinca
Bem sabe quem sofreu

Solta o passarinho e volta
Pros braços meus
Nas mãos tenho rosas
Em minha porta
Há pousado um Louva-Deus

Você e eu
Eu e você
De volta o por quê
Do viver
Quando não sabemos mais
O que é o mundo
Sem nós dois
A sós juntos
Antes, durante e depois
Outra vez



Rob Azevedo













Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Amor Retirante




_________ Amor Retirante _________







Sou retirante
De nós dois
Num pálido instante
O que vinha depois
Se foi
Sem dizer adeus
Vai com Deus
Pelos céus
Azuis
Em que reluz
O Sol
Dourado
Ardente
Quente

Sou retirante
De nós dois
Inconseqüente
Da dor
Dilacerante
Sem o que era antes
E o que viria depois

Sozinho
Sem itinerário
Nem horário
Cavo o buraco
Onde me encontro
Enterrado

Lá embaixo
Na terra úmida
Sou a semente
Donde nascerá
Um Cravo

Mas por que voltar ao mundo?
Se a Rosa
Por quem chora o porvir
Que há de ser Cravo
Se foi sem itinerante
Quando o viu de repente
Transformado em retirante
Inconseqüente
Desatando o laço
Que unia os dois

No claro
Restará ao Cravo
O arrependimento
Nem amenizado
Pelo frescor do vento

Ou o úmido do orvalho
Só sentida
A dor dilacerante
Sem o que era antes
E o que viria depois

Semente, semente
Debaixo da terra se esconde
Só as raízes cresce
Nada que no alto
Sob a luz externa
Seja visto
Porque floresce

Oculta minha dor
Do antigo Amor
Lá embaixo, bem fundo
Porque eis agora findou



Rob Azevedo













Penedos de Gibraltar




_________Penedos de Gibraltar_________







Esconderei meu medo
Nos penedos
De Gibraltar
Lá embaixo
Verei as ondas
Brancas do mar
Ir e voltar
Estourando
Esvoaçando
Escumas
Ao vento
Que impele velas
De escunas
Com destino
Em sendas amarelas
Ao além do horizonte
Onde se deita
O Sol
Dormindo
E se levanta
Glamourosa
A Lua
Sorrindo

Do meu sono acordado
Despertarei
Ao luar
Aos acordes
Do bandolim
Tocado
Por um arlequim

Embriagado
Do vinho noturno
Revolverei os cascalhos
Dos penedos
De Gibraltar
Ao canto das ondas do mar
Haverei de encontrar
Repousando a concha
Em que se aninha a pérola
Que estou a buscar

Lá distante dos medos
Escondido nos penedos
De Gibraltar
Haverei de encontrar
E amar e amar
A pérola
Que estou a buscar



Rob Azevedo












Fundo Amargor, Cinza Sem Cor




_____Fundo Amargor, Cinza Sem Cor_____

- Cinco Quadras e Uma Quintilha -






Saudades daqueles verdes bosques
Venturosos, de flores e encantos
Colhidos risonhos em buquês
Enfeitando da casa os cantos

Os severos prantos de agora
Escorrem inundando os campos
Sem o riso acolhedor da Ambrósia
Que partindo embora, semeou lamentos

Já não me traz o luzir da aurora
A ditosa manhã de outrora
Só tormento e amargo queixume
Sequer me ilumina a luz dum vaga-lume

Ó dama dantes tão amorosa
Olhai-me em meus olhos baços
Com as rosas que trago no regaço
E as trovas que te escrevi no bolso

Lembrai então dos bosques o quão
Formosos eram e do que restou
Um cinza sem cor e fundo amargor
Martirizando um pobre coração

Lembras-te daquele que tanto te amou?
Hoje por teu esquivo Amor
Que deveras o magoou, ferida causou
A si mesmo se enterrou
Inconsolável em sua própria dor



Rob Azevedo











No Cais do Porto Desilusão




______ No Cais do Porto Desilusão ______







Sou aquele que não morreu
Quando lhe disse adeus
Mas sofreu e sofreu e sofreu...

Sou o morto-vivo sem velório nem flor
Sem enterro, só dor
Sou o Amor
Que não vingou

Sou o pranto que não secou
O queixume que não se calou

Sou a esperança que definhou
Ainda verde
E a criança que amadureceu

Sou o depois do Sol
Que se põe
A sombra da escuridão
Num cálice bebida
Com champagne

Sou a paixão
Mal resolvida
Com a ida
Da querida
Que sempre quis
Pra mim

Sou aquele infeliz
Que vaga
Em noite enluarada
Declamando trovas
À amada
Que se foi

Sou o sopro do vento
Que bate na porta
De quem foi embora
Com saudade que não lhe importa
E o lamento
Por tudo o que não volta
Nas linhas tortas
Da minha vida
Nunca certa
Nem escrita
Por Deus

Sou o lenço
Encharcado de lágrimas
Na despedida
Acenando adeus
No cais do Porto
Desilusão



Rob Azevedo











Quem Sou Eu?




_____ Quem Sou Eu? _____






Quem sou eu, Meu Deus?
Quem sou eu?
Não sei, não, não sei, não
Sou uma multidão
Um tórrido coração
Sou o sim e o não
O adeus que não se quis
A Flor de Liz
O desenho a giz
Sou o tufão
O trovão
A luz
E a escuridão
A cura
Da maldição
Do viver em solidão
Sou o bêbado feliz
A bala de Anis
O bem que se quis
O poema que escrevi
Tudo o que vivi
E não esqueci
Sou um pássaro
Um cavalo alado
Um peixe de asas
Um par de lábios
Num beijo
Enamorado
Sou o príncipe
Encantado
E o sapo...
Sou o inferno e o céu
O oi e o tchau
A partida e a chegada
A saudade da namorada
O Romeu na sacada
De Julieta apaixonada
A lhe beijar e beijar e beijar...
Sou o cão sem dono
A vadiar
Sou o lobo a uivar
O peito a sangrar
O Amor no ar
A dor a te calar
Sou o sonho
E o despertar...
Sou o espetáculo
Do palhaço
No circo
Mágico
Sou a loucura
E a lucidez
Do filósofo
Refletindo a vida

Sou a pergunta
Sem resposta:

Quem sou eu, Meu Deus?
Quem sou eu?



Rob Azevedo












Deliciosa Luxúria




__________Deliciosa Luxúria__________

"A Arte nunca é casta, deveria ser mantida longe de todos os cândidos ignorantes. Nunca se deveria deixar que gente despreparada se lhe aproximasse. Sim, a Arte é perigosa. Se é casta, não é Arte."

Pablo Picasso
















Ah! Mil rosas cálidas
Orvalhadas
Desejo desabrochadas
Em minha cama!

Pernas se abrindo
Como pétalas
Sorrindo
Descortinado o ninho
Do passarinho

Em meus lençóis
Um jardim
De divinas flores
Úmidas
Cálidas
Rosas
Perdidas de amores

Mil delas
Amorosas e belas
Desabrochando, florescendo
Desejo em meu leito
O Reino
Da Luxúria deliciosa


Eu, o passarinho Beija-Flor
Provando de todas o sabor
Em meu bico
Que traz das colméias o mel
Derramado em cada cálice

Um harém sem fim
Transbordante
De deusas flores
Amantes de mim

Amorosas e belas
Cálidas e úmidas rosas
Se abrindo como pétalas
Sorrindo
Descortinado o ninho
Do passarinho

Nuas em formas
Perfeitas, esbeltas
Desejosas do mel
Que trago das colméias

Lindas flores
Ardentes por mim
Num viver de amores
Sem fim

Carícias e beijos
Suspiros e gemidos
Arranhões e apertos
Corpos nus se comprimindo
Sobre o meu voluptuosos

Lambuzá-las do mel
Que trago das colméias
Celestiais
E lambuzar-me
Do orvalho cálido
Que recobre seus cálices

Nuas a banharem-se
Comigo nas fontes
Da luxúria deliciosa
Insaciáveis brindando
O êxtase venturoso
Dos deuses
Que o provamos
No corpo, na boca
No seio, nas coxas
No peito, no dorso
Nas ancas, nos braços
Nas mãos, no abdômen, n
os olhos
De mulheres loucas
Lânguidas, devassas
Por um homem tórrido
Que as têm no laço

Ó Minhas Rosas
Úmidas
Cálidas
Desabrochadas
Perdidas de amores
Amorosas e belas
Se abrindo como pétalas
Sorrindo
Descortinado o ninho
Do passarinho...

Abençoado seja
Nosso Reino da Luxúria
Deliciosa
Ó Minhas Rosas!













Rob Azevedo











Nascer do Sol




___________Nascer do Sol___________











Bem longe daqui
Encravado no cume das altas montanhas
Envoltas em nuvens
Eu vivo
Apartado do mundo
E suas tentadoras ilusões
Materiais e luxuriantes

Sou Bruxo
Minha casa rústica
De madeira e pedra
É bem no meio do mato
Floresta virgem

Ao acordar
Às quatro e meia
Com os primeiros raios solares
Iluminando o mundo
As névoas da serra se dissolvem
Lentamente
Desvendando as árvores silenciosas
Portentosas e sábias
Com cipós e trepadeiras descendo de seus galhos
Em cascatas
Enquanto o orvalho escorre
Sobre as folhagens

Escuto a cantoria dos galos
E pássaros
Brindando em algazarra
O dia que alvorece

O Sabiá é o Maestro-Cantor-Mor
Regendo a sinfonia matinal
Que agradece em festa
Mais um dia de existência
No seio da Natureza exuberante

Seu canto se destaca
Ouve-se bem claro
Soberano
De beleza e encanto
Divinal

O festival que celebra o nascer do Sol
Dura pouco
Às cinco e dez
Os galos e pássaros
Começam a silenciar
Até que se calam

E aquele momento mágico
Se foi
Cerrando as cortinas do impagável espetáculo
Até o amanhecer seguinte
Quando ressurgirá
Espontaneamente
Sem que seja cobrado ingresso algum
A quem o assista

Ah! Aqueles lá de longe
Das montanhas onde vivo
Buscam as telas de TV
O cinema
Shows
Estádios lotados
Passatempos vários
E pagam...

Mas perdem o espetáculo maior
- Gratuito -
Que a Terra nos oferece
Que é o nascer do Sol
E todos animais da floresta
O celebrando religiosamente
Em oração musical
Num festival espiritual
Mágico, sinfônico
Que não dura mais
Do que quarenta minutos

Assim são os homens lá de longe
Dessas montanhas maravilhosas onde vivo
Em comunhão com a Natureza

Não bastasse
Haverem virado as costas para o Sol
A Lua
As Estrelas
Todos os Planetas
O Mar
Os Rios e Lagos
O Verde
Os Animais
Criaram estátuas de cerâmica
E as adoram
Como se estas coisas inanimadas
Criadas por mãos e mentes humanas, sim
Fossem os deuses da Terra

A tudo inverteram
Estranhamente
Conforme suas mentes confusas

Cegos
Não enxergando o óbvio saltitante aos seus olhos
Perverteram a Natureza
E deram asas aos homens
Em imagens profanas
E os chamaram de anjos
Em loucas criações

Quando anjos
Existem no dia a dia
E já de bem antes existiam
Com suas asas próprias
Naturais
Com as quais nasceram
Por Graça Divina

São os pássaros...

O Sabiá!

O Beija-Flor!

O Bem-Te-Vi!

E outros mais...

São Arcanjos, Serafins e Querubins

Ah! O quão são tolos os homens!
Os animais se apiedam deles
Celebrando a Grande Mãe
Natureza
E todos seus elementos

O Sábia me brinda
Com seu último canto matinal
Brindando o nascer do Sol
E silencia

Assim o faz
Todos demais pássaros
E os galos

São cinco e quinze
E me levanto da cama
Após minha oração
Junto com os cantores alados
Celebrando e agradecendo
O novo dia



Rob Azevedo






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Coração Noturno

Raul Seixas




Amanhece, amanhece, amanhece,

amanhece, amanhece o dia

Um leve toque de poesia

Com a certeza que a luz

que se derrama

nos traga um pouco, um pouco, um pouco de alegria !

A frieza do relógio

não compete com a quentura do meu coração

Coração que bate 4 por 4

sem lógica, sem lógica e sem nenhuma razão

Bom dia Sol !!!

Bom dia, dia !

Olha a fonte, olha os montes

Horizonte

Olha a luz que enxovalha e guia

A Lua se oferece ao dia

E eu, e eu guardo cada pedacinho de mim

prá mim mesmo

Rindo louco, louco, mais louco de euforia

Bom dia Sol !!!

Bom dia, dia !

Eu e o coração

Companheiros de absurdos no noturno

no soturno

No entanto, entretanto

e portanto...

Bom dia Sol !!!

Bom dia, Sol !










Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Paralelo Intransponível




________Paralelo Intransponível________







Há um paralelo intransponível
Entre eu e mim
Somos dois
Seres distintos
Em conflito
Incompreensível

Somos históricos inimigos
Entrincheirados
Em lados opostos
De um campo de batalha

Cada um em sua vala
Metralhadora dispara
Um contra o outro

Não há jamais um armistício
Somente o eterno suplício
De quem a si mesmo se mata

Rugem canhões
E rajadas de balas
Estouram bombas
Treme o chão
Ardem labaredas
Escura fumaça
Esconde o horizonte

Não há nunca uma bandeira branca
Que se levante
Só um mesmo infante
Que sangra e sangra
Por suas próprias mãos

Insurreição?
Separatismo?
Loucura?
Masoquismo?

Divergência por divergência...
Nada mais, apenas
Identidades culturais
Próprias e opostas
Entre eu e mim

Guerra sangrenta
Interminável
Dilacerante
Incongruente
Onde jaz a Paz
Numa cova rasa
De indigente
E sobre meu corpo
Marcham dois soldados
Inimigos
Disparando canhões
Em eterno conflito

Independência de mim mesmo!
Grito desterrado nesse descampado sombrio
Mortífero...

Na desesperada busca
Por me libertar do algoz implacável que sou
Não me mato
Atiro-me do penhasco e vôo
Bem alto
Cruzando o paralelo intransponível
Entre nós dois

Lá nas nuvens
Milhares de milhas além do campo de batalha esfumaçado
Barulhento, lamacento
Ergo meu castelo de quimeras
E vivo em paz comigo...

E contigo...

Havendo cruzado

O paralelo intransponível

Entre nós dois...




Rob Azevedo










O Beijo Que Te Dei




___________O Beijo Que Te Dei___________

"Aqueles que se beijam não se satisfazem com a simples doação dos seus lábios, mas precisam infundir as suas próprias almas um no outro"

Santo Ambrósio


“O beijo é um truque delicioso inventado pela natureza quando as palavras se tornam supérfluas.”

Ingrid Bergman



Eu ♥ Você




Não me sai do pensamento
O beijo que te dei
Ontem à noite...

O roubei de ti
Ou o roubaste de mim
Não sei...

Aconteceu de repente
Num lampejo inconseqüente
Quando as palavras se tornaram
Supérfluas
Como diria Ingrid Bergman

Aqueles velhos clichês
De que o mundo parou
Tudo girou e girou
Feito roleta de casino
São válidos

O beijo que te dei
Não me sai do pensamento
Não sei se de ti o roubei
Ou acaso tu quem o me roubaste

Entre tudo o que não sei
De uma coisa estou bem certo:

No beijo que te dei
Não me contentei
Em apenas doar meus lábios
Mas infundi minha alma
No mais profundo do teu Ser
Como diria São Ambrósio

E agora minha boca
Como o peregrino que padece no deserto
Tem sede de cada mínima gota
De umidade sobre teus lábios
E tua língua

Quero bebê-las todas
Saciar-me
E delas me embriagar
Pois sei são gotas das videiras
Que dão bom vinho
O=MELHOR=QUE=HÁ!!!


-------> Rob Azevedo




Eu ♥ Você










Cassino




_____________ CASSINO _____________






Nem tudo o que traz as redes
É peixe

Nem toda luz que cintila no céu
É estrela

Nem toda flor que se abre no jardim
É rosa

Nem toda prosa que temos
É amorosa

Nem toda desavença nossa
É sem volta

Nem toda rispidez que espanta
É ódio
Quiçá Amor que acalenta
Noutra forma

Nem toda taça cheia
Entorna

Nem toda ceia
É Santa
Ou a Última

Nem toda crença
É verdadeira
Bem de costume
Somente lenda

Nem todo medo
É concreto
Grande parte
Abstrato

Nem toda poesia
É ficção

Nem toda ficção
Pura imaginação

Nem todo ato
De dois corpos encaixados
Apenas fricção
Porque há quem tem
Alma e coração

Nem todo não
É negação

Nem todo sim
É afirmação

Nem toda jura eterna
Ilusão
Ou promessa certa

Nem todo adeus
Um nublar dos céus
Um nunca mais

Nem toda boas vindas
A certeza de companhia
Até o fim da vida

Há que se jogar
A bolinha na roleta a girar
Fazer a aposta e esperar
O que virá
Se é perder ou ganhar

Alea jacta est!




Rob Azevedo












Prelúdio de um Amor Oculto




_____ Prelúdio de um Amor Oculto _____

IL VIOLINO INCANTATO II





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Sem o violino desafinar
Vou e volto
Com o arco sobre as quatro cordas
A ressoarem
O adágio onírico
De um deus fausto

É o Prelúdio de um Amor Oculto...

Bebam o vinho
E se entorpeçam
Aos acordes do violino
Ressoando um segredo

Ninguém o compreende
Não aprenderam a linguagem
Dos instrumentos soberbos

Serafim lá no alto
Em cada nota ouve claramente
Uma confissão transcendente

É o Prelúdio de um Amor Oculto
Revelado aos anjos e deuses...

Canções vaporosas
Aos ouvidos humanos
Aquém de um Bethoveen
Bach, Mozart
Estes
As entendem perfeitamente
Como suas línguas pátrias

Não são tão somente Sonatas
Adágios
Óperas
Sinfonias
Cantatas
Fugas
Suítes
Madrigais
Cadenzas
Árias...

São suas linguagens íntimas
E aquelas dos deuses
A si bem mais compreensíveis
Do que quaisquer outras

Notas musicais
Desnudam alma e coração
Desvendam sôfregos ais
Fundas agruras
Ou confessam amores
Celestiais
Divinos êxtases
D`outras esferas

E só ouvem aqui na Terra
Os humanos demais
Acordes sibilantes
Ou graves
Passagens rápidas
Ora lentas

Enquanto desfilam sentimentos
Se confessando
De forma tão clara
Aos anjos

Não canto
Eis que me calo
Meu violino por mim
Fala mais alto
Nos acordes soados
De suas quatro cordas

É o Prelúdio de um Amor Oculto
Sendo abençoado
Sob véu misterioso
À platéia que não pode compreendê-lo
Somente ouvi-lo







Rob Azevedo














Poeta Prostituto




________Poeta Prostituto________















A poesia não me deu dinheiro
Nem um tostão sequer
Fosse por ela morria de fome
Sem nem ter onde morar
Então por que se inculcar
Achar que tudo é errado
Mal visto ou vulgar?
Há que se ganhar
De um jeito ou de outro
Entrar algum no bolso
Não ter preconceito e se virar

Então uni o útil ao agradável
Meu lado bon vivant, hedonista
Ao que me dá renda, me enriquece
E a clientela toda endoidece
Porque sou Leopardo Classe A
Para mulheres exigentes, de fino bom gosto

Não me chame de vulgar
Esqueça o preconceito
Basta me telefonar
E saber o que é o verdadeiro prazer
Prazer
Só por puro e extremo prazer
Nele sou expert
Posso te dizer

Sou garoto de programa
Meu escritório é na cama
Acendo o fogo e deixo em chama
Mulheres que sabem viver
Sem precisarem de por que
Apenas prazer por prazer

Se o Amor te feriu
O príncipe encantado nunca existiu
E todo aquele romantismo caiu
Na real e se deu conta que era ilusão
Deixe de lado o coração
E faça Amor só por puro prazer
Estou aqui para te atender!

Basta me telefonar
E saber o que é o verdadeiro prazer
Prazer
Só por puro e extremo prazer
Nele sou expert
Posso te dizer



Rob Azevedo

.


PRAZER ILIMITADO
A PREÇOS MÓDICOS
CONTRATE-ME!
E rapte-me camaleoa
Adapte-me a uma cama boa...









Não Sou Nada Daquilo!
- Letra de música MPB -





“Eu quero dizer
Agora o oposto
Do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo”

Raul Seixas – Metamorfose Ambulante





Não sou garoto de programa
Sou homem de uma só dona
Não dorme outra em minha cama
Além da mulher que eu escolhi
E me escolheu
E é assim que eu sou feliz

Não faço discurso de santo
Só ando na linha enquanto
Andam comigo

Não faço discurso nenhum
De eternidade, pudera? Quem sabe?
Mas quando é tarde
Eu parto pra outra
E acabou ôôôô ôôôô

E quando estou solteiro
Tudo é festa
Pelas noites
Do Rio de Janeiro ôôôô ôôôô

Mas se encontro alguém
Que mereça eu chamá-la de Meu Bem
Adeus pras outras, não tenho mais ninguém...

Porque não sou garoto de programa
Sou homem de uma só dona
Não dorme outra em minha cama
Além da mulher que eu escolhi
E me escolheu
E é assim que eu sou feliz

Não faço discurso de santo
Só ando na linha enquanto
Andam comigo

Não faço discurso nenhum
De eternidade, pudera? Quem sabe?
Mas quando é tarde
Eu parto pra outra
E acabou ôôôô ôôôô

E quando estou solteiro
Tudo é festa
Pelas noites
Do Rio de Janeiro ôôôô ôôôô

Mas se encontro alguém
Que mereça eu chamá-la de Meu Bem
Adeus pras outras, não tenho mais ninguém...

Porque não sou garoto de programa
Sou homem de uma só dona
Não dorme outra em minha cama
Além da mulher que eu escolhi
E me escolheu
E é assim que eu sou feliz

Canto um canto tão antigo
Mas tão bonito
Tão bonito
Tão lindo
E divino
Sonho de...

Menino uuuuh uhuhuh uhuhuh

Uhuhuh uhuhuh






Love Forever and Ever



Rob Azevedo













Boas Novas do Olimpo




___Boas Novas do Olimpo___




"Deus me enviou à Terra com uma missão. Só Ele pode me deter, os homens nunca poderão."

Bob Marley






Vou dar a todos
As boas novas
Do Olimpo
Revelada por um Arcanjo:

Não sou um simples mortal
Sou um deus humano
Quem vem à Terra
A cada cem anos

Minha eternidade,
O tornar-me deus
Se fará pela Arte
Ela quem me renderá
Longevidade
Que a existência transcende
Em cem mil vidas

Eu que tanto exaltei e exaltei e exaltei
Musas sem fim
E só errei e errei e errei
Por que não agora
Exaltar-me?

Ao menos
Melhor me conheço
Meus erros embora grandes
Serão menores

Os desterros que me causarão
Serão somente
O que é falado e ninguém entende
Faz troça, devota escárnio
E zombaria

Não aquela funda dor de outrora
De pôr num pedestal
Alguém que depois
Exagerou no mal
Que me fez
E eu quem sei
Porque fui eu quem sofri
Lamentando o que escrevi

As lentes com que enxerguei
Eram míopes
Viram tudo distorcido
Tremendamente agigantado
Nos dons
E por demais diminuído
Em tudo que é falho
Desgostoso

Ah! Não preciso de óculos
Para enxergar-me
Até no escuro
Me conheço

Cantarei Odes
Ofertando-as a mim!
Que sejam ouvidas
Como infames vitupérios
A certeza que tenho
É que os enganos
Serão bem menores
Do que aqueles eu te amos
Que só me trouxeram prantos

Logo, é perdoado meu delírio
Esse canto de bêbado
Falando de si mesmo
Com tamanha grandeza
Colossal

Dou então as boas novas
Do Olimpo
A todos:

Não sou um simples mortal
Sou um deus humano
Quem vem à Terra
A cada cem anos

Minha eternidade,
O tornar-me deus
Se fará pela Arte
Ela quem me renderá
Longevidade
Que a existência transcende
Em cem mil vidas



Rob Azevedo











O Canto do Passarinho




_______O Canto do Passarinho_______






O passarinho a cantar
É o canto do passarinho no cio
Chamando a fêmea para se acasalar

Embrenhando no meio do mato
Estou a ver e escutar
O passarinho a cantar
É o canto do passarinho no cio
Chamando a fêmea para se acasalar

Pousado num galho
À beira do rio
Canta o passarinho
Querendo amar

Ele canta de cá
A fêmea canta de lá
No balé da sedução
De quem sabe voar
E cantar

Também sou passarinho
Também sou cantor
Do Amor e da Dor
Sou Beija-Flor

Beijo devagarzinho
O cálice da rosa
Desabrochada
Cálida
Úmida do orvalho
Das manhãs

E vou entrando no ninho
Devagarzinho
Provando no bico
O néctar da flor
Sabor de Amor

Também sou passarinho
Também sou cantor
Sei voar e versos compor

Embrenhando no meio do mato
Estou a ver e escutar
O passarinho a cantar
É o canto do passarinho no cio
Chamando a fêmea para se acasalar

Também canto então
Clamando d`outro coração
Companhia
E a felicidade que dê razão
Ao meu dia



Rob Azevedo







Trecho da música -

Ai Que Saudade D'Ocê

(Geraldo Azevedo)

Para ouvi-la na íntegra, clique -> AQUI <-




Não se admire se um dia
Um beija flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade "d'ocê"


(...)








CARPE DIEM




___________ CARPE DIEM ___________







Ér-brô-á
Re-gê-dim
Má-rá-tá

Se você não quer me dar
Seu Amor
Vou fazer feitiço
Pra você ficar
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!

Ér-brô-á
Re-gê-dim
Má-rá-tá

Se você não quer me dar
Vou fazer feitiço
Pra você ficar
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!

Então Carpe Diem
Aproveite o dia!
Antes que seja tarde
E você apenas
Uma frí-gi-da
Rígida
Tímida

Estale e frite os ovos
Na frigideira
Vem e se deita
Comigo
Antes que seja
Apenas uma frí-gi-da
Ridícula
Mal vista

Ér-brô-á
Re-gê-dim
Má-rá-tá

Se você não quer me dar
Seu Amor
Vou fazer feitiço
Pra você ficar
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!

Tudo entre nós
A sós
Rolando nos lençóis
Você de espartilho
Cinta-liga
Lingerie de renda
Sensual
Eu tirando tudo com os dentes
Lambendo seu umbigo
E descendo mais e mais

Mas se você não sabe
O que é bom de endoidar
E de jeito algum quer me dar
Vou fazer feitiço
Pra te tornar
Uma frí-gi-da
Ridícula
Mal vista

Ér-brô-á
Re-gê-dim
Má-rá-tá

Bye-bye seu tesão
Prazer nunca mais
Descanse em paz!



Rob Azevedo










Reze por Mim




Reze por Mim
Lectio Divina

"Aquele a quem nossa mente não pode compreender,
o nosso coração pode abraçar."
("A Nuvem do Não-Saber")






Reze por mim agora
Estou precisando de volta
O seu Amor

Reze por mim agora
Estou sofrendo demais
Sua falta

Reze por mim agora
Por tudo o que vivemos
Que foi de bom
Em sua vida

Reze por mim agora
Porque estou morto
Por dentro

Reze por mim agora
Para que Deus perdoe
Meus pecados contigo

Reze por mim agora
Não sabia que era tão triste
Viver sem você

Reze por mim agora
Apenas queria
Estar ao seu lado

Reze por mim agora
Que derramando lágrimas
Rezo
Pedindo sua volta

Que descubramos
O significado
Do silêncio
Na escuridão
Que vela o sono do Nosso Amor

Amém.









Rob Azevedo










A Beleza do Corpo Humano Sacratíssimo e Inocente em Essência




________A Beleza do Corpo Humano________
____ Sacratíssimo e Inocente em Essência ____


- Tudo depende do olhar individual de quem vê. -






Quatro deusas imponentes
Soberbas, perfeitas
Estão nuas
São hinos à feminilidade
À beleza da mulher
Morena, loira, ruiva
Cabelos castanhos
Longos ou curtos
Olhos negros
Verdes
Azuis
Mel
Todas esbeltas
Sacras esculturas
Obras primas de Deus

A nudez inocente
Transparente à visão
Naturalmente
Como é

Qual mal se compreende
Em imagens tão puras
Tal qual foram concebidas
Pela Natureza?

Só aquele
Que está na mente podre
Dos torpes

O que a nudez feminina ofende
Quando mirada por olhos
Cultos, sem maldades
Que contemplam humildes a estética das formas
Suas simetrias
O belo do corpo humano exaltado?

Ah! Assim miram meus olhos
Quatro deusas nuas
De rara beleza
Venerando-as
Como expressão do Divino

Minhas retinas e pensamentos
Estão incólumes de tudo o que é torpe
Bem além de devaneios sexuais
Apreciam a grandeza de estarem naturais
Compreendendo que abrigadas nas formas
Existem almas, mentes, corações
Personalidades
Dignas somente
De todo o respeito e adoração que se possa devotar

A inocência ou o sórdido
O indecoroso ou o belo
O que agride ou exalta
Está sim, no objeto mirado
- Mas de acordo com o modo
Que se apresenta -
E na mente de quem o mira

Sim, sobretudo é na mente de quem mira
Que uma ou outra coisa está
Se o objeto se apresenta rigorosamente
Na forma da Arte
Puro, natural
Inocentemente
Como foi concebido por Deus
Com perfeição
Porque tudo sabe

Assim olhos que miram a beleza do corpo humano
Bem posto
Em sua nudez
De pureza intrínseca
Podem enxergar somente
O torpe, o feio
O impróprio
A vulgaridade
O sórdido
O indecoroso
O que envergonha
A maldade...

Porque essas impressões
Encontram-se entranhadas
Na mente de quem mira
Fazendo parte de seu espírito
Poluído

Ah! Mentes torpes!
Vis!
Não me atirem pedras
No Templo da Beleza
Do corpo humano
Sacratíssimo e inocente em essência
Nem lhes rogue pragas!

Ou coisa alguma façam contra mim!

Porque minha cultura
Minha mente
Meu espírito, meu coração e meus olhos
São diferentes dos seus

Sou capaz
De apreciar o belo com olhos puros
Castos
Profundamente lamento
Que seus negros espíritos
Não podem

Profundamente
Lamento



Rob Azevedo











Domingo, 5 de Outubro de 2008

Os Vulgares




Os Vulgares



Os vulgares me olham
Com ares de estupor
Nos lugares que freqüento
São barrados na porta

Suas cabeças tortas
São teimosas
Feito as mulas
Os papagaios
Matraqueando sem que parem

Não escutam
Nem a bomba quando explode
Só despencam na real
E se mancam
Quando levam murro

Ah! Vidas passadas de mulas!
Só andam a base de chibatadas no lombo
Somente comem o capim
À margem das estradas

Ah! Coitadas dessas criancinhas!
Sem brinquedos para brincar
Seus olhos cobiçosos
Desejam os meus tão bonitos

Tão intrometidas!
E sempre inculcadas
Sem saberem o quão são vulgares
Seus dizeres
E olhares
Que me lançam de soslaio

Darei de novo as cartas do baralho
E direi que não tenho trocados
Para dar de caridade
Aos vulgares
Que catam migalhas
De pão velho

Maltrapilhos e farroupilhas
Vestem-se de retalhos
Recolhidos do lixo
Proclamando que é um luxo
Sem saberem o quanto
São esdrúxulos

Ah! Desses vulgares eu fujo!
Antes que me contaminem
Com a vulgaridade pegajosa
Asquerosa
Andrajosa
Horrorosa!

Ah! Meu Deus!
Tudo são metáforas
De modo algum falo dos pobres
Sem posses materiais
Mas sim daqueles
Ícones do mau gosto e boçais
De poucas faculdades intelectuais



Rob Azevedo













Breve Estudo Sobre Estilos na Poesia Erótica





Agora um sucinto estudo que fiz sobre três estilos de Poesia Erótica possíveis, com termos as definindo que eu mesmo criei agora.

Claro, é algo bem breve, curto, só pretende dar um mero lampejo de compreensão às possibilidades na Poesia Erótica.

Todas as composições abaixo são minhas, escrevi agora.


Rob Azevedo








Poesia Erótica Dissimulada



O bico do passarinho
Derramará o mel que traz das colméias
No cálice da flor cor de vinho






Poesia Erótica Moderada



Friccionando
O rígido e o macio
O profundo e o extenso
Derramarei o gozo
No íntimo precioso
Da mulher que amo






Poesia Erótica Deliberada



Penetrando o sexo
Molhado, intumescido
De minha fêmea pelas ancas
Gozo em delírio
Gemendo, suspirando
Derramando do membro
Alvo rio





Além desses três estilos de Poesia Erótica, poderia citar mais um, mas o termo com o qual eu, particularmente, o definiria, seria Poesia Pornográfica. Um termo que a bem dizer seria sob certo aspecto pejorativo a esse estilo de Poesia Erótica, mas dessa forma mesmo que a definiria.

É aquela escrachada total, descrevendo o ato (dando preferência às práticas mais devassas) com minúcias e na lata, não se utilizando de metáforas (ou quase não), se referindo a tudo por seus nomes corriqueiros, populares.










Vulgar na Poesia Erótica II




______ Vulgar na Poesia Erótica II ______





Vulgar na Poesia Erótica
É escrevê-la
Cheio de pudor
Como quem está num quarto para fazer Amor
E quer que a luz esteja apagada
O tempo inteiro
Tudo feito no escuro
Até o se despir
Mostrando o corpo nu

Falando em nu
Vulgar na Poesia Erótica
É o que tanto se vê
Entre os incultos:

Escrever a palavra nu
Com acento agudo na letra u

Muito vulgar isso!
Ah! Meu Deus!
Consultem o dicionário
Por favor!

Vulgar na Poesia Erótica
É ser uma freira Carmelita ao escrevê-la
Com a face vermelha de rubor
Ou alguém achando
Que crianças podem a ler
E se estarrecerem
Julgando que estão diante ao Bicho Papão
Desvirtuando-se de seus caminhos

Poesia Erótica
É para os adultos
Caros amigos!

De certo
Cai mais ao gosto
Daqueles libertos
No que se refere à sexualidade
Sem traumas, bloqueios
E coisinhas sem fim de carolas
Ou que levam vida de celibatários

Poesia Erótica
É o mostrar ao invés de ocultar
Logicamente
Tudo deve ser feito na forma da Arte
Com bom gosto e muita propriedade
Despertando a libido
Transformando-nos em lagartixas
Subindo pelas paredes



Rob Azevedo









Opinar e Intrometer-se




Opinar e Intrometer-se

"Quem fala o que quer, ouve o que não quer."
Ditado popular



Ah! Que bênção seria se todos aprendessem
A diferença entre opinar e intrometer-se

Uma coisa é expor a outra pessoa o que pensa
Educadamente, dentro das regras do bom convívio
Apresentando seu ponto de vista
Dando sugestões
E é imensamente válida porque contribui
Para que algo seja aperfeiçoado
Ou enxergado sob outro ângulo
E nos faz saber
As impressões dos outros
Quanto a alguma coisa
Assim podemos melhor avaliá-la
E compreendê-la
Como também nossa posição diante a mesma

E intrometer-se
Muitos confundem com opinar, sugerir
Quando uma coisa é completamente diferente da outra

Intrometer-se é deselegante
Indiscreto, deseducado
É despeitar o território do outro
Sua forma de ser, seu mundo
Suas diferenças
Querendo a fórceps
Impor algo
Que bem comumente
É-nos indesejado
Estranho
Irritante
E até aviltante

Proceder extremamente desagradável
Daqueles que vivem metendo a colher
Aonde não devem
Sem nunca enxergarem
O tamanho da indiscrição
E impropriedade
Que cometem
Indignando-nos

Ah! As patadas lhes cabem bem!
Para que respeitem nosso espaço
Ainda que sejam apenas tapas sutis
Com luvas de pelica
Por questões de delicadeza e piedade



Rob Azevedo











Sábado, 4 de Outubro de 2008

Interpretações às Avessas




Interpretações às Avessas



Tem gente
Cujas interpretações
São tão redondamente equivocadas
Que só nos compreende
Quando permanecemos calados.
De resto
Toda letra
É grega.



Rob Azevedo









Diálogo Conflitante




Diálogo Conflitante



Nove horas da noite em algum lugar indefinido do mundo.


- Nunca farei sexo com você! Não me inspira um pingo de tesão, não arrepia sequer um pêlo genital meu.


- Tampouco eu quero! Igualmente jamais o faria! Querido, você não se encaixa em meus padrões de gosto sexual.


Dez horas da noite após uma hora de quietismo, birra e caras viradas, braços cruzados, pensamentos atormentados...


- Sheila, venha cá por favor, ajude-me a pôr esse quadro na parede do meu quarto.


E os dois passaram meia hora no quarto de Eduardo colocando um quadro na parede, em frente da cama dele.


Peles roçaram uma na outra, dois corpos bem próximos se tocando e a cama bem em frente.


Seis horas da manhã.


- Querida e agora? Quebramos a cama!


- Ah! Vamos dormir nos sofás da sala, quando a gente acordar manda a cama pro marceneiro consertar!


- Amor, foi bom pra você?


Um longo suspiro se ouve nalgum lugar indefinido do mundo enquanto Eduardo levita no plano astral.





Rob Azevedo











Vulgar na Poesia Erótica




Vulgar na Poesia Erótica




Vulgar não é o direto
O explícito
Mas o mal posto
O mau gosto
O fora de contexto
O gratuito
Vulgar não é a proposta
Que se propõe a ser direta
E o faz bem feito
Com inteligência dentro do que quer
Na forma da Arte
Mas a proposta que se desvirtua
Seguindo por caminhos equivocados
Mal planejados
Fora do esquadro
Colocando tudo em lugares
E momentos errados
Vulgar não é se referir
A partes do corpo humano
Com palavras que não sejam
Tão somente metáforas como:
Tua rosa cálida desabrochada
A haste da tua flor
As duas montanhas arredondadas do teu corpo lado a lado
Tua lança ardendo em fogo

Ou se referir ao ato sexual
Com palavras que não sejam discretas, a tudo sublimando, como:
A união de nossos corpos
O encaixe de nossas formas
O Amor a que nos entregamos no leito
Vulgar é não saber fazer aquilo ao qual se propõe
É o feio
A ausência da beleza
O que ao invés de nos instigar
Pondo em ebulição nossos hormônios
Despertando nossa vontade
Causa-nos aversão
Desgostando todo o desejo
Como quem diz:
- Não, não quero aquilo!
Vulgar não é o que enrubesce de alguma forma
E não é adequado a ser apresentado em todos os meios
E a todas pessoas
Vulgar é aquilo que mesmo sendo apresentado nos meios
E às pessoas adequadas
Causa constrangimento, repulsa
Sendo visto no trabalho o mau gosto
O mal colocado
O indevido, impróprio
Agredindo, desconcertando
Ofendendo a libido
Vulgar na poesia
Além disso
É o mal escrito
Os erros ortográficos e gramaticais crassos
A falta de inteligência
O pueril
O piegas
As liçõezinhas de falsa moral abestada
A mesmice
A cópia
A falta de criatividade
O pouco recurso nas belas imagens metafóricas,
Poéticas
Os amorzinhos melodramáticos
As novelas mexicanas
Os encontros de palavras mal formulados
A cacofonia doendo os ouvidos
A musicalidade inexistente
Os dizeres tíbios
O coração e a alma não presentes
Transbordando
É a poesia que passa em branco
A Arte massacrada
Morta
Sepultada
Vilipendiada



Rob Azevedo







Segundo os metidos a Teóricos da Vulgaridade na Poesia Erótica e Apólogos do Pudor, os poemas nessa temática somente podem ser escritos ao descrever o ato sexual, as partes genitais do corpo humano e o êxtase, nesses moldes:




O bico do passarinho
Derramará o mel que traz das colméias
No cálice da flor cor de vinho




Para eles tudo tem que ser assim na Poesia Erótica, tudo meticulosamente disfarçado, ocultado por meio das metáforas.

Assim eles escondem de si mesmos o próprio pudor que têm com relação à sexualidade, ao corpo humano.

São pessoas que se calcaram na Poesia dos tempos antigos, que eram outros totalmente diferentes dos atuais, onde os costumes comportamentais sexuais eram muito diferentes e reprimidos e isso se refletia na Poesia escrita nesses tempos remotos, assim como em toda a Literatura e Arte em geral.

Extraíram das Poesias e Literaturas escritas nessas épocas o que julgam certo para a Poesia e Literatura dos dias atuais, no campo do erotismo, não compreendendo que o mundo se transformou completamente no que se refere à sexualidade dos anos 1960 para cá.

Sem contar que a linguagem literária daquelas épocas antigas era outra bem diferente da atual, muito intrincada, buscando esmeradamente um preciosismo que nos é estranho hoje em dia, usando e abusando dos recursos lingüísticos, com inversões constantes em todas as orações/construções frasais, tendo verbos conjugados nas pessoas e tempos mais ousados possíveis e buscando um vocabulário ultra-erudito. Hoje em dia muitos textos dessas épocas de mesmo quatro ou cinco décadas atrás, logicamente intensificando essa impressão que nos causa ao retroceder no tempo, nos são um tanto herméticos em função dessas questões no uso da linguagem, sendo considerados por muitos de complexidade muito intrincada, maçantes, cansativos, de difícil entendimento, etc.

E há que se considerar também a tal da metrificação rigorosa dos versos que havia na Poesia antiga.

Hoje em dia os tempos são outros, os costumes comportamentais sexuais são totalmente diferentes, a linguagem igualmente diferente, assim como a Poesia, a Literatura e a Arte em geral.







Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

A Santa Ceia




________ A Santa Ceia ________








Ah! Que noite!
A nos abençoar com prazeres
Como tantas vezes.

Lânguida vem
Bela como se fora uma Camélia
Se abrindo sob a luz do Sol
A perfumar o quarto
Tal qual a Dama da Noite
Desejando o deleite
A ele pronta
Como o enfeite
De doce de leite
Sobre a torta de morango.

No vestido o decote
Generoso mostrando o contorno dos seios
E as pernas esbeltas
Lindas o quão obras de Arte
De um deus inspirado.

As cruzando com malícia
Para que o olhar veja por debaixo
Num fogo que atiça
A peça íntima
Tão pequenina
Exibindo em transparências
O sexo depilado
Aflorado para o Amor
Em purpúrea cor.

Com volúpia nos despimos
Um ao outro
Sussurrando libido
Em palavras entrecortadas
Por suspiros.

Unhas me arranham
Enquanto mãos deslizam
Sobre todo meu corpo
Que vai se despindo.

Nus como a Lua
Em pêlo sem veste alguma
Sob a luz tênue dos castiçais
Miramos nossas formas
Como se fora a primeira vez.

Olhos cintilam
Contemplando demoradamente
O presente a que nos damos
É o orgasmo visual
Corpóreo e espiritual.

Ela se deita
Sobre a cama de lençóis de cetim
Coxas se abrem amorosas
Como rosas desabrochando
Ao amanhecer
E me clama num sussurro
Em voz doce e carinhosa
Num olhar suplicante e apaixonado
Que penetre o cálice
Da rosa que aflora
Molhada de orvalho.

Meu corpo o rendido cobre
Minha boca na que espera se encaixa
Duas línguas se entrelaçam
Beijando o eclipse lunar
E adentro devotado
No Templo Sagrado
Embriagado do vinho dos amantes
Para que deguste exaltado
A Santa Ceia ofertada.

Mãos apertam minhas costas
E unhas as arranham
A boca morde meu queixo
Minhas orelhas e meu peito
E me beija.

Confissões tão profundas quanto mares no infinito
São ouvidas no Éter
Pelos deuses...

É o Amor que transborda
No relicário que o recebe.



Rob Azevedo












O Real e o Imaginário, A Liberdade e os Cárceres




O Real e o Imaginário
A Liberdade e os Cárceres





Quero muito te conhecer pessoalmente
E compreender o que ninguém compreende
Essa tamanha dor que se sente
Trancafiada a sete chaves em meu peito
Almejando a liberdade.

A quem se rende
Rompendo o grilhão que o prende
Caminhando liberto
Ao anelo que o move
Quiçá
O doer se cale
O Amor o exalte.

O desejo exale
Sentido no ar
A realidade o conforme
Em pérola rara
Colhida nas mãos...

O contrário do que foi outrora...

Sonho esvaecido
Em tantas noites
Tão apenas imaginadas
Dolorosas
Por haverem sido
Um abraçar ao nada.

Ao luzir da alvorada
De quem um ao outro toca
De corpo e alma
Tornando real a quimera
O prisioneiro, quem sabe, se liberte
Do cárcere que o trancafiava.

Em prazer se transforme
A dor do sofrer
Do viver sem ter
Sonhar o querer
Em pensamento o conceber.

Que se beba o vinho para saber
O gosto, se é bom ou mau
Se nos agrada ou não
Se haveremos de tomá-lo
Esvaziando a garrafa
Embriagando-nos
Ou apenas prová-lo
Um ou dois goles
Para que saibamos
Se é a bebida que queremos
Relegando-a caso contrário à poeira da adega.

Assim se desfazem os nós
Em nosso sentir e pensar confuso
Emaranhado no novelo
Do que não se sabe real ou imaginário
Amor criado
Pela carência de tê-lo
Ou espontaneamente nascido.

A imaginação nos engana
Nos atraiçoa
Confunde
Esfaqueia
Com a adaga
Do inconsistente etéreo.

Cilada para os carentes
Sorvendo a solidão
De uma vida sem cor.

Então a pintam
Em mil cores
Com os pincéis
Da ilusão
Criando amores
E mil flores.

O preso em sua própria armadilha
Que esmurre a faca da paixão imaginada
E se fira.

Não há saída
A quem cria
O Amor
Que deseja ter
Senão enfrentá-lo
Para sabê-lo
Se acaso tornar-se-á
Real
Ou permanecerá imaginário.

Talvez a liberdade do cárcere de si mesmo
Amargando alguma forma de solidão
Seja o trancafiar-se em nova prisão.

Ou talvez ainda nem isso...

Ela não nos sirva
Não nos enjaule
Não mereça nosso encarceramento
Melhor retornar por livre vontade
Ao antigo casulo
Às velhas grades.

Mas o que resta aos que se enredam nas próprias redes
Da confusão do sentir e pensar
Senão tentar se desenveredar
Tocando as malhas que os intrincam com as mãos?

Ah! O velho cárcere causa dor!
Criou-se então ao menos
Um novo cárcere
Uma doce ilusão
Um nó imenso na cabeça
De Amor imaginado
Que precisa ser desatado.

São as traições da carência...

Os enganos da vida...

Os eu te amo inconseqüentes...

A paixão pelo Amor em si...

Nada resta a esses ébrios
Do vinho dos amores concebidos
Senão prová-lo
Para conhecê-lo
E identificar
O objeto não identificado
Se porventura se tornou genuíno
Ou tornar-se-á no bailar do tempo
Ou se permanece da videira imaginativa.

Ah! Meu cárcere privado!
Como tu me confundes!
Ah! Meu doce devaneio
Como a despeito de tudo
De ti preciso!

Que se desatem todos os nós!
Ao menos para que possamos
Nos emaranhar em nós novos
Nos libertando dos fios antigos
Puídos, gastos.

De bebedeira em bebedeira
Que um dia o Amor real nos brinde
A liberdade de verdade nos liberte
De todos os cárceres
E o imaginário traiçoeiro
Seja visto dormindo bêbado
Na sarjeta
Enquanto cantamos e sorrimos
Nos saciando na farta ceia
Compreendendo o que ninguém compreende:

O que sentimos.




Rob Azevedo










Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Amor entre Dois Paranormais




Amor entre Dois Paranormais




Não me encha os ouvidos
Com suas histórias
De conversas com os espíritos

Não dê explicações
Metafísicas pra questões
Tão óbvias assim

Como o Amor em conflito
Entre dois seres opostos

Não me venha com razões
Acadêmicas pra dois corações
De poetas sonhadores

Nem tudo são flores
Sou Amor e horror
Me aceite como sou

Não dê as costas para o mundo
Dizendo que sou possuído
Por espíritos imundos

Eles são meus amigos
Tanto os bons quanto os maus

Meus desejos platônicos
Não causam mal a ninguém
Além de coisas tão pequenas
E dum Amor que não se pode ter

Se te causa sofrer
Não me peça pra morrer
Em seu viver
Ou a saudade vai doer

Que tenha dores de cabeça
E delírios me enlouqueça
Não deixarei de pensar em ti

Melhor se arrepender
Por coisas tão pequenas
Do que se condoer
Pelo bem tão grande que partiu
Porque não foi visto
Entre o mal deveras menor
Que a ele se misturava

Se ainda assim te causo dor
Não me peça pra renegar o Amor
Platônico, que seja
Porque é a flor
Que se abre devagar
No jardim que está
Para se tornar realidade



Rob Azevedo









Maldito




Maldito




Obrigado
Por me fazer sentir um palhaço
Enxergar que não sou o gênio da lâmpada
Dar-me conta que meus versos são tortos
E que minha cultura se assemelha a de uma anta

Muito obrigado
Por quebrar em mil pedaços
Meu espelho de Narciso
Que me era tão caro

Sentir-me envergonhado
Por entender agora
Que minhas palavras eram descabidas
Meus atos impensados
A visão de mim mesmo
Distorcida
Embaçada em delírio

Muito obrigado por tudo
Por me convencer um louco
E me aconselhar remédios
Que tratem da minha loucura
Junto com duas sessões terapêuticas semanais
No divã de um psiquiatra

Muito obrigado
Por me fazer sentir uma grande farsa
Abstrata, imaginária
Rotulada numa terminologia médica esdrúxula
E num código alfanumérico

Muito obrigado por me encabular tanto
Com aquele sentimento
De que sou uma peça da engrenagem social
Mal ajambrada
E que devo estar
Lá do outro lado
Do alambrado

Muito obrigado
Por eu estar agora
Coçando meu queixo pensativo
E repuxando os cabelos
Com ar de espantado
E complexado
Inferiorizado
Feito um rato
De esgoto

Compreender que na verdade eu não existo
Nunca existi
Somente andei contando mentiras a todo mundo
E me enganando
Sempre vendendo o que não tinha
E comprando
O sopro do vento

Sou uma construção de barro
Que eu próprio ergui
E agora se desmoronou
Virou lama

Sou um boneco de cera
Que se derreteu
Sob a luz do Sol

Sou um castelo de cartas de baralho
Que caiu todo espalhado

Sou uma escultura de areia na praia
Que a onda levou

Sou o Moinho de Vento de Don Quixote
Julgado um gigante com uma espada
Vindo em ordem de batalha

Sou uma piada!
A galhofa dos meninos da rua
Sou aquele louco
Que vive dando voltas e mais voltas
Sempre no mesmo quarteirão
O dia inteiro
Falando sozinho e gesticulando
Olhando tudo com olhos insanos

Sou o engano
O que engana
E o enganado
O que está sempre errado
Enquanto os outros certos

Sou o patinho feio de borracha
A ovelha negra renegada
O marginalizado que vive num gueto
Refugiado

Sou o astronauta
De Júpiter
Que caiu na Terra

Um ser estranho a todos
De uma cor diferente
Um metro de altura
Tenho antenas
Olhos grandes
E orelhas pequenas

Sou a confusão
O que confunde
E o mais confuso
De todos
No meio do tufão

Sou um diagnóstico neurológico
Escrito em grego
Que pode se complicar
Em dez anos

Sou a patologia malquista
O masoquista da esquina
O bêbado arrumando tumulto
O equilibrista que caiu da corda bamba

Sou uma miragem no deserto
O desterro da razão
O enterro da lógica
A equação sem solução

Sou o desalmado
A farpa espetando
O café amargo
A pedra no sapato
A unha encravada
O som alto
Quando querem dormir

Sou um martelo estilhaçando
Um bumbo alardeando
Metralhadoras disparando
Trovões rugindo

Sou o temporal
O fantasma que assombra
O lado negro da Lua
O uivo do lobo
O carrasco encapuzado
O corvo que te espreita...

Sou o incompreendido
Por ser
O poeta maldito
E este
O último poema
Que a ti dedico



Rob Azevedo











Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Nós Dois




Nós Dois
- Letra de música MPB -




Nós dois
O resto é pra depois
Do Sol
Nascer

Ando querendo você
Nada fácil esconder
Não pergunte o por quê
Apenas entre no carro
E me dê um trago do cigarro
Vamos pra casa
Rolar na grama
Do jardim

Pense um pouco em mim
No Amor que prometo
É verdadeiro
Vencerá o tempo
Será o ungüento
A tudo que te sangra sem fim

Nós dois
O resto é pra depois
Do Sol
Nascer

Peça um café ao meu lado
Vejo o mundo multicor
E me beija e se deita
Comigo de novo
O resto é pra depois

Um violão azul
E mil versos delicados dourados
O resto eu converso
Contigo depois

Dê um tempo pra nós dois
Se desenlaça do laço
Que te amarra e me amassa
O resto
Deixe tudo pra depois
Do meu seqüestro
Em que te levo
Pra uma ilha deserta

Amor, confesso
Humilde somente peço
Descansar a cabeça
No travesseiro que sobra
Ao lado do teu
Em tua cama
Lilás

Tire a roupa acenda a chama
Deixe tudo pra depois
Do lençol
Encharcado ao nascer do Sol
Onde jaz
Todo o resto
Além de nós dois



Rob Azevedo













Essa Mulher




Essa Mulher
- Letra de música ao estilo Eduardo Dusek -




Essa mulher
Apareceu de repente
Já dá tanto palpite
Que estou tão triste

Essa mulher
Não tem três meses que surgiu
Já vou mandar pra puta que o pariu
Ou ficarei senil

Essa mulher
Dá tanta opinião
Aonde não deve metendo a mão
Roubando sempre o meu pão

Essa mulher
Aporrinha mais que adolescente
Querendo um tênis
All Star

Fosse homem eu dava um cacete
Quebrava logo os dentes
E mandava pro cemitério
Do Grajaú

Essa mulher
Azucrina tanto a mente
Parece uma amante
Com ciúme da titular

Essa mulher
Vai me deixar demente
Antes que eu lhe arrebente
O corpo em quatro partes

Essa mulher
Ainda não é nem “a outra”
Já parece minha esposa
Querendo me mandar

Essa mulher
Um dia tenho fé
Cuidará da vida dela
E eu acenderei uma vela

Essa mulher
Leve quem quer
Não tenho patroa
Ninguém pega no meu pé
A minha vida é boa!

Essa mulher
Vive enfiando a colher
Na minha marmita
De bóia fria

Leve quem quer
Faça o favor
Pago gorjeta
E ainda sirvo e limpo a mesa

Oh-yeah...



Rob Azevedo










Espera Amor




Espera Amor
- Letra de música MPB bem lentinha e chorosa -



Espera Amor
Vai dar meia-noite mas eu vou chegar
Não sei a hora mas vou te encontrar
Então espera, Amor
Me espera, Amor
Venho trazendo num jarro a flor
Que colhi no Jardim do Amor
Pra você, Amor
É pra você, Amor

Escuta, eu me atrasei
Perdi a hora mas vou chegar
E vou te encontrar
À beira do mar
Ao luar

Amor, é bom amar assim devagar
Sem hora pra chegar
Nem nada de mal pra se guardar
Só prazer de estar
Ao lado
Seu

A saudade é que nos faz saber
O tamanho do querer
Se é verdade
Ou ilusão

Ó meu coração não chore não
Não chore não
Não chore...

É tarde mas antes do amanhecer
Eu vou chegar
Porque amo
Você!



Rob Azevedo










O Quarteto Fantástico Mais Um Ilustre Convidado




O Quarteto Fantástico Mais Um Ilustre Convidado

- "Tudo que você pode imaginar é real." (Pablo Picasso) -



Numa mesa de bar
Eu estava a conversar
Com Cartola
Que desceu do morro
Da Mangueira
E Noel Rosa
Que veio da Vila

Pixinguinha chegou
Vindo do Catumbi
Abrindo o sorriso
Todo prosa
Debaixo do braço
O clarinete
Companheiro
De toda hora

Um botão da camisa aberto
Mostrando o umbigo
Naquela noite de calor
Carioca

Barrigudo que era
Sentou na cadeira
Que rangeu
Gemeu
E quase quebrou

Aqui na Lapa
Eu vejo
O bondinho
De Santa Teresa
Sobre os arcos

Lapa com certeza
Reduto da boemia
Boa poesia
Mãe da Música
Popular Brasileira

Lapa com cerveja
Gelada em cima da mesa

O quarteto fantástico
Formado:

Eu, Nobre Bardo
Que desci da serra
Noel Rosa
E Cartola
Pixinguinha sentado
Do outro lado

Cartola batucando
Numa caixinha de fósforo
Noel Rosa na mesa
E na garrafa de cerveja
Mastigando
Um palitinho de dente

Pixinguinha suado
Soprando o clarinete

Eu, Nobre Bardo
Compondo uns versos
Muito inspirado

Nosso enredo
Deu caldo
Música de Breque
Chorinho
Samba Canção
Marchinha de Carnaval

Nossa mesa deu show
O álcool embriaguez
Veio até inglês
Ver o quarteto fantástico

Bebedeira pra cá
Bebedeira pra lá
Tudo gira, balança
Parece que estamos
Em alto mar

Então lá da Bahia
Vem Dorival Caymmi
Cantar sobre o mar

“É doce...”

Até Cristo desce
Do Corcovado
Vestido de terno branco
Sapatos lustrados
E usando chapéu

Vem ver o show
Do quarteto fantástico
Com o convidado
Que veio da Bahia

“Marina, morena...”

Tudo gira, balança
Tudo é balanço
E até Jesus Cristo
Samba

É o quarteto fantástico
Com o ilustre convidado
Dando o show
Sob os arcos da Lapa
Pra brasileiro
E até inglês ver



Rob Azevedo













Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Vem pra Perto




Vem pra Perto

- Letra de música à moda Cartola e Noel Rosa -



Hoje eu acordei
Pensando em você
Olhei pro lado e não te vi
Que dor!
Que dor!
Quase morri!


Você é meu pensamento
Primeiro
Me acompanha o dia inteiro
Até a noite
Mirando estrelas no céu


Deito e adormeço
De você não esqueço
Tudo volta ao começo
Amanheço, olho pro lado
E não te vejo


Endoideço!

Endoideço!

Endoideço!

Ai, ai, ai, ai, ai
Ai, ai, ai, ai, ai


Lá, lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá


Mas hoje
Foi bem pior
Acordei jururu
Fui pra noitada
Bebi todas
Amanheceu olhei pro lado
Vi um trubufú!


Párarararararararara
Párarararararararara


Pára com isso!
Pára com isso!


Me olhando no espelho
Eu digo e repito


Pára com isso!
Pára com isso!


Párarararararararara
Párarararararararara


Meu Amor
Dá um jeito
Vem pra perto
Do meu peito
Pega o ônibus
Ou o trem
Mas vem!


Deitar sem você
Deixa minha vida sem por quê
Acordar e não te ver
Louco de doer


Vem pra perto
Vem!
Vem pra perto

Do Seu Bem!

Lá lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá


Lá lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá




Rob Azevedo










Nosso Caso




Nosso Caso
- Letra de música MPB -



Esse nosso
Caso
Vai dar caldo...

Hoje vi
O saldo
Da minha conta
Bancária
Zerado...

Por tanto
Telefonema
Pra você
Noutro estado...

Não, Amor
Não tenha medo
Do meu corpo
Nu...

Somos unha
E carne
Sem segredo
Nem maldade...

Não, Amor
Não é assim
Desse jeito
Que o enredo
Vai dar Samba
O refogado
Caldo...

Apenas me ouça
Cantando
E rezando
No escuro
Segurando
O terço...

Leia os versos
Mais belos
Que fiz
Pra você:

EU TE AMO!
Com zelo
Esmero
Você
É tudo
O que quero...


Não, Amor
Não chore
Tanto
Eu sei
Aonde vou...

Vou às pedras
Do Arpoador
Ver o pôr
Do Sol
E te esperar...

O mar
O mar
As ondas do mar
Vão te
Trazer
Pra mim...




Rob Azevedo











Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Emília e Visconde




Emília e Visconde



Ô boneca Emília
Te vi vestida
De verde-limão
Num sonho bom

Tu bem quietinha estavas
No milharal
Sob a luz tênue do Sol
Parecia que nem vivias
Era só
Espantalho
Debandando os corvos
Em revoada

De repente me olhou
De lado e sorriu
E me fitou
De frente
Encarando o fundo
Dos meus olhos verdes
Verdes, tão verdes
Quanto tua roupa
De retalhos
Verde-limão

Ajeitou o cabelo
De palha de milho
Pôs o dedo no umbigo
Requebrou
O quadril de pano
E fez um gracejo

Tirei meu chapéu
De Visconde de Sabugosa
Cocei o cavanhaque
E joguei um beijo

Tão logo
Eu e ela
Ela e eu
Bem no meio do milharal
Caçando coelhos
E passarinhos
Voando no céu

Pula
Coelhinho!

Pula
Coelhinho!

Pula
Coelhinho!

Pulaaaaaaaaaaaaaaa!

Cenourinhá-nhá
Cenourinhá-nhá
Nhá-nhá-nhá-nhá-nhá-nhá...

Quem não gosta
De nhá-nhá-nhá-nhá- nhá-nhá?

O coelhinho
E a coelhinha
Fazem nhá-nhá-nhá-nhá- nhá-nhá...

Sinhá, sinhá, sinhá
Quando eu voltar
Vou encontrar
Uma ninhada
De coelhinhos!

Piu-piu, piu-piu, piu-piu...
Cantam os passarinhos
No milharal...



Rob Azevedo















Judiar de Você




Judiar de Você
- Letra de música MPB - Estilo Alceu Valença, Rastapé, Falamansa ou mesmo um Baião Luiz Gonzaga (Gonzagão) -




Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim...

Dos seus sonhos
Rouge, carmim
Da purpurina
Do cetim
Da bailarina
Do Querubim

Eu vim...

Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim...

Da serpentina
Do Arlequim
Da Colombina
Do Jasmim
Do pôr-do-Sol
Do arrebol
Eu vim...

Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim...

Das castanholas
Do violino
Da velha senhora
Do vinho tinto
Do trombone
Do piano
Do saxofone
Do desatino...

E no megafone
EU TE AMO!

Eu vim

Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim...

Da harpa
Do bumbo
Da farpa
Do fim do mundo
Da carpa
Do Mambo
Da Salsa
Do Tango
E do Amor
De uma avestruz
Por um orangotango

Eu vim...

Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim!

Eu vim!

Eu vim

Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim...

Dos seus sonhos
Rouge, carmim





Rob Azevedo












Um Sonho de Menina - Ópera




Um Sonho de Menina
- É UMA ÓPERA À MODA MONTEIRO LOBATO! -
(Em violeta falas do eu lírico masculino e em rosa do eu lírico feminino.)



Conte-me Amor
Seus medos de menina
Porque disso entendo
Sou doutor

Até hoje não cresci
Me compreenda
Sou a lenda
De Peter Pan

Sou menino
Menino doutor
Em sonhos de meninas
E meninos
Chorando aflitos
Sozinhos no escuro


- Acenda a luz por favor!
O homem mau
Só vem
Quando a lâmpada se apaga...

É um cavaleiro medieval
Numa armadura de prata
Que me olha
Com raiva

E me olha
Com raiva...

E me olha
Com raiva...


Ai que medo, meu Deus!
Esse homem mau
Acho que sou eu!

De médico e louco
Todo mundo tem um pouco
E eu doutor
Em sonhos de meninas
E meninos
Chorando sozinhos
Aflitos no escuro
Acho que sou...

O homem mau
Da armadura de prata medieval...

Ai que medo!

Que medo!

Que medo!


O vilão da história...


Sou euuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!




Rob Azevedo










Domingo, 28 de Setembro de 2008

Menino Arteiro




Menino Arteiro




Tu pensavas que eu brincava
Com teus sentimentos
E nada mais
Eu também pensava
E a mim mesmo jurava
Que somente brincava
E nada mais

Tudo tão mal!
Tão errado!
Coração não é brinquedo
Funda é a dor do lamento
De quem pra alguém
Foi só divertimento

Deus puniu
O menino travesso
Que ateava fogo
E saia correndo

Agora me olhando no espelho
Nem eu me compreendo
Porque é a ti que eu vejo...

Como mulher
Minha
Mulher...

Eu pensava que brincava
Já não penso mais
Dei mil passos a frente
E cresci de repente
Sou homem grande

Já não juro mais
Pelas artes que eu fazia
Nem durmo em paz
Desejando o que fora
Meu doce brinquedo

O bonequinho de pano
Virou mulher...

Meu coração arteiro
Caiu na própria cilada
Do menino brejeiro...

Ah! Que Amor traiçoeiro!

Agora sou eu
Envolto em nevoeiro
Homem-menino
Indefeso-perdido

Já não penso mais
Que brinco
Porque aqui dentro
Sei o que sinto...

Mas e agora, o que faço?

Tu continuas pensando
Que sou aquele
Menino travesso
Nem adianta
Não me olhas
Como um homem
Assim como meus olhos
Te vêem como mulher...

Minha mulher...

Ah! Que crueldade!
Ou Justiça Divina
Sei lá o quê!?
Quem brincou demais
Já não é acreditado
E se queimou
No fogo
Que ateou

Agora que amargure
A própria dor
Da descrença no Amor




Rob Azevedo










Kama Sutra




____________Kama Sutra____________





Ó perola do Amor-Erótico
Na literatura
Em sânscrito

Ó rubro desejo, laço desfeito...

Ó amplidão do prazer
Enleio devasso
Sacro, abençoado
Do corpo rendido
Ao horizonte expandido...

Que o pudor fique de lado
Onde moram os homens castos
Tolos enigmáticos

Que se arrepiem os cabelos
Entre nós
Só por gozo
Arranhão e aperto
Por falsa moral
Jamais

Ó grande cultura Védica
Da India
De tempos imemoriais
Cântaro de saber
Dos príncipes antigos
No que tange ao querer
Entre corpos ardentes

Derrame seu bálsamo
Sobre mim
E minha mulher
A caminho do prazer
Seguindo cada passo
Do abraço
Ao beijo
Às pressões e arranhões
Mordidas
E deslizes
De língua

Em cada passo seguindo
A ilustração
De alguma posição
Até que então se concretize
A união sexual
Transcendental
Bem além do mal
Que vê os homens maus
Auto-intitulados castos
Quando são tolos enigmáticos
Cantarolando
Falsa moral

Ó literatura
Do Amor e desejo
Suas páginas eu leio
Suas figuras eu folheio
Uma a uma
E as vejo
Como a síntese
Do êxtase perfeito

Ó liturgia erótica sânscrita erudita...

Derrame seu bálsamo
Mil vezes
Sobre mim
E minha mulher
A caminho do prazer




Rob Azevedo












Mandrágora




Mandrágora



Em noite de Lua
Cheia
As raízes de Mandrágora
Vou colher

Um cão preto vai puxando-as
Para fora da terra
Por uma corda
Para que eu não ouça
O grito
Que mata
Qualquer ser vivo

O gozo
De um homem enforcado
Tem poder
Bem além
Do imaginado

É feitiço
O que eu digo...
É feitiço
O que eu digo...

É feitiço
Afrodisíaco
O que eu digo...

Feitiço
Narcótico
E fecundante abrigo
Dos espíritos...

Em Gênesis
Trinta : Quatorze
E em Cantares
Sete : Treze
Tu mesmo leias
O que eu afirmo...

Em noite de Lua
Cheia
Vou colher as raízes
De Mandrágora
Para Maria eu ter
Ser minha mulher...

Não, não é crendice
Sou feiticeiro
Eu te disse...

Sou feiticeiro
Eu te disse...



Rob Azevedo













Salamandra




Salamandra



Quando o fogo das intempéries
Me cerca
Por todos os lados
Ardendo em chama alta
Me revisto da pele
Da Salamandra

O calor não me atinge
Bailo sobre o fogo
E canto mais forte
Que a morte
Não cremando

O Fogo Fátuo
Torna-se Fogo Sagrado
Emanando Luz Violeta
E nada me queima
Minha força incendeia
Em labaredas mais altas
De seis metros de altura
Porque sou Salamandra

À cinzas se reduz
Tudo que ateia
Contra mim
O que não é Luz

Sou Salamandra
Caminho sobre brasas
Sorrindo, achando graça
E não me afoga a água
Pois tenho brânquias
Sou anfíbio
A cada meio adaptado

Se me cortam a cauda
Ou algum membro
Em breve se regenera

Transmutação
É o meu dom
E resistência contra o fogo
Das intempéries
Que não queima meu corpo
Porque tenho pele
De Salamandra



Rob Azevedo











Em Teus Seios II




_____ Em Teus Seios II _____





Em teus seios eu vejo
O Sol e a Lua cheia
Lado a lado
O fogo e o desejo
O delírio de um Bardo
O Amor confabulado
Sem que possa ser recusado

Os píncaros
Do Everest e do Aconcágua
A sede e a água
A mãe e o filho

Vejo o ninho da águia
As raízes de Mandrágora
O clarinete e o trompete
O homem e o pivete
A serpentina e o confete
A bala de Anis

Em teus seios eu vejo
A faca e o queijo
O mundo que sempre quis
Para ser feliz

O crucifixo no meio
Sobre teu coração
Num afortunado enleio
Com todo o arquétipo
Do pecado
E da contradição

Vejo um sacerdote erecto
Vindo do Antigo Egito
Contente, sorrindo
Altivo

Vejo um torvelinho
De emoções em desatino
Na chegada do caminho

Um candeeiro aceso
Uma mulher segurando um terço
Um fim
Ao que ficou pelo meio

Vejo em teus seios
Um cesto
De pães e peixes
Cheio
E uma ânfora de vinho

A Ceia Sagrada
Preparada
Para que não seja a Última
Mas a Primeira
Da Nova Madrugada






Rob Azevedo














Quando




Quando
- Letra de música Bossa Nova/MPB –



Quando teu poeta
For embora
Não haverá mais tempo
Pra nós dois

Quando teu poeta
Não te escrever mais
Nenhum verso
O que será
De nós dois?

Quando no jardim
Não ter mais um passarinho
A cantar
Me diz, Amor, o que terá?

Quando o Sol
Não brilhar
Como antes
Qual luz haverá
De nos guiar?

Quando o mar
Não for mais azul
Nem ter um peixinho
A borbulhar
Me diz, Amor, o que haverá?

Me diz, Amor, o que será?

Quando a Lua
Se deitar
E o Sol raiar
Sem nós dois
Lado a lado
Me diz, Amor, o que será?

Me diz, Amor, o que será?

Quando teu poeta
For embora
Se um dia
Quiser voltar
Me diz, Amor
Onde te encontrar...

Me diz, Amor
Onde te encontrar...



Rob Azevedo









Eu Quero




Eu Quero
- Letra de Música MPB -



Quero Amor
Quero o Sol
E calor

Quero a paz
Blues e Jazz
Eu quero é mais

A ti entrego
O meu verso
Mais belo

Ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô...

Quero o que quero
A flor eu rego
E ti carrego
Por ti eu rezo
E me despeço
Da dor

Ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô...

Quero ver
Os girassóis
Se abrindo nos campos
Nós dois a sós
E sorrindo um menino
Tão lindo
Quanto Narciso

Eu quero...
Eu quero...
Eu quero o que preciso
O abrigo
No teu sorriso...

Ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô...

Eu quero ver o louco
Que canta
Já rouco
Achando tudo tão pouco
Que queira
Bem mais
E mais
E mais...



Rob Azevedo










Uma Verdade Nua, Uma Dúvida




Uma Verdade Nua, Uma Dúvida
- Com eu lírico feminino -

(Letra de Música MPB)




Será que ele gosta
De mim
De verdade
Ou só conta
Historinhas
De ninar?

Será que ele me ama
Como um homem
Ou só brinca
Com meus sentimentos?

Será que ele quer
Mesmo namorar
Comigo
Ou só ter
Um brinquedo
Pra se distrair?

Será que meu castelo
Verei ruir
Ou será
Monumento eterno?

Será que em meu inverno
Terei o cobertor
Daquele corpo
Que se diz
Por mim tão louco?

Será tudo tão pouco
E ele fará
Ouvidos moucos
Quando eu
O quiser?

Ó Margarida
Do jardim
Dá-me uma ajuda
Tenha dó de mim...

Em cada pétala sua
Uma verdade nua
E uma dúvida...

Bem-me-quer?
Mal-me-quer?



Rob Azevedo












Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Feiticeiro




Feiticeiro



Nunca se atreva
Com um feiticeiro
Paranormal
Transcendental
Surreal
VIS-CE-RAL...

Ou o calor do Sol
Pode te queimar
E o melhor a fazer
Morrer no mar

Conheço o segredo
Do Céu e do Inferno
Da Arca Sagrada
Do Santo Graal
Da Tábua de Esmeralda
Da Pedra Filosofal
Dos hieróglifos na pirâmide
De Ransés II

Tenho o dom
Da Terceira Visão
Cognição
Vidência
E premonição

Sei tanto quanto
Sabe o Carvalho
E sou tão profundo
Quanto o abismo do além mundo

Em meu caldeirão
Com colher de pau
Faço uma poção
Que tem o poder
Do bem e do mal

A ti, só cabe entender
O que escolher



Rob Azevedo









Fúria




Fúria




Apertaram meu calo
Jogaram pedra no Templo
Do deus mais belo
E me viram tomado
De inspiração e possesso
Calando o escândalo
Esmagando-o em meu canto
E, então, se arrependeram

Haviam ter coroado
Minha fronte de heras
Bem calados
Porque tenho pacto
Com Júpiter
Urano
Marte
Netuno
Mercúrio
Vênus

E em meus dedos brilham
Os anéis de Saturno

Basta que eu chame
Uma legião de poetas Arcanjos
Desce do céu para que honrem
Meu nome

Sou o Mago Merlin
Erguendo o cajado
Sou Mandrake
Sou mágico
Sou o hálito
Do dragão
E o rugido do cão
Cérbero

Então cuidado!
Não aperte meu calo!



Rob Azevedo











Balada para Narciso II




___Balada para Narciso II___




Sobre uma nuvem
Nu vem
Um homem
É o deus Narciso
De todos o mais bonito

Ao morrer afogado
Deixou à beira do lago
Uma flor
Para que fosse lembrado
E ascendeu aos céus
Galopando num cavalo alado

Lá no etéreo, bem alto
Por si que era tão apaixonado
Enfim pôde fazer Amor consigo mesmo
O que aqui na Terra não podia
Vivendo sem alegria
Porque só um Narciso existia
E ter seu corpo
Beijar-se e amar-se em carne
Não conseguia
Pois tudo o que via
Era sua imagem refletida
No espelho e no lago

O Pai Eterno apiedado
Por ver Amor tão grande
Irrealizado
Criou à imagem e semelhança de Narciso
Uma ninfa de nome Narcisa

Semelhante em beleza
Semelhante em cada traço
Mas mulher
Como todo o homem quer

Narciso

Viu-se então nela refletido
Sem que fosse
Tão somente reflexo
Das águas do lago ou do espelho

Amaram-se e amam-se
Como puderam e podem
Vendo um ao outro
Como refletido no espelho

Lá de longe eu vejo
Entoando seu canto
De Amor realizado
Nu vem
Sobre uma nuvem
Um homem
É o deus Narciso
De todos o mais bonito



Rob Azevedo










Nuvem Escura




Nuvem Escura




Num vem não!
Nuvem escura
Que agora
Em minha vida
Faz Sol

Deixe que eu viva
O presente
E enterre
O passado
De um amor desconfiado
Tão maltratado

Permita
Que em minha poesia
Floresça
Um campo de lírios
E nele se veja um rio
Correndo
Tão lindo

Nuvem escura
Num vem não!
Quando voltas
Minha poesia
Se definha
E conta em verso
Tudo o que me assombra

É só rancor e lamento
Raiva e tormento

Num vem não!
Nuvem escura
Não que eu te queira mal
- Não o quero! -
Porque um dia
A despeito de tudo
Te jurei amor
E me juraste
Também

Mas entenda
Esse amor
Se quebrou...

O Amor é vaso
De cristal
Frágil
E o nosso
Se partiu
Em mil pedaços

Num vem não!

Nuvem escura
Compreenda
Não voltando
E pairando
Sobre minha vida
A dor
Da tormenta
Porque agora
Pra mim
Tudo é Sol
Paz e Amor




Rob Azevedo











Faz...




Faz...



Faz Amor comigo!
Estou te pedindo
Com jeitinho
Dengo, mimo
E muito carinho
Sussurrando baixinho
No teu ouvido

Sou bom menino
Romântico
Fino e educado
Cheio de talentos
Bom partido
- E só um tantinho
Devasso -
E olhe um bocado
Não sou de ser
Dispensado

Pedaço de mau caminho
Com destino
Ao paraíso
Em delírio

Faz Amor comigo!
Estou te pedindo
Apaixonado
Encantado
Com jeitinho
Dengo, mimo
E muito carinho
Sussurrando baixinho
No teu ouvido

Sou bom menino!

Quero em teu corpo
Um ninho
E a porta
Pro infinito

Faz Amor comigo!



Rob Azevedo










Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Balada para Narciso




_____Balada para Narciso_____



Narciso só via a si mesmo
Nas águas do lago e no espelho
Por todo o bosque
As ninfas em suspiros corriam
Atrás de Narciso
Não sabiam que era insensível
À paixão que despertava
E eram muitas apaixonadas

Todas se punham aos seus pés
Nenhuma delas lhe tocava
E a si mesmo mirava
Nas águas do lago e no espelho

Ah! Como choravam...
Enchendo mais o lago
Que mesmo transbordava
De lágrimas...

Qual delas
Seguindo algum conselho
Poderia conquistá-lo
E tê-lo?

Como descobrir o segredo
De jovem tão belo
Tanto quanto Eros
Vivendo sozinho em delírio
A mirar-se nas águas do lago e no espelho?

Desenrolar o novelo
Encontrar o fio da meada
E deitar-se ao lado
De um deus alado

Como sabê-lo?

Haveria nalgum oráculo
A reposta de tão intrincado segredo
Ou morreriam todas de desejo?

Pelos bosques as ninfas
Suspiravam perseguindo Narciso
Contemplando-o ocultas nos ramos
Derramando prantos
Por um deus insensível

Ah! Quantos encantos!
Vinham daquele jovem tão belo
A mirar-se perdido em devaneios
Nas águas do lago e no espelho

Quão fundas dores
A todas ninfas do bosque
Alvejadas de amores
Desejando tê-lo
E ninguém o pode

Dentre todas as criaturas
As ninfas são aquelas
Que por serem tão belas
Mais compreendem
Percebem
Sentem
Amam
A beleza
E por ela
São atraídas
E rendidas...

Ah! Diante Narciso insensível
A tanta paixão que despertava
As ninfas choravam
E o lago transbordava

Suspiros calavam
O uivo dos ventos
Diante tamanho encantamento

Corações pulsavam descompassados
O fôlego faltava
O chão se perdia
Tudo por dentro estremecia

Às ninfas
A beleza de Narciso
Eclipsava a luz do dia

O que haveria
De ser preciso
Para que o jovem tão belo
Ao menos voltasse
Seus olhos a alguma delas?

Seus olhos que se perdiam
Eternamente fixos
A si mesmo fitando refletido
Nas águas do lago e no espelho

Em tão grande devaneio
De paixão e delírio
Narciso – entre tantas e tantas ninfas sem fim
Que não se contavam nem nos grãos de areia nem nas estrelas –
Era tão somente mais um
Apaixonado por si
Perdidamente

Padecia a mesma dor
De todas as ninfas sem tê-lo
Porque não podia fazer Amor
Consigo mesmo

Um dia, a dor
Não mais suportou
E se atirou de ímpeto
Nas águas fundas do lago
Aonde se afogou
Morrendo de Amor

Com a morte do jovem
O espelho das ninfas do bosque
Onde viam toda a beleza de si mesmas
Reunida e refletida
Se quebrou
Mas ninguém mais chorou
Do que o lago e o espelho
Onde Narciso se mirava
Pois igualmente o amavam
Apaixonados - perdidamente
E sofreram grande dor

Restou uma flor
Só - como Narciso o foi
Às margens do lago lacrimoso
Aonde o jovem se afogou



Rob Azevedo











Megg




Megg



Megg
Não me negue
Fazendo
O que não quer

Megg
Me carregue
E me leve
Aonde quiser

Megg
Enterre
O passado
Vivendo comigo
Ao teu lado

Megg
Regue
As flores
Que plantei
Florescendo
Amores

Megg
Aproveita
Enquanto é tempo
E comigo se deita
Antes que venha o vento

Megg
Não se despede
Sem me dizer
Eu te amo!
Me deixando
Em pranto

Megg
Não me esquece
Eu que vivo
Rezando por ti
Numa quermesse

Megg
Entende
O que acontece:
É Amor
Que estremece!

Megg
Vem depressa
E me endoidece
Antes que cesse
Tudo o que enlouquece

Megg
Dá um jeito
E desce
De cima do muro
Desse Amor mudo e surdo

Megg
Te amando eu esmurro
A faca cega da paixão
Mas por favor
Não me chame de burro!

Megg
Se lembre:
Eu tenho um coração!

Megg
Te juro:
O que digo
Não é ilusão!

Megg
Apimente
Tua vida
E me lambe
E se lambuze

Megg
Se entregue
À tentação
Que te prometo:
Será bom!

Megg
Não despreze
O Amor-Perfeito que floresce
Em meu leito
Nem o travesseiro
Que será meu peito

Megg
Rasgue
Minha roupa
Para ter meu corpo
Que a tua
Eu rasgo
Pra te ter
Nua

Megg
Comigo se deite
E encaixe
Nossas formas
Como peças
De quebra-cabeça

Megg
Me mande
Calar a boca
E me beije
Que eu te deixo louca

Megg
Minha voz já tá rouca
Então vê se me ouça
Esquece a louça
Na cozinha
E vem pro quarto

Megg
“Não faz tanto doce”
Cruzando os braços
Fazendo biquinho
Feito boneca intocável
De porcelana
Olhando de lado
Senão desanda
O bolo

Megg
Não me deixe crer
Que sou o homem errado
Pra você
Ou adeus
Ao nosso prazer!

Megg
Nem vai chover
Mas a sombrinha leve
Porque aqui dentro
Entre eu e você
“Tá um chove não molha!”

Megg
Tenho tanta coisa
Pra te dizer...
Mas uma é a mais importante:

Megg
Por favor
Antes de eu morrer
Faça comigo Amor!



Rob Azevedo











Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

É Tarde!




É Tarde!




Volta não!
Esquece a ilusão!
Já tem outra
Tomando conta
Do meu coração



Rob Azevedo







Presunção II




Presunção II



Sua presunção
Continua a mesma
Tudo o que escrevo
- Dos versos bons -
Julgas que é pra ti

Olha, te aconselho:
Faz de conta que morri!



Rob Azevedo







Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Esquecimento




Esquecimento




Ouça o silêncio
Do meu esquecimento
Já faz um bom tempo
E tudo é silêncio
E esquecimento

Sinta o frio
Na noite sem o calor
Da fogueira que crepitava
Em chama alta

Esquecida se lembre
Como era outrora
E vias comigo
O luzir da aurora

O vento já não trás
Canções de Amor
E ninguém te faz
Como eu te fiz
Feliz

O que foi jaz
O que será
Comigo jamais!

Restaram as flores
Que juntos plantamos
Lá fora no jardim

Por mim, as pegue
Uma por uma
E as deposite
No túmulo
Do nosso Amor defunto

Assim lá fora
Nem o jardim
Que plantamos outrora
Nos lembrará
O luzir da aurora
Em que nos juramos
A quimera
Da eternidade
Que já era!




Rob Azevedo









Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

O Espelho do Poeta Narciso





______ O Espelho do Poeta Narciso ______





- Espelho, espelho meu
Existe algum poeta
Melhor do que eu?

- Não!
Em toda Terra
Não há nenhum poeta
Melhor do que você.

- Espelho, espelho meu
Existe algum poeta
Mais belo do que eu?

- Não!
Não há nenhum outro poeta
Mais belo do que você.
Maçãs envenenadas
Estão dispensadas.

- Espelho, espelho meu
Existe algum poeta
Mais inteligente
Do que eu?

- Não!
Nem de longe
Narciso
Fique tranqüilo.

- Espelho, espelho meu
Existe algum poeta
Mais louco do que eu?

- NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!


Tamanho foi o grito
Negativo
Do espelho de Narciso
Que o vidro se partiu
Em cacos mil.



Rob Azevedo







Como não sou bobo - muito pelo contrário - e nunca dou ponto sem nó nas coisas que faço, deixo especialmente dedicada aos TOLOS DE PLATÃO (OU CABEÇAS QUÂNTICAS que se esforçam tanto por suas ditas "normalidades"), a música do link a seguir - QUE COMPLEMENTA INTEIRAMENTE O MEU POEMA O Espelho do Poeta Narciso.


Quem tiver ouvidos, que ouça!


Cique -> AQUI <-



Maluco Beleza
Raul Seixas
Composição: Raul Seixas / Cláudio Roberto



Enquanto você
Se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual...

Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Maluco total
Na loucura real...

Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez...

Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza...

E esse caminho
Que eu mesmo escolhi
É tão fácil seguir
Por não ter onde ir...

Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez
Eeeeeeeeuu!...
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez

Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com toda certeza
Maluco, maluco beleza...






E de quebra uns versos de Nietzsche, do livro Assim Falava Zaratustra...


Que eu esteja banido
de toda verdade!
Somente louco! Somente poeta!




E mais uns versos do meu poema O Bufão Surrealista:



Ó, cabeças quânticas
Quanta estupidez se abriga
Nessas cabeças quânticas
De fósforos riscados!
A demência transcende
A lucidez da tua mente










A Hóstia e a Taça de Vinho




____ A Hóstia e a Taça de Vinho ____





No vão das suas coxas
Eu plantei
O Meu Amor

Finquei a haste da barraca
Fiz minha casa
Meu castelo

Imergi a hóstia
Na taça
De vinho
Comungando o sacramento
Pintei o céu
De amarelo
E o abismo do mar
De branco

Lá no fundo
Contemplei
Vadiando
As ondas
Vindo e voltando

Só eu que não voltei
Lá eu vivo
Dormindo contigo
Acordado sonhando
Um sonho lindo

Já não ouço
O uivo do vento
A tudo levando
Mas gemidos
De quem suspirando
Amedronta
Os temporais
E faz girar
A Rosa dos Ventos

Já não sinto
O úmido do orvalho
Nas noites frias
Mas aquele do íntimo
Do seu corpo
Onde me aqueço

Já não padeço
Mais fundo me arremesso
Voltando ao começo
De tudo
Da onde nasci
Num recôndito ninho

Lá eu planto
Meu Amor
Colhendo o que canto
Nas pedras
Do Arpoador



Rob Azevedo










E Você Me Jurou...




E Você Me Jurou...



Você me disse
Que torce pelo meu time
Você me jurou
De pé junto
E até gritou:

Sou tricolor!

Mas eu acho
Que você me enganou
E você é
Flamengo...

Porque nunca vi
Alguém assim
Jogar tão contra mim

Tudo o que eu digo
Você desdiz
O que eu escrevo

No quadro a giz
Você apaga

Se eu te exalto
Você me maltrata
Se eu aumento o som
Você abaixa

Se eu grito é gol
Você diz
Que foi
Impedido

Se eu digo que é bonito
Você acha feio
Se eu me comporto

Com lucidez
Pra você

É insensatez

Somos sempre
Tudo ao contrário
Na minha boca
O café é doce
Na sua amargo

Já nem sei mais
Aonde encontrar a paz
Eu acho mesmo
- Tenho quase certeza –
Que você
Me enganou
Mentiu pra mim
Não é
Tricolor

Faça-me o favor
Devolva a camisa
E a bandeira
Do meu time
Que eu te dei

Não quero gol contra
Não quero ninguém
Secando as flores
Que eu plantei

Não quero urubus
Voando em círculo
Sobre minha cabeça
Me azarando

Não quero o mundo
Rubro-negro
Tão negro
Tão negro...

Sou verde, branco e vermelho
Verde da Esperança
Branco da Paz
Vermelho do Amor

Por favor
Não faça mais gol contra
E me devolva
A camisa
E a bandeira
Do meu time
Que eu te dei



Rob Azevedo









Abrir a Porta




Abrir a Porta




O Amor só brinda a quem
Se permite
Ao Amor
De que adianta
Ser trovador
E não abrir a porta
Contentar-se em ser apenas
Um sonhador

Minha boca existe
A sua também
Na minha guardo a prece
Rezada só se acontece
A união de ambas
De pé ajoelhados
Como em devoção numa quermesse
E olhos cerrados,
Braços entrelaçados
Nos corpos juntos

Abrindo a porta
Ao Amor
Nos brinda a realidade:
Eu existo e tu existes
É o que importa
Transformar o etéreo
Dito em verso
Em osso e carne
Macia e nua
Roçando na pele
Esquentando o frio
Desatinando em delírio
Atravessando o rio
Antes que nos leve
O barqueiro sombrio

E antes que a morte
Nos separe
Bebamos do cálice
Da vida
E permita
Que nossas bocas unidas
Rezem juntas a prece
Que a noite amanhece
Num brilho de luz
E eternidade
Atemporal
Ainda
Que finita



Rob Azevedo








Cânone XXVI




Cânone XXVI



De tanto imaginar-te
Te vejo em qualquer parte
De tanto sonhar-te
Fiz de ti
Minha Arte
De tanto idealizar-te
Te elevei tão alto
Além de Marte
De tanto em pensamento beijar-te
Minha boca arde
Procurando na sua
A fonte d`água
Que o fogo apague
De tanto querer-te
Falo sozinho pela rua
Conversando com a lua
De tanto amar-te
Minha alma já não é minha
É sua
De tanto implorar-te
Crença em minha querença
Estou comigo em desavença
De tanto chorar-te
Por sua esquivança
Vivo de esperança
De tanto rogar-te
Ao meu lado a dança
Do Amor bonança
Existo da confiança
Que um dia a verdade
Haverá de tocar-te
E entregar-se
A quem a ti
Está entregue
De tanto querer-te
Ninguém há de entender-me
Ao ver-me vivendo sem ver-te
A falar sozinho pela rua
Conversando com a lua
De tanto amar-te
Estou entregue
Minha alma já não é minha
É sua



Rob Azevedo









A Verdade de Um Ditado




A Verdade de Um Ditado




Água é mole
Pedra é dura
Tanto bate
Até que fura...

Loucura?

Espera um momento
E veja por si mesma
Seu coração amolecendo

Estátua de mármore fria
De repente se movimenta
Anda e canta

Pára, pensa
E grita:

Estou viva!

Não há quem diga
Que não seja verdade:

Água é mole
Pedra é dura
Tanto bate
Até que fura...

Não, não é loucura
Espera um momento e veja:

É vida!

Estátua de mármore atrevida
Vence a covardia
O inerte da morte
E vem ser consorte
Da luz do dia

Saia do escuro
Quebrando o muro
Rompendo o silêncio
De um Amor mudo

Derretendo o gelo
O mar transborda
Tudo vira
Oceano
E se foi todo engano
De viver
De um Amor mudo
Sem saber dizer
EU TE AMO!

Coração duro
Amolece
E esquece
Que um dia
Foi estátua de mármore
Fria

Pois água é mole
Pedra é dura
Tanto bate
Até que fura...

Não, tudo isso não é loucura!

É vencer a covardia
Inerte da morte
E ser consorte
Da luz do dia

Não, não é loucura
Espera um momento e diga:

Estou viva!



Rob Azevedo








Meu Canto




Meu Canto



Sua vida eu faço
De gato e sapato
Reviro
De ponta à cabeça
Desfaço cada laço
Você endoidece
E diz que não merece
Viver num mundo assim
De pernas pro ar

Mas quando anoitece
Tudo se esquece
E é meu nome
Que ouço chamar

Você se confunde
Me estranha
Arranha meu corpo
Joga mil coisas
Na minha cara
E sai de banda

Pede conselho
Às amigas
Que dizem
EU QUERO
FICAR COM VOCÊ!

Exigem que imponha
Respeito
Me negue
Fazendo
O que não quer

Se incomoda com o que os outros dizem
Acham
Pensam
Não sabendo
Que EU TE AMO
TANTO

VOCÊ É MEU CANTO
Desde o momento
Que te conheci
Então por quê
Fugir
Negando o sentir
Se o querer
Eu vejo
Em seus olhos
Clamando
Meu beijo



Rob Azevedo








De Ponta à Cabeça




De Ponta à Cabeça




O Amor quando é forte
Revira
A gente
De ponta à cabeça

Nos faz de fantoche
Nos leva de volta
Ao viver adolescente

Pinta e borda
Transborda, entorna
Nos faz
De gato e sapato

O Amor quando é forte
É louca paixão
Se perde a razão
Andamos sem ter
Os pés no chão

É um sim e um não
Não conseguirmos escapar
Daquele desejo de amar

É brigar
E perdoar
Brigando adorar
E se arrepender depois

É uma tremenda confusão
Rimar tudo o que é contradição
Encontrar o perfeito par
Em Eduardo e Mônica

É um delírio no ar
Uma nau no mar
Naufragando
Pra tudo o que foi então
A tábua de salvação
O outro coração

É um negar
E à noite quando se deitar
Chorar e sonhar
Com aquela outra pessoa
Que só queremos amar

É um orgulho violentado
Por tanto Amor
E falta de pudor
Quando o muro é derrubado

As vestes se rasgam
Com fúria e vontade
Devassidão e loucura
De tudo se despem
Dois corpos
Se deitam
E se encaixam

Se arranham
Se apertam
Em delírio se amam
Gemem, suspiram
Sussurram e juram
Confessam
E Amor comungam

Toda contradição
Se encaixa então
Rimando
Sim e não



Rob Azevedo







SE EU TE TENTO E ATENTO É PORQUE SOU TENTAÇÃO




SE EU TE TENTO
E ATENTO
É PORQUE SOU
TENTAÇÃO




Ela estava enlouquecendo
Cada dia passo a passo
Perdendo o compasso
Daquela vida tão sem graça
Voltou de repente
A ser adolescente
Inconseqüente
Fazendo pirraça
Enquanto eu sorrindo
Atirava pedra na vidraça

Por dentro se ardendo
As pernas bambeando
Tudo estremecendo
A si mesma enganando

Quando à noite se deitava
Era comigo que sonhava

Noutro dia me encontrava
Toda dissimulada
Fazendo piada
Do amor que eu declarava

Dizia que eu brincava
No fundo não acreditava
Mas a si mesmo se enganava
Quando jurava que não me amava

Dizia pra todas fofoqueiras
Com quem se gabava
Que ela me negava
Enquanto eu a assediava

Lá dentro, eu sei
Estava encantada
Só desconfiada
Que eu a ludibriava
Quando amor lhe declarava

E fazia pirraça
Dizia que eu maltratava
Seu sentimento
De dama, nobre e casta

Veio à minha casa
Toda indignada
Pedindo que eu assumisse
Tudo o que disse
Ou então
Sumisse!

Noite e dia me acusava
De ser equilibrista
Malcriado e narcisista
E não descia
De cima do muro

O Amor comigo
Pra ela
Seria um tiro no escuro

Quando se irava
Berrando me esconjurava
Mas em seus olhos eu via
Que ela me amava
Só não acreditava

À noite, eu sei
Quando se deitava
Feito louca se encabulava
Porque era comigo que sonhava

Eu sabendo do que se passava
Bem mais me endiabrava
Pintando e bordando
Brincando de gato e sapato

Sempre fui atentado
Impertinente e abusado
Expulso do colégio
Da minha casa e da rua

Nada me restando
Fiz as malas e fui morar na lua!

É por lá que eu ando
Não sou daqui não
Não sou daqui
Sou lunático!

Então me entenda
Não há quem me compreenda
Se a lua tem fases
Eu sou polifásico!

Um dia sou palhaço
O outro e o outro e o outro também
Mas a semana tem sete dias
Então só aprenda
A esperar os outros três
E a gente quem sabe de repente
Coma junto um pão francês...

Minha pena é que meu pão
Sempre cai
Com a manteiga
Pro chão




Rob Azevedo








Domingo, 21 de Setembro de 2008

Em Teus Seios




______Em Teus Seios______





Em teus seios quero abrigo
Conforto
Delírio

Em teus seios eu quero
Um campo
De lírios

Quero aconchego
Consolo
Brinquedo
De um homem
Menino

Quero o lenço
Que enxugue
Meu pranto
E o motivo
Que abra
Meu riso

Eu teus seios eu quero
Minha morada
Minha praia
Meu travesseiro

Quero o silêncio
O sono
E o canto
Em meus ouvidos
Me embalando
Em teus braços

Quero encontrar o mundo
Pintado
Nas cores
Do arco-íris

Quero a paz
E o chão
Ouvindo
Teu coração

Quero o Sol
E a Lua cheia
Lado a lado
Eu mergulhado
No vão
Desse eclipse
Lunar
Amamentado
Amado
E apaixonado



Rob Azevedo










Sábado, 20 de Setembro de 2008

Como os Homens do Deserto




Como os Homens do Deserto



Aquele que sobreviveu dos cactos espinhosos
E dos lagartos
E cobras venenosas

Aquele que disse adeus
À sombra
E só teve a companhia
Do Sol escaldante

Aquele que só viu no horizonte
Areias e dunas

Aquele que foi espreitado
Pelas aves de rapina
E matilhas de lobos, hienas e coiotes
O esperando
Tornar-se carniça

Aquele que pediu a morte
Sendo a misericordiosa sorte
De quem peregrina perdido
Em tão estéril deserto

Aquele que lambeu no lodo
Gotículas de água
E fritou ovos
De abutres nas pedras
Rubras de calor pelo Sol
Para que tivesse almoço

Aquele que peregrinou
Solitário
Sem Sul nem Norte
Morto-vivo
Em pele e osso
Em busca d`algum oásis
Em toda parte
E nada encontrou

Conheceu todo o deserto...

Um dia chegou
Ainda lhe correndo nas veias o sangue
O coração palpitante
Numa tenda de nômades

Tinham comida e água
Um caminho a seguir
Um Norte e um Sul

E riram
Do peregrino
Pois havia se tornado Mestre
Das areias
Dos cactos espinhosos
Das cobras e lagartos
Das gotículas de água
Escorrendo em filetes
Entre as pedras
Cobertas de lodo

Havia se tornado Mestre
Das aves de rapina
Dos coiotes e lobos

Havia se tornado Mestre
Da vida e da morte
Peregrinando
Sem Sul nem Norte
Entregue à própria sorte

O abandonaram por fim
E seguiram seus caminhos
Não dando ouvidos aos seus conselhos
Para que não caíssem
Nas ciladas do deserto

Abandonado
Seguiu sozinho seu caminho
Levando um pão
E um alforje
Com um bocado de água

Os nômades
Morreram perdidos no deserto
Porque só eram mestres
Da fartura
Da boa sorte
Seguindo tendo
Um Sul e um Norte
Logo foram
Enganados por miragens

O peregrino solitário
Mestre da vida e da morte
Mostrou-se mais forte
Do que a ilusão que engana
No desterro do deserto
E encontrou um oásis

Salvou-se e teve
Longa vida
Lembrando um dia
Daqueles nômades
Que riram dele
E morreram
Sem pão nem água
Perdidos no deserto
Enganados por miragens




Rob Azevedo










O AMOR III




O AMOR III




O RISO E O GEMIDO...
O SENTIDO E O SUSPIRO
O definido e o indefinido
O abrigo no infinito
O exato e o ambíguo

O delírio
Entre o desatino e o siso
Vagueando pelo corpo
Transpassando o Bojador
Além do umbigo

A dor
O frio
O calor
E o êxtase
Do gozo

O freio
E o arremesso
O retorno ao começo
A pedra
E o rio
O vento
E o lírio

O que não se compreende
Tão somente se sente

O AMOR...



Rob Azevedo








De Repente, Não Mais Que de Repente... A Descoberta de Um Poeta!




De Repente, Não Mais Que de Repente...
A Descoberta de Um Poeta!



Descobri que todas poesias que escrevo
São pra mim mesmo!
O Amor é do jeito que quero
A mulher como desejo

Sempre tem
Uma goiabada e um queijo
E tudo é tão...
Perfeito!

Numa dessas
Levei um soco no queixo!

A verdade não é
Nada como escrevo
Em meus versos...

O Amor não é do jeito que quero
Tampouco a mulher
Como desejo

Entre a realidade
E o devaneio
Há uma distância tão grande
Que só indo de trem

Então pra quem
Escrevo meus versos
Senão pra mim mesmo?

Embora nem eu
- Confesso -
Seja eu mesmo
Em meus versos...

É sempre tudo
Bem do jeito que quero
O Amor e a mulher
Como desejo

E eu um Narciso
Mirando-se no espelho

Caso contrário
Em frente e verso
Creio
Levantariam os cabelos!

Tudo o que escrevo
Descobri:

É pra mim mesmo!
Um afago no ego
Dos meus devaneios



Rob Azevedo










Annellise




___Annellise___




Annellise
Esse é um daqueles meus poemas
Dedicados a você
Que você nem vai ler...

Igual daquela vez
E daquela outra mais
E outra e outra...

Escrevi todo de alma e coração
Mergulhado
Em meus versos
Não deu em nada...

Naquela tremenda expectativa
De ser aprovado
E te emocionar
Floreando nosso amor
Entreguei em suas mãos
As folhas
Que os continham
Você leu com ares de descaso
Uma ou duas estrofes
Depois pôs meus escritos
Em cima duma mesa qualquer
Por perto
Se virou
E foi fazer suas coisas

Decepcionado, sem graça
Eu não disse nada...

Só quatro dias depois
Te perguntei
Se havia os lido...

Você nem se lembrava mais...

E as folhas haviam desaparecido!

Annellise
Cansei
Mas estou tentando mais uma vez
Escrever algo que você leia
Nem espero que goste
Pode achar o que quiser
Mas que ao menos leia inteiro meus escritos
Dedicados a você
Sem ter no rosto
Uma expressão tão notável
De descaso...

Por favor não pare no meio
Indo sei lá aonde
Fazer outra coisa qualquer

Sei que poesia não é a sua praia
Seu gosto é psicologia
E filosofia
Nesse seu jeito
Racional de ser
Sensato
Pé no chão
Parecendo até
Por vezes fria

Mas por mim
Faz um esforço
Leia ao menos
Um poema inteiro
Desses
Que dedico a você

E sem aquele ar de descaso no semblante...
Por favor!

Ah!
Ao final da leitura
Diga algo!
Nem precisa ser que me agrade
Apenas expresse o que sentiu
Ao ler meus versos

Annellise
Por favor!
Ou vou fazer eternamente
Poesias pra empregada
Pra vizinha
Pra vendedora do shopping
Pra alguma amiga qualquer
Pra nossa cadela
Vira-lata

Menos pra você!

E são tantos que gostam dos meus escritos...
Julgam-me mesmo um grande poeta
E me cobrem de elogios...

Pena você
Meu Amor
Não estar
Entre os fãs que conquistei...

É o mais triste lamento
Que um poeta
Pode ter...

Essa poesia
Não farei como as outras
Entregando-as em suas mãos...

Vou lançá-la ao vento
Se acaso
Meus versos
Chegarem aos seus olhos
E sentimento
Por favor, te peço
Não me deixe
Continuar a padecer
O mais triste lamento
Que um poeta
Pode ter



Rob Azevedo












Adeus às Quimeras




Adeus às Quimeras



Adeus àqueles amores
Tão grandes
Do tamanho do infinito

Adeus àquelas mulheres
Tão perfeitas
Que pareciam flores

Adeus à beleza
De princesa
E majestade
De rainha

Adeus à nobreza incólume
De caráter
Revestido de pureza

Adeus a toda mania de grandeza
No amor que sinto
Dando a ele
Ares de realeza

Adeus a todos adjetivos
Superlativos absolutos

Adeus àquele dito:
Sem ela
A morte prefiro!

Adeus ao ideal romântico
Posto em pedestal

Adeus ao amorzinho
Em poema tão engrandecido
Que parece gente grande
Sem ser mesquinho

Adeus toda essa perfeição
Mãe de tanta desilusão...

Adeus às asas
Da minha imaginação...

Adeus aos meus vôos
De Ícaro...

Adeus ao meu despencar
Despedaçando-me no chão...

Quero um amor
Comum
Desses que se encontra nas esquinas
Do dia a dia
Não aquele que se levanta do túmulo
De Julieta...

Quero uma mulher
Companheira
Normal
Dessas que de fato
Existem
Não aquelas criadas
Pelo lirismo embriagado
Dos poetas

Quero o que há
Nesse mundo
Imperfeito
De seres imperfeitos

O bem e o mal
O belo e o feio
O delicado e o rude
O grande e o pequeno

O que é visto
Amiúde

Apenas um amor
Comum
Uma companheira
Normal
Com seus defeitos
- Desde que não sejam muitos -
E sem ter beleza igual
A de Afrodite
- Desde que não assuste
o Diabo e o adoente –

Apenas um amor
Sem aquela história
De eternidade
E dimensão de grandeza
Ufana

Apenas um amor que dure
Enquanto houver que durar
E um dia acabe

No entanto a vida é pequena
Havendo a possibilidade
De o levar
À decrepitude
E fim
Que eu o leve

Mas sem ilusões
E floreios
Onde não há flores
Somente espinhos
Nem tantas dores
Rancores
E mil cores

Apenas um amor comum
Que não faça mal demais a mim
Nem eu a ele

De certo
Um amor feito de lágrima e riso
Acerto e engano
Ferimento e cura
Loucura e siso

Apenas um amor normal
Que se dê para vivê-lo
E no final
Posto na balança
O resultado
Seja favorável

Desejo apenas
O que existe
E é alcançável

Só isso
E mais nada...



Rob Azevedo











Coisinhas Básicas do Dia a Dia




Coisinhas Básicas do Dia a Dia



Eu aqui escrevendo poesias
Ela na cozinha
Preparando o almoço
No fogão

Bah! Não é nada disso!
Essa não é uma poesia machista
De um cara se gabando de sua mulher-empregada...
Longe disso!

Sou pelas mulheres
E pela igualdade em tudo...

Essa poesia
É tão somente
Das coisas do dia a dia
No viver de cada um

A comidinha do Meu Bem
É a melhor que tem!

A comidinha do Meu Amor
De todas é a melhor!

É a única
Que alimenta meu corpo e minha alma
E tem um gosto
Sem igual
O gosto de nós dois
Um ao outro se querendo

De manhazinha
Fui à feira
E ao supermercado
Dei uma passada pelas bancas de jornal
Li as manchetes

Eu de bermuda
Camisa de malha
E chinelos
Pegando um pouquinho de Sol
Que se abria timidamente no céu nublado

Voltei pra casa
Carregado de sacolas...

Frutas, verduras e legumes
Tudo o que é saudável
Não faltou
Mais umas coisinhas
Só pro Meu Amor
O que ela mais gosta
E não vive sem
Parecem um eterno desejo
De mulher grávida
Sem o ser

No caminho
Eu cumprimentando conhecidos
E vizinhos
Parando um instantinho
Pra conversar de futebol

Em casa depois
Eu afagando nosso cão
No quintal
Pegando mais um pouquinho de Sol
Um cão misturado
Meio de raça
Meio vira-lata

E fui então fazer a barba...

Retirando-me a seguir
Ao nosso quarto
Achando-me bonito
Achando-me o tal

Logo mais é a vez do Meu Amor...
Depois do almoço
E da sesta curtindo aquela moleza
Nos dias de sábado como hoje
Ela sempre vai ao salão de beleza
E faz compras nos shoppings
De roupas e acessórios

Depois experimenta tudo no quarto
Olhando-se no espelho
Julgando-se uma princesa...

E eu assino embaixo!

Fim de tarde
Damos umas voltas pela cidade
Bebemos umas cervejas

No meio da noite
Depois de toda aquela produção
De horas e horas
Saímos novamente
Vamos a algum restaurante
Bem seleto e elegante
Com música ao vivo
E pista dançante

Voltando pra casa

Já pelas três e meia da madrugada
Ah...
Vamos dormir juntinhos
Sem pregar os olhos
Até o nascer do Sol...

Esse é um dia de sábado
Habitual
Em nossas vidas
Sem nenhum programa
Mais sofisticado
Fora do script

E agora
Iniciando a tarde
Quase uma hora
Estou aqui
Em nosso quarto
Ouvindo músicas baixinho,
Escrevendo essa poesia
E sentindo
O cheiro da comidinha
Do Meu Amor
Que ela prepara lá na cozinha
Só pra mim
Só pra nós dois

Ah! Que delícia!
Que fome me dá!
Comidinha igual a do Meu Amor
Melhor não há!




Rob Azevedo








Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

O Mestre Alquimista II




O Mestre Alquimista II




Todo verdadeiro Mestre
Não o é a todo momento
Há horas em que é Mestre
E noutras discípulo
Assim pode ocorrer
Diante qualquer um
Transmutando-se de Mestre a discípulo
E vice-versa
De acordo com cada ocasião

De todos pode colher o saber
Desde os grandes aos pequenos
E está sempre aberto
Para essa colheita

A humildade o reveste
Quando se reverte de Mestre a discípulo
E a autoridade está em si quando é Mestre
Essa a qual sabe impô-la
Sem intimidar-se

Cada momento distingue
Imparcialmente
Diante todos
À luz
De sua sapiência



Rob Azevedo









Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Frases de Escravos




Frases de Escravos



"Torna-se escravo o senhor que teme aqueles a quem governa."
(Publílio Siro)
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"Tu és escravo, enquanto desejas alimentos abundantes de outrem. É melhor comeres teu pão, que serás livre. "
(William Langland)
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"Todos nós somos, mais ou menos, escravos da opinião pública."
(William Hazlitt)
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"Ter escravos não é nada, mas o que se torna intolerável é ter escravos chamando-lhes cidadãos."
(Denis Diderot)
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"Sou escravo pelos meus vícios e livre pelos meus remorsos."
(Jean-Jacques Rousseau)
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"Sou escravo do dever por amor à liberdade."
(Cícero)
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"Sempre será escravo quem não souber aproveitar o pouco."
(Horácio)
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"Se há escravos por natureza, é porque os há contra a natureza; a força formou os primeiros, e a covardia os perpetuou. "
(Jean-Jacques Rousseau)
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"Queres deixar de pertencer ao número dos escravos? Rompe tuas correntes e elimina de ti todo temor e todo despeito. "
(Epiteto)
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"Quase todos os homens são escravos pelo mesmo motivo a que os Espartanos atribuíam a servidão dos Persas: a não saberem pronunciar a palavra não."
(Nicolas Chamfort)
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"Para que possamos ser livres, somos escravos das leis."
(Cícero)
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"Os piores escravos são aqueles que estão servindo constantemente as suas paixões."
(Diógenes de Sínope)
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"Nunca seja um escravo dos padrões que plantaram em você."
(Augusto Cury)
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"Ninguém é mais escravo do que aquele que se considera livre sem o ser. "
(Johan Wolfgang Von Goethe)
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"Não seja escravo do passado - mergulhe em mares grandiosos, vá bem fundo e nade até bem longe; você voltará com respeito por si mesmo, como um novo vigor, com uma experiência a mais, que vai explicar a anterior e superá-la. "
(Ralph Waldo Emerson)
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"Não é livre quem é escravo do seu corpo."
(Sêneca)
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"Não andes entre aqueles de quem ainda podes tornar-te escravo. "
(Spartianus)
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"Fugi do país onde um só exerce todos os poderes: é um país de escravos. "
(Simón Bolívar)
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"Escravo é aquele que não pode dizer o que pensa."
(Eurípedes)
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"É um escravo. Mas talvez livre de espírito. É um escravo. Isso fará mal a ele? Aponta alguém que não o seja. Um é escravo do prazer, outro, da avareza, outro, da ambição, todos, do medo."
(Sêneca)
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"É escravo de seu povo todo homem útil à pátria."
(Publílio Siro)
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"É aos escravos, e não aos homens livres, que se dá um prêmio para os recompensar por se terem comportado bem."
(Baruch Spinoza)




LIBERTEM-SE DA ESCRAVIDÃO, QUALQUER QUE SEJA!!!








Discussões Equivocadas




Discussões Equivocadas



Um rapaz esteve diante a Nietzsche
E discutiu com ele
Filosofia

Uma mulher esteve diante a Salvador Dalí
E discutiu com ele
Pintura Surrealista

Um senhor esteve diante a Michelangelo
E discutiu com ele
Sobre esculturas

Um outro rapaz esteve diante a Mozart
E discutiu com ele
Música Clássica

Uma outra mulher esteve diante a Gabriel Garcia Márquez
E discutiu com ele
As técnicas
Para escrever romances

Um outro senhor esteve diante a Shakespeare
E discutiu com ele
Poesia e Arte Dramática...

Ah! Antes houvessem permanecido calados
Apenas ouvissem
E aprendessem
Assim teriam se poupados
De terem sido vistos
Como asnos



Rob Azevedo








O Mestre Alquimista




O Mestre Alquimista



O verdadeiro Mestre é aquele
Que expõe suas idéias
Diante quaisquer sejam
Sem que jamais se intimide
Impondo autoridade
Reconhecida adiante

Autoridade...
Todo verdadeiro Mestre a tem
É esta peculiaridade
Que o caracteriza

Porque é ela
Que revela a certeza
Na exatidão das palavras
De quem as diz

Se não é firme em sua palestra
Há detrás dela
Pairando a dúvida
Logo não é confiável

Todo Mestre
Tem a convicção
De que o é
Ainda que não abra mão
De ser sempre também
Discípulo
Daqueles que sejam dignos
De lhe repassar o saber

Há que se separar o joio do trigo
Pois nem todas as coisas são boas
E o Mestre
Sabe separá-las

Sabe quando é
Mestre
E quando
É discípulo

Sabe quando
Sua autoridade se impõe
E quando descansa

Nunca lhe falta, no entanto
A certeza
Ao discernir um momento do outro
E transformar
Chumbo em ouro



Rob Azevedo










Incompreensão




Incompreensão



Das coisas que digo
Os lastros
Que estas têm
São somente
Diante a mim

Porque apenas eu
Me conheço
E sei quem sou

Outros não me entendem
Bem comumente

Um dito
Compreendido invertido
É um dedo abaixo do umbigo
De quem não o quer

Ficam de cabelo em pé
Se irritam
E reclamam

O incompreendido
É visto
Como um ser maldito

Alguém no passado
Se disse o Rei dos Reis
Incomodou aos imperadores
Que o crucificaram

Incompreensão
Mal inerente a quem diz
Coisas que ninguém ousa...

Se o diz é porque sabe
Que o mundo é daqueles que ousam
Mudá-lo através do que dizem...

E os dizeres habituais
Que descansem em paz
No jazigo dos temerosos
Tíbios na convicção
Por suas palavras
Então
Sempre iguais



Rob Azevedo









Tudo no Mundo é Relativo




Tudo no Mundo é Relativo



O maior diante alguns
É o menor perante outros
Muitos
São poucos
O doce
É azedo
O bom
É mau

O bem
É mal...

Tudo é relativo
Nada absoluto...

A inteligência
É ignorância
A convergência
É divergência

O forte
É fraco
O ótimo
É péssimo
A curva
É reta

Nada é absoluto
Tudo é relativo...

O amor
É ódio
O concreto
Abstrato
O certo
Errado

Tudo depende
Do ponto de vista
Calcado em cada referência...

A santidade
É pecado
O profano
Sagrado
O belo
Feio

A liberdade
É cárcere
A lei
Desordem
O além
Aquém

A lucidez
Loucura
O infinito
Ínfimo
O de todos
Íntimo

Nada é absoluto
Tudo é relativo
Meu saber sabido
Burrice
Nalgum outro lado do mundo



Rob Azevedo










Domingo, 14 de Setembro de 2008

Lance ao Vento




Lance ao Vento




Com meu ex marido foi assim
Com o outro fulano foi desse jeito
Com num sei mais quem
Deu tudo errado...

Meu coração todo despedaçado
Tanto aturou
Que se convenceu:

Antes só do que mal acompanhado!

Mas eu te pergunto
Por que eu
Hei de ser o culpado?

O que tudo pago
Até os pecados dos outros?!

Mas que ladainha!
Pra que tanta justificativa
Explicação
Teses concebidas
Nos porões
Da frustração!

Tudo não é senão
Covardia
E acomodação
Racionalização
De quem abriu mão da luta

Eu também
Já quebrei a cara
Meu vizinho idem
Minha mãe
Meu pai
Meu irmão
A patroa
Do português que vende pão
Na verdade
Todo mundo que conheço
Já quebrou a cara

A vida é mesmo malcriada!
Embestada e pragmática
Nos roga até pragas!

Mas a cara já está mesmo quebrada
E o coração despedaçado
E aquele velho ditado:

Antes só do que mal acompanhado

Revelado
Como um engodo consolador
Para os acovardados

Então
Que se f...
Finde!
Tão logo toda essa ladainha
Que me abomina...

De explicações
Teses
E racionalizações
Por tanto medo
Enraizado em tuas entranhas...

São águas passadas
Vivencias a serem lançadas
Ao vento
Para que ele as leve
E nada mais te pese

Esvazie tua xícara de chá
Para que eu a encha
Do Amor que há
Contido em meu bule

Se vir amargo
Beberemos juntos
Se for demais azedo
Cuspiremos
E o esqueceremos

Assim estaremos
Libertos mais uma vez
Para vivermos
O que der e vier
E não tão somente
Relembrarmos – num loop infinito de flash backs
Tudo o que foi
Tristeza e lamento



Rob Azevedo









Calar-se




Calar-se


Consentindo se calam

Aqueles que amam
Dando voz ao silêncio
Que fala mais alto
E clama
Pela união de lábios
Como mãos juntas que rezam



Rob Azevedo










Amor Melindroso




Amor Melindroso



Se me queres
Me digas
Não sou adivinho
Se não queres o vinho
Que te oferto em minha mesa
Que o recuse
Não carece polidez ou destreza
Nas palavras
Ou qualquer que seja
Impressão de grandeza
Na dor
Que há de me causar

Nada já me fere
Tudo me conforma
A ver-me a cada dia mais
Revestido por uma casca bem grossa

Se me queres
No entanto
Que o digas
Não carece
Sussurrar em meu ouvido
Em voz lânguida
As vestes já despindo

Pois o Amor não é nada disso
- Fugacidade, um fechar de olhos e consentir o desejo de uma noite de verão –
Mas a razão
Do gosto que tomamos
Por tantas horas
Que juntos passamos

E aquela saudade
Que vem ligeira e arde
Quando a pessoa amada
Parte

É toda aquela afetação
Tremenda
Por um pequeno
Desentendimento
O abalo trágico no ânimo
Quando com outro qualquer
Houvesse sido
Deitaríamos na cama
E dormiríamos tranqüilos

É o devaneio
Nos perseguindo todas as noites
Manhãs e tardes vazias
Imaginando fantasias
Com um outro alguém

O Amor de começo
É termos segredos
Inconfessáveis
Por timidez e receio
Dizendo tudo pela metade
Deixando no ar
Sempre um quê de mistério
Nunca um sim taxativo
Jamais um não exclusivo

É tudo velado...

Abstrato...

Melindroso...

É um caminhar
Pisando em ovos...

É termos para cada ato ou coisa dita
Uma desculpa
“Camuflante”, que remedia

É um passo pra frente
Outro pra trás
É nos equilibrarmos
Em cima do muro
Cozinhando tudo
Em banho Maria

O Amor no começo
É tão cheio de melindres
Como se fora uma criança
Numa loja de brinquedos
Cobiçando pegar para si
Sem que ninguém veja
Algum deles
O que mais deseje

Tanto melindre é contagioso
E o par amando
Esconde um do outro
Talvez por anos
Tudo o que sente

Ah! Quero dizer adeus
Aos meus verdes que jogo
Para colher maduro!

Quero dizer adeus
À roupagem com que visto verdades
Para que tenham ares de brincadeira
E não me compliquem
Se houver dito besteira

Quero a certeza
De saber querer
Tudo o que tu queres...

Para que nada mais eu camufle
Para que no medo eu não me abrigue
E sobretudo
Dele te desabrigue

Não te melindre
Haverá uma morada melhor
Para ti em meu coração

Do meu destino o pior
Será um não
E eu seguindo pela contramão
Do meu sentir

Mas viverei
Revestido de uma casca ainda mais grossa
Dessa que já tenho
Sem que essa armadura valorosa
Me impeça
De confessar o que sinto

Porque aprendi:

A pior saudade
É pelo Amor
Não vivido
Sabendo lá no íntimo
Que poderia ter sido
Dentre todos
O sonho mais bonito




Rob Azevedo









Carta Aos Ministros da Eucaristia




Meu poema a seguir é especialmente dedicado a todos aqueles que leram minha série de poemas versando - sob uma outra ótica - sobre a história de Cristo e Maria Madalena e foram contra os mesmos, julgando-os blasfemias, coisas impróprias, etc.


Um recado: Não escrevo absolutamente nada contra Deus e a figura de Cristo e tudo concernente, mas sim tão somente contra DOGMAS E DITAMES ARCAICOS QUE NOS IMPÕEM OS HOMENS - MOVIDOS POR INTERESSES ESCUSOS - DIZENDO SER A VOZ DE DEUS.





_Carta aos Ministros da Eucaristia_





Vós, ó Ministros, julgar-me-ão?

E as palavras de Cristo:

"Não julgue para não ser julgado?"

De que valem?

E o exemplo Dele de vida

Aberta a todos

Sem preconceitos

Sem barreiras restritivas...

Deus é Deus de todos

Gregos e troianos

Não exclusivo

De um círculo qualquer

Em detrimento de outros

Deus também é meu

- O meu Deus –

Assim como é teu

Deus é de todos nós

Das prostitutas

Como dos bêbados

E mesmo daqueles

Que um dia perseguiram a Cristo e seus seguidores

Como o fez Paulo de Tarso

Convertido adiante

Num de seus mais proeminentes arautos



Deus é de todos!

Não uma mercadoria

Posse unicamente de quem possa comprá-la

Deus é dos soldados

Entrincheirados no lado de cá do campo de batalha

Assim como

Daqueles que metralhadoras nos disparam

Entrincheirados em valas

Do outro lado

Deus é dos cegos

E daqueles que vêem

Deus é do Oriente

Do Ocidente e da Ásia

Deus é daqueles que pensam

De acordo com o que vós pensais

E também de nós

Que pensamos diferente

Por não sermos iguais

A vós, ó Ministros da Eucaristia!



Não somos melhores

Tampouco piores

Somos

Todos filhos de Deus!

Esse Deus soberbo que é meu
Teu
Dele
Dela
De todo aquele que queira
E creia
Como eu creio

Guardai as tradições
Detentoras de dois milênios
São os alicerces da nossa fé
Mas, por Deus, guardai também
As lições
Que aprendemos ao longo dos séculos
Advindas da intolerância religiosa,
Das opressões oriundas de dogmas,
Da probidade de credo
E do cerceamento da liberdade do pensar
De acordo com o livre arbítrio de cada um

Assim queimai na fogueira
Todos os preceitos
Da fogueira Inquisitória!

E permitam que dêem as mãos
Israelitas
Libaneses
E árabes em geral

Pois a lei de Deus
E do Messias Salvador
É a comunhão
No amor
Não importando àqueles que comungam
- Se em verdade o fazem -
O que pensam
O que professam espiritualmente
Como vivem
Em que acreditam
E no que não crêem
Se estão de acordo
Com a alínea A
Ou a alínea B

Deus é de todos
Daqueles que aceitam na íntegra
Escritos antigos em pergaminhos
Como daqueles que os recusam
Ou somente os aceitam
Parcialmente

Deus também é daquele
Que escreve novos pergaminhos
De acordo com o mudar dos tempos,
Do ser humano em si

A crença em Deus e tudo o que a rege
No que entendo
Não é peça empoeirada de antiquário
Nem monumento histórico tombado
Preservado eternamente
Desde o início
Tal qual foi concebido

Deus sim, é o Incriado!
O Imutável!
Mas somos nós quem mudamos
E um dia descobrimos
Que a Terra gira
Em torno do Sol
E não o contrário

De mudança em mudança
Descobrimos também
Que um dia estivemos errados

E agora, o que faremos?

Na fogueira Galileu Galilei foi queimado!

Tantos
Inocentemente pagaram...

Tantos pecados
Cometeram vós
Ó Ministros da Eucaristia!
Assim como muitos cometi
Muitos ele,
Ela
E todos nós cometemos...

Nos dizem pecadores
Mas saibam:

Vós sois tanto o quanto nós!

Que nos perdoemos mutuamente, no entanto
Pois o Messias um dia disse:

- Somos todos irmãos!

E quem O ama
Não fala mal de seus irmãos
Nem os julga

Vossos pecados
Ó irmãos Ministros da Eucaristia
Eu os perdôo
Que perdoem também
Tudo aquilo que em mim
Consideram pecado

Tudo o que tenho falado
Por vós discordado
Assim como tenho perdoado
Tudo pregado
Em suas reuniões
Que por mim não é aceito

Que tenhamos a grandeza de São Francisco
Para nos despojarmos de tudo
O que não seja tão somente
Deus
E peregrinando aos maltrapilhos
Em passos de sandálias
Mendigando pelos caminhos
Nos achegarmos humildes
Diante alguém como o Papa
Em seu colossal palácio
Assentado em trono de ouro
Ostentando em sua mão direita dogmas...

Que diante a nós de tudo despojados
Assim como um dia fez São Francisco
Ao Papa que o recebeu em sua Basílica portentosa
Que este alguém
Se envergonhe profundamente
E chore
Secretamente
Como um dia chorou
São Pedro
Após renegar seu Mestre

Lágrimas as almas lavarão
Ao compreenderem a verdade
E ainda haverá o perdão
De quem haverá de perguntá-los
Por três vezes:

- Tu me amas?

- Sim, eu o amo!


É a única resposta que importa
E a tudo apaga

Pois o Amor – bem além dos dogmas,
Preceitos, ditames, discordâncias –
É a Lei
Universal de Deus
Tanto para mim
Quanto para vós

Assim na diferença
Somos iguais
Perante o Pai

E assim como encerro
Todos meus versos
Os quais sei em verdade são orações
Em prece profiro
Preferindo que nos amemos:

Amém!



Rob Azevedo