sábado, 1 de novembro de 2008

Ars Longa, Vita Brevis




____________Ars Longa, Vita Brevis____________






Vim das eras medievais
Cavalgando num cavalo branco
Sou um predestinado
A te encontrar

Minhas vestes são principescas
Meu olhar profundo e apaixonado
O desejo que trago no peito
Sagrado

Não sou desse tempo
De hoje
Nem desse mundo
Vim dum conto
De fábulas

Perguntam-me se existo...
Se sou real...
Alguns crêem
Que talvez eu seja
Apenas um fantasma
Uma sombra
O sopro
Do vento

Pareço um sonho
Uma imagem difusa
De um caleidoscópio
Uma branca nuvem
Sem destino indo ao léu

Um dia, eu sei
Voltarei pra d`onde vim
E serei apenas
Eternamente
Um conto
De fábulas
Em versos
Escritos em linhas enigmáticas
Em páginas de livros

Eis o que sou
Desvendando meu segredo:

Sou um poema
Que se tornou vivo
Fez-se homem
Por força
Do deus
Sentimento

Vim ao mundo cantar
Ser trovador
Em noites de luar
Solidão
Dor
Saudade
Desilusão
Tristeza
Felicidade
Amor

Meu canto
Deu sentido
À vida de ser humano
Na qual agora existo
Retornando tudo ao início
E tive muitos filhos
Poemas

Esse agora
É contigo...

És dele a mãe...

Filho nascido
Para te sussurar no ouvido
Que sou um predestinado
A te encontrar
Nada é por acaso

O poema que se tornou homem
Aprendeu a te amar
Logo ao primeiro olhar...

Amor... Ah! O Amor!
O que seria de um poema
Sem ele?

Ao mundo então
Também veio o poema tornado homem
Para vivê-lo
Como só um poema o pode
Numa catarse infinita do sentimento
Onde tudo é imenso
Comparado sempre ao que é belo –

Teus negros olhos me são
O firmamento noturno
Pontilhado de estrelas cintilantes...

O brilho que deles me vem
O luar prateado

Teus cabelos de igual cor aos olhos
São pétalas
De tulipas negras...

Tua boca
Uma ânfora
Cheia de vinho
Quero bebê-la toda...

Teu corpo
Um porto
Para meu navegar perdido
Em alto mar...

Nele há uma enseada
Onde se encontra uma ostra
Entreaberta
Guardando uma pérola...

Assim vê quem ama o poema
Tornado homem
Vê além
Do que os olhos enxergam
Vê a essência, a alma
De cada coisa
E no Amor lhe faz jus
Em grandeza

Ah! Se essa magia
Não lhe passasse desapercebida
A verdade entenderia
Contida em cada palavra...

Não lhe escorreria
Entre as mãos
Feito água
O presente
Que veio de graça

O reteria, encheria a taça
E o beberia
Em companhia
Do predestinado
A te encontrar
Que veio a cavalgar
Num cavalo branco
De mais longe
Do que a imaginação alcança...

D`outros tempos
D`outro mundo
D`outras crenças
Dum conto
De fábulas
Em versos...

Hei de voltar
À minha terra pátria lendária...

Deixando este lugar, onde a vida é breve...

Levar-te-ei comigo
Ó Calíope!
Ao meu castelo
No plano transcendente
Porque aqui
Só vim de passagem
Buscar-te...

Lá o Alfa
Beta
Ômega
Que uma noite me juraste
Entraríamos em supremo êxtase
Será real e eterno
Sem sequer eu precise
Vir trazido pelo vento
Sentindo teu perfume

Então
O Amor conheceremos
Ao vivê-lo
Como rezando
Uma oração redentora...

E o homem-poema juntar-se-á
Num espiritual enlevo
À sua mulher-poesia
Sem que nada, nada
Os possa separar...



Rob Azevedo













3 comentários:

L'(max) disse...

Olá Confrade! Desculpe a displicência na resposta de tua questão na comunidade do orkut! Este mês tive muitos problemas de conexão e não consegui ler antes de hj... Caso ainda necessite de ajuda para publicar tua musica, estou pronto a ajudar!
adicione-me no msn e falaremos sobre o assunto... l.petricelli@hotmail.com
Abraços
L'(Max)

josi disse...

adorei seus poemas
eu tb escrevo e gostaria que vc os lesse e me dicessse o que acha
espero sua resposta

bjs

Retalhos e Pedaços disse...

Só um POEMA ...

És infinitamente o poema e o poeta!

Muito ,muito lindo esse poema !
Dói...
Parabéns Rob!


Maria das Neves