terça-feira, 14 de outubro de 2008

Cassino




_____________ CASSINO _____________






Nem tudo o que traz as redes
É peixe

Nem toda luz que cintila no céu
É estrela

Nem toda flor que se abre no jardim
É rosa

Nem toda prosa que temos
É amorosa

Nem toda desavença nossa
É sem volta

Nem toda rispidez que espanta
É ódio
Quiçá Amor que acalenta
Noutra forma

Nem toda taça cheia
Entorna

Nem toda ceia
É Santa
Ou a Última

Nem toda crença
É verdadeira
Bem de costume
Somente lenda

Nem todo medo
É concreto
Grande parte
Abstrato

Nem toda poesia
É ficção

Nem toda ficção
Pura imaginação

Nem todo ato
De dois corpos encaixados
Apenas fricção
Porque há quem tem
Alma e coração

Nem todo não
É negação

Nem todo sim
É afirmação

Nem toda jura eterna
Ilusão
Ou promessa certa

Nem todo adeus
Um nublar dos céus
Um nunca mais

Nem toda boas vindas
A certeza de companhia
Até o fim da vida

Há que se jogar
A bolinha na roleta a girar
Fazer a aposta e esperar
O que virá
Se é perder ou ganhar

Alea jacta est!




Rob Azevedo












Prelúdio de um Amor Oculto




_____ Prelúdio de um Amor Oculto _____

IL VIOLINO INCANTATO II





Clique ->AQUI<-




Sem o violino desafinar
Vou e volto
Com o arco sobre as quatro cordas
A ressoarem
O adágio onírico
De um deus fausto

É o Prelúdio de um Amor Oculto...

Bebam o vinho
E se entorpeçam
Aos acordes do violino
Ressoando um segredo

Ninguém o compreende
Não aprenderam a linguagem
Dos instrumentos soberbos

Serafim lá no alto
Em cada nota ouve claramente
Uma confissão transcendente

É o Prelúdio de um Amor Oculto
Revelado aos anjos e deuses...

Canções vaporosas
Aos ouvidos humanos
Aquém de um Bethoveen
Bach, Mozart
Estes
As entendem perfeitamente
Como suas línguas pátrias

Não são tão somente Sonatas
Adágios
Óperas
Sinfonias
Cantatas
Fugas
Suítes
Madrigais
Cadenzas
Árias...

São suas linguagens íntimas
E aquelas dos deuses
A si bem mais compreensíveis
Do que quaisquer outras

Notas musicais
Desnudam alma e coração
Desvendam sôfregos ais
Fundas agruras
Ou confessam amores
Celestiais
Divinos êxtases
D`outras esferas

E só ouvem aqui na Terra
Os humanos demais
Acordes sibilantes
Ou graves
Passagens rápidas
Ora lentas

Enquanto desfilam sentimentos
Se confessando
De forma tão clara
Aos anjos

Não canto
Eis que me calo
Meu violino por mim
Fala mais alto
Nos acordes soados
De suas quatro cordas

É o Prelúdio de um Amor Oculto
Sendo abençoado
Sob véu misterioso
À platéia que não pode compreendê-lo
Somente ouvi-lo







Rob Azevedo














Poeta Prostituto




________Poeta Prostituto________















A poesia não me deu dinheiro
Nem um tostão sequer
Fosse por ela morria de fome
Sem nem ter onde morar
Então por que se inculcar
Achar que tudo é errado
Mal visto ou vulgar?
Há que se ganhar
De um jeito ou de outro
Entrar algum no bolso
Não ter preconceito e se virar

Então uni o útil ao agradável
Meu lado bon vivant, hedonista
Ao que me dá renda, me enriquece
E a clientela toda endoidece
Porque sou Leopardo Classe A
Para mulheres exigentes, de fino bom gosto

Não me chame de vulgar
Esqueça o preconceito
Basta me telefonar
E saber o que é o verdadeiro prazer
Prazer
Só por puro e extremo prazer
Nele sou expert
Posso te dizer

Sou garoto de programa
Meu escritório é na cama
Acendo o fogo e deixo em chama
Mulheres que sabem viver
Sem precisarem de por que
Apenas prazer por prazer

Se o Amor te feriu
O príncipe encantado nunca existiu
E todo aquele romantismo caiu
Na real e se deu conta que era ilusão
Deixe de lado o coração
E faça Amor só por puro prazer
Estou aqui para te atender!

Basta me telefonar
E saber o que é o verdadeiro prazer
Prazer
Só por puro e extremo prazer
Nele sou expert
Posso te dizer



Rob Azevedo

.


PRAZER ILIMITADO
A PREÇOS MÓDICOS
CONTRATE-ME!
E rapte-me camaleoa
Adapte-me a uma cama boa...









Não Sou Nada Daquilo!
- Letra de música MPB -





“Eu quero dizer
Agora o oposto
Do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo”

Raul Seixas – Metamorfose Ambulante





Não sou garoto de programa
Sou homem de uma só dona
Não dorme outra em minha cama
Além da mulher que eu escolhi
E me escolheu
E é assim que eu sou feliz

Não faço discurso de santo
Só ando na linha enquanto
Andam comigo

Não faço discurso nenhum
De eternidade, pudera? Quem sabe?
Mas quando é tarde
Eu parto pra outra
E acabou ôôôô ôôôô

E quando estou solteiro
Tudo é festa
Pelas noites
Do Rio de Janeiro ôôôô ôôôô

Mas se encontro alguém
Que mereça eu chamá-la de Meu Bem
Adeus pras outras, não tenho mais ninguém...

Porque não sou garoto de programa
Sou homem de uma só dona
Não dorme outra em minha cama
Além da mulher que eu escolhi
E me escolheu
E é assim que eu sou feliz

Não faço discurso de santo
Só ando na linha enquanto
Andam comigo

Não faço discurso nenhum
De eternidade, pudera? Quem sabe?
Mas quando é tarde
Eu parto pra outra
E acabou ôôôô ôôôô

E quando estou solteiro
Tudo é festa
Pelas noites
Do Rio de Janeiro ôôôô ôôôô

Mas se encontro alguém
Que mereça eu chamá-la de Meu Bem
Adeus pras outras, não tenho mais ninguém...

Porque não sou garoto de programa
Sou homem de uma só dona
Não dorme outra em minha cama
Além da mulher que eu escolhi
E me escolheu
E é assim que eu sou feliz

Canto um canto tão antigo
Mas tão bonito
Tão bonito
Tão lindo
E divino
Sonho de...

Menino uuuuh uhuhuh uhuhuh

Uhuhuh uhuhuh






Love Forever and Ever



Rob Azevedo













Boas Novas do Olimpo




___Boas Novas do Olimpo___




"Deus me enviou à Terra com uma missão. Só Ele pode me deter, os homens nunca poderão."

Bob Marley






Vou dar a todos
As boas novas
Do Olimpo
Revelada por um Arcanjo:

Não sou um simples mortal
Sou um deus humano
Quem vem à Terra
A cada cem anos

Minha eternidade,
O tornar-me deus
Se fará pela Arte
Ela quem me renderá
Longevidade
Que a existência transcende
Em cem mil vidas

Eu que tanto exaltei e exaltei e exaltei
Musas sem fim
E só errei e errei e errei
Por que não agora
Exaltar-me?

Ao menos
Melhor me conheço
Meus erros embora grandes
Serão menores

Os desterros que me causarão
Serão somente
O que é falado e ninguém entende
Faz troça, devota escárnio
E zombaria

Não aquela funda dor de outrora
De pôr num pedestal
Alguém que depois
Exagerou no mal
Que me fez
E eu quem sei
Porque fui eu quem sofri
Lamentando o que escrevi

As lentes com que enxerguei
Eram míopes
Viram tudo distorcido
Tremendamente agigantado
Nos dons
E por demais diminuído
Em tudo que é falho
Desgostoso

Ah! Não preciso de óculos
Para enxergar-me
Até no escuro
Me conheço

Cantarei Odes
Ofertando-as a mim!
Que sejam ouvidas
Como infames vitupérios
A certeza que tenho
É que os enganos
Serão bem menores
Do que aqueles eu te amos
Que só me trouxeram prantos

Logo, é perdoado meu delírio
Esse canto de bêbado
Falando de si mesmo
Com tamanha grandeza
Colossal

Dou então as boas novas
Do Olimpo
A todos:

Não sou um simples mortal
Sou um deus humano
Quem vem à Terra
A cada cem anos

Minha eternidade,
O tornar-me deus
Se fará pela Arte
Ela quem me renderá
Longevidade
Que a existência transcende
Em cem mil vidas



Rob Azevedo











O Canto do Passarinho




_______O Canto do Passarinho_______






O passarinho a cantar
É o canto do passarinho no cio
Chamando a fêmea para se acasalar

Embrenhando no meio do mato
Estou a ver e escutar
O passarinho a cantar
É o canto do passarinho no cio
Chamando a fêmea para se acasalar

Pousado num galho
À beira do rio
Canta o passarinho
Querendo amar

Ele canta de cá
A fêmea canta de lá
No balé da sedução
De quem sabe voar
E cantar

Também sou passarinho
Também sou cantor
Do Amor e da Dor
Sou Beija-Flor

Beijo devagarzinho
O cálice da rosa
Desabrochada
Cálida
Úmida do orvalho
Das manhãs

E vou entrando no ninho
Devagarzinho
Provando no bico
O néctar da flor
Sabor de Amor

Também sou passarinho
Também sou cantor
Sei voar e versos compor

Embrenhando no meio do mato
Estou a ver e escutar
O passarinho a cantar
É o canto do passarinho no cio
Chamando a fêmea para se acasalar

Também canto então
Clamando d`outro coração
Companhia
E a felicidade que dê razão
Ao meu dia



Rob Azevedo







Trecho da música -

Ai Que Saudade D'Ocê

(Geraldo Azevedo)

Para ouvi-la na íntegra, clique -> AQUI <-




Não se admire se um dia
Um beija flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade "d'ocê"


(...)








CARPE DIEM




___________ CARPE DIEM ___________







Ér-brô-á
Re-gê-dim
Má-rá-tá

Se você não quer me dar
Seu Amor
Vou fazer feitiço
Pra você ficar
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!

Ér-brô-á
Re-gê-dim
Má-rá-tá

Se você não quer me dar
Vou fazer feitiço
Pra você ficar
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!

Então Carpe Diem
Aproveite o dia!
Antes que seja tarde
E você apenas
Uma frí-gi-da
Rígida
Tímida

Estale e frite os ovos
Na frigideira
Vem e se deita
Comigo
Antes que seja
Apenas uma frí-gi-da
Ridícula
Mal vista

Ér-brô-á
Re-gê-dim
Má-rá-tá

Se você não quer me dar
Seu Amor
Vou fazer feitiço
Pra você ficar
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!
Frí-gi-da!

Tudo entre nós
A sós
Rolando nos lençóis
Você de espartilho
Cinta-liga
Lingerie de renda
Sensual
Eu tirando tudo com os dentes
Lambendo seu umbigo
E descendo mais e mais

Mas se você não sabe
O que é bom de endoidar
E de jeito algum quer me dar
Vou fazer feitiço
Pra te tornar
Uma frí-gi-da
Ridícula
Mal vista

Ér-brô-á
Re-gê-dim
Má-rá-tá

Bye-bye seu tesão
Prazer nunca mais
Descanse em paz!



Rob Azevedo










Reze por Mim




Reze por Mim
Lectio Divina

"Aquele a quem nossa mente não pode compreender,
o nosso coração pode abraçar."
("A Nuvem do Não-Saber")






Reze por mim agora
Estou precisando de volta
O seu Amor

Reze por mim agora
Estou sofrendo demais
Sua falta

Reze por mim agora
Por tudo o que vivemos
Que foi de bom
Em sua vida

Reze por mim agora
Porque estou morto
Por dentro

Reze por mim agora
Para que Deus perdoe
Meus pecados contigo

Reze por mim agora
Não sabia que era tão triste
Viver sem você

Reze por mim agora
Apenas queria
Estar ao seu lado

Reze por mim agora
Que derramando lágrimas
Rezo
Pedindo sua volta

Que descubramos
O significado
Do silêncio
Na escuridão
Que vela o sono do Nosso Amor

Amém.









Rob Azevedo










A Beleza do Corpo Humano Sacratíssimo e Inocente em Essência




________A Beleza do Corpo Humano________
____ Sacratíssimo e Inocente em Essência ____


- Tudo depende do olhar individual de quem vê. -






Quatro deusas imponentes
Soberbas, perfeitas
Estão nuas
São hinos à feminilidade
À beleza da mulher
Morena, loira, ruiva
Cabelos castanhos
Longos ou curtos
Olhos negros
Verdes
Azuis
Mel
Todas esbeltas
Sacras esculturas
Obras primas de Deus

A nudez inocente
Transparente à visão
Naturalmente
Como é

Qual mal se compreende
Em imagens tão puras
Tal qual foram concebidas
Pela Natureza?

Só aquele
Que está na mente podre
Dos torpes

O que a nudez feminina ofende
Quando mirada por olhos
Cultos, sem maldades
Que contemplam humildes a estética das formas
Suas simetrias
O belo do corpo humano exaltado?

Ah! Assim miram meus olhos
Quatro deusas nuas
De rara beleza
Venerando-as
Como expressão do Divino

Minhas retinas e pensamentos
Estão incólumes de tudo o que é torpe
Bem além de devaneios sexuais
Apreciam a grandeza de estarem naturais
Compreendendo que abrigadas nas formas
Existem almas, mentes, corações
Personalidades
Dignas somente
De todo o respeito e adoração que se possa devotar

A inocência ou o sórdido
O indecoroso ou o belo
O que agride ou exalta
Está sim, no objeto mirado
- Mas de acordo com o modo
Que se apresenta -
E na mente de quem o mira

Sim, sobretudo é na mente de quem mira
Que uma ou outra coisa está
Se o objeto se apresenta rigorosamente
Na forma da Arte
Puro, natural
Inocentemente
Como foi concebido por Deus
Com perfeição
Porque tudo sabe

Assim olhos que miram a beleza do corpo humano
Bem posto
Em sua nudez
De pureza intrínseca
Podem enxergar somente
O torpe, o feio
O impróprio
A vulgaridade
O sórdido
O indecoroso
O que envergonha
A maldade...

Porque essas impressões
Encontram-se entranhadas
Na mente de quem mira
Fazendo parte de seu espírito
Poluído

Ah! Mentes torpes!
Vis!
Não me atirem pedras
No Templo da Beleza
Do corpo humano
Sacratíssimo e inocente em essência
Nem lhes rogue pragas!

Ou coisa alguma façam contra mim!

Porque minha cultura
Minha mente
Meu espírito, meu coração e meus olhos
São diferentes dos seus

Sou capaz
De apreciar o belo com olhos puros
Castos
Profundamente lamento
Que seus negros espíritos
Não podem

Profundamente
Lamento



Rob Azevedo











domingo, 5 de outubro de 2008

Os Vulgares




Os Vulgares



Os vulgares me olham
Com ares de estupor
Nos lugares que freqüento
São barrados na porta

Suas cabeças tortas
São teimosas
Feito as mulas
Os papagaios
Matraqueando sem que parem

Não escutam
Nem a bomba quando explode
Só despencam na real
E se mancam
Quando levam murro

Ah! Vidas passadas de mulas!
Só andam a base de chibatadas no lombo
Somente comem o capim
À margem das estradas

Ah! Coitadas dessas criancinhas!
Sem brinquedos para brincar
Seus olhos cobiçosos
Desejam os meus tão bonitos

Tão intrometidas!
E sempre inculcadas
Sem saberem o quão são vulgares
Seus dizeres
E olhares
Que me lançam de soslaio

Darei de novo as cartas do baralho
E direi que não tenho trocados
Para dar de caridade
Aos vulgares
Que catam migalhas
De pão velho

Maltrapilhos e farroupilhas
Vestem-se de retalhos
Recolhidos do lixo
Proclamando que é um luxo
Sem saberem o quanto
São esdrúxulos

Ah! Desses vulgares eu fujo!
Antes que me contaminem
Com a vulgaridade pegajosa
Asquerosa
Andrajosa
Horrorosa!

Ah! Meu Deus!
Tudo são metáforas
De modo algum falo dos pobres
Sem posses materiais
Mas sim daqueles
Ícones do mau gosto e boçais
De poucas faculdades intelectuais



Rob Azevedo













Breve Estudo Sobre Estilos na Poesia Erótica





Agora um sucinto estudo que fiz sobre três estilos de Poesia Erótica possíveis, com termos as definindo que eu mesmo criei agora.

Claro, é algo bem breve, curto, só pretende dar um mero lampejo de compreensão às possibilidades na Poesia Erótica.

Todas as composições abaixo são minhas, escrevi agora.


Rob Azevedo








Poesia Erótica Dissimulada



O bico do passarinho
Derramará o mel que traz das colméias
No cálice da flor cor de vinho






Poesia Erótica Moderada



Friccionando
O rígido e o macio
O profundo e o extenso
Derramarei o gozo
No íntimo precioso
Da mulher que amo






Poesia Erótica Deliberada



Penetrando o sexo
Molhado, intumescido
De minha fêmea pelas ancas
Gozo em delírio
Gemendo, suspirando
Derramando do membro
Alvo rio





Além desses três estilos de Poesia Erótica, poderia citar mais um, mas o termo com o qual eu, particularmente, o definiria, seria Poesia Pornográfica. Um termo que a bem dizer seria sob certo aspecto pejorativo a esse estilo de Poesia Erótica, mas dessa forma mesmo que a definiria.

É aquela escrachada total, descrevendo o ato (dando preferência às práticas mais devassas) com minúcias e na lata, não se utilizando de metáforas (ou quase não), se referindo a tudo por seus nomes corriqueiros, populares.










Vulgar na Poesia Erótica II




______ Vulgar na Poesia Erótica II ______





Vulgar na Poesia Erótica
É escrevê-la
Cheio de pudor
Como quem está num quarto para fazer Amor
E quer que a luz esteja apagada
O tempo inteiro
Tudo feito no escuro
Até o se despir
Mostrando o corpo nu

Falando em nu
Vulgar na Poesia Erótica
É o que tanto se vê
Entre os incultos:

Escrever a palavra nu
Com acento agudo na letra u

Muito vulgar isso!
Ah! Meu Deus!
Consultem o dicionário
Por favor!

Vulgar na Poesia Erótica
É ser uma freira Carmelita ao escrevê-la
Com a face vermelha de rubor
Ou alguém achando
Que crianças podem a ler
E se estarrecerem
Julgando que estão diante ao Bicho Papão
Desvirtuando-se de seus caminhos

Poesia Erótica
É para os adultos
Caros amigos!

De certo
Cai mais ao gosto
Daqueles libertos
No que se refere à sexualidade
Sem traumas, bloqueios
E coisinhas sem fim de carolas
Ou que levam vida de celibatários

Poesia Erótica
É o mostrar ao invés de ocultar
Logicamente
Tudo deve ser feito na forma da Arte
Com bom gosto e muita propriedade
Despertando a libido
Transformando-nos em lagartixas
Subindo pelas paredes



Rob Azevedo









Opinar e Intrometer-se




Opinar e Intrometer-se

"Quem fala o que quer, ouve o que não quer."
Ditado popular



Ah! Que bênção seria se todos aprendessem
A diferença entre opinar e intrometer-se

Uma coisa é expor a outra pessoa o que pensa
Educadamente, dentro das regras do bom convívio
Apresentando seu ponto de vista
Dando sugestões
E é imensamente válida porque contribui
Para que algo seja aperfeiçoado
Ou enxergado sob outro ângulo
E nos faz saber
As impressões dos outros
Quanto a alguma coisa
Assim podemos melhor avaliá-la
E compreendê-la
Como também nossa posição diante a mesma

E intrometer-se
Muitos confundem com opinar, sugerir
Quando uma coisa é completamente diferente da outra

Intrometer-se é deselegante
Indiscreto, deseducado
É despeitar o território do outro
Sua forma de ser, seu mundo
Suas diferenças
Querendo a fórceps
Impor algo
Que bem comumente
É-nos indesejado
Estranho
Irritante
E até aviltante

Proceder extremamente desagradável
Daqueles que vivem metendo a colher
Aonde não devem
Sem nunca enxergarem
O tamanho da indiscrição
E impropriedade
Que cometem
Indignando-nos

Ah! As patadas lhes cabem bem!
Para que respeitem nosso espaço
Ainda que sejam apenas tapas sutis
Com luvas de pelica
Por questões de delicadeza e piedade



Rob Azevedo











sábado, 4 de outubro de 2008

Interpretações às Avessas




Interpretações às Avessas



Tem gente
Cujas interpretações
São tão redondamente equivocadas
Que só nos compreende
Quando permanecemos calados.
De resto
Toda letra
É grega.



Rob Azevedo









Diálogo Conflitante




Diálogo Conflitante



Nove horas da noite em algum lugar indefinido do mundo.


- Nunca farei sexo com você! Não me inspira um pingo de tesão, não arrepia sequer um pêlo genital meu.


- Tampouco eu quero! Igualmente jamais o faria! Querido, você não se encaixa em meus padrões de gosto sexual.


Dez horas da noite após uma hora de quietismo, birra e caras viradas, braços cruzados, pensamentos atormentados...


- Sheila, venha cá por favor, ajude-me a pôr esse quadro na parede do meu quarto.


E os dois passaram meia hora no quarto de Eduardo colocando um quadro na parede, em frente da cama dele.


Peles roçaram uma na outra, dois corpos bem próximos se tocando e a cama bem em frente.


Seis horas da manhã.


- Querida e agora? Quebramos a cama!


- Ah! Vamos dormir nos sofás da sala, quando a gente acordar manda a cama pro marceneiro consertar!


- Amor, foi bom pra você?


Um longo suspiro se ouve nalgum lugar indefinido do mundo enquanto Eduardo levita no plano astral.





Rob Azevedo











Vulgar na Poesia Erótica




Vulgar na Poesia Erótica




Vulgar não é o direto
O explícito
Mas o mal posto
O mau gosto
O fora de contexto
O gratuito
Vulgar não é a proposta
Que se propõe a ser direta
E o faz bem feito
Com inteligência dentro do que quer
Na forma da Arte
Mas a proposta que se desvirtua
Seguindo por caminhos equivocados
Mal planejados
Fora do esquadro
Colocando tudo em lugares
E momentos errados
Vulgar não é se referir
A partes do corpo humano
Com palavras que não sejam
Tão somente metáforas como:
Tua rosa cálida desabrochada
A haste da tua flor
As duas montanhas arredondadas do teu corpo lado a lado
Tua lança ardendo em fogo

Ou se referir ao ato sexual
Com palavras que não sejam discretas, a tudo sublimando, como:
A união de nossos corpos
O encaixe de nossas formas
O Amor a que nos entregamos no leito
Vulgar é não saber fazer aquilo ao qual se propõe
É o feio
A ausência da beleza
O que ao invés de nos instigar
Pondo em ebulição nossos hormônios
Despertando nossa vontade
Causa-nos aversão
Desgostando todo o desejo
Como quem diz:
- Não, não quero aquilo!
Vulgar não é o que enrubesce de alguma forma
E não é adequado a ser apresentado em todos os meios
E a todas pessoas
Vulgar é aquilo que mesmo sendo apresentado nos meios
E às pessoas adequadas
Causa constrangimento, repulsa
Sendo visto no trabalho o mau gosto
O mal colocado
O indevido, impróprio
Agredindo, desconcertando
Ofendendo a libido
Vulgar na poesia
Além disso
É o mal escrito
Os erros ortográficos e gramaticais crassos
A falta de inteligência
O pueril
O piegas
As liçõezinhas de falsa moral abestada
A mesmice
A cópia
A falta de criatividade
O pouco recurso nas belas imagens metafóricas,
Poéticas
Os amorzinhos melodramáticos
As novelas mexicanas
Os encontros de palavras mal formulados
A cacofonia doendo os ouvidos
A musicalidade inexistente
Os dizeres tíbios
O coração e a alma não presentes
Transbordando
É a poesia que passa em branco
A Arte massacrada
Morta
Sepultada
Vilipendiada



Rob Azevedo







Segundo os metidos a Teóricos da Vulgaridade na Poesia Erótica e Apólogos do Pudor, os poemas nessa temática somente podem ser escritos ao descrever o ato sexual, as partes genitais do corpo humano e o êxtase, nesses moldes:




O bico do passarinho
Derramará o mel que traz das colméias
No cálice da flor cor de vinho




Para eles tudo tem que ser assim na Poesia Erótica, tudo meticulosamente disfarçado, ocultado por meio das metáforas.

Assim eles escondem de si mesmos o próprio pudor que têm com relação à sexualidade, ao corpo humano.

São pessoas que se calcaram na Poesia dos tempos antigos, que eram outros totalmente diferentes dos atuais, onde os costumes comportamentais sexuais eram muito diferentes e reprimidos e isso se refletia na Poesia escrita nesses tempos remotos, assim como em toda a Literatura e Arte em geral.

Extraíram das Poesias e Literaturas escritas nessas épocas o que julgam certo para a Poesia e Literatura dos dias atuais, no campo do erotismo, não compreendendo que o mundo se transformou completamente no que se refere à sexualidade dos anos 1960 para cá.

Sem contar que a linguagem literária daquelas épocas antigas era outra bem diferente da atual, muito intrincada, buscando esmeradamente um preciosismo que nos é estranho hoje em dia, usando e abusando dos recursos lingüísticos, com inversões constantes em todas as orações/construções frasais, tendo verbos conjugados nas pessoas e tempos mais ousados possíveis e buscando um vocabulário ultra-erudito. Hoje em dia muitos textos dessas épocas de mesmo quatro ou cinco décadas atrás, logicamente intensificando essa impressão que nos causa ao retroceder no tempo, nos são um tanto herméticos em função dessas questões no uso da linguagem, sendo considerados por muitos de complexidade muito intrincada, maçantes, cansativos, de difícil entendimento, etc.

E há que se considerar também a tal da metrificação rigorosa dos versos que havia na Poesia antiga.

Hoje em dia os tempos são outros, os costumes comportamentais sexuais são totalmente diferentes, a linguagem igualmente diferente, assim como a Poesia, a Literatura e a Arte em geral.







sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A Santa Ceia




________ A Santa Ceia ________








Ah! Que noite!
A nos abençoar com prazeres
Como tantas vezes.

Lânguida vem
Bela como se fora uma Camélia
Se abrindo sob a luz do Sol
A perfumar o quarto
Tal qual a Dama da Noite
Desejando o deleite
A ele pronta
Como o enfeite
De doce de leite
Sobre a torta de morango.

No vestido o decote
Generoso mostrando o contorno dos seios
E as pernas esbeltas
Lindas o quão obras de Arte
De um deus inspirado.

As cruzando com malícia
Para que o olhar veja por debaixo
Num fogo que atiça
A peça íntima
Tão pequenina
Exibindo em transparências
O sexo depilado
Aflorado para o Amor
Em purpúrea cor.

Com volúpia nos despimos
Um ao outro
Sussurrando libido
Em palavras entrecortadas
Por suspiros.

Unhas me arranham
Enquanto mãos deslizam
Sobre todo meu corpo
Que vai se despindo.

Nus como a Lua
Em pêlo sem veste alguma
Sob a luz tênue dos castiçais
Miramos nossas formas
Como se fora a primeira vez.

Olhos cintilam
Contemplando demoradamente
O presente a que nos damos
É o orgasmo visual
Corpóreo e espiritual.

Ela se deita
Sobre a cama de lençóis de cetim
Coxas se abrem amorosas
Como rosas desabrochando
Ao amanhecer
E me clama num sussurro
Em voz doce e carinhosa
Num olhar suplicante e apaixonado
Que penetre o cálice
Da rosa que aflora
Molhada de orvalho.

Meu corpo o rendido cobre
Minha boca na que espera se encaixa
Duas línguas se entrelaçam
Beijando o eclipse lunar
E adentro devotado
No Templo Sagrado
Embriagado do vinho dos amantes
Para que deguste exaltado
A Santa Ceia ofertada.

Mãos apertam minhas costas
E unhas as arranham
A boca morde meu queixo
Minhas orelhas e meu peito
E me beija.

Confissões tão profundas quanto mares no infinito
São ouvidas no Éter
Pelos deuses...

É o Amor que transborda
No relicário que o recebe.



Rob Azevedo












O Real e o Imaginário, A Liberdade e os Cárceres




O Real e o Imaginário
A Liberdade e os Cárceres





Quero muito te conhecer pessoalmente
E compreender o que ninguém compreende
Essa tamanha dor que se sente
Trancafiada a sete chaves em meu peito
Almejando a liberdade.

A quem se rende
Rompendo o grilhão que o prende
Caminhando liberto
Ao anelo que o move
Quiçá
O doer se cale
O Amor o exalte.

O desejo exale
Sentido no ar
A realidade o conforme
Em pérola rara
Colhida nas mãos...

O contrário do que foi outrora...

Sonho esvaecido
Em tantas noites
Tão apenas imaginadas
Dolorosas
Por haverem sido
Um abraçar ao nada.

Ao luzir da alvorada
De quem um ao outro toca
De corpo e alma
Tornando real a quimera
O prisioneiro, quem sabe, se liberte
Do cárcere que o trancafiava.

Em prazer se transforme
A dor do sofrer
Do viver sem ter
Sonhar o querer
Em pensamento o conceber.

Que se beba o vinho para saber
O gosto, se é bom ou mau
Se nos agrada ou não
Se haveremos de tomá-lo
Esvaziando a garrafa
Embriagando-nos
Ou apenas prová-lo
Um ou dois goles
Para que saibamos
Se é a bebida que queremos
Relegando-a caso contrário à poeira da adega.

Assim se desfazem os nós
Em nosso sentir e pensar confuso
Emaranhado no novelo
Do que não se sabe real ou imaginário
Amor criado
Pela carência de tê-lo
Ou espontaneamente nascido.

A imaginação nos engana
Nos atraiçoa
Confunde
Esfaqueia
Com a adaga
Do inconsistente etéreo.

Cilada para os carentes
Sorvendo a solidão
De uma vida sem cor.

Então a pintam
Em mil cores
Com os pincéis
Da ilusão
Criando amores
E mil flores.

O preso em sua própria armadilha
Que esmurre a faca da paixão imaginada
E se fira.

Não há saída
A quem cria
O Amor
Que deseja ter
Senão enfrentá-lo
Para sabê-lo
Se acaso tornar-se-á
Real
Ou permanecerá imaginário.

Talvez a liberdade do cárcere de si mesmo
Amargando alguma forma de solidão
Seja o trancafiar-se em nova prisão.

Ou talvez ainda nem isso...

Ela não nos sirva
Não nos enjaule
Não mereça nosso encarceramento
Melhor retornar por livre vontade
Ao antigo casulo
Às velhas grades.

Mas o que resta aos que se enredam nas próprias redes
Da confusão do sentir e pensar
Senão tentar se desenveredar
Tocando as malhas que os intrincam com as mãos?

Ah! O velho cárcere causa dor!
Criou-se então ao menos
Um novo cárcere
Uma doce ilusão
Um nó imenso na cabeça
De Amor imaginado
Que precisa ser desatado.

São as traições da carência...

Os enganos da vida...

Os eu te amo inconseqüentes...

A paixão pelo Amor em si...

Nada resta a esses ébrios
Do vinho dos amores concebidos
Senão prová-lo
Para conhecê-lo
E identificar
O objeto não identificado
Se porventura se tornou genuíno
Ou tornar-se-á no bailar do tempo
Ou se permanece da videira imaginativa.

Ah! Meu cárcere privado!
Como tu me confundes!
Ah! Meu doce devaneio
Como a despeito de tudo
De ti preciso!

Que se desatem todos os nós!
Ao menos para que possamos
Nos emaranhar em nós novos
Nos libertando dos fios antigos
Puídos, gastos.

De bebedeira em bebedeira
Que um dia o Amor real nos brinde
A liberdade de verdade nos liberte
De todos os cárceres
E o imaginário traiçoeiro
Seja visto dormindo bêbado
Na sarjeta
Enquanto cantamos e sorrimos
Nos saciando na farta ceia
Compreendendo o que ninguém compreende:

O que sentimos.




Rob Azevedo










quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Amor entre Dois Paranormais




Amor entre Dois Paranormais




Não me encha os ouvidos
Com suas histórias
De conversas com os espíritos

Não dê explicações
Metafísicas pra questões
Tão óbvias assim

Como o Amor em conflito
Entre dois seres opostos

Não me venha com razões
Acadêmicas pra dois corações
De poetas sonhadores

Nem tudo são flores
Sou Amor e horror
Me aceite como sou

Não dê as costas para o mundo
Dizendo que sou possuído
Por espíritos imundos

Eles são meus amigos
Tanto os bons quanto os maus

Meus desejos platônicos
Não causam mal a ninguém
Além de coisas tão pequenas
E dum Amor que não se pode ter

Se te causa sofrer
Não me peça pra morrer
Em seu viver
Ou a saudade vai doer

Que tenha dores de cabeça
E delírios me enlouqueça
Não deixarei de pensar em ti

Melhor se arrepender
Por coisas tão pequenas
Do que se condoer
Pelo bem tão grande que partiu
Porque não foi visto
Entre o mal deveras menor
Que a ele se misturava

Se ainda assim te causo dor
Não me peça pra renegar o Amor
Platônico, que seja
Porque é a flor
Que se abre devagar
No jardim que está
Para se tornar realidade



Rob Azevedo









Maldito




Maldito




Obrigado
Por me fazer sentir um palhaço
Enxergar que não sou o gênio da lâmpada
Dar-me conta que meus versos são tortos
E que minha cultura se assemelha a de uma anta

Muito obrigado
Por quebrar em mil pedaços
Meu espelho de Narciso
Que me era tão caro

Sentir-me envergonhado
Por entender agora
Que minhas palavras eram descabidas
Meus atos impensados
A visão de mim mesmo
Distorcida
Embaçada em delírio

Muito obrigado por tudo
Por me convencer um louco
E me aconselhar remédios
Que tratem da minha loucura
Junto com duas sessões terapêuticas semanais
No divã de um psiquiatra

Muito obrigado
Por me fazer sentir uma grande farsa
Abstrata, imaginária
Rotulada numa terminologia médica esdrúxula
E num código alfanumérico

Muito obrigado por me encabular tanto
Com aquele sentimento
De que sou uma peça da engrenagem social
Mal ajambrada
E que devo estar
Lá do outro lado
Do alambrado

Muito obrigado
Por eu estar agora
Coçando meu queixo pensativo
E repuxando os cabelos
Com ar de espantado
E complexado
Inferiorizado
Feito um rato
De esgoto

Compreender que na verdade eu não existo
Nunca existi
Somente andei contando mentiras a todo mundo
E me enganando
Sempre vendendo o que não tinha
E comprando
O sopro do vento

Sou uma construção de barro
Que eu próprio ergui
E agora se desmoronou
Virou lama

Sou um boneco de cera
Que se derreteu
Sob a luz do Sol

Sou um castelo de cartas de baralho
Que caiu todo espalhado

Sou uma escultura de areia na praia
Que a onda levou

Sou o Moinho de Vento de Don Quixote
Julgado um gigante com uma espada
Vindo em ordem de batalha

Sou uma piada!
A galhofa dos meninos da rua
Sou aquele louco
Que vive dando voltas e mais voltas
Sempre no mesmo quarteirão
O dia inteiro
Falando sozinho e gesticulando
Olhando tudo com olhos insanos

Sou o engano
O que engana
E o enganado
O que está sempre errado
Enquanto os outros certos

Sou o patinho feio de borracha
A ovelha negra renegada
O marginalizado que vive num gueto
Refugiado

Sou o astronauta
De Júpiter
Que caiu na Terra

Um ser estranho a todos
De uma cor diferente
Um metro de altura
Tenho antenas
Olhos grandes
E orelhas pequenas

Sou a confusão
O que confunde
E o mais confuso
De todos
No meio do tufão

Sou um diagnóstico neurológico
Escrito em grego
Que pode se complicar
Em dez anos

Sou a patologia malquista
O masoquista da esquina
O bêbado arrumando tumulto
O equilibrista que caiu da corda bamba

Sou uma miragem no deserto
O desterro da razão
O enterro da lógica
A equação sem solução

Sou o desalmado
A farpa espetando
O café amargo
A pedra no sapato
A unha encravada
O som alto
Quando querem dormir

Sou um martelo estilhaçando
Um bumbo alardeando
Metralhadoras disparando
Trovões rugindo

Sou o temporal
O fantasma que assombra
O lado negro da Lua
O uivo do lobo
O carrasco encapuzado
O corvo que te espreita...

Sou o incompreendido
Por ser
O poeta maldito
E este
O último poema
Que a ti dedico



Rob Azevedo











quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Nós Dois




Nós Dois
- Letra de música MPB -




Nós dois
O resto é pra depois
Do Sol
Nascer

Ando querendo você
Nada fácil esconder
Não pergunte o por quê
Apenas entre no carro
E me dê um trago do cigarro
Vamos pra casa
Rolar na grama
Do jardim

Pense um pouco em mim
No Amor que prometo
É verdadeiro
Vencerá o tempo
Será o ungüento
A tudo que te sangra sem fim

Nós dois
O resto é pra depois
Do Sol
Nascer

Peça um café ao meu lado
Vejo o mundo multicor
E me beija e se deita
Comigo de novo
O resto é pra depois

Um violão azul
E mil versos delicados dourados
O resto eu converso
Contigo depois

Dê um tempo pra nós dois
Se desenlaça do laço
Que te amarra e me amassa
O resto
Deixe tudo pra depois
Do meu seqüestro
Em que te levo
Pra uma ilha deserta

Amor, confesso
Humilde somente peço
Descansar a cabeça
No travesseiro que sobra
Ao lado do teu
Em tua cama
Lilás

Tire a roupa acenda a chama
Deixe tudo pra depois
Do lençol
Encharcado ao nascer do Sol
Onde jaz
Todo o resto
Além de nós dois



Rob Azevedo













Essa Mulher




Essa Mulher
- Letra de música ao estilo Eduardo Dusek -




Essa mulher
Apareceu de repente
Já dá tanto palpite
Que estou tão triste

Essa mulher
Não tem três meses que surgiu
Já vou mandar pra puta que o pariu
Ou ficarei senil

Essa mulher
Dá tanta opinião
Aonde não deve metendo a mão
Roubando sempre o meu pão

Essa mulher
Aporrinha mais que adolescente
Querendo um tênis
All Star

Fosse homem eu dava um cacete
Quebrava logo os dentes
E mandava pro cemitério
Do Grajaú

Essa mulher
Azucrina tanto a mente
Parece uma amante
Com ciúme da titular

Essa mulher
Vai me deixar demente
Antes que eu lhe arrebente
O corpo em quatro partes

Essa mulher
Ainda não é nem “a outra”
Já parece minha esposa
Querendo me mandar

Essa mulher
Um dia tenho fé
Cuidará da vida dela
E eu acenderei uma vela

Essa mulher
Leve quem quer
Não tenho patroa
Ninguém pega no meu pé
A minha vida é boa!

Essa mulher
Vive enfiando a colher
Na minha marmita
De bóia fria

Leve quem quer
Faça o favor
Pago gorjeta
E ainda sirvo e limpo a mesa

Oh-yeah...



Rob Azevedo










Espera Amor




Espera Amor
- Letra de música MPB bem lentinha e chorosa -



Espera Amor
Vai dar meia-noite mas eu vou chegar
Não sei a hora mas vou te encontrar
Então espera, Amor
Me espera, Amor
Venho trazendo num jarro a flor
Que colhi no Jardim do Amor
Pra você, Amor
É pra você, Amor

Escuta, eu me atrasei
Perdi a hora mas vou chegar
E vou te encontrar
À beira do mar
Ao luar

Amor, é bom amar assim devagar
Sem hora pra chegar
Nem nada de mal pra se guardar
Só prazer de estar
Ao lado
Seu

A saudade é que nos faz saber
O tamanho do querer
Se é verdade
Ou ilusão

Ó meu coração não chore não
Não chore não
Não chore...

É tarde mas antes do amanhecer
Eu vou chegar
Porque amo
Você!



Rob Azevedo










O Quarteto Fantástico Mais Um Ilustre Convidado




O Quarteto Fantástico Mais Um Ilustre Convidado

- "Tudo que você pode imaginar é real." (Pablo Picasso) -



Numa mesa de bar
Eu estava a conversar
Com Cartola
Que desceu do morro
Da Mangueira
E Noel Rosa
Que veio da Vila

Pixinguinha chegou
Vindo do Catumbi
Abrindo o sorriso
Todo prosa
Debaixo do braço
O clarinete
Companheiro
De toda hora

Um botão da camisa aberto
Mostrando o umbigo
Naquela noite de calor
Carioca

Barrigudo que era
Sentou na cadeira
Que rangeu
Gemeu
E quase quebrou

Aqui na Lapa
Eu vejo
O bondinho
De Santa Teresa
Sobre os arcos

Lapa com certeza
Reduto da boemia
Boa poesia
Mãe da Música
Popular Brasileira

Lapa com cerveja
Gelada em cima da mesa

O quarteto fantástico
Formado:

Eu, Nobre Bardo
Que desci da serra
Noel Rosa
E Cartola
Pixinguinha sentado
Do outro lado

Cartola batucando
Numa caixinha de fósforo
Noel Rosa na mesa
E na garrafa de cerveja
Mastigando
Um palitinho de dente

Pixinguinha suado
Soprando o clarinete

Eu, Nobre Bardo
Compondo uns versos
Muito inspirado

Nosso enredo
Deu caldo
Música de Breque
Chorinho
Samba Canção
Marchinha de Carnaval

Nossa mesa deu show
O álcool embriaguez
Veio até inglês
Ver o quarteto fantástico

Bebedeira pra cá
Bebedeira pra lá
Tudo gira, balança
Parece que estamos
Em alto mar

Então lá da Bahia
Vem Dorival Caymmi
Cantar sobre o mar

“É doce...”

Até Cristo desce
Do Corcovado
Vestido de terno branco
Sapatos lustrados
E usando chapéu

Vem ver o show
Do quarteto fantástico
Com o convidado
Que veio da Bahia

“Marina, morena...”

Tudo gira, balança
Tudo é balanço
E até Jesus Cristo
Samba

É o quarteto fantástico
Com o ilustre convidado
Dando o show
Sob os arcos da Lapa
Pra brasileiro
E até inglês ver



Rob Azevedo













terça-feira, 30 de setembro de 2008

Vem pra Perto




Vem pra Perto

- Letra de música à moda Cartola e Noel Rosa -



Hoje eu acordei
Pensando em você
Olhei pro lado e não te vi
Que dor!
Que dor!
Quase morri!


Você é meu pensamento
Primeiro
Me acompanha o dia inteiro
Até a noite
Mirando estrelas no céu


Deito e adormeço
De você não esqueço
Tudo volta ao começo
Amanheço, olho pro lado
E não te vejo


Endoideço!

Endoideço!

Endoideço!

Ai, ai, ai, ai, ai
Ai, ai, ai, ai, ai


Lá, lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá


Mas hoje
Foi bem pior
Acordei jururu
Fui pra noitada
Bebi todas
Amanheceu olhei pro lado
Vi um trubufú!


Párarararararararara
Párarararararararara


Pára com isso!
Pára com isso!


Me olhando no espelho
Eu digo e repito


Pára com isso!
Pára com isso!


Párarararararararara
Párarararararararara


Meu Amor
Dá um jeito
Vem pra perto
Do meu peito
Pega o ônibus
Ou o trem
Mas vem!


Deitar sem você
Deixa minha vida sem por quê
Acordar e não te ver
Louco de doer


Vem pra perto
Vem!
Vem pra perto

Do Seu Bem!

Lá lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá


Lá lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá




Rob Azevedo










Nosso Caso




Nosso Caso
- Letra de música MPB -



Esse nosso
Caso
Vai dar caldo...

Hoje vi
O saldo
Da minha conta
Bancária
Zerado...

Por tanto
Telefonema
Pra você
Noutro estado...

Não, Amor
Não tenha medo
Do meu corpo
Nu...

Somos unha
E carne
Sem segredo
Nem maldade...

Não, Amor
Não é assim
Desse jeito
Que o enredo
Vai dar Samba
O refogado
Caldo...

Apenas me ouça
Cantando
E rezando
No escuro
Segurando
O terço...

Leia os versos
Mais belos
Que fiz
Pra você:

EU TE AMO!
Com zelo
Esmero
Você
É tudo
O que quero...


Não, Amor
Não chore
Tanto
Eu sei
Aonde vou...

Vou às pedras
Do Arpoador
Ver o pôr
Do Sol
E te esperar...

O mar
O mar
As ondas do mar
Vão te
Trazer
Pra mim...




Rob Azevedo











segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Emília e Visconde




Emília e Visconde



Ô boneca Emília
Te vi vestida
De verde-limão
Num sonho bom

Tu bem quietinha estavas
No milharal
Sob a luz tênue do Sol
Parecia que nem vivias
Era só
Espantalho
Debandando os corvos
Em revoada

De repente me olhou
De lado e sorriu
E me fitou
De frente
Encarando o fundo
Dos meus olhos verdes
Verdes, tão verdes
Quanto tua roupa
De retalhos
Verde-limão

Ajeitou o cabelo
De palha de milho
Pôs o dedo no umbigo
Requebrou
O quadril de pano
E fez um gracejo

Tirei meu chapéu
De Visconde de Sabugosa
Cocei o cavanhaque
E joguei um beijo

Tão logo
Eu e ela
Ela e eu
Bem no meio do milharal
Caçando coelhos
E passarinhos
Voando no céu

Pula
Coelhinho!

Pula
Coelhinho!

Pula
Coelhinho!

Pulaaaaaaaaaaaaaaa!

Cenourinhá-nhá
Cenourinhá-nhá
Nhá-nhá-nhá-nhá-nhá-nhá...

Quem não gosta
De nhá-nhá-nhá-nhá- nhá-nhá?

O coelhinho
E a coelhinha
Fazem nhá-nhá-nhá-nhá- nhá-nhá...

Sinhá, sinhá, sinhá
Quando eu voltar
Vou encontrar
Uma ninhada
De coelhinhos!

Piu-piu, piu-piu, piu-piu...
Cantam os passarinhos
No milharal...



Rob Azevedo















Judiar de Você




Judiar de Você
- Letra de música MPB - Estilo Alceu Valença, Rastapé, Falamansa ou mesmo um Baião Luiz Gonzaga (Gonzagão) -




Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim...

Dos seus sonhos
Rouge, carmim
Da purpurina
Do cetim
Da bailarina
Do Querubim

Eu vim...

Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim...

Da serpentina
Do Arlequim
Da Colombina
Do Jasmim
Do pôr-do-Sol
Do arrebol
Eu vim...

Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim...

Das castanholas
Do violino
Da velha senhora
Do vinho tinto
Do trombone
Do piano
Do saxofone
Do desatino...

E no megafone
EU TE AMO!

Eu vim

Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim...

Da harpa
Do bumbo
Da farpa
Do fim do mundo
Da carpa
Do Mambo
Da Salsa
Do Tango
E do Amor
De uma avestruz
Por um orangotango

Eu vim...

Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim!

Eu vim!

Eu vim

Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim
Pra judiar de você
Eu vim...

Dos seus sonhos
Rouge, carmim





Rob Azevedo












Um Sonho de Menina - Ópera




Um Sonho de Menina
- É UMA ÓPERA À MODA MONTEIRO LOBATO! -
(Em violeta falas do eu lírico masculino e em rosa do eu lírico feminino.)



Conte-me Amor
Seus medos de menina
Porque disso entendo
Sou doutor

Até hoje não cresci
Me compreenda
Sou a lenda
De Peter Pan

Sou menino
Menino doutor
Em sonhos de meninas
E meninos
Chorando aflitos
Sozinhos no escuro


- Acenda a luz por favor!
O homem mau
Só vem
Quando a lâmpada se apaga...

É um cavaleiro medieval
Numa armadura de prata
Que me olha
Com raiva

E me olha
Com raiva...

E me olha
Com raiva...


Ai que medo, meu Deus!
Esse homem mau
Acho que sou eu!

De médico e louco
Todo mundo tem um pouco
E eu doutor
Em sonhos de meninas
E meninos
Chorando sozinhos
Aflitos no escuro
Acho que sou...

O homem mau
Da armadura de prata medieval...

Ai que medo!

Que medo!

Que medo!


O vilão da história...


Sou euuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!




Rob Azevedo










domingo, 28 de setembro de 2008

Menino Arteiro




Menino Arteiro




Tu pensavas que eu brincava
Com teus sentimentos
E nada mais
Eu também pensava
E a mim mesmo jurava
Que somente brincava
E nada mais

Tudo tão mal!
Tão errado!
Coração não é brinquedo
Funda é a dor do lamento
De quem pra alguém
Foi só divertimento

Deus puniu
O menino travesso
Que ateava fogo
E saia correndo

Agora me olhando no espelho
Nem eu me compreendo
Porque é a ti que eu vejo...

Como mulher
Minha
Mulher...

Eu pensava que brincava
Já não penso mais
Dei mil passos a frente
E cresci de repente
Sou homem grande

Já não juro mais
Pelas artes que eu fazia
Nem durmo em paz
Desejando o que fora
Meu doce brinquedo

O bonequinho de pano
Virou mulher...

Meu coração arteiro
Caiu na própria cilada
Do menino brejeiro...

Ah! Que Amor traiçoeiro!

Agora sou eu
Envolto em nevoeiro
Homem-menino
Indefeso-perdido

Já não penso mais
Que brinco
Porque aqui dentro
Sei o que sinto...

Mas e agora, o que faço?

Tu continuas pensando
Que sou aquele
Menino travesso
Nem adianta
Não me olhas
Como um homem
Assim como meus olhos
Te vêem como mulher...

Minha mulher...

Ah! Que crueldade!
Ou Justiça Divina
Sei lá o quê!?
Quem brincou demais
Já não é acreditado
E se queimou
No fogo
Que ateou

Agora que amargure
A própria dor
Da descrença no Amor




Rob Azevedo










Kama Sutra




____________Kama Sutra____________





Ó perola do Amor-Erótico
Na literatura
Em sânscrito

Ó rubro desejo, laço desfeito...

Ó amplidão do prazer
Enleio devasso
Sacro, abençoado
Do corpo rendido
Ao horizonte expandido...

Que o pudor fique de lado
Onde moram os homens castos
Tolos enigmáticos

Que se arrepiem os cabelos
Entre nós
Só por gozo
Arranhão e aperto
Por falsa moral
Jamais

Ó grande cultura Védica
Da India
De tempos imemoriais
Cântaro de saber
Dos príncipes antigos
No que tange ao querer
Entre corpos ardentes

Derrame seu bálsamo
Sobre mim
E minha mulher
A caminho do prazer
Seguindo cada passo
Do abraço
Ao beijo
Às pressões e arranhões
Mordidas
E deslizes
De língua

Em cada passo seguindo
A ilustração
De alguma posição
Até que então se concretize
A união sexual
Transcendental
Bem além do mal
Que vê os homens maus
Auto-intitulados castos
Quando são tolos enigmáticos
Cantarolando
Falsa moral

Ó literatura
Do Amor e desejo
Suas páginas eu leio
Suas figuras eu folheio
Uma a uma
E as vejo
Como a síntese
Do êxtase perfeito

Ó liturgia erótica sânscrita erudita...

Derrame seu bálsamo
Mil vezes
Sobre mim
E minha mulher
A caminho do prazer




Rob Azevedo












Mandrágora




Mandrágora



Em noite de Lua
Cheia
As raízes de Mandrágora
Vou colher

Um cão preto vai puxando-as
Para fora da terra
Por uma corda
Para que eu não ouça
O grito
Que mata
Qualquer ser vivo

O gozo
De um homem enforcado
Tem poder
Bem além
Do imaginado

É feitiço
O que eu digo...
É feitiço
O que eu digo...

É feitiço
Afrodisíaco
O que eu digo...

Feitiço
Narcótico
E fecundante abrigo
Dos espíritos...

Em Gênesis
Trinta : Quatorze
E em Cantares
Sete : Treze
Tu mesmo leias
O que eu afirmo...

Em noite de Lua
Cheia
Vou colher as raízes
De Mandrágora
Para Maria eu ter
Ser minha mulher...

Não, não é crendice
Sou feiticeiro
Eu te disse...

Sou feiticeiro
Eu te disse...



Rob Azevedo













Salamandra




Salamandra



Quando o fogo das intempéries
Me cerca
Por todos os lados
Ardendo em chama alta
Me revisto da pele
Da Salamandra

O calor não me atinge
Bailo sobre o fogo
E canto mais forte
Que a morte
Não cremando

O Fogo Fátuo
Torna-se Fogo Sagrado
Emanando Luz Violeta
E nada me queima
Minha força incendeia
Em labaredas mais altas
De seis metros de altura
Porque sou Salamandra

À cinzas se reduz
Tudo que ateia
Contra mim
O que não é Luz

Sou Salamandra
Caminho sobre brasas
Sorrindo, achando graça
E não me afoga a água
Pois tenho brânquias
Sou anfíbio
A cada meio adaptado

Se me cortam a cauda
Ou algum membro
Em breve se regenera

Transmutação
É o meu dom
E resistência contra o fogo
Das intempéries
Que não queima meu corpo
Porque tenho pele
De Salamandra



Rob Azevedo











Em Teus Seios II




_____ Em Teus Seios II _____





Em teus seios eu vejo
O Sol e a Lua cheia
Lado a lado
O fogo e o desejo
O delírio de um Bardo
O Amor confabulado
Sem que possa ser recusado

Os píncaros
Do Everest e do Aconcágua
A sede e a água
A mãe e o filho

Vejo o ninho da águia
As raízes de Mandrágora
O clarinete e o trompete
O homem e o pivete
A serpentina e o confete
A bala de Anis

Em teus seios eu vejo
A faca e o queijo
O mundo que sempre quis
Para ser feliz

O crucifixo no meio
Sobre teu coração
Num afortunado enleio
Com todo o arquétipo
Do pecado
E da contradição

Vejo um sacerdote erecto
Vindo do Antigo Egito
Contente, sorrindo
Altivo

Vejo um torvelinho
De emoções em desatino
Na chegada do caminho

Um candeeiro aceso
Uma mulher segurando um terço
Um fim
Ao que ficou pelo meio

Vejo em teus seios
Um cesto
De pães e peixes
Cheio
E uma ânfora de vinho

A Ceia Sagrada
Preparada
Para que não seja a Última
Mas a Primeira
Da Nova Madrugada






Rob Azevedo














Quando




Quando
- Letra de música Bossa Nova/MPB –



Quando teu poeta
For embora
Não haverá mais tempo
Pra nós dois

Quando teu poeta
Não te escrever mais
Nenhum verso
O que será
De nós dois?

Quando no jardim
Não ter mais um passarinho
A cantar
Me diz, Amor, o que terá?

Quando o Sol
Não brilhar
Como antes
Qual luz haverá
De nos guiar?

Quando o mar
Não for mais azul
Nem ter um peixinho
A borbulhar
Me diz, Amor, o que haverá?

Me diz, Amor, o que será?

Quando a Lua
Se deitar
E o Sol raiar
Sem nós dois
Lado a lado
Me diz, Amor, o que será?

Me diz, Amor, o que será?

Quando teu poeta
For embora
Se um dia
Quiser voltar
Me diz, Amor
Onde te encontrar...

Me diz, Amor
Onde te encontrar...



Rob Azevedo









Eu Quero




Eu Quero
- Letra de Música MPB -



Quero Amor
Quero o Sol
E calor

Quero a paz
Blues e Jazz
Eu quero é mais

A ti entrego
O meu verso
Mais belo

Ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô...

Quero o que quero
A flor eu rego
E ti carrego
Por ti eu rezo
E me despeço
Da dor

Ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô...

Quero ver
Os girassóis
Se abrindo nos campos
Nós dois a sós
E sorrindo um menino
Tão lindo
Quanto Narciso

Eu quero...
Eu quero...
Eu quero o que preciso
O abrigo
No teu sorriso...

Ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô ôôôôô...

Eu quero ver o louco
Que canta
Já rouco
Achando tudo tão pouco
Que queira
Bem mais
E mais
E mais...



Rob Azevedo










Uma Verdade Nua, Uma Dúvida




Uma Verdade Nua, Uma Dúvida
- Com eu lírico feminino -

(Letra de Música MPB)




Será que ele gosta
De mim
De verdade
Ou só conta
Historinhas
De ninar?

Será que ele me ama
Como um homem
Ou só brinca
Com meus sentimentos?

Será que ele quer
Mesmo namorar
Comigo
Ou só ter
Um brinquedo
Pra se distrair?

Será que meu castelo
Verei ruir
Ou será
Monumento eterno?

Será que em meu inverno
Terei o cobertor
Daquele corpo
Que se diz
Por mim tão louco?

Será tudo tão pouco
E ele fará
Ouvidos moucos
Quando eu
O quiser?

Ó Margarida
Do jardim
Dá-me uma ajuda
Tenha dó de mim...

Em cada pétala sua
Uma verdade nua
E uma dúvida...

Bem-me-quer?
Mal-me-quer?



Rob Azevedo












sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Feiticeiro




Feiticeiro



Nunca se atreva
Com um feiticeiro
Paranormal
Transcendental
Surreal
VIS-CE-RAL...

Ou o calor do Sol
Pode te queimar
E o melhor a fazer
Morrer no mar

Conheço o segredo
Do Céu e do Inferno
Da Arca Sagrada
Do Santo Graal
Da Tábua de Esmeralda
Da Pedra Filosofal
Dos hieróglifos na pirâmide
De Ransés II

Tenho o dom
Da Terceira Visão
Cognição
Vidência
E premonição

Sei tanto quanto
Sabe o Carvalho
E sou tão profundo
Quanto o abismo do além mundo

Em meu caldeirão
Com colher de pau
Faço uma poção
Que tem o poder
Do bem e do mal

A ti, só cabe entender
O que escolher



Rob Azevedo









Fúria




Fúria




Apertaram meu calo
Jogaram pedra no Templo
Do deus mais belo
E me viram tomado
De inspiração e possesso
Calando o escândalo
Esmagando-o em meu canto
E, então, se arrependeram

Haviam ter coroado
Minha fronte de heras
Bem calados
Porque tenho pacto
Com Júpiter
Urano
Marte
Netuno
Mercúrio
Vênus

E em meus dedos brilham
Os anéis de Saturno

Basta que eu chame
Uma legião de poetas Arcanjos
Desce do céu para que honrem
Meu nome

Sou o Mago Merlin
Erguendo o cajado
Sou Mandrake
Sou mágico
Sou o hálito
Do dragão
E o rugido do cão
Cérbero

Então cuidado!
Não aperte meu calo!



Rob Azevedo











Balada para Narciso II




___Balada para Narciso II___




Sobre uma nuvem
Nu vem
Um homem
É o deus Narciso
De todos o mais bonito

Ao morrer afogado
Deixou à beira do lago
Uma flor
Para que fosse lembrado
E ascendeu aos céus
Galopando num cavalo alado

Lá no etéreo, bem alto
Por si que era tão apaixonado
Enfim pôde fazer Amor consigo mesmo
O que aqui na Terra não podia
Vivendo sem alegria
Porque só um Narciso existia
E ter seu corpo
Beijar-se e amar-se em carne
Não conseguia
Pois tudo o que via
Era sua imagem refletida
No espelho e no lago

O Pai Eterno apiedado
Por ver Amor tão grande
Irrealizado
Criou à imagem e semelhança de Narciso
Uma ninfa de nome Narcisa

Semelhante em beleza
Semelhante em cada traço
Mas mulher
Como todo o homem quer

Narciso

Viu-se então nela refletido
Sem que fosse
Tão somente reflexo
Das águas do lago ou do espelho

Amaram-se e amam-se
Como puderam e podem
Vendo um ao outro
Como refletido no espelho

Lá de longe eu vejo
Entoando seu canto
De Amor realizado
Nu vem
Sobre uma nuvem
Um homem
É o deus Narciso
De todos o mais bonito



Rob Azevedo










Nuvem Escura




Nuvem Escura




Num vem não!
Nuvem escura
Que agora
Em minha vida
Faz Sol

Deixe que eu viva
O presente
E enterre
O passado
De um amor desconfiado
Tão maltratado

Permita
Que em minha poesia
Floresça
Um campo de lírios
E nele se veja um rio
Correndo
Tão lindo

Nuvem escura
Num vem não!
Quando voltas
Minha poesia
Se definha
E conta em verso
Tudo o que me assombra

É só rancor e lamento
Raiva e tormento

Num vem não!
Nuvem escura
Não que eu te queira mal
- Não o quero! -
Porque um dia
A despeito de tudo
Te jurei amor
E me juraste
Também

Mas entenda
Esse amor
Se quebrou...

O Amor é vaso
De cristal
Frágil
E o nosso
Se partiu
Em mil pedaços

Num vem não!

Nuvem escura
Compreenda
Não voltando
E pairando
Sobre minha vida
A dor
Da tormenta
Porque agora
Pra mim
Tudo é Sol
Paz e Amor




Rob Azevedo











Faz...




Faz...



Faz Amor comigo!
Estou te pedindo
Com jeitinho
Dengo, mimo
E muito carinho
Sussurrando baixinho
No teu ouvido

Sou bom menino
Romântico
Fino e educado
Cheio de talentos
Bom partido
- E só um tantinho
Devasso -
E olhe um bocado
Não sou de ser
Dispensado

Pedaço de mau caminho
Com destino
Ao paraíso
Em delírio

Faz Amor comigo!
Estou te pedindo
Apaixonado
Encantado
Com jeitinho
Dengo, mimo
E muito carinho
Sussurrando baixinho
No teu ouvido

Sou bom menino!

Quero em teu corpo
Um ninho
E a porta
Pro infinito

Faz Amor comigo!



Rob Azevedo










quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Balada para Narciso




_____Balada para Narciso_____



Narciso só via a si mesmo
Nas águas do lago e no espelho
Por todo o bosque
As ninfas em suspiros corriam
Atrás de Narciso
Não sabiam que era insensível
À paixão que despertava
E eram muitas apaixonadas

Todas se punham aos seus pés
Nenhuma delas lhe tocava
E a si mesmo mirava
Nas águas do lago e no espelho

Ah! Como choravam...
Enchendo mais o lago
Que mesmo transbordava
De lágrimas...

Qual delas
Seguindo algum conselho
Poderia conquistá-lo
E tê-lo?

Como descobrir o segredo
De jovem tão belo
Tanto quanto Eros
Vivendo sozinho em delírio
A mirar-se nas águas do lago e no espelho?

Desenrolar o novelo
Encontrar o fio da meada
E deitar-se ao lado
De um deus alado

Como sabê-lo?

Haveria nalgum oráculo
A reposta de tão intrincado segredo
Ou morreriam todas de desejo?

Pelos bosques as ninfas
Suspiravam perseguindo Narciso
Contemplando-o ocultas nos ramos
Derramando prantos
Por um deus insensível

Ah! Quantos encantos!
Vinham daquele jovem tão belo
A mirar-se perdido em devaneios
Nas águas do lago e no espelho

Quão fundas dores
A todas ninfas do bosque
Alvejadas de amores
Desejando tê-lo
E ninguém o pode

Dentre todas as criaturas
As ninfas são aquelas
Que por serem tão belas
Mais compreendem
Percebem
Sentem
Amam
A beleza
E por ela
São atraídas
E rendidas...

Ah! Diante Narciso insensível
A tanta paixão que despertava
As ninfas choravam
E o lago transbordava

Suspiros calavam
O uivo dos ventos
Diante tamanho encantamento

Corações pulsavam descompassados
O fôlego faltava
O chão se perdia
Tudo por dentro estremecia

Às ninfas
A beleza de Narciso
Eclipsava a luz do dia

O que haveria
De ser preciso
Para que o jovem tão belo
Ao menos voltasse
Seus olhos a alguma delas?

Seus olhos que se perdiam
Eternamente fixos
A si mesmo fitando refletido
Nas águas do lago e no espelho

Em tão grande devaneio
De paixão e delírio
Narciso – entre tantas e tantas ninfas sem fim
Que não se contavam nem nos grãos de areia nem nas estrelas –
Era tão somente mais um
Apaixonado por si
Perdidamente

Padecia a mesma dor
De todas as ninfas sem tê-lo
Porque não podia fazer Amor
Consigo mesmo

Um dia, a dor
Não mais suportou
E se atirou de ímpeto
Nas águas fundas do lago
Aonde se afogou
Morrendo de Amor

Com a morte do jovem
O espelho das ninfas do bosque
Onde viam toda a beleza de si mesmas
Reunida e refletida
Se quebrou
Mas ninguém mais chorou
Do que o lago e o espelho
Onde Narciso se mirava
Pois igualmente o amavam
Apaixonados - perdidamente
E sofreram grande dor

Restou uma flor
Só - como Narciso o foi
Às margens do lago lacrimoso
Aonde o jovem se afogou



Rob Azevedo











Megg




Megg



Megg
Não me negue
Fazendo
O que não quer

Megg
Me carregue
E me leve
Aonde quiser

Megg
Enterre
O passado
Vivendo comigo
Ao teu lado

Megg
Regue
As flores
Que plantei
Florescendo
Amores

Megg
Aproveita
Enquanto é tempo
E comigo se deita
Antes que venha o vento

Megg
Não se despede
Sem me dizer
Eu te amo!
Me deixando
Em pranto

Megg
Não me esquece
Eu que vivo
Rezando por ti
Numa quermesse

Megg
Entende
O que acontece:
É Amor
Que estremece!

Megg
Vem depressa
E me endoidece
Antes que cesse
Tudo o que enlouquece

Megg
Dá um jeito
E desce
De cima do muro
Desse Amor mudo e surdo

Megg
Te amando eu esmurro
A faca cega da paixão
Mas por favor
Não me chame de burro!

Megg
Se lembre:
Eu tenho um coração!

Megg
Te juro:
O que digo
Não é ilusão!

Megg
Apimente
Tua vida
E me lambe
E se lambuze

Megg
Se entregue
À tentação
Que te prometo:
Será bom!

Megg
Não despreze
O Amor-Perfeito que floresce
Em meu leito
Nem o travesseiro
Que será meu peito

Megg
Rasgue
Minha roupa
Para ter meu corpo
Que a tua
Eu rasgo
Pra te ter
Nua

Megg
Comigo se deite
E encaixe
Nossas formas
Como peças
De quebra-cabeça

Megg
Me mande
Calar a boca
E me beije
Que eu te deixo louca

Megg
Minha voz já tá rouca
Então vê se me ouça
Esquece a louça
Na cozinha
E vem pro quarto

Megg
“Não faz tanto doce”
Cruzando os braços
Fazendo biquinho
Feito boneca intocável
De porcelana
Olhando de lado
Senão desanda
O bolo

Megg
Não me deixe crer
Que sou o homem errado
Pra você
Ou adeus
Ao nosso prazer!

Megg
Nem vai chover
Mas a sombrinha leve
Porque aqui dentro
Entre eu e você
“Tá um chove não molha!”

Megg
Tenho tanta coisa
Pra te dizer...
Mas uma é a mais importante:

Megg
Por favor
Antes de eu morrer
Faça comigo Amor!



Rob Azevedo











quarta-feira, 24 de setembro de 2008

É Tarde!




É Tarde!




Volta não!
Esquece a ilusão!
Já tem outra
Tomando conta
Do meu coração



Rob Azevedo