quinta-feira, 11 de setembro de 2008

♥ Deus & Maria de Nazaré ♥ - A História de Amor que deu luz à Luz -




Deus & Maria de Nazaré
- A História de Amor que deu luz à Luz -




Deus havia criado o mundo
Há tempos e tempos imemoriais
Quando se sentiu só
E não soube explicar ao certo
O que se passava
Em seu coração divino

Decidiu então que era hora
De gozar de sua criação
Tirar umas férias
Viajando
Aproveitar
E vistoriar as coisas
Para ver como andavam

Deixou seu trono soberbo no infinito
E veio à Terra
Um minúsculo planeta azul
Na extensão do universo

A natureza era estupenda
Expressão de sua perfeição
Belíssima, exuberante...

As florestas
As montanhas
Os lagos e rios
Os campos floridos
O mar
O céu...

Mas em suas andanças se deparou
Com os seres humanos
E logo se espantou...

Em meio a todas aquelas
Maravilhas da natureza
A eles oferecidas gratuitamente
Para que as compartilhassem fraternalmente
Numa harmoniosa irmandade pacífica
Eram canibais de si mesmos
E viviam uns contra os outros
Sangue derramando
Sempre almejando
Poder e ouro

Entre os homens
Deus esteve em suas andanças
Espantado e encabulado
Perguntando-se
O que havia feito de errado
Por tudo ter saído tão ao contrário
Do que planejara

Mas como Pai que era
A compaixão lhe tomou
E sentiu as humanas dores
Sentiu-se mesmo um homem
Vivendo entre os homens

E experimentou
Os sentimentos humanos...

Assim cruzou
Ao nascer do Sol
No povoado de Nazaré
Das terras de Israel
Os olhos
De Maria
Uma virgem belíssima
Jovem e digna
De valores elevados
Recatada e doce
Como o mel

Há tempos
Deus se sentia só
Sem que soubesse ao certo
O que se passava
Em seu íntimo

Parecia que algo lhe faltava...

Entre os homens
Os humanos sentimentos sentindo
Sentiu-se transformado
Naquele cruzar de olhos inesperado...

Transformado em ímã
Atraído por Maria
Noite e dia...

Desprendeu-se de todas as amarras
E se deixou levar pela força tremenda
Do que o acometia

No entanto, um rapaz
De nome José
Andava naqueles tempos
Fazendo a corte
À belíssima virgem Maria
Pretendendo
Ser seu esposo

Deus se apressou
Tomou a frente
E numa noite estrelada
E cálida
Apresentou-se diante Maria
E lhe seduziu
Sem que houvesse como
Negá-lo
Tamanho era seu encanto
Celestial

Amaram-se ardentemente
Sobre a palha num estábulo,
Na grama molhada pelo orvalho,
Sobre relvas
Às margens de um regato
E detrás das Sinagogas
Em pontos ermos

Assim transcorreu
Durante toda a primavera
Até que Deus consentisse consigo
Que era hora
De deixar o viver entre os homens
No planeta Terra
E voltar aos Céus

Assim o fez
Deixando neste plano existencial
Maria grávida
Sem ter um esposo
E pai do rebento que estava por vir
Ao lado

Mas a jovem
Sabendo de sua situação
Uniu-se a José
O rapaz que há tempos
Andava lhe fazendo a corte
Pretendendo ser seu esposo

Meses depois
Maria deu à luz
Um menino que a ele deu o nome
De Jesus

O Filho de Deus

Cresceu sabendo
Em seu íntimo
Sua origem divina
E tinha o poder
De conversar com o Pai
Assentado em seu trono soberbo
No infinito

Filho de Deus que era
Tinha também
Muitos outros poderes transcendentais
E sabedoria ilimitada

O Pai havendo vivido entre os homens
Experimentado suas dores
E vendo o quão perdida estava a humanidade
Tomou-se de profunda compaixão
Decidindo ofertar redenção
Através de seu filho unigênito, amado

Pai e filho dialogaram
Por anos
A tudo confabulando
E chegaram ao consenso:

A salvação seria ofertada ao mundo
Por meio do sumo-sacrifício
De Jesus
No Calvário da Cruz

Assim o fizeram
De acordo com desígnios
Divinos
Insondáveis
À compreensão humana

E o Filho de Deus
Retornou ao Pai
Arrebatado aos Céus

Aqui na Terra
A senda de Luz estava aberta
Em meio à treva

No entanto
Foram poucos aqueles
Que a seguiram
E muitos outros
A conformaram
De acordo com seus interesses
Contando outra história
Diferente daquela
Que foi em verdade




Rob Azevedo








terça-feira, 9 de setembro de 2008

♥ Cristo & Maria Madalena ♥ - Uma História de Amor Gloriosa -




Cristo & Maria Madalena
- Uma História de Amor Gloriosa -



Cristo
Foi homem
De fato
E assim como homem
Amou
Profundamente
Maria Madalena
Como mulher

Bendisse o Amor
Sagrado
O santificou
Vivenciando-o plenamente
E a língua dos homens
Censurando
Por interesses escusos
Fez o contrário:

O maldisse
E o tornou pecado
Forjando uma religião
De clérigos celibatários
Engordando o tesouro
E o poder
De suas Igrejas
Fundando o Império
Maldito Romano
Na fogueira inquisitória queimando
Todos aqueles
Que se indispusessem
A seguir a risca seus ditames

Bulas papais
Ditatoriais
Trouxeram ais
À famílias e reinos
Em nome
Do poder e da prata

Ah! Vejam o Vaticano!
Que colossal ostentação de riqueza infame!
O Papa assenta
Em trono de ouro
Cravejado de pedras preciosas
E assim é
Toda a Basílica de São Pedro
Um símbolo profano
À riqueza sem limites

Enquanto o Rei dos Reis
Nasceu numa simplória manjedoura
Foi carpinteiro
E sempre viveu
Ao lado dos pobres
Sendo deles a voz
E guardião

Foi adiante
Um simples pescador
Vivendo de suas redes

São Francisco fez seus votos de pobreza
E vivia da mendicância
Ideológica e humilde

E o Papa
É sempre um Pop Star
Um deus Sol
Ostentando
O brilho do ouro
Com todo seu infindável
Corpo de clérigos parasitários

Esses homens maus
Arrogando-se senhores da verdade
Nos impuseram ditames
Cada um deles visando unicamente
Resguardar seus poderes

Perverteram e distorceram
As Escrituras Sagradas para si mesmos
De acordo com seus interesses
Nada sagrados
Mas tão somente
Mundanos
Profanos
Monetários

Baniram da Bíblia
Com o corte censor
Lilith
A primeira mulher
Criada por Deus
- Um hino ao corpo e a alma feminina libertos -
E coroaram Eva
Aquela Amélia carola
A rainha da Terra

Maldisseram o Amor
O disseram pecado abominável
E castraram mesmo
O Messias Salvador

Mas ele amou - profundamente
Como um homem ama uma mulher
Maria Madalena
E tiveram seus filhos
Nesse Amor - proibido
Porque Cristo era
Casado...

Um matrimônio sem paixão
Por conveniência
E obrigações sociais
Um viver de aparências...

Uma esposa
Não amada e estéril...

Um laço
Difícil de ser desatado...

E Cristo e Maria Madalena
Se conheceram
Se apaixonaram
Ardentemente se amaram
E procriaram

Em verdade
Ao martírio na Cruz
O Messias se entregou somente
Após firmar com Deus o pacto
De que a ele Maria Madalena seria dada

Caso contrário
Que o Pai encontrasse
Outro alguém disposto
A ser o Cordeiro Imolado

Beber do cálice amargo
Só assim aceitou
Porque em troca lhe foi ofertado
Para seu coração, alma e corpo
O manjar dos manjares:

Maria Madalena...

Como sua mulher
No recôndito das alcovas
Sobre a relva no Monte
Das Oliveiras
Nas areias das praias
Do mar da Galiléia
Em noites enluaradas
E alvoradas ensolaradas

Esta sim!
Foi a verdadeira Paixão de Cristo
- Paixão de um Messias apaixonado
Pelo Amor correspondido exaltado -
Não o padecer no madeiro da Cruz
Crucificado, humilhado

Mas os homens maus
Movidos por interesses escusos
Arrogaram-se os senhores da verdade
Donos da voz do Filho de Deus
E apagaram da História
Tudo o que para Cristo
E Maria Madalena
Foi tão somente Glória



Rob Azevedo









segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A Morte do Sentimento




A Morte do Sentimento




O fantasma do sentimento
Passou por mim
Se dizendo o tal
Se gabando
Zombando
Dizendo:

- Ainda estou vivo!

Puxei do bolso
A arma
- Meu Amor Próprio Ferido -
Apertei o gatilho
E nele dei
Dois tiros...

O fantasma caiu
Dentro de mim
Desfalecido

Agora
- De fato –
Jaz morto
Mesmo a sombra
Do que foi outrora



Rob Azevedo






Terra dos Poetas Medíocres




Terra dos Poetas Medíocres




Andei por umas terras
Muito estranhas...
Nelas
Todo aprendiz de poeta
Escriba de linhas tortas
Herméticas e vazias
Ingênuas e pueris
Julgava-se um grande
Um grande gênio da Poesia...

Um deles se dizia
O maior trovador de Zimbábue
O outro o maior dentre todos
Daqueles de Papua Nova Guiné
Um outro
O maior de Moçambique
E mais outro
Dizia-se o maior da Ilha de Java

Cada qual era o melhor de algum lugar
E todos se julgavam sumidades incontestáveis
Da Arte lírica e melódica de compor poemas

Ah! Quisera eu ser cego
Para não ter lido
Deles sequer um verso!

Tive esse desprazer...
Sacrilégio às minhas retinas
Amantes da beleza
Que as palavras podem ter...

O pior ainda estava por vir...
Por cortesia, diplomacia
Gentileza, educação
Tive que mentir
Demonstrando fineza
Ao lhes dar minha opinião
Quanto aos seus...

Eles dizem que são versos!

Revesti-me da eloqüência
E lhes disse
Assim como quem finge um orgasmo:

- Ó, são belos!

Depois saí de fininho
E fui ao banheiro
Vomitar um bocado
Como quem houvesse bebido
Todos drinks misturados

E eles se julgavam o máximo!
Cada qual se dizia o melhor d`algum lugar
Havia alguns
Que tinham mesmo
Assim como que cabos eleitorais
Fazendo suas campanhas
De melhor poeta
Não sei da onde...

Sempre fui modesto e humilde
Mas diante
Tanta profanação à Literatura,
À minha amada deusa Poesia
Não agüentei mais
E tive que levantar a voz
Tomando das mãos dos sacrílegos
A coroa de Rei
Que estava vaga
Assim como fosse a espada
De Excalibur
Na pedra encravada
Esperando quem a ela fizesse jus

Não por falta de humildade
- Tenham certeza! –
Mas por piedade
Com o que faziam os escribas
Da Poesia
Dizendo-se gênios
Arrotando rabiscos – ditos versos
Na minha cara

Concepções de asnos asmáticos
Que me fizeram assim
Parecer arrogante...

De fato não sou
Só tenho piedade
Pelo que fazem
Aqueles da Terra
Dos Poetas Medíocres

E que não venham jamais
Ao meu Templo Sagrado
Cometer sacrilégios
Despejando excrementos
E dizendo versos



Rob Azevedo









Nunca Mais




Nunca Mais




Uma moça debruçada na janela
Espera, espera, espera...
Que seu Amor volte
Passa-se o tempo em anos
Gira depressa a esfera
Crescem heras
Por todos os campos
Ela continua esperando
Esperando, esperando...
Que ele volte

Atônita
Perdendo a paciência
Uma estátua de mármore
Reclama:

- Passado dê licença
O Presente quer passar!

Tudo é mudança
A fogueira já não crepita
A velha chama
Tornou-se cinza

Pessoas s
e despedem e voltam
Vêm e vão
Movimentam-se no espaço
O coração não
Quando – em verdade - se vai
Foi
O voltar é ilusão

Se voltasse quem esperas
Voltaria oco
Pão sem miolo

O Amor e o tempo
Muitas vezes
São dois relógios
Com ponteiros
Descompassados

Um adiantado
Outro atrasado

Renitente
Uma estátua de mármore
Exclama:

- Acerte a hora
Teu Amor foi embora!

Mas pra quem ama
Entender não é assim
O poema se torna
Hieróglifo do Egito

Que confusão!
Até mesmo um não
Tem valor de sim!

E suspirando
Dizes que me ama tanto...

Se tão bem me queres
Por que consente
Essa dor que sinto
Não indo?

Fui
Mas por que estás
Sempre aqui e ali
Cruzando meu caminho
Debruçada na janela
Como quem espera
Suplicante
Me olhando?

Talvez não entendas
O partir que clamo...

Sei que vai doer
Me ouvires dizer:

Não quero mais te ver!

Mas está dito!

NÃO QUERO MAIS TE VER!

Há quando
Alguém vai embora
Porque dentro dela estoura
Uma dor que é demais
Pra sofrer

Te ver
É uma adaga afiada
Que me dilacera
E se perde a calma

É o mito de Prometeu
Acorrentado ao penhasco
Com o fígado exposto
Sendo carcomido pelos abutres
Sem que se acabe
O manjar daqueles que o devoram

Se tão bem me queres
Por que consente
Essa dor que sinto?

Assim que tu me amas?

Te pergunto...

Te ver me é dor tão doída
Que por mais que a vida
Tenha sido sofrida
E a morte seja vazia
A esta negra misericórdia preferia
A ver-te novamente

O que me importa?
Ninguém mesmo entende meus versos!

Os lêem como bem querem
De cabeça pra baixo!

Tão logo jamais entenderão
A dimensão do Amor
De quem diz:

Nunca mais quero te ver!

É porque a dor
Foi demais

Houve Amor!

Não somente
Mais um caso
Pra quebrar a rotina
Houve sentimento

Houve...

Minha Paixão!

Só tão grande dor
Me dá forças
Para lhe dizer:

NUNCA MAIS QUERO TE VER!

Entenda o sofrer
De quem diz
Isso amando...

Por outro lado é quando
As palavras que realmente queremos dizer
Não saem - por piedade
E a gente sofre por não poder
Fugir do que nos mata
Lentamente
Então
Morrendo
Mente
E ficamos
No mesmo lugar

Há quanto tempo sofro
Sem ter consolo
Que não seja
O lampejo de um instante
Em meio à eternidade
Do quanto escrevo?

Morrendo nesse padecer
Que teu Amor me causa
De novo te pergunto:

É assim que tu me amas?

O que é amar então?

Querer toda essa dor
A quem se ama?

Que ninguém me entenda
Mas tu ao menos me compreenda!

Porque cada poema
Não é escrito para ninguém
Além
De uma única pessoa

Os outros que leiam
E não entendam
Desfrutem ao menos
Um pouco de poesia

Será de alguma valia!

Escrito unicamente
Para uma pessoa
Repito esbravejando mais uma vez:

NUNCA MAIS QUERO TE VER!

Amar não é viver morrendo
É morrer de Amor num outro corpo
Renascendo
Morto
Para tudo o que não seja
Amor
E vivo somente
Para este Rei Soberano

Fora todo engano!
Que causam antíteses
Esdrúxulas
À compreensão dos mundanos
Fora toda burrice!
De recair no mesmo erro
Sem jamais aprender
A dizer:

NUNCA MAIS QUERO TE VER!

Fora todo pranto e lamento!
Anseio somente o ungüento
Que sare todo ferimento
Que sangra
Em minha alma

Quero o riso e o canto
Não o réquiem
A marcha fúnebre
Dos amores defuntos

Clamo pelo espanto
Espantando as moscas
Sobre a foto preto e branco
Roída pelas traças

Rogo pelo túmulo
Do Amor morto que vaga sem cova
Pelos bosques sombrios

Suplico por uma nova aurora
Nos horizontes do meu coração
E todo aquele e aquela
Que seja contra ela
Que vá embora!

Porque nunca mais
Nunca mais
Desejo ver
O Amor morrer
Este
Que vive dentro de mim
Não por ti
Nem por ninguém
Tão somente
Por mim
Este tão grande Amor
Que me ensinou a dizer
Por tanto sofrer...

NUNCA MAIS QUERO TE VER!





Rob Azevedo










domingo, 7 de setembro de 2008

Holocausto




HOLOCAUSTO



Dizem muito do Holocausto
Do Nazismo
Dos horrores dos campos
De concentração
Lábaros negros do extermínio em massa
Do povo judeu

Da Primeira e Segunda
Guerra Mundial
Da bomba nefasta
Eclodindo num cogumelo mortífero
Sobre Hiroshima
E Nagasaki

Fala-se muito
Desses Holocaustos...

O Stalinismo
E Lênin
Também foram assassinos
Em massa
Com seus expurgos sumários em praças
Públicas
Praguejavam:

- Ao pelotão de fuzilamento
Todos aqueles
Contrários
À ideologia vermelha!

Salvem-se alguns
Mandados amordaçados
Aos campos de refugiados
Exilados
Na Sibéria!


Tantos Holocaustos houveram
Em toda História...

Desde as ditaduras contemporâneas
Às guerras napoleônicas
A Roma Antiga
Grécia
Babilônia
E muitas eras remotas
Esquecidas, perdidas
Na noite dos tempos

Um desses Holocaustos tremendos
- De todos o mais longo –
Perdurou por seis séculos...

Oh, ironia blasfema
Verdadeira heresia!

O extermínio humano em massa
Legalizado
E dito mesmo – Oh, céus, oh, não tenha piedade deles! –
Sagrado
Foi perpetrado
Em nome de Deus!

Oh Santa Igreja Católica... Blá, blá, blá...
Apostólica Romana...

Estavas de cólica
Intestinal
Ou de mente demente
E alcoólica!

Santa Inquisição!

Santa Demência Estupenda!

Santa Abominação
Que enoja as entranhas da alma
De Jesus Cristo
São Francisco
E São Bento!

Não, não haverá de ser esquecido
Tamanho Holocausto
Que se perdurou
Ardendo em chamas
Sobre corpos humanos vivos
Do século XIII
Ao século XIX

Oh clérigos!
Os homens santos
E os anjos
Envergonharam-se de vós
Dizendo do Diabo a voz
Ser a voz de Deus

Vomitaram em espasmos de nojo
As hóstias malditas
Que tomaram na boca
De vossas mãos sujas
Assassinas

Holocaustos...

Holocaustos...

Holocaustos...

Ó, Deus, não tenha piedade
Desses homens maus
Arautos
Do arquétipo da Besta
Do Apocalipse



Rob Azevedo







A Inquisição teve início em 1233, terminou formalmente somente em 1834 e prejudicou ou dizimou famílias, comunidades e países, desintegrou e empobreceu as economias dos reinos de Espanha e Portugal; promovida pela Igreja, atuou nas Américas, Europa e África e teve características religiosas, econômicas e sociais.

Ela foi um dos marcos da intolerância e desrespeito aos direitos humanos e serviu de modelo a muitos outros eventos históricos.

Entre eles...

O Holocausto dos judeus
Nos campos de concentração nazistas...









Poema Lírico-Amoroso de Cristo para Maria Madalena




Poema Lírico-Amoroso
De Cristo
Para Maria Madalena



Eu, Pescador de Almas
O melhor peixe
Que pesquei em minhas redes
Foi:

Maria Madalena!

Enlevado ao êxtase meu espírito
Caminhei sobre as águas
Após
Nossa primeira noite de Amor
E calei
A fúria do Vento

Meu Pai me deu a beber
De certo
O cálice mais amargo
Que o mundo já conheceu

Mas a tudo compensou
No pacto que firmamos
Para que eu me entregasse na Cruz
Dando-me o Amor
De Maria Madalena

Depois daquelas
Noites com ela
Tudo está pago
Perdoado
Nenhum cravo
A atravessar meus pés
E mãos
Pregando-me no madeiro
Da Cruz
É dor
Diante a dor que seria
Não tê-la como mulher
Em minha vida

O que me importa se um dia
Maria Madalena foi messalina?

Ao conhecê-la
Do corpo e da alma dela
Expulsei
Os sete pecados capitais
Que a tornava de todos
Por um punhado de dracmas
A partir de então
Foi minha
Somente minha
De nenhum outro jamais

Pacto com Deus firmado
Aceitei de bom grado
Beber do cálice amargo
Porque o Pai
Generoso
Deu-me em troca
O Amor
De Maria Madalena
E mesmo antes
Que após expirar na Cruz fosse
Fui em vida arrebatado
Aos Céus
Num glorioso
Orgasmo

Redentor
E Sagrado



Rob Azevedo







sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Paixão de Cristo




Paixão de Cristo



A paixão de Cristo
Em verdade vos digo:

Foi sua amante...

Maria Madalena!

Declamada em poema
Exaltada em versículo
O romance banido
Da Bíblia
Pelo Concílio de Trento

Aquela, tão somente aquela
Única mulher
Além da mãe
Que o viu padecer de perto
Na Cruz do Calvário
Foi a verdadeira
Paixão de Cristo

Seus filhos pequeninos
Cresceram órfãos
Do pai
Jurando jamais
Negarem o Amor
Renegado pela Igreja
Usurpadora da voz
De seu fundador

À esposa estéril de Cristo restou
Atravessar o deserto
E exilar-se
Nalgum vilarejo ermo
Da Jordânia
Relegando-se
Ao esquecimento

E aos Papas
No decorrer do tempo
Cruzar tesouras
Por todo o Novo Testamento
Repicando, censurando
Tudo que lembrasse
A verdadeira
Paixão de Cristo:

Sua amante
Maria Madalena!



Rob Azevedo









quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O Bule de Café Preto e a Xícara de Leite




O Bule de Café Preto
E a Xícara de Leite




Que saudades!
Minha Me-Nina
Me desculpa
Foi eu quem sumi
No entanto
Não te encabule
Não estou de caso
Com ninguém!
Se desapareci
Foi porque preciso
Encontrar a mim
Ainda que num bule
De café preto

A inspiração me veio
Súbita
Escrevi, escrevi, escrevi...
Noites e dias a fio
Parecia o aguaceiro
Do dilúvio
Por quarenta sóis
Quarenta luas
Depois morri
Ao voltar da rua
Bebendo um bule
De café preto
Renasci num sonho
Sonhando contigo
Aqui mesmo te conto:

Vieste à minha casa
Linda, dizendo-me sou tua!
Conversamos, sorrimos
Brindando Champagne

Bebendo Cerveja
Depois se deitaste
Ao meu lado na cama
De-li-ci-o-sa-men-te
Nua

Se a noite foi boa?
Mais do que isso!
Foi exaltação
Ao Amor Infinito!

Que pena!
O sonho teve
Início, meio e fim
E assim como veio
Foste embora
Ao amanhecer
Deixando-me perdido
Relembrando teus seios

De tão belo devaneio
O que me resta
São garrafas vazias
De Champagne e Cerveja
E o bule
De café preto
Além uma saudade
Tão grande que arde
Sem que se apague

Encontrarei a mim, te juro
E voltarei
Pulando o muro
Miando como um gato pardo
No cio
Eriçando pêlos
Fervilhando desejos

Beijar-te-ei num feitiço
E penetrar-te-ei por fim
Tornando o sonho
Realidade jorrando
Dentro, bem no âmago
De ti – tua xícara de leite
Não
Café preto



Rob Azevedo








Sol Nascente




Sol Nascente



Meu Sol Nascente
Minha Pérola do Oriente
Meu Viver Sem Poente

Por que tão longe te escondes?

Ó Gueixa
Dos Meus Sonhos!

Cale-se e não responda
Vem e acende
A luz do Sol
Apagando a do quarto
Iluminado o deixando
Apenas
Por um castiçal

Bebe comigo do cálice
Amor
E se embriague
Além se farte
Do manjar que oferto
Em tua homenagem

És o sal
Que o tempera
E o azeite
És o bom gosto
Que meu paladar
Dele sente

Do meu vinho
São as uvas teu corpo
Que me entorpecem ao êxtase
Tudo estremece

Vem e se deite
Comigo nesta noite
Permitindo que te beije
Como beija o deus
Apolo
A Terra do Sol Nascente



Rob Azevedo







A Dor da Amante de Cristo II




A Dor da Amante de Cristo II



Em pleno dia
O céu escureceu
Soprou o vento uivando
Gélido, cortante

Relampejou

Choveu
O chão tremeu
Rasgou o véu
No Sinédrio
Dos homens maus

O templo rachou
No último gemido
Do filho de Deus
Pregado na Cruz

- Tudo está consumado!
Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.


Apagou-se do mundo a Luz...

Uma lágrima desceu
Dos olhos
Da amante de Cristo
Ao vê-lo expirando
No derradeiro suspiro

Nunca mais aquelas noites de outrora!
De amores perdidos no Monte
Das Oliveiras
Jamais de volta
O amanhecer contemplando a aurora
Sobre o mar da Galiléia
Amando-nos na praia

Em Jerusalém
Nada mais além
Do que o corte
Inquisidor dos hebreus
Varrendo da História
O que em verdade foi a vida
Do filho de Deus

O dirão em suas bíblias
- Mentirosas -
Um eunuco!

A amante de Cristo
Chora
Já colhendo rosas
Para seu sepulcro

E a esposa aflita
Em casa medita
Como será a vida maldita
Sem pão nem água
Sem vinho nem canto



Rob Azevedo







terça-feira, 2 de setembro de 2008

Súplicas de um Poeta




Súplicas de um Poeta



Minha vida ficou tão sem graça...
Por que foste embora
Minha Poetisa Maior?
Causei algum atentado
Ao seu pudor?
Por favor
Volta!
Eis que agora
Só ouço
Mugidos de vacas
Magras
Balbuciando
No pasto lá fora
Escutai minhas súplicas e volta
E tampai com suas rimas
Meus ouvidos
A esses mugidos
De vacas que ruminam
Lá fora
Pois só seus versos me são belos
Aos outros quero ser cego
Se tão somente a ti venero
Noite e dia eu rezo
Para que voltes
Como outrora
Venha logo minha aurora
Passa o tempo e já demoras
Eu aqui contando horas
Dolorido aguardo sua volta
Devolvendo a poesia
A minha vida
Ou vou-me embora
Cavar minha própria cova...


Rob Azevedo








A Dor da Amante de Cristo




A Dor da Amante de Cristo



Nosso Amor é uma quimera
Aquarela
De sonhos
Tão bela
Do Brasil

Nosso Amor é uma vela
Ao vento
É a janela
Que não fecha

Nosso Amor é o conto
Da Cinderela
E a deusa
Minerva

Nosso Amor é um ponto
Sem nó
É o dó
Do Mágico de Oz

Nosso Amor são lençóis
Girassóis
Orquídeas
E nós

Nosso Amor a sós
São mil sois
Iluminando o mundo

Nosso Amor é a voz
De Deus
E seus avós

Nosso Amor é uma casca de Noz
Guardando um Royce-Royce

Nosso Amor é um corte
Aberto, sangrando
E um Norte
Para duas vidas

Nosso Amor são as filhas de Marte
Com a Sétima Arte

Nosso Amor é o mártir
E a dor da amante
De Cristo
Ao vê-lo no alto do monte
Padecido
Sob maldade cruciante

Nosso Amor é o itinerante
Do expresso da meia-noite
O martelo e a foice
Detrás do levante
Do Forte
De Copacabana

Nosso Amor é a síntese
Da antítese
Dela antídoto
E fotossíntese

Nosso Amor é um camelo
Atravessando o orifício de uma agulha
Perdida num palheiro

Nosso Amor é o réu
Diante o tribunal dos céus
E a fé dos ateus
Em Zeus

Nosso Amor são os olhos teus
E os olhos meus
Vermelhos lacrimejando
Enquanto dizemos
Adeus!



Rob Azevedo







Poesia Modesta




Poesia Modesta



Acima de mim
Deus

Abaixo de mim
Shakespeare
Camões
Pessoa
Neruda
Lorca

Qualquer trovador
Desta terra ou d`além mar
Daqui ou acolá


Rob Azevedo







Vice-Versa Ofertado Ao Ser Sagrado Mulher




Vice-Versa Ofertado
Ao Ser Sagrado
Mulher



Escrevo poemas
Como faço amor
E faço amor
Como escrevo poemas
De corpo e alma
De alma e corpo
Com fúria e calma
Paixão e delírio
De inspiração possesso
Devasso e peregrino
De um templo sagrado
Em romaria sem cansaço
Ao regressus ad uterum
Início de tudo
Cálice soberbo
Santuário sacratíssimo
Nascedouro e berço
Do Pai Altíssimo
Estrelas do céu
E contas do terço
Mãe do verso
Que encerra o soneto
Girando glorioso
A chave de ouro

Do mundo esqueço
Adentrando no ninho
Tocando com o arco
O violino
Vibrando, soando
As notas mais belas
Brilhando o halo
Na fronte coroada de heras
Gozando o orgasmo
O orgasmo gozando
Vou fazendo amor
Como escrevo poemas
E escrevendo poemas
Como faço amor

Meus versos são cantos
À glória do anjo
Dentre todos
Adornado de mais encanto:

O Ser Sagrado Mulher
Ápice do divino prazer
Que o homem pode ter

Extrema unção controversa
Que da morte liberta
Ao de amor sobre seu corpo morrer
Nascendo para a vida eterna

Ah! O suspiro, o gemido da Mulher...
O sussurro no ouvido
Os olhos turvando em gozo
As unhas nas costas cravando
Tomada de amor e paixão se confessando
Em voz suave de veludo
Doce como o mel do paraíso

À glória dessa flor
Dentre todas aquelas dos campos
A maior em fulgor
De longe a mais bela
Oferto humilde meus cantos
Pincelando em tons de aquarela
Elevando-as ao monte Olimpo
D`onde vieram essas deusas
Musas de beleza
Delicadas ninfas
Pérolas raras
Juradas
A embriagarem de êxtase
Todo aquele
Que por bem as mereça
E devotado as reconheça
Como o ser que é:

Sagrado, Sacratíssimo
Soberbo, Infinito
Belíssimo...

E após o amor concedido
- Se lhe for essa bênção rendida –
Que se ajoelhe entre seu par de coxas
Contrito de olhos cerrados
E espírito limpo
Peça:


- Dá-me em minha boca
A hóstia do seu gozo
Como a deu ao meu corpo
Ó, Minha Deusa!
Para que eu a sorva na língua
E provando-a conheça
O poder de toda sua feminilidade
Excelsa e perfeita
Em seu momento maior
De fêmea que liberta
O homem
Que a ti mereça

Amém!



Rob Azevedo









segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Poesia Indignada




Poesia Indignada




Aqui
No Templo do Melhor
E mais VIS-CE-RAL poeta de todos os tempos
Não tem meio termo

É uma obra prima atrás da outra
Menos do que isso
Jogo no lixo



Rob Azevedo






Ora-Pro-Nobis




Ora-Pro-Nobis


- Rogai por nós
Pois somos pecadores -



Quanto mais se avoluma meu engenho
Mais me avolumo do mal
E desdém
Por aquelas formigas lá embaixo
E ao próprio Deus
Me igualo

Não foi essa a história de Lúcifer?

Tanto seu saber cresceu
Que se arrogou perfeição
Superior ao do Perfeito
Expulsando-se do Céu
Descendo ao breu
Aonde vive crestado

Que o viver devolva-me o halo
Da humildade
Enquanto me calo
Para que possa ouvir bem mais
Do que dizer
E maldizer
Quem um dia me deu o prazer
De ser exaltado

Eu, trovador
Tomei emprestado
O saber de muitos bardos
Foram meus mestres
Por mim idolatrados
Ao começar a escrever
Julgava brincadeira
Rabiscada
O que vertia minha pena malcriada
Em lágrimas de vergonha
Diante à Arte
Daqueles outros bardos

Passaram-se os anos
Avolumou-se meu engenho
De mãos dadas com meu engano
E um dia vi pequenos
Meus mestres de outrora

Senti-me um Michelangelo
Da Poesia
E ofertei Odes
A mim mesmo
Celebrando-me o maior
De todos

Ah! Doce sonho de um trovador...
Devaneio de criança...
Meta que nenhuma mão alcança...

Não que seja mal
Em verdade é o mais belo sonho
Nem tampouco que seja tão engano...

O que reclamo
Minha alma investigando
É que me trouxe
O mal
Da falta de humildade
E arrogância intolerante
Com quem vejo
Através de minhas lentes embaçadas pelo ego
Deveras avolumado
Num orgulho sem tamanho
Despudorado
Desapiedado

Não tenho medo da perfeição, no entanto
Essa quimera é inalcançável
Mas no paradigma da contradição
A imperfeição me atenta
Tornando-se síndrome do pânico
Quando vôo feito Ícaro
Perseguindo a lenda intangível

Não me importa!
É essa diligência que justifica
Meu vôo mais alto
Ao ser perfeccionista
Extremista
A tal ponto que me tornei
Malabarista
Contorcionista
De palavras
Mágico ilusionista
Bastando dizer
Abracadabra!

Assim se avolumou meu engenho
E vi minha Arte
Em faca de dois gumes transformada
Me apunhalando a alma
Ferindo minhas retinas
E vi meus mestres de outrora
Meros grãos de areia
Do deserto do Saara

Nem lhes disse ao menos:

Muito obrigado!

Longe disso...

Ousei roubar suas coroas
Fazer-me Rei
Igualando-me ao Diabo

Tudo porque alguém me disse:

- Os poetas na literatura consagrados
A maioria
Não chegam aos teus pés...


Perdendo-me da humildade me achei
O maior de todos
E na verdade roubei
A coroa de Lúcifer
Arrogando-se exceder a Deus

Que Ele, o Perfeito que tudo sabe
Me ensine novamente a humildade
Para que eu não pise mais nas flores que me dão
Descendo ao breu
E vivendo nele crestado...

Pelo orgulho inflamado...

Longe, bem longe

Do teu coração...



Rob Azevedo








Aula de Poesia a Quem Tenha Humildade




Aula de Poesia a Quem Tenha Humildade



A verdadeira boa poesia
É aquela que se transforma
Em obra-prima
De Arte
E tenha coisas
Importantes
A serem ditas
Em forma de metáforas
Em forma de música
Constituída
Na oralidade

Deixe de ser tão somente
Um aglomerado de palavras
Dicionarísticas
Acertadas na estética
Para ser algo
Que impacta
E a alma
Toca

Se é de raiva
Que a sinta
Te esmurrando
A cara

Se é de rancor e ressentimento
Que sinta a força
De seu tormento
E o pé do poeta doendo
Pelo aperto do sapato
E a pedra martirizando
Enquanto se revira o estômago
Em ânsia de vômito

Se é de sátira
Que sinta humilhada
Debochada
Ridicularizada
Quem a ela é ofertada
E dê risada

Se é de desilusão
Que sinta o nada
E o cuspido azedo
No chão

Se é de tristeza
Que sinta a dor
Em toda sua grandeza
E te escorra a lágrima
Ainda que interior

Se é filosófica
Que pare pra pensar
E se transforme

Se é social
Que não se conforme
Se indigne
Chore
E grite

Se é surreal
Que compreenda
A lógica
Do Caos

Se é erótica
Que te excite
Dê vontade
E suba
Pelas paredes

Se é de amor
Que se desenlace
Do laço
Do medo
E ame
Tanto quanto
Ama um poeta
Ao dizer eu te amo
Ainda sabendo
Que mente
Deveras
Mente
Consentido
Que a mentira
É verdadeira
Verdade
E maldade

Ouça teu mestre
E suba ao palco
Do teatro comigo
Que eu te ensino a brilhar
Sob a luz do holofote
Porque dou aula de Poesia
A quem tenha humildade
Pra ouvir a voz
De uma sumidade



Rob Azevedo






Presunção




Presunção


Dai à Celestina
O que é de Celestina
E tome a ti
O que é teu

E não confunda as coisas!

Oh vaca excomungada
Que rumina
Presunção!



Rob Azevedo






domingo, 31 de agosto de 2008

Alma Penada




Alma Penada



Uma sombra me ronda
Uma alma penada me atormenta
Uma nau à deriva
Atravessa a tormenta
O Diabo zomba
Da encrenca
Lá na treva funda
Aonde em seu trono assenta

Despojado da minha sapiência
Por força da mulher que me tenta
Não compreendi o que havia além
Da reticência:

Falsa inocência!

E se foi o bem
Do meu vinho
Transformado em vinagre!

Nasceu no meio do caminho
Um cacto espinhoso
Em minha língua o gosto
Acre
Da morte

Destino nefasto, assombroso
O que um dia foi gozo
Metamorfoseou-se no negro
Das asas de um corvo

Ó, Deus, livrai-me do estorvo
De quem vive incorporada num porco!



Rob Azevedo








A Diferença




A Diferença



A grande diferença
Entre as minhas poesias
E as poesias dos outros
É que as minhas
São bebidas embriagantes
De alto teor alcoólico
E aquelas dos outros
São refrescos

A grande diferença
Entre as minhas poesias
E as poesias dos outros
É que as minhas
São picaretas, marretas, martelos
Que estilhaçam em farelos
Tudo o que há
E aquelas dos outros
São petelecos
No ar

A grande diferença
Entre as minhas poesias
E as poesias dos outros
É que as minhas
Contém o saber dos filósofos
E aquelas dos outros
O entender dos asnos

Sobretudo
A grande diferença
Entre as minhas poesias
E as poesias dos outros
É que as minhas
São almas gritando
Corações estourando
Corpos enlouquecidos se amando
Tudo impactando
Tocando, retumbando
Feito bumbo na praça alardeando
E aquelas dos outros
São mugidos de vacas
Magras
Balbuciando



Rob Azevedo






Gioconda




Gioconda



Ó, Gioconda!
D`onde me vem tantos versos
Tão perfeitos e belos?
Senão outra resposta:

Estou incorporado dos espíritos
De dez mil poetas!

Com eles converso
No silêncio de um bosque ermo
Possesso de inspiração
Na overdose da criação

Psicografo o que me dizem
Sussurrando em meus ouvidos
Cânticos antigos
Perdidos na noite dos tempos
Daqueles que repousam agora
No monte Olimpo

Ó, bela senhora!
Por que me fechaste a porta?
- Não é nada, cousa alguma me pára -
Incorporado dos espíritos
De dez mil poetas
Que agora jazem em lousas
Derrubarei vosso castelo
Como se fora o sopro do vento
Curvando frágeis lírios

Cessarão assim os rios
De lágrimas que dos meus olhos derivam
Abrigar-te-ei em meus braços
Tomando-te os lábios
Possuindo teu corpo
Esculpindo-o em alabastro

A flâmula do gozo
Que ascenderá por cada vértebra tua
Serpenteando
Enquanto estremece
Será o laço de ouro
E o brilho da Lua
A nos unir um ao outro

Adeus, meus olhos baços!
Terei então minha Ambrósia
De volta
Mais apaixonada
Do que nunca



Rob Azevedo







Pra Lá de Bagdá




Pra Lá de Bagdá



Estou pra lá de Bagdá
Bandeira, Camões, Drummond
Cecília, Florbela Espanca
Nada melhor não há
Nenhum monstro já me espanta

Enfiei na sacola
A viola dos trovadores de outrora
Que amarrem minhas alparcatas
E batam palmas
Porque me vou embora
Pra Bagdá
Bem além de Bandeira, Camões, Drummond
Cecília, Florbela Espanca

Não chegam aos meus pés
No ardil de nenhum revés
Que durmam em paz
E conversem comigo
Quando eu me for aos céus

São Pedro que seja o juiz
Na tribuna de Deus
Ao bater o martelo, eu sei
Nada melhor se verá
Os trovadores de outrora
Se renderão
Aclamando-me em glória

Foram meus mestres um dia
Os devotei toda minha idolatria
Passaram-se os anos e agora
Carrego a certeza no fundo da alma:

Nada melhor não há
Nenhum monstro já me espanta
Estou pra lá de Bagdá
Bandeira, Camões, Drummond
Cecília, Florbela Espanca


Rob Azevedo





Deus Humano de Inspiração Possesso




Deus Humano
De Inspiração Possesso


“Quanto mais alto nos elevamos
Menores parecemos
Aos olhos daqueles lá embaixo
Que não sabem voar”

Nietzsche




Quando o engenho transborda
Por todos os poros
E o homem a si mesmo transforma
Em deus humano
A humildade não importa
São linhas tortas
Ser humilde nessas horas
É voltar a ser homem
Vindo do sêmen
Quando em deuses
Somos arrebatados aos céus

Que me elevem os elfos
Ao píncaro do monte Olimpo
Ponham em minha fronte o elmo
Rendam-me glórias
Gravem meu nome em ouro
Na História

O que me importa a humildade nessas horas?
Quando a inspiração vis-ce-ral me toma
Deixando-me possesso
E assombra
Abandono a sombra
Do existir mundano
Elevando-me ao que vejo:

A mais bela miragem
De um deus humano!



Rob Azevedo






Simply The Best




Simply The Best



Cansei de dizer mentiras!
Quero ser tão arrogante
Quanto o cavaleiro Lancelot
Dizendo-se o melhor de todos os guerreiros
Do planeta
Ao adentrar em Camelot
Pois de fato o foi
Assim como sou
O melhor de todos os poetas!

Um não aos falsos estetas!

Um soco na cara
Desses bardos de proveta!

Que nenhum deles se atreva
A desafiar minhas trovas
Pois minha pena é afiada
Tal qual a espada
De Lancelot
O melhor de todos os guerreiros
De Camelot

Tão hábil e rápida
Que sem dó dilacera
Desnuda, humilha e enterra
Tudo o que vem da treva

Que meu ego se inflame
O teu se arranhe
E a (impressão) de arrogância
Te espante
Como tambor retumbante
Quebrando o silêncio ignorante
Daqueles que não têm nada a dizer

Calem-se tolos!
Deixem que eu diga!
Pois cansei da mentira
Brindarei a verdade:

Sou o melhor de todos os poetas!

Diante a mim
Perco a humildade!
São pseudo-estetas
Gerados em provetas
De vis planetas!

Nem a mais poderosa luneta
Enxerga a Arte
Em qualquer parte
Do que escrevem (e não arde)
Esses poetas

Já vão tarde!
Minha pena sem dó dilacera
Expõe as vísceras e enterra
Na funda treva
Os falsos poetas

Que eu seja o profeta
Da nova era
Poética!

Um viva à Arte!

Um amém a essa deusa
Da qual sou parte!

Simply The Best!



Rob Azevedo








sábado, 30 de agosto de 2008

Grande Verdade Eloqüente




Grande Verdade Eloqüente
- Parafraseando uma citação de Salvador Dalí -


A grande verdade é que o maior poeta do mundo
que sou eu
não sei escrever poesias.

No entanto, se puder...

Escreva alguma melhor do que as minhas!

Tenta...


Just me – Rob Azevedo







Remissão




Remissão



Se eu quem parti
Teu sentir
Juntarei os pedaços do teu coração
E farei deles
Minha oração!

Se eu quem cometi
O que me redime teu perdão
Despir-me-ei das roupas
Do orgulho
Para que me vejas dele nu
Suplicando redenção

Se eu quem me inundei
Da falta de humildade
Ajoelhar-me-ei diante ti
Clamando piedade

Se eu quem te perdi
Nas trevas da maldade
Vagarei por toda a eternidade
Morto de saudade

Se eu quem não disse
O que havia ter dito
Confessando amor aflito
Tão grande que te escandalizes
Deixarei que minha pena deslize
Ofertando a ti
O arrependimento dos meus versos

Se eu quem murchei
As rosas que me deste
Outras colherei
Que te adornem o leito
Aonde um dia, Deus queira
Ao teu lado amanhecerei

Se eu sei que errei
E contrito juro que hei
Estancar o mal que ofertei
Perdoa-me se te magoei
Permitindo que te mostre
A verdade que não morde
Teu corpo acolhe
O rancor sacode
Até que acorde
De amor tão forte
Mais cheia que a Lua
Feliz por causa tua
Ao ver-te amanhecer
Extenuada de prazer
Junto a quem te pede
A clemência que concede
Grandeza a quem a oferte

Ao beijar-te os lábios, perdoado
Que eu reze
Juntando os pedaços
Do teu coração
Fazendo deles
Minha oração



Rob Azevedo





sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Duas Metades




Duas Metades




Metade de mim é amor...
A outra metade... Horror...

De longe, pareço um mar de encanto
Do mundo o homem mais romântico
Sensível e fino

De perto, a mim mesmo espanto
O que dirás – a tu, então?

Presunçoso?
Prepotente?
Arrogante?

Zombeteiro?
Grosso?
Dado a surtos de ira?
Delirante?
Inconseqüente?

Ególatra?
Narcisista?
Despudorado?
Egoísta?

Ditador?
Insensível?
Torturador?
Sarcástico?
Frio
E calculista?

Gênio
Ou louco?

Não se aproximes demais
Mantenhas uma certa distância
Ou conhecerás
O íntimo dos animais

Consolo-me, no entanto
De perto ninguém é normal
E ainda tenho
A minha outra metade...

Essa outra parte
Vale bem mais
Infinitamente mais
Do que o ser inteiro
De dez mil normais

Porque nasci com dotes transcendentais
Geniais
De um ser único
Que se causa espanto
Por aquela outra metade
Espanto também causa
E pranto
Ao deparar-se com o dom
Assombroso
Da minha Arte

Eram os gênios loucos?

E em qualquer parte
Mesmo o inimigo me aplaude
Embora
A certeza de que...

Metade de mim é amor...
A outra metade...
Horror...

Não me idealize demais
Tampouco me desmereça
Porque também enxergo
A tua outra parte
Negra
E nessa
Somos iguais
Com a diferença
Que eu cedo a mão à palmatória
Reconhecendo-a
E tu?




Rob Azevedo





Diablo




Diablo




Cala-te!
Oh boca desdentada
Porque manejo bem as palavras
Minha pena é afiada
Feito adaga
E mata

Não me despertes a ira
Não me queiras teu inimigo
Ou nenhum abrigo
Te salvará da bomba-atômica
Da minha lira

Nem farelo dos teus ossos
Restará
Tua alma o Diabo
Vomitará do Inferno
Que não te merecerá

Cala-te enquanto podes
Conservando teu último dente
Prefira a morte
A ver-me de cólera doente

Não escolhas o destino pior
Que te trará a negra sorte
Mais escura que a funda treva
Pode supor

As almas acorrentadas
Aos anjos caídos
De ti se compadecerão
Ao saberem não estando
Em teu lugar
Sorrirão felizes
Contentes de viverem ao lado
Da Besta do Apocalipse

Por Deus se livre
Da catástrofe da ira
Contida em minha lira
Mais afiada
Do que qualquer adaga
Que dilacera a carne
Rasga
E mata



Rob Azevedo





Templo Sagrado do Belo




Templo Sagrado do Belo



O belo pelo belo se apaixona
A feiúra a si mesma procura
E blasfema
Contra a beleza humana
Não agüenta o tolo
Mirar-se no espelho
Reconhecer-se tão feio
Que do fundo do âmago
Lhe vem a ânsia de vômito
E o ódio
Pelo belo exaltado
Desde o povo antigo
Grego

Assim são os fracos
Inventores do pecado
Cheios de rubor por sua própria feiúra
Abominam o corpo
Vestem os índios

Cobrem com panos negros
Os nus de Michelangelo
Da Vinci
Renoir e Picasso

Cometem sacrilégios
Contra o corpo humano sagrado
Concebido por Deus
Em perfeição
Porque o feio
Ao belo inveja
E do prazer é apartado

Restam-lhes nos atirar pedras
Nos impor complexos
Com tudo o que diz respeito
Ao sexo

Não vamos celebrar a feiúra
Sim ao belo – que nunca haverá de nos envergonhar!
Seja do corpo ou da alma
O melhor é ser de ambos
Porque tudo se completa
Não apenas na beleza estética
Mas na grandeza interior

Não me atirem pedras
No Templo Sagrado da Beleza
Nem lhe roguem pragas
Ou lhe devotem a inveja
Porque eu enfezo
E apiedado rezo
Para que Deus se compadeça
De vós queimando no fogo do Inferno

Amém!
Enquanto me amo
Sem nenhum rubor
Ou torpeza de espírito



Rob Azevedo









quinta-feira, 28 de agosto de 2008

CENSURA




CENSURA



Não me imponha a vergonha!
Porque nunca me envergonharei da beleza do meu corpo
Se um dia posei de modelo
Para a escultura que os gregos
Fizeram do deus Apolo

Não me imponha o complexo
Com a nudez do meu sexo
Diga suas coisas sem nexo
E deite você
No divã do analista!

Discuta com o sexólogo
Seus traumas controversos
Enquanto converso
Com meus versos

Para o verdadeiro artista
O belo é excelso
Jamais castigado
Vestido e dito pecado

Não confunda as coisas
A Arte é bela
A pornografia vil mazela

Não dê uma de trouxa
Indo à capela Cistina
E tapando com panos negros
As pinturas de Michelangelo
Retratando
O nu humano
Na criação do mundo

Nem se enrubesça
Com a obra prima de Renoir
Ao pintar suas musas
Nuas
Banhando-se num lago

Volte ao analista
Faça mais uma consulta
Mas não me endoideça
Pois sou artista
E sei que a Arte
Não se censura



Rob Azevedo







quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Crise de Estrelismo




Crise de Estrelismo



Todo artista
Quando aparece
É dado a crises
De estrelismo
Eu tenho as minhas também
Sem nunca ter aparecido
Que não fosse
Para meia dúzia
De gatos pingados
Malhados
Contados
A conta gotas
Que me idolatram
Nem sei por quê
Se na verdade
Nem sou artista
Só escrevo
Umas bobagens
E me dizem:

É Poeta!

Ou talvez, quem sabe?
Até eu seja
E esteja na estrada
Underground
Trilhando-a no anonimato
E algum dia
Quando meus cabelos houverem embranquecidos
Eu brilhe
Nos círculos literários
Sendo reconhecido
E estudado
Em cada escola e faculdade

Quem sabe ainda mais?
Eu arrume mesmo algum trocado
Que me dê para comprar um túmulo
No Jardim da Saudade
Pois o tempo
Haverá chegado

Tudo é tão hilário
Que eu me divirto
Com meu sarcasmo
E explodo em crises súbitas
De estrelismo
Diante minha legião
De meia dúzia de fãs
Atônitos

É que eu me vejo em devaneios insanos
Um grande artista
Sob as luzes
Da ribalta
No palco imaginário
Do Carnigge Hall lotado
Sendo ovacionado
De pé

E também por quê
Eu sempre estudei a biografia dos grandes artistas do passado
E eram loucos de fato
Passíveis de atos
Impensados
Espantosos
Surreais
E boçais

Espelhei-me neles
E procuro de vez em quando pra quebrar o marasmo
E focar as luzes da ribalta sobre mim
Surtar diante todos
Que sejam meia dúzia de gatos pingados
Em meu delírio
São a platéia
Do Carnigge Hall lotado
Boquiaberta
Assustada
Com tanta loucura surreal
Mas vinda de um grande artista
É uma tacada genial
Estampada nas manchetes
Dos jornais
Mundo a fora

Tudo isso impulsiona as vendas
E se enriquece
Fomentando escândalos

Medito nessas coisas
Mas eu sou apenas
Um poeta underground
Só conhecido
Por meia dúzia
De gatos pingados
Malhados

Ainda assim o fato
É que me idolatram
Me bajulam demais
Acham que sou o máximo
E eu acredito
Até que surto
Subindo ao picadeiro
Sendo um palhaço de circo
Mas daquele bem famoso
Considerado
Um grande artista
Fenomenal

Na verdade sou o macaco
Que come as pipocas que lhe atiram

Fico cheio de vontades
E caprichos
Assentado num trono de ouro
Como um Rei
Porque meia dúzia de gatos pingados
Malhados
Acham que sou o máximo
Até que eu acredito

Crise de estrelismo
É isso...
Perder a humildade
Se julgar um deus humano
Sendo o maior
De todos os insanos

Perdoa-me, Meu Sol
Tudo aquilo foi só
Um ego que inchou demais
Se achou
E estourou
Diante
Meia dúzia de gatos pingados
Malhados

Rezo
Que apesar de tudo
Tu nunca deixes
De ser um deles
Acreditando em mim
Enquanto caminho
No anonimato




Rob Azevedo







Sátira da Sala de Estar




Sátira da Sala de Estar



Em tua sala de estar
Pe-ne-trei
E barbarizei
E tuas primas escandalizadas
Com a beleza das rimas
Escritas em meu corpo
Invejaram-te, eu sei
E me maldisseram pelas costas
Fomentando fofocas
Cobiçando o que é teu

Ah! E aquelas velhacas também...
Mal amadas
Celibatárias
Um não sei o quê
Um ninguém quer
Protótipo de mulher

Não sabem mais o que é o prazer
Desde mil novecentos e seis
Fizeram seus discursos hipócritas
De falsa moral sórdida
E me apunhalaram
Fechando a porta

Mas Deus escreve certo por linhas tortas
E nos vimos a sós
Trancados em teu quarto
Rangendo a cama
Enfiando o parafuso
Na porca

E só a ti coube então
Contemplar o belo
Go-zan-do comigo
Daquelas senhoras
Mal amadas
Invejosas



Rob Azevedo







Ode ao Sol MAIOR




Ode ao Sol MAIOR



Mero sopro
De um Bufão Surrealista
VIS-CE-RAL
Inspirado por um Sol

MAIOR

Bem MAIOR

Que o poente sem arrebol

Dos cães doentios de cólera

Que ladram

No bosque florido

Da minha poesia...

E minha grandeza de espírito

Vive bem além

Da hipocrisia

E de tudo o que escandaliza...


Porque você é o meu Sol

MAIOR

Bem MAIOR

Que o poente sem arrebol

Dos cães doentios de cólera

Que ladram

No bosque florido

Da minha poesia...



Rob Azevedo







Carta aos Hipócritas




Carta aos Hipócritas



Deixa as coisas assentarem
A poeira baixar
O tempo mostrar
Quem somos de fato
Na verdade invejados
Porque damos Ibope

Se escabelam os loucos
Abandonados
Despontando
Para o anonimato

Blasfemam
Caluniam
Proliferando intrigas
Se dizendo cordeiros
Quando são víboras

O belo eu canto
Sou amante da perfeição estética
Não do lixo
Aonde vivem os ratos

Se os louros da fama
Me brindam
Reclamam os porcos
No escuro da sarjeta

Oh feiúra que abomina minha alma!
Encontre tua lápide lá fora
E deixe que eu viva
Porque nasci
Para brilhar
Ser estrela

E tu que me olhas de lado
Cochichando pelos cantos
Resmungando?

Nunca foste Cinderela
Já nasceste abóbora!

Abracadabra
Morre logo e vai embora
Encontrando tua lápide lá fora
No jazigo do esquecimento
E que eu viva feliz
Gozando meu talento
E as bênçãos
Que Deus me deu



Rob Azevedo








terça-feira, 26 de agosto de 2008

Aos Retrógrados Cabeças de Fósforos Riscados




Aos Retrógrados
Cabeças de Fósforos
Riscados



Às mal amadas
- Digo sem ser vulgar! –
Deixo o meu riso de escárnio
Exemplar
Troçando dessas damas eunucas
Frustradas!
Mal amadas
- Digo sem ser vulgar! –

Um viva!
À liberdade dos gregos antigos
De Atenas
Berço dos poemas
Do teatro
Da Olimpíada
Da filosofia
E da boa vida!

Hedonistas
Sejam bem vindos
Aos meus versos
Alexandrinos

Um viva!

À Santíssima Virgem Mãe das Ex-Donzelas

Repudie do mundo as mazelas

E salve nossas messalinas

Pois delas

O ventre é bendito

A vida mais bela

Salveeeeeee!!!

Baco salve nossos bêbados bacantes!!!

Salveeeeeeee!!!

Homero, Aristófanes, Horácio
Cratino, Sólon
Epicarmo, Ésquilo...
Deuses Poetas nós te saudamos
Desde à Grécia à Atlântida e Parnaso!!!

Salveeeeeeee!!!

Salve, salve
Abençoado o Amor
E a falta
De pudor

Salve as estátuas de mármore
Grego-Clássicas
Estandartes
Da beleza do corpo
Humano

Salve as pinturas de Michelangelo
Da Vinci
Dalí e Picasso

Salve a Terra
Do Pensamento Livre
E enterra
O pecado
Da Idade Média

Salve Woodstock
Jimmi Hendrix
E Janis Joplin

Salve a beleza
Dos índios
Meninos de Deus
Vivendo
No paraíso
Sem o rubor
Que entorpece
E envergonha
A natureza
Humana

E tenha piedade daqueles
Eunucos e eunucas
Que não entendem
Nossa vasta cultura

Oh! Vossas feiúras
Nunca serão decantadas
Em meus versos

Nossas meninas
São Cinderelas
E aquelas vossas?
São abóboras!

Nossos meninos
São mais belos
E aqueles vossos?
O remelo
Nos olhos
Cegos

Salve minha bomba
Poética-Atômica
Que explode nas cabeças
Dos retrógrados e boçais
Derretendo seus miolos
De equívocos abissais



Rob Azevedo






Palhaços




Palhaços



O bumbo retumba na praça

Palhaços!

Grito...

E o bumbo retumba na praça...

Palhaços!

Palhaços!

Grito
E vomito
Rostos coloridos
Trajes espalhafatosos
Semblantes asquerosos

Piadas sem graça...
Despudoradas
Ah!

Que comédia malfadada
Hilária
Só a vida desses palhaços
Abrindo o riso
Amarelado

Palhaços!

Palhaços!

Palhaços!

Grito...

E o bumbo retumba na praça...



Rob Azevedo





Toda Nudez Será Castigada




_Toda Nudez Será Castigada_



O que me importa estar sem vestes
Quando estou despido da alma?

Refém
Entregue...

Não vedes
O perigo ao qual me exponho?

Uma alma nua
Causa muito mais pudor
A quem de sua roupagem
Se despe

Apague a luz, por favor!
Não quero que me veja
Como sou
Espiritualmente nu

Não que do lúmen interior de mim
Eu me envergonhe
Mas por medo
Que me abocanhe
Enxergando-me como sou
Indefeso, portador
Da inocência das crianças
Quando choram
Longe dos pais

No reservado do quarto
Sobre lençóis
Nossos corpos se acolhem
Nus
Como adultos que se amam
Sem nenhum castigo
Mas a nudez interior
Que desvendo
Aos teus olhos
Por si só
Me castiga

É o poder do Amor
Que me despe
Entregue
Em tuas mãos
Sem que eu saiba
Se o bem que devoto
Será inocentado
Ou julgado culpado

Clemência por meus pecados!
Dá-me um castigo menos amargo
Do que viver banido do teu sorriso
De que tanto preciso

Permita que eu sempre o vislumbre
Em minha vida
Pois nela trago
Da alma despida
A inocência das crianças
Quando choram
Longe dos pais



Rob Azevedo - Dedicado com todo carinho à uma poetisa MAIOR que o Sol...







segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Mercador de Ilusões




Mercador de Ilusões
- Dedicado à Megg, 25/08/2008 –





Poetisa não creia
Em tudo o que diz os poetas
Nós mentimos demais
Por tanto amarmos o Amor
E dele precisarmos em nossas vidas
A cada instante
O forjamos
Para que nosso coração se inflame
Transbordando em poesias

Ah! Vistosa quimera!
A paixão na verdade
É pela beleza estética
E sentimental
Do que escrevemos
E pela utopia
Do Amor em si

Todo poeta é um Narciso
Se mirando nas águas do lago
Onde o lago é a branca folha
O que vê seus versos

Abrigam lendas
E contos de fábulas
O mundo perfeito
Das terras de Platão

Passaram-se os tempos
Ainda vemos
Rainhas e princesas
Cavaleiros e reinos

Trovadores medievais apaixonados
Recitando seus escritos
Debaixo da sacada
D`alguma nobre dama
Da eterna Verona

Ah! Vistosa quimera!
Embebeda e vemos
O que ninguém enxerga!

Contudo, poetisa, não creia
Nessas miragens líricas...

São ilusões
Bailando no deserto...

Eu mesmo um dia cri em meus versos
Amanheci tão ébrio
Que em verdade amei
O que eu mesmo criei
Sem que sequer existisse

Eu, mercador de ilusões
Comprei
O que eu próprio vendi:

Uma garrafa verde pálida
De licor Absinto embriagante
Onde li no rótulo
Só após esvaziá-la:

DESENGANO!

Ah! Que bufão demente!

Continha a água
Do lago onde contemplei refletida
A beleza dos meus versos
Dela bebi
Cada gota
Sedento
E morri
Não afogado como Narciso
Mas embriagado
Do asco
Que me tornou fantasma...

Não creia, poetisa
Em tudo o que diz os poetas!

Pode haver alguma verdade escondida
Na entrelinha
Onde se abriga
A lâmina afiada
Da adaga
Que mata

Ó morte!
Que torne
Verdade mentirosa
No cálice da rosa
Aonde moribundo da treva
Encontre meu sepulcro
No derradeiro suspiro
Que encerra
Minha vida de poeta

Que então eu me transforme
Na metamorfose
Não num Narciso à margem do lago ilusão
Mas em alguém
Que ame
Outro alguém
De carne e osso
Tal qual é...


Rob Azevedo






domingo, 24 de agosto de 2008

Paz Dominical




Paz Dominical



Eu odiava tanto
Essas tardes de domingo
Agora estou amando
Um brinde ao ócio
Ao encontro consigo mesmo

Refugiar-me em meu quarto
Deitar na cama esparramado
De papo pro ar
Sentindo o perfume de Sândalo
Do incenso
Ouvindo um canto gregoriano

Um tempo pra pensar...
Um tempo só pra mim, me namorar
Relax, zen

No dia frio
Ler um livro
Ver na TV algum documentário
Escrever um poema
Ouvir música
Meditar

Esquecido do mundo:
- Eu dele e ele de mim -
Bem a sós comigo
Gozando despreocupado, as horas
Que passam lentas

Ir à cozinha
Comer uma fruta, tomar um sorvete
Um suco
E voltar
Pro refúgio do quarto
Nele trancado
Sem incômodo algum
Em plena paz
Imperturbável
Como se estivesse
Num templo
Sagrado
Encravado
No Tibet

Lá, bem longe, aonde ninguém sabe onde
Esquecido do mundo
- Eu dele e ele de mim –
Bem a sós comigo
No Horizonte Perdido
De férias de tudo
Em momentos de grande paz...

Introspecção
Pausa para meditar
Dedicar-se
Ao mundo intelectual
E espiritual

Assim descubro
- A melhor companhia que tenho
Sou eu! –

Que passem lentas as horas
Esparramado na cama
Espreguiço
Sem vontade
Como um gato no quintal
Numa tarde de Sol

Celebro o ócio
O descanso da mente e do corpo
Ouço
Uma sonata de Bach
Sinto
O perfume de Sândalo no ar
Leio um livro
Penso em alguém
Imagino mil coisas, em sonho desperto
E escrevo um poema

Gozo
Profundamente
A impressão
De estar inteiramente
Esquecido pelo mundo
Por todos

Têm horas na vida
Que esse esquecimento
É o que mais desejamos

Então podemos
Encontrarmo-nos com nós mesmos
E resolvermos
Nossas pendências íntimas
Acomodando as coisas
Recuperarmos
Nosso equilíbrio psicossomático
Anímico

Nenhuma chamada telefônica
Receberei
Nessa tarde vazia
Ninguém virá bater à minha porta
Nenhum vizinho
Com algum problema banal
Ou qualquer coisa que seja
Haverá de me importunar

Nem o cão
Latirá no quintal
Quebrando o silêncio
Dominical

Ajeito-me na cama
Reclino a cabeça no travesseiro
Enfurnado no edredom
Aconchegado
Aquecido
Eu esquecido do mundo
Ele de mim
Em perfeita paz
Celestial



Rob Azevedo





sábado, 23 de agosto de 2008

Ego Trip




Ego Trip



Antes do alvorecer
Hei de escrever
Algum poema...

Não tenho andado lá
Muito inspirado
Na verdade fatigado
Achando tudo banal
As palavras me fogem
Escorrendo entre os dedos
Como água

Será que meu mundo
Não será mais como outrora?

Em que minha pena
Deslizava
Tão fácil nas brancas folhas
Criando lendas e fábulas
Em metáforas
Encantadas

Ainda não veio a aurora
Que minha alma
Dê à luz
Na escuridão de agora

Talvez eu, peregrino
Tenha me perdido
No caminho que conduz a mim

Talvez isso e aquilo...
Tanta coisa
Que matou
Meu lirismo...

Passam horas
Cintilam estrelas lá fora
Um cigarro, um café
Acompanham meu drama
Riscando o último fósforo
Para que acenda a chama

Já não penso
Sou todo sentidos
Sinto frio
A sombra me envolvendo
O silêncio da noite
E o vazio

Quando menino
Queria ser o meu cão vira-lata
Achava aquela vida tão descomplicada
Dormindo o dia inteiro
Vez ou outra latindo
Bastava uma lata de água
Outra de comida que sobrava

Ou então uma coruja misteriosa
Piando na noite alta
Tendo o ninho ninguém sabe aonde

Imaginei também
Ser um fantasma
Um gnomo e um duende

Ainda quis
Ser um eremita
Vivendo numa cratera
D`algum planeta perdido

Por que eu
Tão misantropo
Nasci no seio
Desse formigueiro humano?

A mim, estou habituado
De tal forma
Que me é custoso
Habituar-me a outros

O espanto que me causo
Sendo estranho e incógnito
É ameno
Diante ao que me causam:

Puro estupor insólito!

Tenho a sina
De seguir minha trilha
Sozinho
Não quero ninguém
Que me acompanhe
Nem me amole

Vagueio de um pólo
Ao oposto
Sou grego e troiano
Desdigo o que disse
Sou lagarta
Crisálida
E borboleta

Metamorfose!

Apareço e sumo
Brilho e apago
Rio e choro
Vou e volto

Ninguém me entende!

Sou uma multidão interminável
De personagens
Em mim mesmo
Em constante batalha
Um contra o outro

É tão árdua a luta
Que me vejo deveras
Cansado e envelhecido
Parecendo ter nascido
Antes de Cristo

Quem sabe nada disso
Apenas eu, andarilho
Encontre-me
Nalgum pólo indefinido

Têm dias em que tudo desaba
O que era doce acaba
E encontrar o fio da meada
Num emaranhado tão intrincado
É pagar promessa
No Muro das Lamentações
E dando a sétima volta
Em torno do Kaaba

A senda de um poema
Filosofal
Quando inicio a jornada
Confuso
Para mim é tão longa e penosa
Que no transcurso da viagem
Ao fundo da alma
Perco-me de mim
Mil vezes
Encontrando-me fragmentado
Aos cacos
Lá embaixo
Reunindo meus pedaços

Nem tudo é tão mal
Minha sorte
É que no último verso
Sempre renasço
Num Girassol



Rob Azevedo






Chá de Boldo




Chá de Boldo



O passo torto
Na calçada escura
O mundo à penumbra
Sopra o vento uivando
Ao longe, cães ladrando

Fria madrugada, embriagada
Seguindo a estrada
Ruídos
De pegadas

Aonde vais?
Ó alma atormentada?

Nos becos
Ecoam
Seus ais

O corvo te espreita
Do telhado da igreja...

Tu caminhas sem destino
E se depara
Com a encruzilhada...

Aonde vais?
Volta pra casa?

Ah! Na embriagues dos sentidos
Esqueceste...
Já não tens morada!

E agora
Ó alma penada?
Nem a encruzilhada
Aonde a duvida paira
Te agonia
Qualquer caminho
Te leva ao nada

Já não tens escolha
Perdeste a morada
Só te resta
O chá de boldo
Que te cure
A ressaca



Rob Azevedo







quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Prats dels Cremats - Testemunho de uma vida passada




Prats dels Cremats

- Testemunho de uma vida passada –
"Als cathars, als martirs del pur amor crestian.”





16 de Março de 1244…

Os cruzados logram sucesso
No assalto à fortaleza de Montségur
E nós cátaros
Negociamos a rendição da praça forte...

- Heréticos! Heréticos! Heréticos! Esbravejam os cruzados...

Aqueles que renegarem à fé cátara serão poupados
Da fogueira inquisitória!

Nossas senhoras e crianças choram
O desespero aflora
É consumado o fim
Da resistência cátara em Montségur

Tudo em nome
Da Igreja que se arroga
A ser a voz de Deus

Ó cegos
Magistrados do Diabo!
Vil pecado
É abarrotar os cofres
Da Basílica
Com ouro roubado!

Ó cruzados!
Tua Santa Igreja latifundiária
É covil de endemoniados
A serviço dos monarcas
Tiranos
Que impõe armas

Papas, Bispos, Cardeais
Toda corja
De parasitas prepotentes
Espalhando ais
Pelos quatro cantos do mundo
Sangrando, morrendo, faminto
Em nome de reis, príncipes, duques, condes
Trupe infame de aristocratas empedernidos
Auto-intitulados nobres em arrotos de porco
Ostentando diademas
Cinzelados pela Besta

Nossas crianças e senhoras gritam e choram
Desoladas
Mirando desesperadas esposos, pais, filhos, irmãos, companheiros
Sangrarem pela espada,
Por arqueiros das trevas
E dilacerados
Por pedras lançadas
De catapultas malditas

Nosso lar arde incendiado
Sob as chamas do Diabo
Nos saqueiam os cruzados!

Sangrenta chacina
Em nome de Deus
Onde tudo é heresia
Abissal covardia!

Os últimos combatentes cátaros
São dizimados
Aos olhos
De nossas crianças e senhoras

Não há saída
Tudo está perdido
Negociamos a rendição da praça forte

- Heréticos! Heréticos! Heréticos! Esbravejam os cruzados saqueadores endiabrados...

Aqueles que renegarem à fé cátara serão poupados
Da fogueira inquisitória!

Abro o peito e grito:

- Não renego!
Nosso Deus seja louvado
Não o Diabo dos saqueadores cruzados!

Todos se emudecem temerosos
Espantados
Meus companheiros se calam
Crianças e senhoras choram

Silêncio e olhares aflitos
Diante à morte cruciante na fogueira
Queimado vivo...

Agarra-me o braço um cruzado
Esbofeteia-me, chuta-me
Insulta-me
Corta meu rosto
Com a lâmina da espada
E sangra

Preparam a pira crematória
Escarnecendo de nós cátaros
Em nome do Santo Deus-Diabo

Silêncio e olhares aflitos
Crianças e senhoras choram
Vou sozinho
Ser queimado vivo...

De súbito
Uma voz se levanta:

- Em nome do povo cátaro
Também não renego
Minha fé!

E mais outra e outra e outra
Se vai ouvindo
Vencendo bravamente o medo
A vida e a morte
Com um sorriso valente de orgulho no rosto...

E somos duzentas vozes destemidas
De homens e mulheres
A não renegarem a fé

Ó servidores das trevas
Mais trabalho a vós damos
A pira crematória
Há de ser grande
Imensamente grande
Tão grande o quanto
Nossa fé
Diante a vida e a morte

Aos cantos de louvores a Deus
Somos amarrados nos mastros
Sobre a palha e madeira seca

É ateado o fogo...

Agonizamos em êxtase queimados vivos
Nos Prats dels Cremats

É o fim da resistência cátara em Montségur...

E início de uma lenda
Que atravessando em vidas séculos
Não esquece dos campos
Neles semeando não a morte no fogo
Mas o Amor em Versos



Rob Azevedo






domingo, 17 de agosto de 2008

Confissão




Confissão




Não!
Esse não é mais um poema de amor
Entre tantos
Fujo da desculpa
De que tudo é eu lírico
Devaneio de poeta...

Entenda minhas palavras
Como uma confissão direta
De alguém apaixonado

Uma ou outra metáfora
Sempre existirá
Rimas e cuidados
Com a escrita
Dando ares
De literatura
Mas não é
Senão uma confissão
De alguém apaixonado
Abrindo o coração

Prato farto
Para a imaginação de tantos
Que se perguntam:

- Será verdade?

Meus versos
São verdadeiros
Afirmo e não minto
São vindos
Do mais profundo
Amor que sinto

Não se contentam e perguntam:

- A qual dama
É dedicada
Tão ardente chama
De paixão e encanto?


Àquela
Que meus olhos enxergam
Como a flor mais bela
Dentre açucenas
Rosas e camélias...

Àquela
Que nenhuma aquarela
Reproduz seus matizes
Inigualáveis
Contemplados
Pela benevolência do Sol
E transcendência das pedras
Preciosas

Suas longas madeixas
São delicados fios dourados
Pelo arrebol
Colorindo manhãs felizes
Em tons purpúreos

Seus olhos
São dois rubis
De valor sem igual

Sua boca
É oásis
A mim, sedento
Fonte
Da qual bebo
Diante
Qualquer outra
É veneno

Seu corpo
Meu templo
Sacratíssimo
Aonde adentro
De espírito
Limpo

Sua alma
A pureza que canto
Banhado em pranto

Seu nome
Traz em si
A perfeita rima
A quem se confessa
E pensam:

- Escreve poesia!

Não!
É tão somente
Uma confissão direta
De amor
Amor
Amor
Amor e mais amor
Por Olívia...



Rob Azevedo








sexta-feira, 15 de agosto de 2008

No Teu Colo




No Teu Colo




Eu, homem
Defronte você
Sou menino
Querendo abrigo
No teu colo

Indefeso, perdido
Choro ouvindo
As batidas
Do teu coração

Silencio o soluço
Tremo
Devagar me acalmo
Fecho os olhos
Ao canto
De uma canção
De ninar

Amar
É navegar em mar
De contentamento...

Menino, enxugue teu pranto
Passou o tormento
O Sol amanhece
Dourado a brilhar

Passa o dia e anoitece
De mãos dadas comigo
Será doce
Teu caminhar
Colhendo
Estrelas
Ao luar


Secou o pranto
Ao canto
De uma canção
De ninar

Sereno adormeço
Aninhado no seio
Entrelaçado nos braços
Da menina mulher
Que Deus queira
Mereço

O Amor baila
Magnífico no ar
Transmutando o inverno
Em primavera
Aonde floresce
No jardim
A flor
Mais bela
De um Jasmim

Sonhando desperto
Adentrando no Templo de Eros
Cresço
Num suspiro uníssono
Com a lua
Menina crescente
Endoideço
Brindando
O cálice transbordante
Do Amor
Toque de Midas
Que me torna
Homem feito

O orvalho das manhãs
Que atravessaram em suspiros a noite
Escorre
Sobre dois corpos
Encharcados
Lado a lado

De menino
Indefeso, perdido
Choramingando
Ao longo do caminho
Sou homem feito
Feliz, sorrindo
Com a lua
Outrora
Menina crescente
Agora
Mulher cheia
De Amor
Gratificante

Dá-me teu colo
Mais uma vez
Ó flor que eclipsa
A luz da aurora
E cante
Como antes
Uma canção
De ninar




Rob Azevedo







quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Não Tem Segredo - Nem pra você, nem pra ninguém -




Abaixo é uma letra de música no estilo MPB.






Não Tem Segredo
- Nem pra você

Nem pra ninguém -



Já nem sei
O que dizer
Pra você
Amor

Enfeitei
A Lua
Com uma flor

Inventei
O menino
Trovador
E andei
Sozinho
Pela rua
Do Ouvidor

Ah! Meu Amor
De mãos dadas contigo
O adeus
Pra Dona
Dor

Ah! Meu Amor
Contigo eu vou
Pra onde
For

No teu seio meu abrigo
No meio do Sol o esconderijo
Em teu espírito
O sonho mais bonito

Meu Amor não tem segredo
Nem pra você
Nem pra ninguém

Não sei se é meu ouvido
Mas o vaivém
Das ondas
Sussurram
Teu nome

Olívia

Olívia

Olívia




Rob Azevedo









domingo, 3 de agosto de 2008

No Caminho do Mar





A composição a seguir é uma letra de música no estilo MPB.






No Caminho do Mar

(Rob Azevedo)



No caminho do mar
Eu vou te encontrar, eu sei
Eu vou te encontrar, eu sei
No caminho do mar

Na beira do mar
Vou me afogar, eu sei
Vou me afogar, eu sei
De tanto te amar

Castelos de areia
As ondas não vão levar
As ondas não vão apagar
Corações desenhados na areia

Iemanjá
Mãe da sereia
Me dá certeza
Noite traiçoeira
Não virá

A Lua é cheia
Olívia a estrela
A me guiar

Vou sair pro mar...

Na senda prateada vou seguir
Até onde a Lua beija o mar

Vou te encontrar...

Olívia, Olívia
Sereia bonita
Filha de Iemanjá



***Em negrito repete 3 vezes.







segunda-feira, 28 de julho de 2008

Castelo de Montsegur




Castelo de Montségur



Nasci com dote
De ser fantasma
Atormentado
Por fantasmas

Minha casa
É na treva
Aonde a porta
Está fechada

Trancada!

O cadeado não se quebra

A canção que ecoa
Por lúgubres corredores e átrios
É o réquiem
Dos desenganados

Desalmados!

À noite saio
Deixo o castelo
De Montségur

Desço a íngreme colina
Perambulo pelas vielas
Da cidadela
Abandonada

Deparo comigo
Condenado
Não paramentado
Pelas vestes de um cavaleiro consagrado
Mas aos farrapos
Escondendo o corpo em chagas
Com a mortalha
Dos amaldiçoados

Como os ratos
Entre as ruínas
Busco o limbo
O chão pisado
Entrando
Nos canais
Subterrâneos

Há um tesouro
Emparedado
Lá embaixo
Pelos cátaros

A encontrá-lo
Estou fadado
Até que a vida
Me leve da morte

O Santo Cálice!

Depositário do sangue
Do Mestre de antes
Portal dos mundos
Única chance
Para que a vida
Rebelde e compungida
Me leve da morte
No luzir da aurora
E me torne
Como outrora
Cavaleiro
De luz irradiante



Rob Azevedo








terça-feira, 22 de julho de 2008

Dama da Noite




Dama da Noite



Ó Dama da Noite
Vem derramar em minha boca
O bálsamo da tua doçura
Vem, me beija, me incendeia
Por Deus seja feita
A alquimia!
Desata o laço
Das madeixas
Despe tuas vestes
De princesa
Em nosso leito se deita
Entrega o corpo casto
Ao teu nobre bardo

Por ti cantarei
Enquanto sinos badalam
Por ti morrerei
Jazendo em gotas de orvalho
No teu íntimo amado

Ó, sonho um sonho não sonhado
Tu dormes ao meu lado
Reinando
Em meu coração
Libertado

Se a ti
Coube a mim
Fazer-te mulher
Ser o primeiro
A desvendar
Teu segredo
Entrego-te
As chaves
Do meu reino

Tua fronte adornarei
Não por ouro
Nem quimeras
Mas por heras

Lá no alto
Aonde brilha
A prateada esfera
Erguerei
Nosso castelo
Cravejado
De pérolas

Símbolo ao eterno etéreo
Imaculado
Canto de um ébrio
Alvejado
Pelo Amor
Sem pecado



Rob Azevedo








Camelot




Camelot



Acende lá no fundo da alma
O archote
São as luzes
De Camelot
Na colina imponente
Em rosa brilhante
O Joyous Garde
Ao cair da tarde

Avante carruagem!
Sigamos viagem
Ao reino de Arthur
E seus cavaleiros
Estandartes de coragem
Na Round Table
Da igualdade

Da pedra
Tiraste água
Tornando-te rei
Erguendo a espada
De Excalibur

Ó Arthur
Tu és o escolhido
De Merlin
E abençoado
Pela Dama do Lago

Toda Bretanha
Enfim unida
Nas mãos merecidas
De um rei ungido
Pelo saber divino

É tempo
De uma nova ordem
Instaurada
Pela nobreza
Do teu caráter

Rangendo carruagens
Cruzamos o bosque
Arautos do reino
Saúdam à Guinevere
Ressoando trombetas

A eleita
A coroar-se rainha
De Camelot

Ah! Tudo tão perfeito
Não fosse o Amor
Articulado
Nos bastidores
Do reino
Em nome
Da dinastia

Pelo erro
Caem em chamas
Tua dama
E teu mais fiel
Guerreiro...

Ó Arthur!
Do coração não se escolhe
Dono, nem dona
Amanhece
Feito Sol no horizonte
Abre-se
Como um botão de rosa

Vem vindo a carruagem
Rangendo
Os cavalos relinchando
Trazendo
Lady Guinevere

O céu se nubla
Detrás das colinas
Sombrias
Troveja
Voam em círculos
Aves de rapina
Cintila
Sob a luz tênue do Pôr-do-Sol
O aço da adaga
Que atraiçoa

A serpente
Mira fixa
A maçã da ruína

A utopia
Foi derribada
Pelo que arde
Dentro da carne

Ó Arthur
Lendário rei da Bretanha
Eram grandes demais
Teus ideais
O dragão da cobiça
Rugiu
A mesa redonda se partiu
O reino ruiu
Teus cavaleiros
Mataram-se todos
Tornando-se carniça
Manjar de abutres
Famintos por poder
Ouro e prata

Ah! Nem ruínas
Do teu castelo
E cidadela
Restam...

Ao menos
Sobrevive a lenda:

King Arthur and the Knights of the Round Table

Vencendo o tempo
No cruzar dos séculos
Que se sucedem

Ó cavaleiros
Descansem em paz
No além
Envoltos em brumas
De Avalon


Rob Azevedo








terça-feira, 15 de julho de 2008

Dona Flor e Seus Dois Maridos




Dona Flor e Seus Dois Maridos

Com eu lírico feminino – Por Dona Flor




Quando me penetras
Ó meu amor vadio
Sinto que me despertas
Em pleno cio

Por ti rogo
Revirando olhos enquanto gozo
Com todos meus poros
Sou puro instinto
Felino
Eriçando pêlos

Despe com fúria minha roupa
Liberta a tempestade de desejos
Deixa-me louca

O amor com que me abençoa
Tudo perdoa
Minhas economias
Arrancadas a tapas no rosto
Gastas no jogo
Tuas mulheres da vida
Teus passos tortos
De tão ébrio
Ao voltares pra casa
No término da madrugada

Ó meu gigolô, confesso
Molhada de suores
Abrindo-te meu coração e as pernas
Por ti meu sexo arde
Em chamas que não se apagam
Os lençóis da cama incendeiam
Ao me possuíres
Como bem queres

Enlouquecida de vontade
Te trago da morte
Para que jorre
Dentro de mim teu gozo

Ó meu amor proibido
A aliança de agora
Não é nada
Quando tu me desfloras

É limbo
Sem graça, nem libido
É tempo perdido

Sou tua fêmea no cio
Que sacio
Somente contigo
Ó meu amor vadio!



Rob Azevedo





Princesa




Princesa




Minha princesa menina mulher
Tuas palavras são cantos
De pureza em meus ouvidos
Tua presença a leveza
Que alivia o fardo da minha alma
Tão cândida
És a castidade que outrora
Desencantado
Busquei na Lua...

O quão doce são teus sonhos de amor!
Concedem a mim a crença
Em lendas
Incólumes
Nascidas do coração
Santificando o puro sentimento
Do encantamento que há
Entre um homem e uma mulher
Devotados um ao outro
Em cada pensamento

Um amor assim de todos
Algum dia já foi sonho
Verdadeiro
Único
Leal
Inocente
Confiante e calmo

Desperto
O vejo em teus olhos
Amor digno
De romances que emocionam

Enfeitiçado
Contemplo
A mais bela imagem
Dos meus ideais de poeta...

Todas quimeras
Que cantei em devaneios em meus versos
As encontrei em tua alma
Isso me acalma, me embebeda

Transfigura o deserto
Em bosque florido
Onde se abriga um castelo
Às margens de um lago

Ó, se aquietem todos!
Teus olhos não vêem o que vejo
Deixem que eu contemple desperto
O sonho mais belo

Não vêem os cisnes no espelho das águas desfilando?

Os pássaros silvando pousados nos galhos dos arbustos?

Os íngremes montes ao fundo cobertos de neve?

As cabras pastando nos outeiros?

As gazelas correndo nos prados?

Ó, eu vejo até com os olhos cerrados!

Eu vejo minha princesa de pureza que vem
De seu castelo
Vestida de azul

Menina mulher de longas madeixas
Derramando-se sobre as espáduas nuas
Seus olhos me fitam e sorri
Eclipsando a luz do Sol

Sou seu príncipe
Chegando num cavalo branco

Sempre serei
Seu príncipe
Ela
Minha princesa

Desço da montaria
Tiro o chapéu
Ajoelho-me diante da deusa
Beijo-lhe a mão
Oferto-lhe um buquê de rosas

Ó, numa noite enluarada
Defronte a igreja
Em voz suave e calma
Confidenciou-me recatada
Que entregar-se na alcova
Há de ser
Unicamente
Por um amor
Que não se meça
Tudo transcenda
E que seja
Pra vida inteira
Pleno de pureza
E devoção

Ó, que sonho!

Assim foi o amor da minha mãe...
Por toda vida só do meu pai
Disse-me ainda

Ah! Que leveza
Minha alma flutua como pluma
O mundo torna-se
Um mar de rosas sem espinhos
Inocente
Tranqüilo
Celeste

Contemplando o íntimo
Dessa princesa menina mulher
Compreendo
Que o amor das lendas, ideal
Posto em pedestal
Declamado por trovadores medievais românticos
Ainda existe
E o tenho em minhas mãos
Que de coração e espírito asseguro
Com grande alegria e honra
Serão dignas de ti
Religiosamente
Por toda a vida
Como tu sonhas
Ó, minha princesa!



Rob Azevedo