sexta-feira, 30 de maio de 2008
Os Versos Que Te Faço
Os Versos Que Te Faço
- Se cala e sente a dor porque é Amor -
Eu canto a lucidez do lado avesso
Aquela sem fim nem começo
Eu canto o dia que passei inteiro
Perdido em devaneio
Perguntando ao espelho:
- Ela me ama?
Cantando ateio a chama
Que incendeia minha cama
Fogo que me consome
Lembrando seu nome
Passo noite insone
Perco a fome
A Margarida do jardim
Despetalada
Ainda não me respondeu:
Bem me quer?
Mal me quer?
Entro em bar
Saio bêbado
Chorando dor de cotovelo
Transbordo o cinzeiro
Ascendem nuvens de nicotina
Abro a cortina
Respiro um ar
Por que eu amo se me dói
Se me mata
O que sinto?
Por que eu conto
Horas que me devoram
Quando não estou contigo?
Horas tão lentas
Vagarosas
Pesarosas
Que parecem anos
De vazio
Sem tamanho
Diante delas
Que uma vaga me trague
Me afogue
No mar
Que nem um vaga-lume
Ilumine
O breu
Que eu mergulhe
Desposarei a Morte
Se avara a Fortuna sequer me consola
Impiedosa tortura
Molha minha boca e mata de sede
Uma alma que chora
Quisera cegassem meus olhos
Antes de conhecer-te
A ver-me agora
Desejando a negra Sorte
Envolto no betume da noite
Minha veste é mortalha
Meu companheiro de lástima
Um Corvo
A bebida que me embriaga
Balouçando no copo entre pedras de gelo
É lágrima!
Dos Campos Elíseos
Cerraram-se as portas
O murmúrio das águas
O silvar dos colibris
Já não ouço
Somente o lamento
Eterno tormento
Vindo das sombras do calabouço
Do Inferno de Dante
Fantasmas rangem os dentes
Arrastam correntes
Regresso ao cárcere
Que me empareda
Do outro lado a liberdade
Já não me espera
Num olhar ígneo
Com coração de pedra
Desafia minha entranha
Num tropel de perguntas
Enigmáticas
Contraditas
Dilacerantes
Como adaga afiada
Que desfia
O fio da meada
Por que morro de secura
Se nem sequer tenho boca?
Por que tamanha alvura
Diante minha alma escura?
Por que comparo
Meu Amor
Ao infinito
E dele cai
Uma estrela
Cadente?
Ninguém responde...
O vento sopra
O Sol se põe
A noite vem
Saudade...
Eu conto horas...
Endoideço
Ainda ontem
Jurei por ti
Eternidade...
Contarei sem que acabe!
Grãos de areia
- No deserto -
Gotas de água
- No oceano -
Folhas de árvore
- Nas florestas -
Estrelas
- No céu –
Pecados que não cometi
- Ainda assim pago -
E nas contas do terço
O mais penoso de se contar:
O Amor que padeço
Nos versos
Que te faço
Rob Azevedo
terça-feira, 27 de maio de 2008
Brancas Noites
Brancas Noites
Luz que brilha na noite
Doce como o mel do Éden
Transbordando nos cântaros
O bálsamo dos anjos
É tão bem que te quero
De um Amor tão puro
Que por ti eu rego
Todas as flores
Dos jardins suspensos
Da Babilônia
Para que passes
Na alameda feliz
Emoldurada por encantos
Divinais de pétalas se abrindo
Nas sete cores
Do arco-íris
E eu aqui, humilde
Te veja sorrindo
É tão bem que te quero...
Que te quero além
Da vida que Deus me deu
Te quero no tempo
Da eternidade
Te quero de um Amor
Imortal
Diante aquela
A quem eu canto
Nenhuma dama
De conto de fadas
É mais cândida
Ou bela
De nenhuma aquarela
Se pinta suas cores
De olhos de Rubi
E madeixas de Cobre
Diante o Amor
Que sinto por ela
A vastidão do oceano é pequena
A duração da vida efêmera
As estrelas do céu são poucas
Um só poema
Não conta
O que minha alma toma
E eu canto
Porque amo
Não é a sina de todos os poetas?
Amar...
De um Amor tão grande
Que transpira na pele
Na folha nua escorre
E se transforma em versos
É feito pérola na concha
Que nasce da ferida...
Em mim
É meu coração que sangra
Cicatrizando
Em poesia
É noite que vira dia
Distância agonia
Sua boca itinerário
Dos meus lábios
Meu coração naufrago
Abandona a nau das ilusões
Atravessa mil mares a nado
Em busca do porto seguro
Nalguma enseada
Do seu corpo
Receba-me como te escrevo
Em cada um dos meus versos
Seja do meu espírito o enlevo
Que comigo te levo
Galopando num cavalo alado
Ao sonho que declamo
Rasgando o peito
Amor por ti perfeito
Em brancas noites
Vou seguindo meu caminho
E tudo o que vejo
É uma estrada
Que me conduz
Ao seu beijo
Além
Refletidos nos seus olhos
Crisântemos
Lírios
Girassóis...
Os filhos
Que ainda não tive
Rob Azevedo
domingo, 25 de maio de 2008
Flor dos Meus Sonhos
Flor dos Meus Sonhos
Como um botão de rosa se abrindo ao Sol da manhã
Desponta teu Amor
Ó Flor dos Mil Sonhos!
À Fonte da Juventude
Que jorra da tua boca
Cantarei odes
Por ti
Ó doce castidade
Sem pressa desato o laço
Peregrino por sendas
Quiçá
Penitente e sozinho
Porque sei
No fim do caminho
Encontrar-te-ei
Jaz o ontem
Em sepulcro maldito
Sobre a lápide nasce
Um botão de rosa
Sob o Sol
Sob o Sol da manhã
Metamorfose
O hoje, o amanhã
É fruto bendito
Do teu ventre
Ó Flor
Ó Flor dos Meus Sonhos!
Incólume
Menina-moça
Se abrindo em pétala-mulher
Desabrocha
Por Amor
Ó delicadeza virginal
Ainda há pudor
A face que se enrubesce
O recatamento na alcova
O prazer que é Amor
Ainda há
Mil sonhos
Em teu coração
Minhas mãos
Tocarão o címbalo dos anjos
A harpa dos Querubins
Minha voz tão suave
Será o canto do Serafim
Meu corpo teu jardim
Aonde sob o Sol da manhã
Acordarás se abrindo em pétala-mulher
No peito de quem
Do humano fez etéreo
Do prazer Amor
Voando contigo ao céu
A transcendência eu canto
Não aquelas flores que apodrecem
Antes da hora
Minha trova é composta
De versos da alma
E luminescência da aurora
Reflete na Lua
Minha inocência e a tua
Doada
Em cada lágrima orvalhada
No botão de rosa
Aquieto mesmo o espírito
Para que durmas
Serenamente
Enquanto velo teu sono e rezo
A Deus eu peço
Ser digno e merecedor
Da Flor
Dos Meus Sonhos
Rob Azevedo
Camélia de Prata
Camélia de Prata
Paira tão distante, acima dos montes
Por sobre as nuvens, além da esfera
Intocável silenciosa quimera
Transcende tempos, acalenta amantes
Tua luz eclipsa o cintilar das estrelas
Agonia matilhas, inebria trovadores
Desprende mil suspiros de amores
Provoca dores, não se pode entendê-las
Ó Camélia de Prata que flutua
Quisera eu houvesse a rua
De encontro à tua castidade nua
Partiria elos, deixaria meu castelo
Enfim chegando lá no etéreo
Quem me dera desposar a Lua!
Rob Azevedo
domingo, 18 de maio de 2008
Refugiados na Serra
Refugiados na Serra
Nem uma hora que tu partes
Eu aqui, morrendo de saudades
Nossos lençóis ainda se vêem
Desalinhados
Teu perfume no ar
O coração que fizeste pra mim
Em batom no espelho do toalete
Ah! Que noite!
Refugiados nesse oásis de paz
Distante do mundo
Em meio ao verde
O murmúrio do regato
Bem em frente da janela
Cantarolando suas melodias serenas
O Bem-Te-Vi assoviando pousado no galho
Do pé de laranjeira
O cocoricar dos galos
O gramado, os arbustos, as flores
Colinas ao redor
Cobertas de mata nativa
Virgem, incólume
Envoltas
Pelas névoas da serra
O coreto na pracinha
A igrejinha no alto de um monte
As ruazinhas
Com seus barzinhos e vendas
Onde bem devagar passam carros
E também
Cavalos, carroças
Todo mundo tão simples
Da roça
Inocente e puro
Eu vindo das cidades
Diante
A ingenuidade perdida
Ah! Que humildade!
Com todo respeito
Nos tratam como se fossemos doutores
Muito importantes
Forasteiros
São coisas de um vilarejo pequeno
Aonde vivem as pessoas simples
Um convite para um café
Que cheira forte da cozinha
Uma prosa na varanda
Contando aqueles “causos” antigos
- Se quiserem aqui pernoitem
Somos teus anfitriões
Nos dizem
Em tom amável
Essa hospitalidade
Proximidade sem barreiras
Cordialidade desinteressada
É que me toca
Profundamente
Porque não se vê mais
No mundo em que vivemos
Aonde todos se cercam de muros
E nada é gratuito
Respiro o ar fresco da serra
Volto pro meu quarto de pousada
Tu ali
Ainda tão presente
Impregnada em cada coisa
Esqueceste teu pingente
Sobre a cômoda
O pego e guardo em meu bolso
É tua lembrança e meu amuleto fervoroso
Viro as costas
Agora me vou eu
Rumo ao pôr-do-Sol
Colorindo o céu detrás das colinas
Entre frias brumas
Em mim o gosto
Do teu corpo
A lembrança de cada jura de Amor
No meu ouvido sussurrando
Quando como duas crianças nuas
Dormíamos um no colo do outro
Isso é Amor tão puro
Quanto puro é o mundo
Em que peregrinando ao infinito
Sem vontade vou deixando
Mas lembro
Nosso Amor sacramentando
Que tu existes
É real
E vou feliz
Rob Azevedo
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Tratado Filosófico Poético...
Tratado Filosófico Poético
E Bíblico – pelo tamanho
Em muitos ângulos
Até Concluir:
Eu Não Sabia!
Quando eu me for
Desta vida
Direi comigo:
Não foi feia nem bonita
Não foi doce nem amarga
Não foi leve nem pesada
Não foi cinza nem colorida
Direi essas coisas comigo
Quando me for
Para que tenha consolo
E pareça brando o tempo
Em que estive no mundo
Não tão boa
Nem tão ruim
Uma garoa à toa
Caindo
O dia inteiro
Não foi festa em circo
Nem irreparável castigo
Não fiz
Quase nada do que quis
Engavetei sonhos
Rasguei a planta do castelo
Que imaginei um dia
Sorrindo diria:
Eu construí!
Não fui triste de morrer
Nem feliz
Por mais de uma semana
Ainda que tão pouco refrigério
Fosse aquela felicidade
Feita de ilusão
No fim das contas se conta
Subtraindo na soma
Do pesar
Foi um viver por aqui estar...
Que jeito há
Senão viver?
Uma nuvem branca passando no céu despercebida
Um caminhar sem ter aonde ir
Uma pergunta no ar:
Qual razão de existir?
Fosse uma estação
Diria Outono...
Fosse uma canção
Diria uma Bossa-Nova
Daquelas melancólicas
De fossa, nostalgia
Lembrando tardes vazias
Depois de um carnaval que se finda
Fosse uma partida de futebol
Diria um zero a zero
Sem perigos de gol
Fosse uma nota
Diria um cinco
Se me perguntassem o que achei
Diria mais ou menos
Caso fosse a pergunta
Valeu a pena ter vindo?
Diria não sei
Decerto
Não foi a vida que queria
Foi como um famigerado ruminante
Apenas mais um
No imenso rebanho
Ruminando um naco de capim
Filosofando
Com os olhos postos
No pasto cercado
Um pouco detrás
Do matadouro
Aquelas questões filosóficas
Lugares-comuns
Clichês
Vindo à tona:
O Nada
O Sem Sentido
O Absurdo
Qual razão
De toda essa grande droga?
No entanto
Minha sina
Ainda deu pra ser vivida
E não havia mesmo
Outra saída...
Como um cacto vicejando no deserto
Mas por bem pensante
Adaptei-me ao estéril
Cri no etéreo
E sorri quando pude
Sem graça, confesso
A tudo fui levando
Tão somente porque existo
Algo ao meu gosto
Aqui e ali
Garimpando encontrei...
Um bom livro...
E outro...
E outro...
Uma biblioteca inteira...
Virando páginas
Vi tanta coisa
Que me deu alívio
Nessa vida sem colorido!
A história da humanidade
Sempre foi uma árdua luta
De dor
Pouca felicidade
E muita loucura
Tudo tão no superlativo absoluto extravagante
Espantoso aos olhos gritante
Vomitado por bufões dementes
Entremeado por espasmos de cavaleiros andantes
Que ainda com aquela pontada de dor conseqüente
Encontrei um manancial de alento
Entricheirado no passatempo ao meu grado
Afinal, um mundo interessante...
O que seria de mim
Sem os livros
Sem a cultura?
Essa deusa que me concedeu
Ao desprezo que a vida me deu
O poder
Desprezar um tanto a vida
Deu as costas para mim
Eu para ela
Estamos de mal
Viver eu posso sem a vida
Há o mundo intelectual
Do qual
Sou afeito
Trilhando tortuosa senda
Margeada de árvores ressequidas
Sob o Sol causticante
Cruzei a campina
Avistei pomares
Onde colhi maduros frutos
De exuberante Literatura
Deparei-me num bosque
De solitude e rigores, é vero
Mas de cenário ameno
Existindo no intelecto
Nele fiz morada
E tão cheio de viver a sós comigo
Compreendi que me era fundamental da alma
Ser bem rico
De modo que eu me bastasse
Fosse meu próprio abrigo
Água, alimento
E válvula de escape
Pro instinto
Assim
Em mim
Ajuntei tesouros
Invisíveis
A vida continuou
Sem ser boa nem má
Não foi das melhores
Nem das piores
É fato:
Não foi a vida que quis
Não fui feliz...
Mas sabe de uma coisa?
Dos males o menor
Também não fui tão triste
Daqueles que o diabo sente dó
Poderia ser pior
Sentei-me à mesa
Meu manjar veio frio e insosso
Sem sabor
Com gosto de isopor
Ao lado um copo de água
Da torneira
Mas tive meu prato
E o que beber...
É nefasto
Mas sempre
Meditar sobre a miséria alheia
Num mundo de mazelas tão colossais
Nos faz um certo bem
E temos consolo
Rindo sem tino
De piadas
De humor negro
Então
Dei meu jeito
Cacei com gato
Comi pedra e areia
Encontrei água no lodo
Adaptei-me ao deserto
Procurei algo ao meu gosto
Encontrando me entretive
Passando o tempo
E a vida fui vivendo...
No fundo
Não nego
Entranhou-se em mim
Aquela sensação
De desperdício, lástima
Pelas coisas – ah! Tão belas! Ah! - que poderia ter vivido
Da forma como sonhei
E não as vivi
Somente as sonhei
Enquanto passavam por mim
Ao alcance das mãos
Desejosas em serem colhidas
No entanto
Não pude sequer tocá-las
Esse pesar dói, sangra...
Mas não mata
E estou vivo...
E o destino de todos
Não importa
É o mesmo...
Tão logo as flores murcham
E seremos pó
Esquecidos
Havendo a passagem
Sido malquista
Ou de bem-aventurança
Ao menos
Para quem tem
Olhos
Ouvidos
Ou ainda algum sentido
Pode-se ver o Sol nascer sobre o mar
Sobre os campos
Ou por detrás das montanhas
Num dia límpido
Pode-se ouvir os pássaros silvestres cantando
Em algazarra nos pomares carregados
Ou o canto das ondas marinhas
Lambendo a praia
Pode-se sentir o ar matutino
Das serras verdejantes
Entrando no corpo humano
Tomando os pulmões
Pode-se sentir a textura das pétalas de rosas
Ou do pêlo dos dóceis animais domésticos
Pode-se sentir o repouso benéfico do sono
Quando dormimos
Pode-se sentir o perfume
Das primaveras
Pode-se sentir na pele
O calor do Sol aquecendo
E o frescor da brisa
Dando alento
Pode-se sentir o gosto
Das frutas maduras
E sentir mesmo prazer
Na água límpida
Escorrendo na garganta
Ou banhando nosso corpo
Pode-se sentir
O Amor de alguém – ou de algum cão ou gato
Por nós...
Isso tudo é a vida!
Não só a conta bancária...
Aquela moça bonita...
Aquele Amor que não deu...
Viagens não sei pra aonde...
Noitadas...
Festas...
Farras...
Não só aqueles sonhos
Que não podemos realizar
São a vida...
O Sol é a vida!
A ar puro das manhãs é a vida!
A Lua é a vida!
As estrelas são a vida!
As flores são a vida!
Todo o verde é a vida!
A chuva é a vida!
O mar, os lagos, os rios são a vida!
Os animais das florestas e das águas são a vida!
A música e os sons da natureza são a vida!
Tudo é vida!
O que se dirá então
Ainda temos a Arte
A cultura...
O pesar depende
De onde fixamos nossos olhos...
De um lado tudo é cinza
Do outro dourado
De um lado desterro
Do outro refúgio
Se nalgum ponto não se encontra a felicidade
Ande mais um bocado
Procure além
Abrindo bem os olhos
Aguçando os ouvidos
Tão somente partir em busca dela
Já é um grande bem
É a jornada
Enquanto o parar
É a morte, o nada
Talvez não a encontre
Como eu que tanto digo...
Mas saiba
Felicidade não é isso ou aquilo
É um estado de espírito
De quem
Dá valor no que tem
A grande lição:
O que temos vale bem mais
Do que tudo o que não temos
- Sem comparações, nem de longe! -
Por que então tanto se lastimar
Pelo que não se tem?
Reflita...
Talvez ainda assim
Embora não seja triste
A felicidade não encontre
Nem realize aqueles sonhos tão acalentados
Como eu
Que tanto digo
Mas tenho convicção
Encontrarás a paz
O equilíbrio
A compreensão da vida
E algo que para ti
Seja bom
Sempre dizem:
Isso é sabedoria!
É pé no chão!
O resto é quimera
Que vendem
Os mercadores de ilusão
Queira
Pense positivo
Peça
E consiga
Isso...
Vende na banca da esquina!
Não tem segredo
O Segredo
É enganação!
Não existem tábuas de Moisés
Com os dez mandamentos da felicidade
Nem tampouco eu sou o profeta
Pregando a salvação
Mas a vida, compreenda
É TUDO
Não meia-dúzia de coisas definidas
Se não tem isso
Há aquilo
Se não se encontra aqui
O que se busca
Há de se encontrar lá
Ou em algum lugar
Se algo é ruim
Outra coisa é boa
Se algo nos entristece
Outra coisa nos alegra
Procure e faça o que goste
Dentro do que se pode...
Pense um bocado!
Cada pessoa é única
Não existem fórmulas
Nem receitas
Uma caminhada ao amanhecer ou cair da tarde
Pela cidade
Ou num belo parque
Ou areia da praia...
Um passeio de fim de semana
Eco-turístico
Numa cidadezinha próxima
Daquela bucólica
Na zona rural...
O verde faz tão bem!
Filmes, TV, música, livros
Um jogo de xadrez...
Um punhado de bons amigos
Gente interessante...
Artesanato, pintura, escultura, escrever
Algum esporte
Ginástica ou hobby
Espiritualidade!
Em casa consigo
Ou nos recônditos
D`alguma igrejinha por perto...
Tanta coisa boa nesses meios...
Fraternidade, lições, cantos...
Ter sempre em casa
Na medida do possível
O que se goste:
Flores em jarros...
Alguma fruta que muito apreciamos...
As músicas que gostamos
Bem à mão
Nosso lar e, principalmente, refúgio no quarto
Sagrado
Bem do nosso jeito
Como podemos
Mesmo decorar a casa
Pô-la com a nossa cara
É algo que pode nos dar
Muito prazer
É nosso castelo
Que construímos...
Comprando num mês um quadro
Noutro uma estatueta pra estante
Além mudando o lustre da sala
Depois comprando um tapete com belos desenhos bordados...
Um móvel novo...
Um artigo qualquer de decoração...
Repintando a casa...
Uma saída à rua na noite...
Pra ver nova gente
Buscar diversão
Uma paquera
Um namoro
Se algumas dessas coisas
Não se encaixam
Não dão certo
Há muitas outras mais
No âmbito da simplicidade
Das coisas bem simples
Pense!
Encontre o que goste, o que lhe entretém agradavelmente
O que lhe faz bem e lhe é possível
Se empenhe nisso
Porque é importante!
Quanto mais coisas que gostamos fazemos
Mais gosto pela vida temos
Mais ela nos prende
Assim surgiram
Os grandes artistas
Os grandes desportistas
Os grande alguma coisa...
Tamanho gosto tomaram por algo
E nele se encontraram
Que se tornaram
Gênios no ofício
Menos, menos...
O apenas lhe entreter em seu tempo
Agradavelmente
Enchendo a vida
É um bem pra saúde
Mas se dedique!
Leve a sério o que gosta!
Não vendo fórmulas
Mágicas
Do pense positivo e conquiste
Nem sou feliz, feliz...
Já o disse!
Também não sou triste!
Sou alguém
Que viu uma multidão de sonhos
Tomarem o bonde sem mim
Partirem
Pra quem a vida não foi
Um pálido facho
Do que desejava
O que poderia ter sido é um martírio
Já o disse, me confessei
Sou alguém comum
Como tanta gente
Nesse mundo estranho
Se não sou feliz
A tristeza em mim não dura
Não cria raízes
Nem me rouba o riso
Por alguma coisa à toa
Mesmo que me venha no rosto
Amarelo, sem graça
Vem
É o meu jeito
Rir ainda com meu riso
Faz bem
Rir sempre faz bem
Do bom humor eu digo:
Não abro mão
Sou divertido
Piadista de improviso
Espirituoso
Palhaço de picadeiro
Invisível
O mais intrigante:
Zombeteiro
Do mundo inteiro
E de mim mesmo...
O que somos senão
Abelhas zunindo?
Bufões embriagados
Pela ilusão do carnaval momentâneo?
Afinal...
Do que tanto falei...
Felicidade existe
Ou é mero entorpecimento?
Há que se discernir bem as coisas...
Paz no sentido amplo
Não é momento
Não é maré cheia ou baixa
Não é bonança nem vaca magra
A paz independe de tudo
Do que nos dá o mundo
A felicidade
Sempre depende de alguma coisa
Ou coisas
Daí o perigo
A incerteza
A inconstância
É feito uma colheita
Se não vem a chuva
O plantio estraga
A felicidade é um ópio
Atraente, desejado
Todos querem, eu também
Mas a paz
Vale mais
Não é questão
De se escolher uma coisa ou outra
Que se tenha as duas
Mas o que levo em conta
É a solidez do bem
Há um milhão de coisas na vida
Que não deram certo pra mim
Coisas que não vivi, nem viverei
Sonhos que não realizei e sei
Não realizarei
Mas o pouco que tenho vale bem mais
Do que todas essas coisas juntas...
E não me custaram nada
São de graça
Ou me vieram do esforço aonde vinguei
No fim, me amoldei, me adaptei
A história da vida na Terra
Sempre foi assim
Há vida na floresta
Há vida na água
Há vida no deserto
Há vida no alto
Há vida no baixo
Há vida dentro
Há vida fora
Há vida no frio
Há vida no quente
Cada qual adaptada
Ao seu ambiente
Resistir, sobreviver
É a lei da vida
A nós que temos mente
Nos adaptando
A façamos atraente
No melhor que podemos
Assim não seremos tão somente
Uma bactéria resistente
Um cacto vicejando na rocha estéril
Não pensante
Nem tampouco
Seres lamuriantes
Queixumes não mudam as coisas em nada
Para melhor
Sequer as deixam como estão
Somente pioram
São boomerangs
Que se voltam contra nós
Sempre há algo bom
Ao alcance das mãos
Se estas não estiverem tão empenhadas
Em se auto-flagelarem
Por não haverem alcançado
O que não deu
Enquanto o menino chorava o leite derramado
Todas vacas leiteiras que haviam no pasto
Morreram
Ele chorou e chorou
Enquanto o suco de laranja que havia
Estragava
Quando se pôs a chorar a perda do suco
E se demorou
Todas laranjas da dispensa
Apodreceram
Ele chorou de novo
Enquanto as laranjeiras dos campos definharam ressequidas
Chorando enquanto
A última gota de água do regato secava
Morreu de sede o coitado
Bebendo as derradeiras lágrimas
Não cuidou do que ainda tinha
Embaçados os olhos pelo pranto inútil
Não viu o que poderia...
Como tudo muda
Após refletirmos profundamente
Em frente e verso
Prosa e poesia
Quando eu me for
Desta vida
Direi comigo:
Não foi feia nem bonita
Não foi doce nem amarga
Não foi leve nem pesada
Não foi cinza nem colorida
Afinal...
Eu era feliz e não sabia!
Rob Azevedo
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Miserabilis
Miserabilis
Fiquei sentado
Na beira do caminho
Esperando o bonde...
Ele não veio
Fodeu!
Mil planos desfiz
De sonhos dourados
Juvenis
Adiei tudo
Para o futuro
Bem distante...
Quem sabe Deus
Um dia virá...
Olhei pro céu...
Nuvens encobriram o Sol
Trovejou
E choveu...
Eu na estrada
Começando o caminho
Sozinho
No meio do lamaçal
Parei
Sob a chuva caindo
Num descampado no fim do mundo
E vi
Meus sonhos passarem
Sem mim
Troçando
Rindo
Passaram-se anos também
E cadê o bonde
Que tanto esperei
Em vão
Será que não veio
Ou cheguei atrasado
E se foi?
Fiquei pra trás...
A lama era tanta
A cada passo mais me afundava
De corpo inteiro no nada
Quando o bonde se vai sem a gente
Tudo morreu
Sem enterro nem vela
Um morto-vivo
Esperando
Passar o tempo
Dar a hora
De ir embora
Pro além mundo
Sem glória
Nem história
Feliz
Na pele sentida
Frus
tra
ção
Maldito mundo cão!
Por que não se abriu o chão
Tragando esse amontoado
De carnes
E ossos
Sem alma
Nem coração?
Ah! Meu Réquiem
Queria eu antes
Que naqueles tempos
Houvesse sido ouvido
Melhor, melhor...
Do que viver
Fazendo hora
Até que badalem os sinos
E eu vá embora
Quisera eu
Nunca ter nascido...
Melhor, melhor...
Do que entender este mundo
Como um lugar
De expiação...
Frus
tra
ção
Meus sonhos se vão
Sem mim
Troçando
Rindo
Rob Azevedo
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Dá-me Alívio
Dá-me Alívio
(É uma letra de música no estilo Bossa-Nova - Tom Jobim e cia - para ser acompanhado o canto por um piano.)
Ela é tão linda
Tão linda
Não há poesia que diga
O quanto
O poeta de Amor suspira
Ó vida!
Encanto!
Ela é tão linda
Menina
Tão linda
Em noite de luar na orla marinha
Do Rio
Seu riso
É minha falta de siso
Eu perdido, menino
Ó Meu Cristo
De braços abertos
Desce do alto
Do Corcovado
Vem e me socorre
Corro perigo
Meu coração tão aflito
Morre em suspiro
Vem Meu Cristo
Me socorre
Corro perigo
Meu coração aflito
Morre em suspiro
Ela é tão linda
Quanto o Sol
Amanhecendo
Sobre o mar
No meu Rio
Montanhas, o verde
Palmeiras
Eu canto
Delírio
Ela é linda demais
Tão linda
Não há poesia que diga
O quanto
O poeta de Amor suspira
Ó vida!
Encanto!
Dá-me alívio
Olívia
Dá-me alívio
Olívia
Dá-me alívio
Olívia
Dá-me alívio
Olívia
Olívia
Olívia
Rob Azevedo
domingo, 13 de abril de 2008
Um Canto Para O Tibet
Um Canto Para O Tibet
Om Mani Padme Hum
Ahum
Som
De armas de fogo
Disparando no topo
Das cordilheiras íngremes
Do Himalaia
As neves caem
Brancas
Pombas voam
Brancas
Nuvens cobrem o céu
Brancas
Lírios se abrem
Em pétalas brancas
E ninguém vê
O alvo sinal da Paz
O vermelho sangue
Vem do leste
Inundando o Tibet
Na força
De um bilhão de habitantes
Ordens são dadas
Soldados marcham
Disparam armas
Na bandeira o emblema
Que move a marcha
Rumo à cordilheira:
A cor do sangue
Vindos das entranhas
Da intolerância
De séculos e milênios
Que não se apagam
Soldados marcham
Ó infame tirania
Imperadores
Samurais das trevas
Tanques de guerra
Fuzis e baionetas!
Nossa cidade
Não é proibida
É Flor de Lótus concebida
No Jardim da Paz
Nem muralhas de pedra a cercam
Porque não somos guerreiros
Que dilaceram peitos
E seguem marchando
Sobre cadáveres de irmãos
Renegamos trincheiras, barreiras
Contra inimigos
Semeando a Paz
Estendendo a mão
Toda alma
Seja bem vinda
Quando em si não abriga
Dragões
Da maldade e discórdia
Vinde serena
Límpida
Como água cristalina
E sente-se à mesa
Repartiremos contigo nosso pão
Ofertaremos de bom coração
O humilde teto
De todo e qualquer monastério
Cale-se fuzil!
Torna-te branca da Paz
Vil bandeira sangrenta!
Tornem-se fardas
Mantos
Soldados
Monges
Brados de guerra
Nosso mantra:
Om Mani Padme Hum
Ahum
Mestre Iluminado
Ensinando a compaixão
Por todos seres vivos
Om Mani Padme Hum
Ahum
Lugar sagrado
Sangrando
No teto do mundo
Chamado Tibet
Rob Azevedo
Foi o Vento
Foi o Vento
Quem foi que levou Meu Amor?
Foi o Vento!
Foi o Vento!
Quem foi que me trouxe a Dor?
Foi o Vento!
Foi o Vento!
Ó deus Éolo uivante
Os ramos das árvores se pedem
Esvoaçando verdes folhas
Ondas do mar se levantam
Estouram na praia e rochedos
Fogem velozes as nuvens do céu
Ao léu distante depois do horizonte
Bem além do farol
No cais do porto alvoroço e medo
Uma menina chora
A mãe ora nas contas do terço
- Ó Pescador de Almas!
Velai por nossos marinheiros
Singrando mares em veleiros
Buscam o alimento dos filhos
Arredio o Vento não ouve
Enfurecendo as águas
Açoitando matas
Destelhando casas
Cruza vales e montes
Poeira das estradas
Barulhentas latas
Velhas páginas
De jornais
Seguem caminho
Aonde o Vento vai
E ninguém
Ninguém sabe aonde
Vai o Vento
Com tanta pressa...
No alto da igreja
Uma portinhola aberta
Bate e o Vento leva
Hinários do Nosso Senhor
Noutras janelas
De casas de paredes caiadas
Cortinas caramelo
Esvoaçam onduladas
Derrubam vasos de plantas
Voam papéis
Quando vem o Vento
Em vendaval
Tudo sem dó devassa
Sem destino, afoito, ligeiro
Uivando
No matagal
Sob a força curvando
Com medo e respeito
Roupas quarando no varal
Bandeiras na praça central
Moinhos às margens da ribeira
Bambuzal
Arrozal
Canavial
Sob o Vento
Todos tremem tementes
Se atiçam
Curvam, giram, voam
O Vento uivando
Num rompante de ira
Uma canção me inspira:
Quem foi que levou Meu Amor?
Foi o Vento!
Foi o Vento!
Quem foi que me trouxe a Dor?
Foi o Vento!
Foi o Vento!
Ó deus que esvoaça
Minha cabeleira enquanto canto
Se tudo que há levas
E levaste, também, de mim Meu Amor
Trazendo-me a Dor
Arremessa em tua força meu corpo
Ao mar bravio
Cinza, sem cor
De encontro ao rochedo
Se viver desalmado
Me é por demais pesaroso
Que se partam meus ossos
E sejam tragados
Por redemoinho assombroso
Quero antes
O destino nefasto
Ao ver em vida meu canto
Espalhando lamento
Calando mesmo
O uivo do Vento
Rob Azevedo
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Meu Ar
Meu Ar
Eu preciso, por favor
De um balão
De oxigênio
Porque essa mulher quando passa
Me deixa sem ar
Ai, não respiro!
Viro pedra
Estátua de mármore
Estática
Pálida
O mundo pára...
Por fora, é assim
Dentro de mim
Meu coração
Bate
Bate
Bate
Feito um tambor
Bate coração
Bate coração
Bate...
Por causa do Amor...
De tanto bater
Estremece
A estátua de mármore
E bambeiam as pernas...
Mãos tremulam
Feito bandeirolas ao vento...
Ao ouvido o canto
D`algum anjo
Enviado por Eros...
O peito arde...
A visão se embaça...
A vida se enche de graça...
Mas por que
Meu Deus
Roubaram-me o ar?
Se tão docemente
Em prece confesso
Tudo o que quero
É te amar...
Afinal...
O que me importa o ar?
Esse elemento sem o qual
Ninguém vive...
Levem-no de mim
Tu jamais...
És minha vida
O ar que respiro
Sem ti não vivo
Meu Jasmim
Caminho dourado
Rumo ao infinito
Rob Azevedo
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Olhos do Amor
Olhos do Amor
Toda vez que te vejo
É com outros olhos
Aqueles que não miram ninguém
Além de você
São os olhos do Amor
Toda vez que te vejo
Percorre em meu corpo
Do início ao fim
Um arrepio
Respiro, suspiro, transpiro
Poesia
Meu dia
Se inunda de alegria
Vem em meu rosto
O sorriso
Meu coração
Canta feliz
Cheio, transbordante
A canção que fiz
Pra outro coração
O teu
É tão simples
Só diz
Três palavras:
Eu Te Amo!
Tenho olhos
Que só olham
Através do Amor
Estes
São teus
Não enxergam mais ninguém
O que acontece
Quando te vejo
Se você soubesse...
A graça
Que vem de ti
E me endoidece
O encantamento
Que me inunda
Em cada pêlo
Amanhece
E acordo
Pensando em nós
Entardece
Sem eu e você
A sós
Tudo entristece
Anoitece
Faço uma prece
Por teu nome
E passo a noite insone
Há um lugar vazio
Ao meu lado
Que só pode ser ocupado
Por Olívia Sampaio
Conversar com as paredes do quarto
É tão chato!
Coisa de poeta apaixonado...
Hipnotizado
Da ponta do cabelo
À raiz da alma
Miro teu retrato
Enfeitiçado
Pego uma folha branca
E escrevo um pouco
Do que sinto
E me deixa louco
Só te quero bem
E a mais ninguém
Nem coisa alguma
Você me basta
Não desejo
Mais nada
Porque só você
Enxergo
Com os olhos do Amor
De resto
O mundo é folha branca
Sem nenhum verso
Com o travesseiro converso!
Nas palavras tropeço...
Da noite me despeço...
Vem amanhecendo o dia
Na rotina
Da minha sina:
Amar
Suspirar
Sonhar
Do nascer ao pôr do Sol
Atravessando madrugadas
Compondo poesia
Inspirado em Olívia
Rob Azevedo
Jasminum Polyanthum
Jasminum Polyanthum
Teu sorriso
É a coisa mais linda do mundo
Muito além do que pode ser dito
Em mil poesias
Sou eu sem tino
É o meu suspiro
O coração batendo fora de ritmo
E esse brilho que trago no olhar
É algo que me rouba o ar
E me dá felicidade
É a pureza
A inocência
A boa criação dos pais
Numa vida cheia de valores
Elevados
E sonhos altruístas
Teu sorriso é alento aos meus dias
É você menina
Linda
Como Deus te fez
E sou eu assim
Esquecido de mim
Bebendo dos teus lábios que sorriem
O gosto por viver
Ah! Quem me dera!
Embriagar-me da tua boca
Sem ar, sem ar, sem ar
De Amor perdido
Beijando o infinito
Ah! Quem me dera
Meu Jasmim!
Tomar num gole
O cálice do teu sorriso
É tão bem que te quero
De um Amor tão puro
Gratuito
Nessas horas vazias
Contemplativo
Um quadro com teu retrato na parede
É o meu portal dos mundos
Desse em que sou um errante sonhador
Para aquele
Onde sei que você existe
E me faz trovador
Por força do Amor
Só queria
Que soubesse
Ao menos um verso
De toda poesia que tenho escrita
No profundo de mim
Pra você Meu Jasmim
Esse verso
Dito por minha alma em teu ouvido sussurrando
É Eu Te Amo!
Eu Te Amo!
Eu Te Amo!
Rob Azevedo
Jasmim
Jasmim
És a flor
Mais bela do jardim
Aquela por quem
Não paro
De compor poesias
Se me calo
Quando contigo me deparo
Bem mais alto falo
Com a voz do coração
Esse que é teu
Se o quiseres...
Amor, te amo
Não importa o tempo
Poesias vou escrevendo
O que sinto confessando
Que não se leva pelo vento
Nem escorre pelos dedos
Feito água
É paixão gravada
Na alma
Espontâneo sentimento
Gratuito
Sem contrapartida
Em contemplação
Naturalmente te amo
Te quero, se me quiseres
Caso não
Te amo ainda assim
Meu Jasmim
Só não te preocupes com nada
Meu Amor é de graça
É semente que brota
Aqui dentro
No encantamento
Que vem
Em sonho cor de rosa
Ao Sol da tua companhia
Floresce noite e dia
Enraizado à beira do regato
Alegria
Por amar alguém tão bela
Tanto quanto
Um Jasmim
Rob Azevedo
quarta-feira, 26 de março de 2008
Seus Sonhos
Seus Sonhos
Não piso
Nem com calma ou devagar
Nem mesmo de forma alguma
Eu vôo
Porque sei que estou
Sobre seus sonhos
Seus sonhos...
Queria sobretudo saber
Que neles estou
Que também sou eles
Não piso
Vôo e acaricio
Seus sonhos imaginando
Que neles estou
Que doce ventura!
Somos nossos sonhos
Como haveria eu
De pisar nas flores
Do jardim de quem tanto amo?
Quem saiba eu
- É a esperança que acalento -
Seja uma delas
Um belo Amor-Perfeito
Imponente
Florescendo
Não haverei nunca de pisar em ti
Meu Jasmim
Nem em mim
Somos nossos sonhos
E quem amamos
Nos meus em noites de verão
Lânguido te vejo
Gravada bem no fundo
Do meu coração
Ou mesmo quando caminho
À luz do Sol pelas ruas
Alheio ao mundo
Por ti suspirando
Meus pés nunca tocarão
Seus sonhos
Ó Meu Jasmim
No Amor que sinto
Criei asas
Para que por sobre eles
Eu voe
E jamais te magoe
Dá-me em troca seu sorriso
Seu ombro amigo
E companhia por algumas horas
Dá-me em troca
Um recanto especial em seu coração
Na certeza de existir em seu pensamento
Com Amor e carinho
E me devote ao menos
Um pouco de saudade
Diga-me um oi
Quando passares por mim
Desejando bom dia
Com ar de feliz
O resto esperarei
Que floresça naturalmente
No jardim dos seus sonhos
Que nunca conhecerão meus pés
Por sobre eles voarei
Porque de sonhos
Entendo e respeito
Tornei-me Mestre
De tanto sonhar contigo
Dias e noites
Ó Meu Jasmim
Que me fala de sonhos tão docemente
Com receios de ser por alguém ferida...
És o meu sonho
Em que vagueio de amores perdido
Em suas madeixas douradas
Castanhas cor de cobre
Navegando em olhos de mel
Como dois rubis estonteantes
Navegando nesse mar de deslumbramento
Em seu sorriso naufrago
Tragado, afogado
Por seu beijo
Meu sonho sagrado
Me dá asas para que voe por sobre os seus
Com zelo devotado
Enraizado na esperança
De que as sementes que do alto lanço
A mim neles floresçam
Num verdadeiro e único
Amor-Perfeito
Rob Azevedo
sábado, 22 de março de 2008
___Infinito___
___Infinito___
Te amo hoje
Como te amei ontem
E te amarei amanhã
Te amo de um Amor calmo e paciente
Perseverante
E inocente
Naturalmente
Como o Sol se levantando todas as manhãs
Iluminando o mundo
Nos aquecendo
Te amo e te amo e te amo
E te amo, te amo, te amo...
Enfeitiçado
Literalmente
Inundado
Por um sentimento
Mágico
Que chamam Amor
Esse que me causa tanta dor
Apertando aqui dentro
Sufocando
Porque nem sempre se pode
Estar ao lado de quem amamos
Te amo e te amo e te amo
E te amo, te amo, te amo...
É a canção
Que ecoa meu coração
Dia e noite
Causa espanto
Eu sei
Tanto Amor assim
Mas não precisa explicação
Apenas que seja grande
Verdadeiro
Único
E gratuito
Se quando te vejo me deslumbro
O que importa a razão?
O pensar?
O medo
De que tudo é ilusão
Que há de nos ferir
Abandonados ao relento
Quando menos esperamos
Quem saberá do Amor
Do que nos reservará?
Flores ou espinhos?
Ambos, senão não é Amor
Esse sentimento
Que não se mede
Do qual ninguém sabe
Só podemos vivê-lo
Ainda sem compreendê-lo
Deixei de lado os porquês
Arrebatado inteiro
Ao firmamento
Por ti
Lá nas estrelas
Elas nos bastam
São o infinito
Que sinto em mim
Quando te beijo
Nada mais
Nada mais além dessas estrelas
Preciso
Nada mais...
São o infinito...
Rob Azevedo
sexta-feira, 21 de março de 2008
___Perfeição___
___Perfeição___
Miro tuas fotos
Algo me invade
Chamado Amor
Esse feitiço
Que me domina
Quando te vejo
Travessura de Cupido
Que cravou distraído
Envenenada de Paixão
A seta dele em meu coração
Gravada com teu nome
Tornando duas coisas
Uma só
Olívia-Poesia
Perfeita rima
Passo o dia inteiro
Assim
De olhos vidrados
Nas tuas fotos
Perdido em devaneios e suspiros
Morrendo de amores
Vendo flores
Nos jardins do teu corpo
Sorvo em segredo
A doçura do teu sorriso
E confesso:
É a coisa mais linda que vi
Desde que nasci
Dessa beleza
Nascem versos
Do profundo de mim
Em cada palavra tua
Torno-me vivo
E acredito
Que o Amor verdadeiro
Existe
Esse que canto
Dias e noites
Em teu ouvido
E suspiro
Porque em toda tua pureza
Disseste a mim
Que crê
No que creio
Essa coisa louca
Que me deixa enfeitiçado
Andando nas nuvens
E muitos dizem
Ser mera lenda
D`outros tempos
Dos contos de fadas
Te amo sem rodeio
E não sou nenhum
Lobo mau
Apaixonei-me mesmo
Sem medo
Como me disseste também
Coração e sentimento
São coisas sérias
Sérias demais...
Não brinque com isso...
Não brinco
É que não dá mais
Para esconder o que sinto
Se cada vez que te vejo
O que acontece não explico
Em nenhum poema
Nem com todo meu lirismo
Poderia dizer que as estrelas
Despencam do céu...
Que me invade um oceano de desejos
E encantamento...
Que me embriago
D`alguma poção mágica
Que me deixa sem tino...
Que me dói o peito
De uma dor
Que é Amor...
Todas essas palavras
Não dizem
O que sinto
Nessas horas caladas
Que passo mirando tuas fotos
Esquecido do mundo
Bebendo teu sorriso...
Bêbado!
Bêbado!
Bêbado!
De tanto
Tanto Amor...
Não tenho pudor
De confessar isso
Expondo minha alma nua
Porque roubaste
Meu coração
Quando te conheci
E está em tuas mãos
Levando-o de mim
Veja como é o Amor
Ainda vejo em ti
Perfeição
Em cada detalhe sutil
Entendo então o pensamento:
“Ninguém é perfeito
Até que nos apaixonemos”
Rob Azevedo
domingo, 16 de março de 2008
Peter Pan – Pra Te Deixar Nas Nuvens
Peter Pan – Pra Te Deixar Nas Nuvens
Vai Amor, me dá um desconto
Para que eu diga minhas bobagens
Seja novamente um menino
Palhaço no picadeiro
Só pra te ver sorrindo
Porque do outro lado de mim
O qual ainda não te mostrei por medo
De me apaixonar por você
Sou toda sensibilidade do mundo
Aquela que toca fundo
E tira nossos pés do chão
Se não veio passear comigo
Na senda que passa por sobre as nuvens
Nem venha
Porque é pra lá
Que vou te levar
Rob Azevedo
sexta-feira, 14 de março de 2008
Alvorecer
Alvorecer
Teu sorriso
É o alvorecer do Sol numa manhã azul
É a pureza de que preciso
É aquilo
Que torna minha vida suave
Meu desejo por viver maior
É tudo o que sinto
Quando te vejo:
Amor
Teu sorriso
Tem a dimensão do infinito
Trazendo consigo
A certeza
De um dia melhor
Em teu semblante
Tua beleza aflora
Tornando-a ainda mais bela
Como o luzir da aurora
É o alvorecer do Sol
Numa manhã azul
É tudo de que preciso...
De resto
Acalentarei meus sonhos
Em bosques ermos
De que teus lábios
Que sorriem
Um dia tocarão os meus
Que vivem a murmurar lamentos
Entristecidos
Apartados da tua boca
Esperarei ainda
Que desse encontro
O alvorecer do Sol
Numa manhã azul
Não deixe mais
Nunca mais
Minha vida
Rob Azevedo
terça-feira, 4 de março de 2008
Melodrama de Dois Corpos Se Espremendo Contra a Parede
Melodrama de Dois Corpos
Se Espremendo
Contra a Parede
Larga desse copo
De Whisky
Apaga o cigarro
E fecha a porta
O assunto
É entre nós
Vem cá Mademoiselle
Andas se embriagando
Demais
E acende
Um cigarro n`outro
Sua vida tão revirada
De ponta à cabeça
Noite virou dia
Dia virou noite
Vejo a hora
Em que de mala e cuia
Virá bater
À minha porta
Fugirmos para o Tibet
Não é
Uma boa idéia...
Nem de Poesia e Amor
Viveremos
Seja lá
Como for
Queima um pouco mais
Dos seus neurônios
Pensando em algo
Diferente...
Abdução por extraterrestres...
Que tal?
Verossímil te parece?
Olha Mademoiselle
Poesia não se come
Nem a fama nos dá cama
Todo poeta
Morreu na penúria
Declamando ao vento enlouquecido
Que as gerações futuras
Lhe renderiam glórias
De corpo e alma
Absortos
Por esse Elixir da Imortalidade
Trilharam seus caminhos
Semeando versos
Esperando, quiçá, um dia
Serem mortos
Famosos
Consagrados
Na Literatura
Objeto de estudo na escola...
É bem assim
Nosso prato de comida
Só vem
Quando já não temos
Fome
Sequer estômago nem boca
Somos apenas
Caveiras se esfarelando
Numa lápide qualquer
De um cemitério além do mundo
Ah! Viajo tanto em minhas querelas!
Ó, Ululante Libélula!
Tudo isso me revolta
Na tela branca deixa nódoa
Inundando o atelier
Num mar de mágoa
Seu equilíbrio se revira
De ponta à cabeça
Nessa paixão mal resolvida
Dividida
Pra nós dois
Esmigalhada
Aflita, sem saída
Trocando o dia pela noite
Paixão por segurança
Busca refúgio
No cigarro
Na bebida
Sobretudo nas quimeras
Que eu mesmo acalento
Em mil poesias
Ah! Um pouco mais
Seremos dois
Bêbados caídos na sarjeta
Dando pano pra manga
A cineasta
De melodrama
E quão bela história se verá
Nas telas Hollywoodianas...
Risos...
Que se danem esses tolos!
Que riem às gargalhadas
Exibindo em suas bocarras
Dentes de ouro
Não passam de devoradores de revistas
Que contam a vida íntima...
Ainda ruminam hipocrisias
Rindo
Do que nos bastidores
Dão muito mais motivo ao riso
O que esperam
Encontrar nas páginas dos diários alheios
Senão tudo aquilo que espanta
E é visto como loucura?
Se há de rir das insanidades dos outros
E os outros rirem das suas
Cometa ao menos
Suas próprias loucuras
Verdadeiro louco é aquele
Cuja grande loucura de sua vida
Foi cometida por outros
Danem-se todos
Que morram em convulsões de riso
Internados neste dourado hospício
Que é o mundo cão
Dane-se ainda
Nossa bestial confusão...
Mas rezemos contritos a Baco
Para que ao menos, algum dia
Nalguma esquina qualquer da vida
Quando na sarjeta estivermos dormindo
E os cães vira-latas vierem lamber nossas bocas
Possamos afugentá-los aos berros
Mais estrondosos do que quaisquer latidos
De tão ébrios de orgulho íntimo estaremos até os últimos fios de nossos cabelos embranquecidos
Porque tivemos
Atitude
E essa será
Nossa oração
Protetora
Alimento
E abrigo
Vomitei a solução
Pra essa intrincada equação
Matemática
Agora vou-me embora
Vou-me embora
Antes que cerrem
As cortinas
E apaguem
As luzes
Alguém sabe onde passa
O ônibus pra Pasárgada?
Rob Azevedo
domingo, 2 de março de 2008
Domingo Pós Scotch On The Rocks
Domingo Pós Scotch
On The Rocks
O céu tomado
Por nuvens cinzentas carregadas
O chão molhado
Dessa chuva fina que não pára
Embrulhado feito pão de padaria
Entre edredons espreguiço
Acordando sem vontade
Numa tarde de domingo
Pós Scotch
On the rocks
Sobre a cômoda
O relógio marca
Algo além
Do meio-dia
Meio quente, meio frio
Do verão que se vai indo
Lembro de alguém
No burburinho dos bares
Entre mares
De cerveja, drinks
E brumas
De nicotina
Em meio ao desfile de moda
Baladas
Rock `n Roll
Espelhos, faróis, perfumes
Olhares, sorrisos
Miragens alcoólicas
Filosóficas
Ó Quimera madrigal!
Vem ao meu encontro
Num duelo de olhos
Fincados um no outro
Até que o sangue
De dentro de mim escorra
Gota por gota
Transbordando
Em teu cântaro
Quando
Há de rir
Vitoriosa
Difusas lembranças
Sobre lençóis
Exalando outro perfume
Exibindo rutilantes
Marcas de batom
Assim como as pedras de gelo
Num copo de Whisky se derretem
O nevoeiro se esvaece
Cada traço se define
Descortinando um rosto...
Lembro mesmo
Quem diria?
Seu nome
E número
De telefone!
Sete – meia – sete
Quatro – cinco
Sobe três
Desce um
Quatro – cinco – nove
Meia – oito
Restam dois...
Biiiiiiip, biiiiiiip, biiiiiiip...
- Alô!
Da memória que se refresca
Florescem Camélias
Num balé coloquial
Brindando apetitoso
Coquetel de frutas
Logo estamos
Embriagados outra vez
A tarde de domingo
Cinza, chuvosa
Morna
Não é mais
Tão somente
Uma vazia tarde
De domingo
Entediante
Nem fria, nem quente
É poesia e prosa
Amorosa
O quente
Esquentando o frio
O arco-íris
Colorindo
Além do céu cinza
O infinito
Mil coisas faremos
Até o luzir de uma nova aurora
Como bons boêmios
Tortos, de tão ébrios
Cantaremos Odes
Aos moinhos de vento
E que a vizinhança toda acorde!
Porque depois morreremos
Num longo suspiro
Sobre lençóis
Encharcados de suor
Ao abrir as janelas
O céu cinza
Na tarde chuvosa
Não nos importará
Nem o Porvir
Ou o bramir
Dos cães vira-latas
Doentios de cólera
Rob Azevedo
sábado, 1 de março de 2008
Estrela Bailarina
Estrela Bailarina
”Somente quem tem o caos dentro de si pode dar à luz uma estrela bailarina.”
(Nietzsche)
Dá-me pena
Ver teu vestido novo
Preto e branco
Que toda feliz
Com ar de criança
Sorrindo me mostra...
Teu sapato de salto alto
Rosto de boneca maquiada
Cabelo de princesa de Mônaco
Brincos, anéis e colares
Reluzindo e chacoalhando...
Parece um carro alegórico
Em noite de Carnaval
Ou ícone às barbies
De Bervely Hills...
Hoje estou sarcástico
Destilando fel
De tão embriagado
Do teu perfume
E minhas retinas
Tão embaçadas
Pelo vermelho incandescente
Das tuas unhas de tigresa
E lábios suplicantes
Pintados de fogo
Voltei a ser implicante...
Inconseqüente, adolescente
Rebelde sem causa
Ébrio delirante
Em qualquer copo
Se não é de um bom Scotch
Mas de água
Vejo uma tempestade
Ao meu ego afrontosa
E quebro eloqüente
Numa cena espalhafatosa
Teu espelho
Onde se miras
Em sonhos cor de rosa
- Só pode haver um Narciso nessa droga!
Grito...
Depois incompreendido
Num arroubo de fúria sem sentido
À luz dos holofotes, que enfim, pairam sobre mim
Pego em teu braço
Contrariado, te empurro pra dentro do carro
E saio
Cantando pneus
Cruzando sinais
Vermelhos
Com destino
Ao motel mais próximo...
Entre quatro paredes despedaço
Teu vestido preto e branco
Tua lingerie rasgo
Do teu cabelo cada mecha desfaço
Acabo
Com a pintura do teu rosto
Que agora ao meu gosto
É um quadro de Renoir
Teu batom
Mais um borrão
Impressionista
Ou obra de vanguarda
Da Semana
De Arte Moderna
Sobre cacos dadaístas
De brincos, anéis e colares
Despojados de fantasias
Gozamos
Em meio ao caos
Onde enxergamos
Como Nietzsche dizia
Uma estrela
Bailarina
Rob Azevedo
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
L`Amour Et La Paix
L`Amour
Et
La Paix
Vem na noite
Dar-me teu Amor
Transbordando paz
Linda assim como te miro
Sorrindo
Minha menina
Mulher
Linda
Como Deus te fez
Nessa infância que não se perde
Travessa
Sonhadora
Vem e me toma
Brindando champanhe em minha cama
Nesse fogo que não se consome
Incendeia feito chama
Do Sol que não se apaga
Diz, que te faço feliz
E por mim tudo abandona
Essa vida sem paixão
De dor e conveniência
Bem além da aliança
Dos pergaminhos amarelecidos que jazem em pó
Desse teatro que te agonia sem dó
Cá estou, Meu Amor
Arrepiando pêlos
Estremecendo corpo inteiro
Precisando de um abrigo
No teu seio
Lembra dos lençóis
Encharcados de suor
De tanto, de tanto que te amei
Como nenhum outro mais
Vê o vaga-lume
Cintilando perdido na noite
É tudo que tens
E olha agora
O céu pontilhado
De luzes infinitas
Postas lá no alto
Por Nosso Pai Altíssimo
Sou eu, Meu Amor, pra ti sorrindo
Rob Azevedo
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Nosso Amor
Nosso Amor
Sussurra em meu ouvido
Tudo aquilo de ontem à noite
Mais uma vez
Como o frescor do vento
Que encontrou o Amor de sua vida
Acalenta meu espírito
Me acompanha nas horas sagradas
Das madrugadas
Minhas e tuas
Vem de novo à minha casa
De alma pura
Ser minha até a alvorada
Olha a lua
Iluminando a serena estrada
Indo dar na praia
Onde foste minha
A primeira vez
Inteira na entrega
Apaixonada
Vê a praça
Defronte o coreto
Aquele banco
Onde em noites de domingo
Segura se deita
Com a fronte sobre minhas pernas
Espalhando madeixas
Perfumadas e suaves
Que minhas mãos
Acariciam
Enquanto miras
O céu estrelado
E ouves de mim
Juras
De Amor sem fim
Naquela madeira
Gravei a canivete
Meu coração
Atravessado
Pela seta da paixão
Que me cravaste
Em tua rendição
Não da carne
Que tão rápido apodrece
E são tantas que se oferecem
Mas da alma
Brindando a eternidade
Bebendo desse cálice
Nosso Amor
Bem além da leviandade
Que engana e mata
É contentamento
Imortal
Rob Azevedo
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Ballade Pour Psique
♥ Ballade Pour Psique ♥
- - - ♥ Eros & Psique ♥ - - -
Psique
Olhos rasos d`água
Minha alma
Que te fala
Tudo
Que a boca cala
Em cada lágrima
Derramada
O Amor aflora
Da entranha
Aos pêlos
Em meu ser inteiro
Confesso:
Te amo de um jeito
Que em mil versos
Nem um terço
Do que me vai no peito
Esclareço
Deixei de lado
O medo
Palavras ditas
Ao meio
E o segredo
Entre nós
Por mil sóis
Desato os nós
Grito
Estremeço
Em sonhos te vejo
Do sono desperto
Clamando seu nome
Banhado em desejo
Uma canção
Retinindo no fundo
Do meu coração:
Te amo!
Ecoa por todo infinito
Minha face
Se mirando no espelho
Cumpre a jura
Entrega em sua mão o segredo:
Sou eu quem te escrevo
O Sr. Azevedo
Avesso
Ao que chamam
De eu lírico
Porque preciso
Dizer que te amo
Contando o que sinto...
Assim aprendo:
Se confessar
Alivia a alma
O peso de um mundo
Paixão
Apaixonar-se
Apaixonado
Por você...
Não tenho mais receio
Dessas palavras
Desse sentimento
Antes o diga
Do que leve guardado comigo
Ao descanso derradeiro
Nem tenho arrependimento
Por confessar o que sinto
Somente agradeço
Por haver te conhecido
Peça mil vezes
Quantas queira
Repito o que digo
E afirmo:
Não é eu lírico!
Sou eu quem te escrevo...
Psique
Olhos rasos d`água
Minha alma
Que te fala
Tudo
Que a boca cala
Porque preciso
Dizer que te amo
Contando o que sinto...
Assim aprendo:
Se confessar
Alivia a alma
O peso de um mundo
Paixão
Apaixonar-se
Apaixonado
Por você...
Um eco ecoa
Por todo o infinito:
Te amo!
Bem mais do que isso
Inexprimível o que sinto...
E não desdigo
Em nenhum momento
O que afirmo
Somente repito
Quantas vezes queira
Em seu ouvido
Assim flutuo
Na extensão do firmamento
Abraço as estrelas
Porque minha alma
Agora
Confessado o que em mim transborda
É leve, leve, leve como pluma
Que nem mesmo o peso
De um átomo
Terá
Se um dia
Ao acaso
Sem arrependimento nem medo
Em verdade que a tudo transcende
E sentimento à flor da pele
Por própria vontade
E da alma necessidade
Ouvir de seus lábios
A canção que meus versos
Confessam ao seu coração
Rendido, me entrego:
O Amor que move minha pena
É verdadeiro e seu
Grande, tão grande
Que não se mede
Como medir
Cada minuto que passo
Pensando em ti?
Desde que se abrem meus olhos
Ao se fecharem
E fechados em sonhos
Noites insones
Dias acordados sonhando
Imaginando
Nós dois nos amando
Nossos corpos nus
Assim como nossas almas
Perfeitamente
Se encaixando
Nossas formas se completando
Banhadas de Amor
Eros, Psique
Psique, Eros
Ambos
Um só se tornando
Despidos de tudo
Nós dois rendidos
Nos braços um do outro
Sobre lençóis desalinhados que voam
Por todo infinito
Gotas de Amor em seu corpo
Adentrando o íntimo
Uma parte de mim em ti
Se derramando
Num longo suspiro
Ao clamor do seu nome
Como sempre digo
Seu corpo vibrando sob o meu
Num gozo síncrono
Perfeito e lindo
Ao mesmo momento
Cronometrado o segundo
Dois longos gemidos
E meu nome, seu nome
Entrelaçados se clamando
Meu corpo seu corpo
Seu corpo meu
Toda devassidão
Abençoada
Sagrada
Bendita
Sobre a Terra
Sob o Céu
Porque nos amamos
De um Amor sem tamanho
De corpo e alma
Mente e coração
Pura Paixão
O prazer é Amor
O Amor é prazer
Apaixonamos...
Nossos corpos se pedem
Se permitem, se doam
Confessam e saciam
Todo capricho e fantasia
De forma irrestrita
Assim descobrimos
Cada palmo de nossos corpos
Desvendando segredos
E aprendemos
Como nos amarmos
Da forma como queremos
Sermos amados
Tornando
O êxtase sacro
Senti-lo em meu corpo
Vibrando
Bálsamo inefável
Só comparável
Ao sentires dentro de ti
Meu eu transbordando
Amor e Paixão
Entrega total
Incondicional
Libertária
Em cada desejo
Com devoção saciado
Eu canto
Bem sabes
O Amor Sagrado
Aquele que nos eleva
Aonde assentam os deuses:
- O Trono Soberbo
Que governa o Universo
A tudo criou –
Os deuses se amam
Nos amaremos como deuses
Porque somos
Deles imagem em perfeição
Quando o Amor de verdade
Incomensurável
Nos adorna
De cada pêlo à alma
Amemo-nos assim
Sem restrições
Porque os deuses
Sorriram para nós
Nos brindando
Com o cálice do Amor
E embriagado estou
Desse sentimento
Sem tamanho
Que vem de ti
Porque te amo
Porque sou poeta!
Porque te venero
Porque acredito em Deus...
Porque vejo Deus em ti...
Porque me vejo em ti
Como mirando um espelho...
Porque me confundo
A todo momento
Não sabendo mais
Se eu sou eu
Ou se eu sou você
Ou se ambos
Somos o mesmo Ser...
Aquela velha questão
Tão decantada
Por todos românticos
Me vem à mente
De súbito:
Almas gêmeas...
Que se procuram
Em si se completam
Tornando-se uma
Como no início...
Eu sou você
Você sou eu...
Me confundo
Mirando meu semblante no espelho
Vislumbrando seu rosto...
Deixo de lado o espanto
O medo de ser visto
Como um louco
Contemplando coloridas quimeras...
Porque essa lucidez ao avesso
Revirada de ponta à cabeça
Me liberta
Erguendo castelos
De Poesia
Que não se compram
Nem se vendem
E vencem o tempo
São meus versos pra você...
O resto
É pó
Que retorna ao pó
Relegando-se
Ao esquecimento
Só os grandes amores
Amor que seja Amor de verdade
Erguem monumentos
Que se eternizam na humanidade
Os exemplos são tantos
Incontáveis
Assim sendo
Por que não
Ao invés de conter-se
Transbordar-se?
Amarmo-nos...
Apaixonarmo-nos...
Confessarmo-nos...
Num eu te amo sem fim...
Permitamos que essa bênção
Nos invada
Nos tornando um só oceano
De Puro Amor
Amemo-nos
Apaixonemo-nos
Sem restrições
Abençoados
Gozemos
O Amor
Que nos devotamos
Amém!
Rob Azevedo
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Dialética Existencial
Dialética Existencial
Numa tarde vazia
Filosofando reconheci:
Sou nada!
Nada!
Nada!
Que bom seria
Se todos um dia
Reconhecessem
Serem nada
Nem sequer
Humúnculo
Vindo do barro
Nem pó
Um nada somente
Lapso de segundo
Na eternidade do infinito
Um vaga-lume
Que pisca uma vez
E apaga
Nunca mais acende
Companheiros
Em miséria existencial
Ninguém acima
Nem abaixo
Tudo igual
Por que não viver
Nem arriscar
Se nada somos?
Por que tantos pesares
Se somos nada?
A cova
O fim da jornada
Então, nos embebedemos do vinho
Esvaziando a taça
Se tão cedo tudo acaba
Por que tanto apego
Ao nada inerente
A cada coisa?
Por que o medo?
O desassossego?
O freio?
O fim no meio?
Aos que perderam
Nem a perda existe
Se em nada consiste
O jogo
Aos que venceram
Mero devaneio
Sonho em noite de verão
Que as traças tornam em pó
Sem meu, nem teu
Compadres na miséria
Libertos do peso da posse
Leves como plumas
Com Deus ou ateus
Ricos do Nada
Sem dores de cabeça
O Ter
No sentido amplo da palavra
Pesa na alma
Uma tonelada
O que importa em verdade
Tão somente Ser
Sendo Tudo e Nada
Viver
Isso e aquilo
Por que não vivê-lo
Se tudo acaba tão cedo?
O que não se viveu
De sua parte
Por que tanto alarde?
Livre-se do peso
O rio flui sem que pare
Deságua no mar
Os balões
Só alçam vôos
Leves
Descarregue o fardo inútil
Leveza é a regra de tudo
O Nada pode ser Tudo
O Tudo, Nada
Ambos
Tão somente metáfora
Pensar demais estraga
Sentir tem mais sentido
Ninguém é insensível
À amargura dos pesares
No entanto a liberdade
De menos senti-los
Sem queixas
Resistindo despojado
Mirando os lírios
Torna a vida
Mais suave
De qualquer forma
Existir é presente
Ao Sol
Ou na escuridão da noite
O que é bom
Finda
O que é mal também
Tudo afinal
Tão desimportante
Diante o viver
Por si só
Esse lapso de instante
Mágico que nos brinda
Aproveite a vida
Sem pressões
Agonizantes
Impostas a si mesmo
Simplesmente viver
O ópio
Que nos livra
Do sem sentido
Desembaçando os olhos
Quando não vêem
Tudo
No Nada
Rob Azevedo
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Desigual
Desigual
Dizem-me louco
Os tolos
Presos ao chão
Não sabendo que vôo...
Ah! Formigas de cabeça oca
Assim os vejo
Voando bem alto
Acima das nuvens
E píncaros dos montes
Ser desigual
É meu trunfo
Honra
Lábaro dourado
Sou desigual
Eu canto
Porque sou
Intelectual
Num mundo
Onde todo mundo
É boçal
Uso chapéu
Quando não usam
Roupa desigual
Fora do padrão normal
Sim, caro irmão
Desertei do rebanho
Que rumina no pasto
Da hipocrisia e ignorância
Tenho identidade própria
Que não é enlatado
De supermercado
No cardápio do meu papo
Nenhum lugar comum desgastado
Que se ouve pelas esquinas
Meu diálogo
Causa estranheza
Eu sei
Quando falo de Persépolis...
Ahn? O que?
Do que se trata?
Ah! Pesquise na enciclopédia!
Ilustre-se!
História Antiga
Faz bem
Pra saúde!
Olhe, não me rotule
Porque não sou igual a você
Ou vai saber
Que te acho
Um tremendo asno
Padronizado
Uniformizado
Enlatado
De supermercado
No mais
Eu vôo bem alto
Você lá de baixo
Nunca vai me entender
Rob Azevedo
Anjo de Amor
Anjo de Amor
-> Trilha sonora
Seu corpo assim
deitada de bruços
uma perna bem aberta
estendida ao lado
dobrando o joelho
dormindo nua
lindamente nua
em cada curva sua
relevo que me arranca suspiros
em redondas formas
repartidas por fenda
que desce maliciosa
ao seu sexo que se mostra
natural, sem rubor
nem guarda
como um anjo adormecido
descansando por mim
que o sono lhe vela
para que o vigor
revigore
doando-me amor
ao despertar
miro esse anjo
rezando
agradecendo
por ser meu
seu sexo assim
inocentemente nu dormindo
seguro na intimidade
do nosso quarto
sem receio algum
restrição ou pudor
em mostrar-se
como veio ao mundo
pelas mãos de Deus
nele os olhos fixo
tão logo enlevo o espírito
e me inspiro
escrevendo versos
desvendando o universo
que é seu corpo
a flor onde pousam meus olhos
é dádiva a mim consentida
pelo Criador dos anjos
agradeço
agradeço
agradeço
dorme, meu amor
dorme
que seu sono velo
mirando-te assim
dormindo nua
como um anjo
de amor
Rob Azevedo
Consumado Enleio
Consumado Enleio
(Com eu lírico feminino)
Arremate-me amor
e me mate de amor
sem pudor
rapte-me e me cale
saciando a vontade
do cair da tarde
ao nascer do Sol
desalinha o lençol
perca-se em meu corpo
naufragando no poço
sem fôlego
vadie pelas Luas
cheias do busto
que é teu
beija meu dorso
penetrando minha alma
domando-me nas rédeas
de minhas madeixas
cavalgando valente
em busca do gozo
abocanha meu pescoço
passeia a língua
da nuca ao colo
descendo ao umbigo
redemoinho à caminho
do paraíso
que é teu consentido
por livre e espontânea
paixão
afogue-se
entre um par de coxas
teu parque
de diversão
beijando o cálice
da minha flor cor de vinho
com devoção
meu sexo rendido
desflorado no leito
abre-se para ti
em pétalas
de Amor-Perfeito
consumado enleio
inteiro prazer
que te consagra
meu homem
eu
tua mulher
Rob Azevedo
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Um Poema Inocente
Um Poema Inocente
Licor de Jenipapo
Outra cor no ar
Mel e dourado
Sabor de pecado
Menina vem devagar
O fogo vai te queimar
Travessa ateia
Mais a chama
Que incendeia
Ô Emília, boneca de pano
Sem tino nem miolo
O sabugo de milho vai entrar
Na história sem pestanejar
Se esconde do Visconde
E do sapo que goza
De menina mal-criada da roça
Se veste de rosa
Por baixo
Os grandes lábios
Pinta
De rouge-carmim
Ai de mim!
Vão me engolir
In-tei-ro
Indefeso entre um par de coxas
Menina vem devagar
A Cuca vai te pegar
La cucaracha, la cucaracha
Enfiei o cabo
Da vassoura
Na barata!
Saiu desbaratada
Descascando batata
Coitada!
Eu te avisei
Menina
Vem devagar
O Bicho Papão vai te pegar
Tem os olhos enormes
E a boca bem grande
Parecendo morto de fome...
Pergunta pra que?
Pra te comer!
Menina vem devagar
O galo já cantou
A jurupoca vai piar
E o peru
Vem cantando glu-glu...
Rob Azevedo
A Alcova de Don Juan
A Alcova de Don Juan
-> Trilha sonora
Naquela noite
Fria e só
Na penumbra d`algum candeeiro
Entre brumas madrigais
Cruzaram nossos olhos
Estremecendo tudo por dentro
Penetrando a alma
Arrepiando pêlos.
Que força mágica num olhar
E encanto arrebatador no semblante!
Porte esbelto, trajes elegantes
Um olhar
De duração e profundidade
Igual à eternidade
E alguém se derrete
Entregue
Ofegante
Mulher...
No sereno noturno
O frio convertido em calor
Orvalho, em suores de Amor
E dois desconhecidos se amam
De corpo e alma em pleno cio
Um ao outro com volúpia despindo...
Suspiros
Arranhões
Gemidos
Declarações apaixonadas
Em sussurros
Num parque ermo, escuro
Na relva às margens dum lago
O primeiro inefável orgasmo
Masculino e feminino, síncronos.
Ó Dama da Noite!
Teu perfume que inunda o bosque
Mistura-se ao de dois amantes
Inebriantes aromas, marcantes
Rastros invisíveis de Amor
Por onde se vão
E se deitam com paixão.
Ó Constelação de Órion!
Tuas estrelas
Não nos valem
Para contarmos os beijos
Que nos damos...
Contemos todas do céu!
Lábios que se encontram
Se roçam, escorrem um no outro
E se encaixam
Dentes que mordem de leve
Línguas que lambem
E se entrelaçam.
Mãos que suaves deslizam
Por todo corpo feminino
Profanando sagrados paraísos
Pousando no recôndito ninho
Acariciando
Desfolhando a rosa com carinho
Penetrando com a ponta dos dedos
O poço da libido
Umedecido
Pelo prazer consentido
Como um bom vinho
A bom bebedor.
Embriagado, meço no firmamento
A dimensão do infinito
Da anatomia da mulher
A cada palmo mil segredos
Mil oásis, mil devaneios
De perdição e desejo
Dos temores do naufrágio
Ao porto seguro
No colo macio, delicado.
Ó Par de Seios!
Contigo converso
Em sutis colóquios
Sorvendo teus conselhos
São generosos
Meus travesseiros
Após o Amor.
Estamos assim
Enamorados
Perdidos em delírios
Como os grandes navegadores
Deslumbrados com o descobrimento
Do Novo Mundo.
De onde vim?
Vim de onde
O vento surge
Minha alcova, minha cama
Palco do Amor que arde em chama
É na verde grama
Nos bosques, às margens de lagos
Ou na praia
Ao canto das ondas
N`alguma rua escura
Numa escadaria ou varanda
Sacada
De casa abandonada
Ou ainda
Na morada
D`alguma nobre dama
Aconchegado aonde dorme...
Talvez, quem sabe?
No guarda-roupas
Um oportuno esconderijo...
Meu nome?
Don Juan
Sou fogo que consome
Sem que se apague
Sou lenda
Sonho de mulher
Amor e prazer.
Rob Azevedo
domingo, 20 de janeiro de 2008
Chuááááá...
Chuááááá...
-> Trilha sonora
Naquela deserta praia
Sob a Lua cheia
O céu estrelado
A brisa marinha
Balouçando ramos
De palmeiras
Maresia, algas, conchas coloridas
Ao luar
Ondas que murmuram
Lambendo a areia
Trazendo ao vento
Branca escuma
Entre brumas
Da madrugada
Um Amor ao lado
Ao redor da fogueira
Gaita
Violão e vinho
O que mais, meu Deus
Precisamos
Quando estamos
No paraíso
Como no início
Feito Adão e Eva?
Tudo conspira
A favor
Do Amor
Cada estrela inspira
Poesia
Ondas que murmuram
São cantos
Celebrando
Corações
Enamorados
Chuááááá, chuááááá...
Canta o Mar
Pra lá e pra cá
Indo e voltando
Como dois corpos nus
Um sobre o outro
Na vastidão erma da praia
Comungando a Natureza
Se amando
A sós
Na areia
Ao canto do Mar
Chuááááá, chuááááá...
Indo e voltando
Rob Azevedo
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
O Mensageiro
O Mensageiro
-> Trilha sonora
Slapt, slapt, slapt...
Um homem de galochas vinha
Caminhando na estrada de terra batida
Depois da chuvarada
Béééééérrrrr...
Muge uma cabra
E range o portão
Se abrindo preguiçoso.
Levantei do toco de carvalho
Onde matutava
Tirando o chapéu de palha
Coçando a barba
Mastigando um naco de capim.
Meus olhos cruzaram
Aquele olhar cansado
De quem vem
De léguas além.
Parecia um profeta,
O Visconde de Sabugosa
Ou o Merlin
Mensageiro
D`algum grande segredo.
Fitou profundamente
Por infindáveis instantes
Meus olhos
Desnudando minha alma
Sem murmurar palavras.
Julguei louco
Aquele senhor idoso
Depois cismei
Encabulei e achei
Que estava
Todo cagado
Ou talvez
Com o rosto pintado
De palhaço.
Não! Não era nada disso...
Tampouco me encarava
Querendo briga
Era velho demais para tanto.
Ah! Ninguém mesmo dá ouvidos
A velhos assim...
Senis...
Virei as costa e fui embora
Quando ouvi:
- É este o legado que me dás?!
Virando as costas ao mundo
Deixando-o que escorra
Entre os dedos...
Eu sou você
Seu mundo
Quarenta anos depois...
Não se abandone
Rapaz
Nem espere que o amanhã
Se resolva por si só.
Não se canse tão cedo
De tentar mudar as coisas
Deixando-as como estão
Porque depressa o tempo passa
E quando voltar a te ver
Reconhecerás a mim
Como se olhando no espelho.
Saberás: Eu sou você.
Nessa hora tardia
Sim, não haverá mais como mudar
Os quarenta anos que se passaram
E qual legado haverá me deixado?
...Um eco ecoa no infinito...
E aquela imagem
Desvaneceu-se em brumas
Diante meus olhos.
O que faço da vida
Desde então
Tornou-se poesia
O resto
Pouco importa...
Rob Azevedo
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Me-Nina
_Me-Nina_
-> Trilha sonora
Lá dentro de mim
No mais profundo
Busquei algo pra te dar
Um conto de fadas
Dos tempos de menina
Lembra?
A inocência de outrora?
A crença que se perdeu?
Envelhecemos a alma
No entanto, ela mesma
Se comove com as lendas
E chora...
Tudo tão ao avesso
Hoje em dia
Que no verso da moeda
Meus versos soam
Como vindos d`algum Don Quixote
Romântico Pós Moderno
Pelejando contra
Os mesmos velhos conhecidos
Moinhos de vento.
Não me importa
Todos envelheceram
Perderam os sonhos
Menos eu
Síndrome de Peter Pan...
- Um menino diante à mulher –
Sereno, pois tenho minha salvaguarda
Meus dons...
Que bom, somos iguais
Enfim!
O par perfeito!
Porque lendo minha história
Sei que se acalenta
Na imaginação
- Esse fabuloso reverso da solidão –
E menina se torna
Idêntica a mim
Rob Azevedo
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Labirinto dos Sonhos
Labirinto dos Sonhos
Deliro
Feito ébrio enlouquecido?
Vomito um mito!
Da víscera...
Ambígua poesia
Enigma...
Quem entenderia
Senão os filhos
De Platão?
Inusitada e trágica
Sina
Da minha lira
Dramática
Ira que abomina
Em espasmos de agonia
Cataclismo
Surrealista
Insurreição!
- Quebrai as correntes, Ó Zeus
Da Razão!
Já não me entendem
Não!
Ainda murmuram
Que pisei nas flores
E falam de sonhos...
Eu as plantei!
Meus pés
Sabem aonde vão
Ao Bosque da Ilusão
Meu coração
Vai pisoteado
Acorrentado
À maldição
Das almas
Vagando eternamente
Nas sombras do além
Vagar, vagar, vagar...
Num campo de versos
Buscando a remissão
Sem nunca encontrar
Aprisionados
Por nossa
Criação
Eis por que
Eu piso
Nessas flores de ópio!
Nos entorpecem...
Então por que o espanto
Se deliro?
Cometo atos
Que não entendem
Delirante
Meus olhos se abrem
- Abrem as portas
Da percepção -
E compreendem:
Não há salvação!
Incendeie Roma
Devassem os campos
Do Amor
Tornou-se maldição
Eu um bufão
Pregando na praça
- Num dialeto da África -
Para uma multidão
De surdos
De Plutão
Ah! Não podem ver o que vejo...
Só eu, Zeus, só eu vejo
O quão o mundo
Que criamos
Tornou-se herético
Dá-me a Pedra Filosofal...
Alguma panacéia
Haverá de curar
A cegueira
Abissal
Daqueles que lêem
Meus versos
Quem sabe um dia
Possam ler os pergaminhos
Decifrarem os hieróglifos
Desvendando o enigma
Com ajuda dos astrólogos
Nesse dia
A saída
Do campo-labirinto
Encontrarão os ímpios
Rob Azevedo
domingo, 6 de janeiro de 2008
Depois do Amor
Depois do Amor
Devolva-me a crença
No Amor
Sobretudo a crença
No depois do Amor
Devolva-me tudo
O que alguém me roubou
Devolva-me a paz
Que me tiraram
O chão que me levaram
Desanuvie o céu
Pintando-o de azul
Dá-me um ninho
Seguro
Em teu peito
Dá-me alento
Acalma a fúria do vento
Na tempestade
Transforma tormento
Em contentamento
Fugaz
Em eterno
Escuridão
Em luz
Desilusão
Em convicção
Na beleza da vida
E realização
De cada sonho
Que embalei
Meu pranto
Torna ungüento
Que tudo sara
A ferida
Mais profunda
Cicatriza
Transforma
Ilusão
Em pão
Dá-me
Um jardim botânico
Em teu corpo
E morada
Na tua alma
Dá-me algo
Que subsista
Além dos lençóis
Depois do Amor
Rob Azevedo
sábado, 5 de janeiro de 2008
A Chuva É O Que Sinto
A Chuva É O Que Sinto
Canto o que sinto
O que me brinda o momento
Agora
Ao cair da chuva
Na noite soturna
O sentir me inspira
Ceticismo
Torno-me profundo
Como o abismo
Desembocando
No fim do mundo
Aquela impressão
Incompreensível
De que o sonho
Jaz
Em conto
Esmaecido
Consumido pelo tempo
O cantarolar da chuva no telhado
Tem
Seu próprio canto
Nessa hora
O compreendo
Por intuição
Sua linguagem
Não se traduz
Por meio
Da razão
Não se descreve
Em palavras
É insight
Mantra
Ego trip
Jornada
Às profundezas da alma
É lição
Zen-Budista
- A prova do Mestre –
É dizer tudo
Por meio do que não se entende
Sente-se
Pelo sexto-sentido
É refúgio
Convite
À introspecção
E transcendência
Bálsamo
Ilha perdida
Monastério no Tibet
Reticência
É o aguçar dos ouvidos
Tentando compreender um canto
Fundamental e inexprimível
Aos cinco sentidos
É o avesso da razão
Cognição
Sensitiva
Extra-sensorial
Enfim
A chuva
É o que agora sinto
Sentindo
Com o sexto-sentido
Rob Azevedo
Legião Estrangeira – De Fantasmas
Legião Estrangeira – De Fantasmas
Cantei tanto Amor
Um dia a fonte
Da minha alma secou
Estiagem prolongada
O verde definhou
Em folhas ressequidas
O solo rachou
Em profundas rugas
Veio o inverno
Ao sopro do vento
Gelado do Norte
Meu mundo
Entristeceu
Tudo que via
Eram terras nuas
Estéreis
Árvores secas
Galhos retorcidos
Rios mortos
A inocência se perdeu
Sonhos murcharam como as flores
O riso
Não teve mais motivo
Tive medo e chorei
Quando ainda podia chorar
Depois
O sentimento também morreu
Mesmo o rio
Vertido do pranto
Secou cada gota
O maior pesar
Vinha ao me defrontar
Sem força
Para mover uma palha
Diante aos fatos
Impiedosos
Tudo era deserto
Eu um nada em meio ao desterro
Insensível
O bonde da vida indo
Embora
Sem volta
Eu murchando
Tornei-me sombra
Fantasma de mim
Cavaleiro morto por dentro
Cavalgando oculto em armadura
Atado ao cavalo
Por algum escudeiro solidário
Ao que fui no passado
À frente da tropa invisível
Segui guiando
Cruzando o deserto
Como lábaro
Inspirando
Outro tempo
Glorioso
Em mim
Jazia morto
De aparências
Valia o símbolo
E ouvi ao vento:
- Nosso General está vivo
Imbatível nos guia
À vitória!
Mal sabia o vento
Que pesava em minha alma
A mais melancólica
De todas derrotas:
Não havia mais motivo
Pelo que lutar
Nenhuma vitória
A vitória traria
A ninguém
Apagou-se
De todos dicionários
A glória
Viver tornou-se
Sem razão
Nenhuma ideologia
Nos salvaria
Nada
Nem altruísmos
Deus algum
Ou aquela quimera
Que um dia
Nos tempos da inocência
Acreditamos:
- O Amor -
Pois secou-se amargo
Em nossos corações
Na verdade nos trouxe
O pesar
Que agora sofremos
Tornou-se
Nosso inimigo
Carrasco
Cicuta
Engodo
Abutre
Víbora
Em nosso peito
Nos matava
Extirpá-lo
Nos chacinava até a entranha
Da alma
Assim em tese
Morremos
Sem saída
Num beco escuro
O maior espanto:
Mesmo a morte
Morreu!
Destituídos
Desse véu
De misericórdia sombria
Viemos a ser
O que nos tornamos:
Legião estrangeira
De fantasmas
Vagando eternamente
Pelo além
Sem descanso
Assombrando
Penando
Murmurando
Maldizeres
Ainda em cânticos
De Amor
Rob Azevedo
domingo, 30 de dezembro de 2007
Devoção
Devoção
Não, eu não te disse
Da noite triste
Sombria que existe
Quando de partida parte
Quem meu coração reparte
Nem do que amargurado senti
Sem ti ao meu lado
Sequer te contei
Tudo que imaginei
Por horas a fio
Na solidão do quarto
Têm coisas que não te conto
Por falta de coragem
Ou acho bobagem
Ainda aquele receio
De ver-me despido, indefeso
Flagrado em pecado sacrílego
Herético em delito
No recôndito
Do confessionário
Deslumbrado mirando
O crucifixo
Entre dois róseos mamilos
Guardo o segredo comigo
Do templo que ergui
Debaixo do véu
Da tua saia
O altar que venero
Dele sou servo
Devoto fiel
Encontra-se sob o céu
Do Santo Sudário
- A peça íntima que te veste -
Água benta
Nesse altar enlevo
O espírito e rezo
Nele teu cacho de uva
É Minha Santa
Hóstia, vinho e sacramento
Contrito me confesso
De joelhos entre um par de coxas
Minha fronte se coroa
Beijando a Redentora
Acaricia-me as madeixas
Ó deusa e abençoa
Teu servo devoto fiel
Que humilde vos beija
Arrebatado em transe místico
No santuário
Da carne e espírito
Rob Azevedo
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
No reverso do clamor enche o cálice e toma...
No reverso do clamor
Enche o cálice e toma...
-> Trilha sonora
Moro numa casa pequenina, pobrezinha
Na beira do mar
Não tenho nada pra te dar
Tenho Amor
Tenho Amor
Tenho Amor
Não tem nem linho, nem seda
Ouro nem prata
Vaso de louça, nem cristais
Não tem nada não
Não tem nada não
Tem o Amor
Tem Amor
Tenho Amor
Nada o que roubar
Nem o que se guardar
Nada que envelheça
Nada que pereça
Lágrima aquela
Que te mereça
Não tem teto nem chão
Ao alto o Céu
O Sol
A Lua, as Estrelas
As Nuvens
Abaixo o purpúreo tapete
Do Meu Coração
Não tem sim nem não
Nem contradição
Luz nem sombra
Silêncio nem som
Não tem nada não
Não tem nada não
Tem o Amor
Tem Amor
Tenho Amor
Não tem janela nem porta
Parede nem compota
De doce de Pêra
Nem tem cadeira
Sequer tem cama
Não tem nada não
Não tem nada não
Teus meus olhos a janela
Da alma
Tua minha boca a porta
Nosso Amor a compota
Do doce de Pêra
No lugar da cadeira
Teu trono
No Meu Coração
Na relva à beira da ribeira
Minha tua cama
Rimando com chama
Daquela
Que não se apaga não
Não se apaga não
Sou pobre então
Nada tendo à mão?
Não tem problema não
Não tem problema não
Tenho o Amor
Tenho Amor
Tenho Amor
No Amor tenho
Inspiração
Faço uma canção
Dó, Ré, Mi...
Vejo o universo em ti
Daí a razão
É teu meu verso
Mais pequenino, singelo:
Amo-te!
No reverso do clamor
Se arrepia
Enche o cálice
!et-omA
Meu Amor
Rob Azevedo