quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Piano de Cauda
Piano de Cauda
-> Trilha sonora
O piano soou
A última nota
O drink acabou
A luz se apagou
A porta da taverna
Rangendo se fechou
Tudo que tenho
À frente na noite escura
Sem nem mesmo lua
É uma deserta rua
De paralelepípedos
Aberta no vão
Dos amores arredios
Não obstante
Ecoam em meus ouvidos
Acordes magníficos
De outrora
Gravados
Na memória
Cães ladram
Revirando lixo
Trocando o passo
Vou-me embora
Acendendo
O derradeiro cigarro
Meu ir é tão amargo
Ocre, desbotado
Preso ao passado
Que no íntimo de mim
Pulsa o ímpeto
De voltar d`onde vim
Na taverna
Cerrada a porta
O silêncio
Abissal dos túmulos
A escuridão
Do além mundo
O burburinho
Da boemia se foi
O sorriso
O galanteio
As querelas
De Cupidos tantos
Entorpecidos
De vinho
O piano
Calou-se
No entanto
Com os ouvidos
D`alma
Ainda ouço
Os acordes
Magníficos
De outrora
Da lembrança
Levantam-se fantasmas
Num sarau noturno
E valsa
Dou boas vindas
Aos convivas
Em trajes
Principescos
Nos vitrais
Reflete-se o brilho
De colares
E olhares
Suave
Soa
O piano
Em ritmos
Magistrais
Cavalheiresco
Convido a dama
À dança
No baile
De quem se ama
Minhas mãos
Se entrelaçam em mãos
Suaves, delicadas
Como fina seda persa
No calor d`outro corpo
Embevecido me aqueço
E mãos
Envolvendo pousam
Na cintura esbelta
Dançamos
Nuas peles roçando
Aos acordes
Do piano
Em murmúrios clamando
Eu te amo
Madeixas graciosas
Perfumadas se derramam
Em espáduas preciosas
Descortinando
Duas rosas
Ao som da valsa
Olhos se fecham
Na brisa dos suspiros
A alma se entrega
No encaixe de lábios
A paixão se esmera
Tornamo-nos cada tecla
Do piano de cauda
Que rege a festa
Florida rua
De paralelepípedos
Alvos
E cor ébano
Com destino
Ao fim do infinito
Rob Azevedo
Tordesilhas
Tordesilhas
Singrando mares
Vem a fragata
Sobre ondulantes ondas espumantes
Velas abertas
Ao vento
Cruzando horizontes
À bordo, o poeta
Vem cantante
Na proa, guiando o leme
O arrebol da aurora
Reluz distante
Na ilha
De Bora-Bora
Um beijo flamejante
Do Sol dourado
No oásis
Do Amor sem pecado
Golfinhos em bando
No mar seguem brincando
Descortinando o quadro
Encharcado
De maresia
Constelações
De Estrelas-do-Oceano
Cintilam no manto
Que reveste o corpo
Do deus Netuno
A vida vou levando
De porto em porto
Sou marujo
Cavaleiro
Dos cavalos-marinhos
Tenho minha casa
No abrigo
Dum caramujo
Em companhia
Dos escafandristas
À vinte mil léguas
Submarinas
Procuro tesouros
De galeões naufragados
Em batalha...
Ânforas da Grécia
Porcelana chinesa
Dobrões de ouro
Das terras
Da Andaluzia
Canto histórias
Dos verdes mares
E verdes olhos
Azuis
Castanhos
Negros
Que em tantos reinos
De amores e devaneios
Sem permeio
Nem salva-vidas
Afoguei-me
Canto
Meu destino
Sem dona nem ninho
De encontro
A alguma ilha
Além
De Tordesilhas
Rob Azevedo
Cala-te!
Cala-te!
Cala-te!
Tenho algo a dizer:
Amo-te!
Não reclame
Deixe que eu esbanje
Meu Amor, Meu Amor, Meu Amor...
Senão amordaço
Tua boca
Com a mordaça
Do meu beijo
Roubo-te o fôlego
As palavras
Tua língua entrelaço
Na minha
Enlouqueço
Nós dois
Cala-te!
Porque amo-te
Ainda mais
Do que antes
Só existe
Uma coisa
Importante:
Nós nos amamos
E ponto final (.)
O resto
É poeira na sola
De nossas alparcatas
Ao léu
Bem longe
Naufragam fragatas
O tempo depressa passa
Então
Cala-te!
Os olhos cerre
Deixe que eu te ame
Amando te beije
E transborde o cálice
Enquanto
Teu rancor se cale
Rob Azevedo
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Desatino
Desatino
-> Trilha sonora
No desatino
Do instante finito
Recebo-te em meus braços
Recaindo
Entorpecido do vinho
Do Amor que sinto.
Rezo novena
Sei da ladainha
Da ida e vinda
Alternância
Entre as fases da lua
De riso e lágrima
Lágrima e riso.
Paixão não tem siso!
Negando-me te recebo
E bebo
Na boca sorrindo
O cálice do sofrer.
Embriaguez
Faz tudo esquecer
Num torvelinho
De frágeis ilusões
Remendando cacos
De cristal despedaçado.
O quão sou fraco!
Diante o Amor traiçoeiro
Que vem brejeiro
Numa cilada deliciosa
Apunhalar-me com a adaga da dor
Oculta em pétalas de rosa.
Em nossa história
A felicidade só dura
Até o luzir da aurora
Quando a cotovia canta
Sei que é hora
Da escuridão
Em plena luz do dia.
Essa dor que choro eu sei de cor
Tem a cor da paixão desvairada e rubra
Cega e surda
Vindo como se fora o Sol
Em promessa de verão
Incendiando os campos
Do sofrido coração.
Vai e volta
Como revoada de garças
Brancas e plácidas
Levadas pelo instinto fugaz
Trazidas pela saudade.
Pousam na costumeira deserta praça
Na ida e vinda devassada
Esgarçada, delinqüida, sem força
De clamar
Banhada em mágoa:
Não volte mais
Nunca mais
Pra mim
Rob Azevedo
Caramujo-Bruxo
Caramujo-Bruxo
-> Trilha sonora
Quando esconjuro
Meu Bem-Me-Quer
Sou caramujo
Fujo
Do mundo
De mim mesmo
Torno-me bruxo
Faço feitiço
Suplico
À Lua Cheia
Armistício
No front de batalha
Que maltrata
O coração
Nessas horas
Tortuosas
Tenho dó de mim
Do meu orgulho
Que finge e cala
Não ver
A borboleta
Entre as rosas
No jardim
De Nostradamus
À Merlin e Rasputin
Canto em trovas
O Amor de um Querubim
Ó profetas
Do além
Ajudai-me porque canto
Por saudades de alguém
Profecias
Magias
Cartas de Tarô
Lâmpada de Aladim
Bola de Cristal
Alquimia
Oráculo
São ósculos apaixonados
Nas páginas
Do diário de um Mago
Clamo a todo santo
Compaixão ao pecado
De um anjo caído
Amargurado
Penduro uma guirlanda
De alho
Na porta de meu quarto
Desarrolho
Uma garrafa de vinho
Envelhecida
Em barril de carvalho
Bebo sozinho, me embriago
Na dor que amargo
Depois abro
Enquanto oro
Uma garrafa
De licor Absinto
Na alta madrugada
No céu bailando vejo
Uma girafa
Escarnecendo
Do que dizem meus versos
Ah! Filosofia alcoólica!
Ah! Visão sórdida!
Que vem em miragem caótica
Zombar de minha prosa melancólica
Comigo mesmo em trova
Ó quimera nebulosa!
Ri de mim
Ri bastante
Ainda perto do fim
Sangrando o espinho que corta
Sinto o aroma
Do perfume de Yasmim
Senão naquela
Rósea, úmida, entreaberta
Penetro na concha
Da minha aquarela
De poeta
Nela me escondo
No bem-vindo ostracismo
Fujo
Do mundo
Fleumático cismo
Na profundeza do abismo
O quanto
Tornei-me sombrio
Mil saídas imagino
E vou-me embora pro meu refúgio...
Tenho a ilha
De Avalon
O que importa
Se eu mesmo
Endoidecido
Tranquei a porta?
Senão Yasmim
Devoro
Uma maçã!
Rob Azevedo
domingo, 25 de novembro de 2007
Minha Alma Responde
Minha Alma Responde
-> Trilha sonora
Lembro-me daquela noite
Amor
Em que aflita, hesitante
Indagaste em meu ouvido:
- Tu me amas em verdade?
Sussurrante
Como o vento
No Morro do Vento Uivante
Minha boca se cala
Minh`alma responde:
Amar-te é tão pouco
Tão pequeno
Quanto um único verso
Em meio
Aos mil e um sonetos
De Amor
Que te prometo
Não entendes
Amor-Perfeito?
Amar-te é pouco
É pequeno
É solitária pétala
No seio
Dos Jardins
Da Babilônia
Que em devaneios de poeta
Rasguei o ventre da Mãe Terra
E colhi
Para em tuas mãos
Macias te dar
Rob Azevedo
Refrão da Nossa Eterna Canção
Refrão da Nossa Eterna Canção
-> Trilha sonora
A cada dia se prova
Seja em riso
Seja em palavras
Marejadas em lágrimas:
Verus Amor Vincit Omnia
A cada rompante de ira
- Nunca mais quero falar contigo!
Entendo o tamanho da mentira
Quando sozinho durmo
Sabendo que sentes o que sinto
Prisioneiros do Amor
Vindo ligeiro
No manto da noite
Desvendar o segredo:
Verus Amor Vincit Omnia
Refrão
Da eterna canção
Que conhecemos tanto
Tão bem
Nada parte o grilhão
Do Amor que nos envolve
Nem tente
Teu coração é meu
O meu é teu
Forever
De resto
Não me arrependo
Do espinho
Da flor se abrindo
Porque a cada vez que te firo
Me vedes sofrendo
Bem mais
Do que qualquer alguém no mundo
Agora o pesar é tanto
Que aqueles que me vêem
Já vão encomendando
Meu esquife
No Jardim da Noite Triste
Para lá partirei
Cantando esperançoso
Numa outra vida:
Verus Amor Vincit Omnia
Onde beijar-te-ei
Luzindo
As estrelas
Do infinito
Rob Azevedo
O Bosque das Ilusões Perdidas
O Bosque das Ilusões Perdidas
Fui morar aonde
O Vento faz a curva
A felicidade se esconde.
Meu pranto e a chuva
Vivem em voraz disputa
De quem rega mais
Ou mesmo inunda
Os campos
De minha solidão.
Amargura e lamento
Postos à mesa
Num farto banquete.
Sou o Senhor Desencanto
Respeite meu canto
Se aquiete
Acaso desconhece
O que é o Sofrer.
Padecer de dor que não se vê
É angústia tão cruel
Que peço em súplica ao Céu -
Venha depressa
A Noite
Sem Amanhecer.
Há um lugar mais triste
Que o abismo do Tártaro
- O Bosque das Ilusões Perdidas –
Dê graças a Zeus
De joelhos em prece
Não ser tua morada
Onde tenho minha casa
Com vista para os portões
Dos Campos Elíseos
Sem que nele possa
Jamais adentrar.
Do Vale das Sombras
Ecoam meus versos
Chorando desterro
De imortal martírio o preço
Uma seta de Amor envenenada
Lançada por Cupido em meu peito
Quando era sepulcro
E jazia morto
O cerne vital da paixão.
Corpo fechado – maldição
Minha vida ilusão.
Silêncio!
Deixe as folhas dos arvoredos
Farfalharem ao Vento!
Respeite meu pranto!
Sou o Senhor Desencanto!
Rob Azevedo
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Dor
Dor
-> Trilha sonora
Ah! Maldita Dor!
Bebi da ânfora do desengano?
Pisei nas flores
Do Jardim do Amor?
Ó Noite!
Não serás como outrora
Cântico em leito de rosas
Onde beijaria mil estrelas
Na mesma e lânguida boca
Luzindo o arrebol da aurora
Virá o Vento
Ao acaso
Bater em minha porta?
Seu canto
É meu triste lamento
Na soturna hora
Uivando
Que algum anjo
Compadecido de meu tormento
Venha visitar-me
E traga âmbar
Para ungir meu corpo
Ao deitar-me
Sozinho
Em minha fria cama
Feito lápide
Clamo
Um socorro
Um escudo
D`algum anjo
Que me proteja
Do sofrimento –
Os lençóis que ardiam em chama
Vê-los mortalha
Envolvendo meu corpo moribundo
Solitário
Sobre este
Não sentir escorrendo
Suores de Amor
Mas orvalho do sereno
Como abandonado ao relento
Ah! Maldita Dor!
Saudade lancinante que devora
Da ponta de meu cabelo
À raiz de minh`alma!
Que canto cantarei agora
Sem minha dama de outrora?
Rob Azevedo
Amar, Amor, Sofrer
Amar, Amor, Sofrer
O que seria do Amor
Sem as tempestades?
O que seria de Romeu e Julieta
Sem a morte de ambos derradeira
Na escuridão
Dum mausoléu?
O que seria da Love Story
Sem o triste final?
De Tristão e Isolda
O que seria
Sem a morte do cavaleiro
Em batalha
À beira de um rio?
O que seria
De Casablanca
Sem a despedida
Da escada
De um avião?
O que seria
Do Morro dos Ventos Uivantes
Sem as lágrimas
De Heathcliff e Cathy?
De Abelardo e Heloísa
O que seria?
O que seriam de tantas histórias
Canções e poemas
Sem a dor
Do sofrer?
O que seria
De Cristo
Sem a Cruz
Sem o Calvário?
O que seria?
Amar, Amor, sofrer...
Sagrado Relicário
De riso e pranto
Felicidade e lamento
Rob Azevedo
"Todo grande amor
Só é bem grande se for triste...
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer"...
(Vinicius de Moraes)
Quasar Azul
Quasar Azul
-> Trilha sonora
Dói em mim
Perfume de Jasmim
A saudade
Dói demais
Mentir
Que nosso Amor morreu
Doeu
Como a morte de Deus
O peso da Cruz
Carrego sozinho
Pela Via Crucis
Ao fim do infinito
Onde nada jaz
Tão somente adormece
E renasce
A cada dia mais forte
Que a própria morte
Quiçá em breve eu chegue
Ao fim do infinito
Onde a paixão não morre
Porque lá no destino
Meus lábios
Encontram os seus
Refulgindo a luz
Do Quasar Azul
Senão de saudades
Minha vida se finda
Em derradeira agonia
Carregando a Cruz
Da própria mentira
Que plantei no campo
Do Amor sem tamanho
Rob Azevedo
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Tempestade de Amor
_Tempestade de Amor_
Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.
(Epicuro)
-> Trilha sonora
A fúria das ondas
Açoita inclemente a nau
Arremessando-a contra os rochedos
Velas se rasgam
Mastros se partem
O casco se avaria
Perde-se o leme
A nau deriva
E parece
Irremediável o naufrágio
O Mar a tudo engole
Imenso sem fundo
Escuro
Inexorável destino
Quando o desafiam
Em tormenta voraz
Qual razão de tanta ira?
O que haverá deixado
Netuno tão revoltoso?
Tempestade, Tempestade
Tua insana maldade
Esconde uma só verdade:
Aquela que cala
Sabendo que para bom entendedor
Até o silêncio fala
Ó Tempestade, não sabe a nau
Temendo que naufrague
Que és Tempestade
Tempestade de Amor!
Ó Saudade
Não sabe a Flor
O quanto
Me causas dor
Dor imensa
Sem tamanho
Mais profunda que o abismo
Do profundo mar infindo
Não!
Não é a nau pelas ondas açoitada
Que à deriva naufraga
É Netuno em paixão amargurada
Que a si mesmo se traga
Num Mar de Lágrima
Rob Azevedo
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Por Nós Dois
_Por Nós Dois_
-> Trilha sonora
Por nós dois
De coração partido
Eu parto
Quem entenderia
O por tanto Amor partir
Senão tão somente
Um poeta apaixonado?
Qualquer pretexto é valido
Mesmo o mentir
Negando o sentir
Amor tão grande e cálido
Por nós dois
De coração partido
Eu parto
Se vivendo ao teu lado
Tão somente reparto
Pranto amargurado
De coração partido
Eu parto
Derramando o mesmo pranto
Que ao teu lado
Sem que pare
Derramo
Transbordando cântaros
Amar, Amor, sofrer...
Triste sina
Tudo em minha vida
Uma só coisa
Ninguém me entende
Nada dos meus versos
Que há tanto tempo te escrevo
Te ensina
Minha triste sina
De Amar, Amor, sofrer
Do sofrer
Somente me aparto
Se de coração partido
Sofrendo eu parto
O Amor
Que jurei a ti
Até morrer
Rob Azevedo
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Já Que...
Já Que...
Que as outras morram
De ciúmes
Só farei poemas
Pra você
Já que...
A vida quis assim
Já que...
Jaqueline apareceu
É minha diva
Já que...
Sem você não sei
Nem mais de mim
Por Jaqueline eu vou viver
De amar, Amor fazer
No calor do seio aconchegado
Esperando
O dia claro amanhecer
Já que...
Nossos corpos se entrelaçaram
Já que...
Os lençóis desarrumaram
E no encaixe dos teus lábios
Bebo embriagado
O orvalho das manhãs
De quem amanhece
Apaixonado...
Já que a vida é bela
Para quem vive de amores
Já que em teu espírito e corpo
Sorvo o aroma de mil flores
Já que o céu é infinito
Quando rasga meu peito
A poesia que a ti dedico
Contigo ressuscito contrito
De maldito mendigo
Ao homem no Amor mais rico
Já que
É linda
A vida e você
Jaqueline em versos
Cantarei
Cantarei
Cantarei
Por nós dois
Em honra ao Rei
Que me tornarei
Quando sermos um
Longo suspiro
Abençoado
Pelo Celeste Pai
Rob Azevedo
The Last Good-Bye
The Last Good-Bye
-> Trilha sonora
Estou de partida
Para o Bosque das Ilusões Perdidas
Rasgue minhas fotos
Meus poemas
Esqueça que existi
Em sua vida
Deixe-me seguir
Meu caminho
Sozinho
Não me prenda
Não sou pássaro na gaiola
Nem repita mais
Em meus ouvidos
Forever
Encare a realidade:
Tudo um dia tem seu fim
Mesmo o Sol se apagará
Não vedes que vivemos de passado
E hoje estou triste?
Os versos que te faço
Há muito
Têm gosto amargo
Não são como antes
A pureza se perdeu
Vêm carregados de incertezas
Amarguras
Raiva
Um tanto de Amor
Eu sei
Mas daquele que corta a alma
Cabeça posta no travesseiro
Me pergunto:
O que estou fazendo?
Se tantas vezes jurei
Que partiria no cair da noite
Sendo o destino, no entanto
Seu quarto
Desatar o laço
Não é fácil
É como um vício
Na embriaguez do momento
Se perde o tino
Nos aprofundando no abismo
Mas a lucidez depois
Dói mais fundo
E me pergunto:
O que estou fazendo?
Não tente entender
Minhas razões
Saiba somente
Que as tenho
Não tente entender
O porquê da minha tristeza
Incerteza
Amargura
Raiva
Não tente entender
Nada
Não há Mea Culpa
Para nenhum de nós
Apenas me deixe partir
Livrar-me do fardo
Que pesa em minh`alma
Rob Azevedo
Será?
Será?
-> Trilha sonora
Se eu digo que te amo
Rezando, segurando o terço
De pé junto
Não me perguntes sempre:
- Me amas mesmo?
Nem negues
Minha jura
A cada vez
Que a sacramento:
- Me amas nada!
Porque assim
Me confunde
Eu paro comigo
E penso:
Será que te amo
Realmente?
Confuso no que digo
Por tanto questionamento
Acabo parando – de te amar - e pensando:
Será que realmente
Te amo?
A duvida
Contagia
Bem mais do que qualquer epidemia
Ébrio da incerteza
De tanto bater água mole
Em pedra dura
Já nem em mim mesmo
Acredito
E passo noites insones me perguntando:
Será que realmente te amo?
Ah! Dá um tempo!
Vai que me confundo
Numa dessas reuniões
À sós comigo
E de repente, duvido
Do que eu mesmo digo?
E decido:
Senão te amo
Amarei outro alguém
Rob Azevedo
Amor-Mal-Assombrado
Amor-Mal-Assombrado
Adeus
Amor meu
Adeus
O trem se foi
Eu digo Adeus
Procure os seus!
Mais triste que um Amor
Quando se finda
Só a dor
De um defunto-Amor
Para quem não existe
O descanso, a paz
Da despedida
O alívio
A redenção
Do Adeus
Adeus
Amor meu
Adeus
Procure os seus!
Amor-museu
De passado vivendo
Lembranças d`algum tempo
Quando foi bom
Toca o sino...
Faca de dois gumes
É minha sina:
Tão bom haver sido
Que me guardam
Como peça de antiquário
Apodrecido relicário
Vestígio
De um Amor empoeirado
Espane as teias de aranha!
Mate as traças
Sobre a foto preto e branco...
Aonde se foi a graça
Em meu sorriso amarelado?
Amor-escravo
Acorrentado
Ao passado
Sabe o futuro:
Amor-Mal-Assombrado
Síndrome de Hamlet
Amedronta meu espírito:
Ser ou não ser?
Eis a questão!
Ser um fantasma
Correntes arrastando
Pelo castelo
Maldizendo as chagas
Do coração maculado
Ou feliz campeiro
Colhendo entre flores
Amor-Perfeito?
O queijo
Tem gosto azedo
O vinho, amargo
Uma coruja me espreita
Enquanto morcegos silvam
O luar
Ilumina o túmulo
Uma vela
Quase ao fim
Tremula a chama
E apaga
Minha companheira
Lúgubre
Da derradeira hora
Vem voando
Zigue-zagueando
Desajeitada
Pousa em meu ombro
Ó Mariposa
Por que não vá embora?
Nem tens a doçura da rosa!
Ao menos
Teria algo das flores
Para depositar no túmulo
Do Amor-defunto
Rob Azevedo
domingo, 18 de novembro de 2007
JAQUE
JAQUE
-> Trilha sonora
O bom da vida
Muitas vezes se encontra
Bem mais perto do que pensamos.
Acalentaste teus sonhos
De paraíso de encanto
D`outro lado do Atlântico
Porque longe estava
Milhas sem fim distante
Dos olhos que tudo vê
E por si mesmo
Compreende.
Imaginavas
Não haver pobreza nem dores
Somente riso e flores...
Ah! Quimeras!
Teu desejo
Foi pousar longe
Dos teus
Das águas ondulantes
Que beijam as praias
Verde-amarelas.
Nem tanto ao mar
Nem tanto à terra...
Agora sabes:
Nossas favelas
São mais belas!
Sem hipocrisias tolas
Nem rótulos
De primeiro mundo
E nosso belo
É tão mais formoso
Que chega a ser esplêndido
Inspirando
A Canção do Exílio...
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá...
Meu Deus!
Quando partiste
Rogando em prece pedi:
Não permitas que de saudade eu morra
Estende minha vida
Por vinte dias
E quando volte a amada
Entenda:
O bom da vida
Muitas vezes se encontra
Bem mais perto do que se pensa.
Rob Azevedo
Sentir
Sentir
Descobri que um poeta
É como um cantor
Que precisa cuidar
Atentamente das cordas vocais -
Fazer gargarejo
Não tomar gelado
Não gritar demais
Evitar resfriar-se...
O poeta
No caso
Há que cuidar
Dos seus sentimentos
Porque cada verso
Reflete o que sente
No ponto extremo
Torna-se deserto estéril
Onde nenhuma flor-poesia
Floresce
Morre a cria
Cala-se a Inspiração...
O poeta
Há que sentir!
Lá vem a chuva...
Verso de ira
É meu termômetro que indica
Por qual caminho devo seguir
Qual abandonar
Ah! Quero somente os poemas de Amor!
Sem dúvidas, sarcasmos
Desilusão ou raiva...
Quero um Amor que seja
Como a folha nua
Quando deito a primeira letra
Um campo em branco
Sem histórias sendo
Simultaneamente escritas
Vindas
D`outros tempos
Sem congestionamento
Nem bate-cabeça...
Alguém que viva
Cada coisa
Ao seu momento
Nunca
Ao mesmo tempo
Rob Azevedo
sábado, 17 de novembro de 2007
Não Há Vagas
_Não Há Vagas_
Não há vagas em meu harém
Não há vagas em meu harém
Leia a placa:
LOTAÇÃO ESGOTADA!
Com dinheiro algum se paga
Nem um milhão
Nem um vintém
Não há vagas em meu harém
Beldade da Pérsia
À mais excelsa
Bacante da Grécia
Leia a placa:
LOTAÇÃO ESGOTADA!
Com ouro algum se paga
A única vaga
Exclusiva, cativa
Se encontra ocupada
À sete chaves trancada
Guardada, sacramentada
De Amor jurada
Até o fim da meada
Da vida de Deus
Rob Azevedo
F...
F...
Use
Sem que abuse
Porque o bolo
Meu Amor
Desanda
Quando menos se espera
Saiba que nunca se releva
Avisos
D`alma de quem se exaspera
E ferve
Feito panela
De pressão
Uma hora
Estoura
Já era!
Partiu o coração?
FODA-SE!
Rob Azevedo
=========================================
Minha definição do Orkut:
-> O mais eficiente detector de mentiras que existe.
Hehehehehe...
sábado, 10 de novembro de 2007
(In)farto
(In)farto
"Escravo é aquele que não pode dizer o que pensa". Eurípedes
-> Trilha sonora
Estou farto
Ao que me causa esse estado
Falta o senso de piedade
Para entender que estou farto
Tenho culpa em parte
É bem verdade
Porque me calo
Para que não cause espanto
Quebrando o espelho côncavo
De Narciso envaidecido
A imagem que tenho
De teu Alter-Ego
Não é aquela que tens
Para si
Deixe o leão rugir
Eriçando teus cabelos
Esbugalhando olhos
De estarrecimento
Ao menos
Saberás o que penso
Não vivendo junto a mim
Num mundo falso
Celebremos a verdade
De nossas hipocrisias
Inextinguíveis mentiras
De santos e santas
Do pau oco
O prazo vencido
Da estratégia que utiliza
Tão conhecida
Como a palma da mão
Minh`alma abomina
Resume-se no teorema:
Mostrar o que dá problema
Relevar o que é irrelevante
E calar-se
Quando ambos são redundantes
Em silêncio conveniente
Assim tudo adquire
Ares de naturalidade
E se confunde
Ainda nos deixa
De mãos atadas
Impondo o que na garganta entala
Ah! Minha Virgem Santa
Não me enganas
Nem te engano
Sou anjodemônio
És o fermento
Do meu aborrecimento
Rob Azevedo - VISCERALMENTE ROB!!!
Guns N' Roses - Used To Love Her
I used to love her,
but i had to kill her
I used to love her,
but i had to kill her
I had to put her, six feet under
and I can still hear her complain
I used to love her, (whoa yeah)
but I had to kill her
I used to love her, (oooo yeah)
but I had to kill her
I knew I'd miss her,
So I had to keep her
She's buried right in my backyard
(whoa yeah)
(whoa yeah)
(whoo-oo yeah)
I used to love her,
but I had to kill her
I used to love her, (whoa yeah)
but i had to kill her
She bitched so much,
she drove me nuts
And now we're happier this way, alright
(whoa yeah)
(whoa)
(whoo-oo yeah)
I used to love her,
but I had to kill her
I used to love her (ooooh yeah)
but I had to kill her
I had to put her, six feet under
and I can still hear her complain (yeah-eeeah)
=========================================
Guns N' Roses - Used To Love Her (tradução)
Costumava amá-la
Eu costumava amá-la,
Mas tive que matá-la
Eu costumava amá-la,
Mas tive que matá-la
Eu tive que a pôr seis pés abaixo
E eu ainda posso lhe ouvir reclamar
Eu costumava amá-la, (whoa yeah)
Mas tive que matá-la
Eu costumava amá-la, (oooo yeah)
Mas tive que matá-la
Eu soube que sentiria sua falta,
Assim eu tive que mantê-la
Ela está enterrada bem no meu quintal dos fundos
(whoa yeah)
(whoa yeah)
(whoo-oo yeah)
Eu costumava amá-la,
Mas tive que matá-la
Eu costumava amá-la, (whoa yeah)
Mas tive que matá-la
Ela era cadela demais,
Ela me deixou louco
E agora nós estamos mais felizes desse jeito, certo,
(whoa yeah)
(whoa)
(whoo-oo yeah)
Eu costumava amá-la,
Mas tive que matá-la
Eu costumava amá-la, (ooooh yeah)
Mas tive que matá-la
Eu tive que a pôr seis pés abaixo
E eu ainda posso lhe ouvir reclamar (yeah-eeeah)
Cinderela
Cinderela
Cinderela era aquela
Até meia-noite
Princesa encantada
De incólume castidade
Bastava o relógio soar
As doze badaladas
Em abóbora
Ela mesma se transformava
Debandando em retirada
Aos braços do leiteiro
Coitado do príncipe encantado
Onde foi, meu Deus
Onde foi amarrar a égua?
Cartas de baralho
Marcadas
Desculpas esfarrapadas
Que ninguém acreditava
Ai meu Deus
Tens piedade de mim!
Já não agüento
Fazer-me de cego
E trabalhar feito escravo
Açoitado no lombo
Para que Cinderela
A auto-intitulada
Semi-donzela
Se esbalde
Com Joaquim
José
Manuel
E mais alguém
Vaidade, vaidade
A princesa-abóbora
Fez-me vassalo
Da vil vaidade
Ai de mim!
Que tantas vezes
Chutei o balde
Em vão
Cinderela se vai
E volta
Feito excremento n`água
Aquele mesmo
Que aduba o jardim
Rob Azevedo
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Tábua de Salvação
Tábua de Salvação
Que venham ventos, temporais
Chuvas, tempestades, vendavais
Escureça a treva a luz do dia
Minha regra será do amor a alquimia
Madeixas contra o vento desleixadas
Aderida ao relevo do corpo a roupa molhada
Se despe no mar em sutil transparência
Tragando a nau que à deriva naufraga
Como quem aos céus suplica clemência
Clamando a vida no desejo afogada
Encontro em tua alma da salvação a tábua
Refém e cativa em voluptuosa alegria
Em gratidão devotada à mulher que queria
Da liberdade perdida não sobrevém a mágoa
Rob Azevedo & Karla Julia
(Blas)fêmea
(Blas)fêmea
Ó Fêmea Virgem Santa
Desça do céu
Venha deitar-se em minha cama
Tua candura celeste
Doçura do Éden
Incólume castidade
De Mãe de Deus
Amalgama com toda vontade
Dos porões da minha voluptuosidade
Liberto sem tino
Tornei-me libertário, libertino
Libidinoso menino
Cantando em poema blasfêmia
Inconseqüente, delirante
Tão verdadeiro quanto a Verdade
Queimo dogmas na fogueira
Da Inquisição luxuriante
Ó Virgem Mãe
O que é a deidade
Sem o êxtase do gozo
Criador do Universo?
O Arcanjo Gabriel foi teu amante?
São José o marido traído?
Ah! Quem blasfema
Contra a natureza
Gerando um filho
Sem o encontro de dois corpos
Mutuamente entregues, desnudos
Um sobre o outro...
Eu blasfemo?
Ó Fêmea Virgem Santa
És mãe
Do meu fetiche
Mais secreto
Nem revelado
No recôndito do confessionário
Virgens me instigam
São sinônimos
De ebulição dos meus hormônios
Santas me provocam
Desafiam meus instintos
A pervertê-las ao abismo
Da perdição deliciosa
No coito transformada
Em Rainha Meretriz
De ponta à cabeça
Com mãos e língua
De corpo, alma, mente, coração e membro
Dos mamilos ao bendito paraíso
Um pouco abaixo do umbigo
Cidade da luxúria
Destruída com fogo e enxofre
Descido do céu
Pela ira de Deus?
Não!
Cataclismo de dois orgasmos
Masculino e feminino
Em vulcânica erupção
Ascendendo ao Divino
Em gloriosa redenção
Rob Azevedo
In(can)descente
In(can)descente
Sorvo teus mamilos
Como quem joga no bicho
Em flagrante delito
No útero adultero
Como quem encomenda
A alma ao Diabo
Escrevo um poema
A ti dedicado
Dou um passo ao cadafalso
Sinto a corda no pescoço
E urro
Como boi no matadouro
Caio morto
No breu tenebroso
Degolo
As três cabeças de Cérbero
Adentro no Tártaro
O fogo que arde
É da cor
Do meu rubro desejo
Passagem de ida sem volta
Ao eterno tormento
Onde sou o fígado de Prometeu
Carcomido pelo abutre
Mas teu gozo em minha boca
Teu gozo uníssono ao meu
Tem o sabor do pecado
Do adultério da Mãe de Deus
Assim de bom grado
Rasgo a Escritura, me igualo ao Diabo
Num grau mais baixo
Sou um mero lacaio
A região in(can)descente que habito
Tem a profundeza do abismo
Que engole meu corpo
Entre o par de coxas
Da mulher que atraiçoa
Acendo uma vela
Seguro o terço
Rezo e me despeço
Encomendando num gozo
Minh`alma ao inverso
Do que dizem o Inferno
Rob Azevedo
Ode aos Escribas
Ode aos Escribas
Fala-se muito
Diz-se pouco
Escreve-se bonito
Versos ocos
Daí o por quê
Faço ouvidos moucos
Aos escribas imitadores
De Carlos Drummond
Não me acusem de pretensioso!
Vomitei até meus versos
Quando os reli ao inverso
Sem rima, nem sentido
Poesia sem nexo
Caos perplexo
A sinfonia fez-se barulho
O claro, hermético
O texto, holocausto
Meus testículos preciosos
Um par de ovos estrelados
Liberdade, claustro
Claridade, breu
Trompete, clarinete
Acordeom, gaita
Violão, guitarra
O epitáfio
- Aqui jaz -
Outdoor de show
De New Orleans
Então, caros irmãos
Não me acusem de presunçoso
Não somente os teus
Mas os versos meus
Vomitei-os da entranha
Cuspindo sangue e chama
Quando os reli ao inverso
Rob Azevedo
Nonsense Matinal ou Manhã Azarenta
Nonsense Matinal
Ou Manhã Azarenta
Café com pão
O pão
Cai no chão
Com a manteiga
Virada pra baixo
Encontro uma mosca
Varejeira azul
Boiando em meu café
Debatendo-se, coitada
Em vão
Pra não morrer afogada
Meu microcosmos
É tão trágico
Divago
Soltando
Baforada de cigarro
O leite
Virou coalhada
Fede
E tem gosto horrível
De coisa estragada
Irei aos Cafés
Do Rio de Janeiro
Beberei cerveja no gargalo
Jogarei bilhar
Farei uma fé
No jacaré
Cercando a milhar
Centena e dezena
O algoritmo
Co-seno
Tangente
E dízima periódica
Vai um
Desce dois
Pro quinto dos infernos
Já estamos no térreo
De frente
Pra Atlântica
O expresso Botafogo-Baixo Gávea
Atropela
Um puddle de madame
Que surta na calçada
Aos berros, descabelada
Minha poesia é insurgente
Contra a lógica inconsciente
Do lirismo métrico concebido
Nos versos que escrevi outrora
Reviro os bolsos
Da calça desbotada
E carteira
Procurando
Um real que seja
Resmungando com meus botões
Dou-me conta:
Fiz a conta equivocada
Volto pra casa
Ruminando
O nonsense do nada
Rob Azevedo
sábado, 20 de outubro de 2007
Diana
Diana
-> Trilha sonora
Inspiro, cerro os olhos, imagino
Relaxo o corpo e vôo, sentindo
Nós dois, sobre uma cama de rosas
Em pensamento me dôo
Pétalas no quadro pinto
Devagar se abrindo
Contrito me confesso
Tocando seu corpo
Como um violino
Meu Amor e carinho
Não se mede
Sem contar as estrelas do infinito
Tampouco meu desejo
Companheira dor que arde em meu peito
Nessas noites de solitude insone
Em que derramo nas brancas folhas nuas
Versos banhados em sangue
Dum coração ferido
Atravessado pela seta de Cupido
Que devaneios loucos, incompreendidos
Amarguram a alma dos trovadores
Quem os entenderá?
Algum William Shakespeare
Nos dará as respostas
Formulando teses onde se explique
Por que tanto Amor ao Amor sofrido?
Por que te elevei
Ao píncaro do monte mais alto
Onde já não posso alcançar-te?
Por que te vejo
Na lua refletida
E te procuro trilhando
As sendas da Via Láctea?
Vem para o chão
Meu Amor
Desça das nuvens
Abre mão de ser anjo
Desça do pedestal
Em que assentas como estátua de mármore
Idolatrada Diana
Rob Azevedo
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Cama de Rosas
Cama de Rosas
-> Trilha sonora
Vela no castiçal
Incenso no ar
O quarto em penumbra...
Eu na sombra
Escrevendo poema
Nosso palco de Amor
Ao lado
Cama de Rosas
Em lençóis de cetim vazia
Em minh`alma inspira
Poesia
Em devaneios perdida
Minha pena desliza comovida
Em sonhos de poeta
Meu corpo junto ao seu transpira
Cantamos nosso canto
Cantando seu nome clamo
Amando meu nome clamas
Na cama que se torna chama
Mordendo os lábios
Meus lábios encontram
Nos meus os seus
Como duas mãos juntas que rezam
Da alquimia o feitiço:
Encontrar-te em mim
Quando não estou contigo
Duas almas unindo
Assim que te amo
Elevado em prece
Venerando
Purificando o espírito
Profanando seu paraíso
Em Sacro Sacrilégio
Rob Azevedo
sábado, 13 de outubro de 2007
Foto Preto e Branco
Foto Preto e Branco
-> Trilha sonora
A chama crepita
Amanhã
Será cinza
Meu peito se aperta
Dói
Tudo um dia finda
Vida
Luz do dia
Riso
Jardim florido
Outrora
Fui menino
Brinquei no pátio
De peão
Bola de gude
Roda
Joguei bola
Soltei pipa
Catei conchinha
Na praia
Nadei no mar
Daquele tempo
Sou sombra
Foto preto e branco
Com ar de medo e pranto
Desbotada
Lembrança
Como eu amo
Aquela criança
Fantasma de mim
Que vejo
Em preto e branco
Com ar de medo e pranto
No quadro
Ela
- Digo alto para que todos saibam –
Sou eu!
Tão frágil...
Segurando um brinquedo
Não queria perdê-lo!
Comprado por meu pai
Na feira
Da praça
Singelo
Uma coisa somente
Inerte
Que não responde
No entanto
Naquele momento
Era meu mundo
Alegria
Riso
Dele eu cuidava
Como meu pai e mãe
Cuidavam de mim
Com todo Amor e Carinho
Por algo tão querido
Um dia
O presente quebrou
Eu cresci
A infância findou
O rio segue seu curso...
Ainda tenho meus pais por ora
Ainda tenho
Aquele Amor...
Melancolia
Fluindo o rio
Tanta água secou
E flor murchou
Agora tudo é mais trágico
De brinquedo inanimado
À gente falante
Que sente e se locomove
Feito nuvem flutuante
Me apego
Meu brinquedo era surdo
No entanto me ouvia
Era mudo
E falava comigo
O que ouvir desejava
Pois eu quem por ele falava
Tornando-o vivo
Agora tudo é mais trágico...
Do que faço meu mundo
Alegria
Riso
Cântaro de sentimento
Se move
Por livre e espontânea vontade
Vai para onde bem quer
Diz o que lhe convém
Nem sempre
O que ouvir desejo
Ainda tem o fato
Não raro:
Me fazem de brinquedo
Agora tudo é mais trágico...
Da situação
Perdi o controle
Tenho mais medo
E ar de pranto
Que antes:
O Amor em que me ancoro
Não é o dos meus pais
Não tem
Sua duração
E verdade
Com ar de medo e pranto
Miro o céu
O Sol se põe
A noite cai
Passou o trem
Com destino
A lugar nenhum
Uma vaca mugiu...
A chama virou cinza
Meu peito se aperta
Dói
Medito:
Tudo um dia finda
Vida
Luz do dia
Riso
Jardim florido
Rob Azevedo
domingo, 16 de setembro de 2007
Razão de Tudo
Razão de Tudo
-> Trilha sonora
Manhã de sol
Um corpo ao lado
Acordo contigo
Abraçado
Aninhada em meu peito
Serena dorme nua
O descanso da noite
Cheia feito a lua
De Amor
Sou teu manto vivo
E travesseiro
Em silêncio te protejo
Te conforto, te aqueço
Enquanto dormes
Acaricio teu cabelo
Tua testa beijo
Lábios, queixo
E ponta do nariz
Ah! Sou feliz!
Porque acordo contigo
Abraçado
Aninhada em meu peito
Em contemplação te vejo
Dormindo
Serena e nua
O descanso da noite
Cheia feito a lua
De Amor
Desperto em sonho sigo
De olhos abertos
Adormecida sonhas comigo
E eu confesso:
Meu sonho mais belo
Deitado ou de pé
De olhos fechados ou abertos
É mulher e tem teu nome
Acordado ou dormindo
É sonho digno do paraíso
D`outras vezes contradito
Quando não tenho teu carinho
Afligindo me deixas insone
Mulher sou teu homem
O Amor que tenho
O inverno não esfria
Com dinheiro não se paga
O vento não carrega
O tempo não apaga
A distância não separa
O fogo não consome
Ateia a chama
Da paixão que incendeia
Corpo e alma toma
Mulher sou tua água
Alimento, teto e cama
Da minha vida é o ar
Senda que caminho
No horizonte o mar
No céu o Sol
No sertão a chuva
Das veias o sangue
Dos olhos a visão
Do meu existir o sentido
Tem um nome
Daquela que dorme
Aninhada em meu peito
Dele faz travesseiro
Do meu corpo manto
Da minha boca relicário
Do desejo encanto
Do meu beijo rosário
Onde nos deitamos itinerário
Com destino
Ao Amor Divino
Desperto em sonho sigo
De olhos abertos
Adormecida sonhas comigo
E eu confesso:
Não te esqueço
Quando à noite me deito
Quando ao amanhecer levanto
Quando no leito sonho
Quando desperto amo
Quando à luz do Sol caminho
Quando ao luar eu canto
Não te esqueço
Quando derramo pranto
Quando abro o riso
Quando escrevo versos
Quando em silêncio rezo
Quando busco o sentido
Do nonsense do Universo...
De ti eu lembro
Lembrando compreendo
A razão de tudo
Do existir do mundo
Do meu coração pulsando
Em sete notas E-U T-E A-M-O
Rob Azevedo
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Chevalier de la Reine
Chevalier de la Reine
-> Trilha sonora
Ó Encanto da Vida
Melodia e Rima
De toda poesia
Que nasce graciosa
Da minh`alma de poeta
És o lúmen dos meus olhos
O cálice da rosa
Brilho da pérola
Flor mais bela
Com pétala
De orquídea violeta
E folha
De Amor-Perfeito
Em meu peito teu nome
Gravado eternamente
Não se vê
Ninguém o lê
Porque te guardo em segredo
Na chama que consome
Dia e noite
Sem que se apague
Da Rainha me consagro
Fiel cavaleiro
Até o fim dos tempos
Em minha cama coroada
Rainha das Rainhas
Do Amor
Da Paixão
Do Desejo
Como Rainha amada
Em cada pêlo saciada
E toda gota de orvalho derramada
Sou dentes, sou língua
Sou lábios e mãos
Cada músculo do meu corpo
A ti consagro
De alma e coração
Ser teu vassalo
Amante-irmão
No Amor abençoado
Cavaleiro devasso
É a chave que temos
Das portas do Paraíso
Onde em glória gozamos
O júbilo de sermos
Eros e Psique
Amor e Libido
Rob Azevedo
Afortunado Enleio
Afortunado Enleio
-> Trilha sonora
Ó Rainha dos meus versos
Sem segredo me confesso
Amar-te tanto e tão perdidamente
Que nada além d`Amor meu peito sente
Peregrino nas alamedas do palácio
Colhi purpúreas flores, trago-as no regaço
Para ornar-te a fronte e o leito
Onde nos deitamos, em afortunado enleio
Teu vassalo me consagro
Sacramentando causa e efeito
Canto em trovas o segredo
Da Rainha sou cavaleiro
Fiel amante-escudeiro
Homem em pêlo jardineiro - Amor-Perfeito
Rob Azevedo
Bem Pra Lá das Pedras do Arpoador
Escrevi o poema abaixo com intenção que fosse letra de música. Se dá para ser adaptado para tanto, não sei ao certo, tem-se que arrumar um músico para compor algum melodia para esses versos e ver se há como transformá-los em música.
Bem Pra Lá das Pedras do Arpoador
-> Trilha sonora
Ao Meu Senhor do Bonfim
Rogando em prece pedi
Pra te trazer pra mim
Se compadece, Ó Meu Deus, das minhas dores
Atende minhas súplicas antes do cair da noite
Devolve meu sono ao lado dela aaaaaaaa ha!
Depois do Amor ôôôôôôrrr ho!
Depois do Amor ôôôôôôrrr ho!
Eu vou bem pra lá das pedras do Arpoador
Vagando pelo meu Rio de Janeiro
Vou navegando num barquinho cor do céu
Aportando no cais da paixão
Encontro em pranto o coração
Da mulher menina que amo
Nua em pêlo me esperando uhhhhhhh hu!
Me esperando uhhhhhhh hu!
Ah! Meu Deus, à saudade eu peço
Que vá embora aaaaaaa ha!
Vá embora aaaaaaa ha!
Morra aaaaaaa afogada nas ondas
Dos lábios dela aaaaaaaa ha!
Aaaaaaaaaaaa ha!
Ó por favor, Meu Deus, Meu Deus
Ó Meu Senhor ôôôôôôrrr ho!
Traz de volta Meu Amor ôôôôôôrrr ho!
Atende minhas súplicas antes do cair da noite
Devolve meu sono ao lado dela aaaaaaaa ha!
Depois do Amor ôôôôôô ho!
Depois do Amor ôôôôôô ho!
Eu vou bem pra lá das pedras do Arpoador
Vagando pelo meu Rio de Janeiro
Vou navegando num barquinho cor do céu
Aportando no cais da paixão
Encontro em pranto o coração
Da mulher menina que amo uhhhhhhh ho!
Nua em pêlo me esperando uhhhhhhh ho!
Me esperando uhhhhhhh ho!
Me esperando uhhhhhhh ho!
Rob Azevedo
Saudade do Old Time
Essa composição abaixo eu escrevi com a intenção que fosse uma letra de música, mas não sei bem se pode ser adaptada para de fato ser uma música. Teria que se arrumar um músico para fazer uma melodia para esse poema e ver se há como ser transformado em letra de música.
Saudade do Old Time
A noite cai
A saudade toma a gente
Sau-da-de
Do old time
Seu nome lembro
E tomo um gole
De um drink
On the rocks
Trinco os dentes
Escrevo num guardanapo
À tinta de caneta
Um poema
Entre meus dedos crepita
A chama dum cigarro
Que me faz
Companhia
Em nuvens de nicotina
Me perco, me acho
Em cartas marcadas
De baralho
Pedras de gelo balouçam
Num copo de whisky
Me olho no espelho
Ajeito o cabelo
Tiro um Az da manga
A saudade dói
Helena
A saudade dói
Nessa mesa de bar
Tem uma cadeira
Vazia sem eira nem beira
Bem na cabeceira
Onde guardei seu lugar
Helena vem depressa pros meus braços
A saudade dói
Helena
A saudade dói
Helena
A saudade é uma dor assim não definida
Que dentro do peito corrói
Dilacera e amargura
É uma dor só resolvida
Quando estou em sua companhia
Helena vem depressa pros meus braços
Vem depressa pros meus braços
Guardei na cabeceira
Dessa mesa de bar
Uma cadeira
Com seu nome
Helena
Esperando a aurora
Iluminar a treva
Chamada Solidão
Que sem dó desterra
Vem depressa Helena
Vem depressa, não demora
Vem luzindo a aurora
Vem depressa
Nada já importa
Vem agora
Vem voando
Vem batendo as asas
Que eu te dei
Mas vem Helena
Vem depressa, não demora
Vem luzindo a aurora
Vem depressa
Nada já importa
Vem agora
Vem voando
Vem batendo as asas
Que eu te dei
Rob Azevedo
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Transcenderemos o Tempo Em Poesias nos Amando
Transcenderemos o Tempo
Em Poesias nos Amando
-> Trilha sonora
Às vezes a gente se perde
Nos caminhos intrincados da vida
E não vê o tempo que passa
Escorrendo entre os dedos
Voltada a visão
Às coisas do mundo
Imergimos em nossos afazeres
E não damos atenção a quem amamos
Da forma como queremos
O Amor adiante
Tão perto
Clamando companhia
E o coração não responde
Da jura se esquiva
Embora nele pulse
E quase estoure
Porque o dia a dia
Voraz nos consome
As estrelas cintilam no firmamento
Lembrando promessas
De lábios se encontrando
Contando o infinito
E miro paralelepípedos
Da rua em que caminho
Contando os passos
Rumo à eternidade
Dos meus versos
Neles
O Amor fazemos
Noite e dia
Feito Poesia
Se me perco nessas ruas
De encontro aos ramos de louros
Que haverão de ornar minha fronte
Da Flor do Amor me afastando
Ó Encanto da Minha Vida
Meu Lirismo e Rima
Do profundo de mim te prometo:
Levar-te-ei comigo
Rumo à eternidade
Transcendendo a noite dos tempos
Gravados com letras de ouro
No Diário Incólume da Paixão
Ao lado dos deuses no Olimpo
Na forma graciosa de versos
Que serão lidos
Encantando corações apaixonados
Despertando suspiros
Enquanto nos amaremos
No seio do universo -
Profundo recôndito íntimo
De cada poesia
Que a ti dedico
Rob Azevedo
Extasis
~ EXTASIS ~
VEO TU CUERPO
ACOSTADO SOBRE EL TAPETE
ENTRE ALMOHADAS
LINDA Y DESNUDA
COMO LA LUZ
QUE BRILLA ALLA AFUERA
DE LA LUNA
LLENA Y DE PLATA
VEO TU RELIEVE
MONTAÑAS REDONDAS
CURVAS SINUOSAS
INSINUANTES
BOSQUES HERMOSOS
EN SILENCIO
DEL ALTO DE UN PALCO
ADMIRO ESE DESLUMBRE
NATURAL QUE ME ESPERA
OFEGANTE, INSACIABLE
POZO DE LIBIDO
TOQUE DE MIDAS
QUE LA NOCHE
TRANSFORMARÁ EN DIA
ASI QUE MI CUERPO
JUNTO AL TUYO
MOJADO COMO ROSAS POR LA LLOVIZNA
DE TANTO HABER AMADO
LLEGAR EN UN LARGO SUSPIRO
AL EXTASIS
HABRÁ ENTONCES NACIDO EL SOL
ASI COMO UNA FLOR
EN LOS JARDINS
DE MI CORAZÓN
AMANECIENDO
HASTA LLEGAR EL DIA PLENO
PODRÉ EN FIN
DECIR EN VERDAD
TE AMO!
Rob Azevedo
Nau Desilusão
Nau Desilusão
Desenganado do mundo
Ouvindo uma bossa-nova
Daquelas que afogam a gente
Na mais profunda fossa
Num dia amargo
De céu cinza
Levanto a âncora
Da Nau Desilusão
Içando velas parto
Sem olhar pra trás
Nos acordes dum violão
Onde haverei de aportar
Ou se hei de naufragar
Cruzando mares
Não me importa
Se em nosso jardim
Murcharam as flores
E as luzes do palco
Amor-Perfeito
Se apagaram
As cortinas se fecharam
Minha trupe mambembe
De saltimbancos arlequins
E bobos da corte
Se despede
Num triste adeus
Zarpando na Nau
Desilusão
Rob Azevedo
Anel Di-amante
Anel Di-amante
-> Trilha sonora
Fui teu lacaio
Mais um caso
Entre flores
Na tua agenda
Foste pra mim
Mais uma mucama
A deitar-se em minha cama
E juramos as juras
De Romeu e Julieta
Profanando o sagrado
Com tamanha doçura
Que oculta no buquê de rosas
Não se via
A lâmina da adaga
Que nas costas
De ambos se cravava
Teu sorriso me feria
O meu te atraiçoava
A Arte nos protegia
Da completa ruína
Assim um romance vivemos
Fingindo acreditar
Em histórias da carochinha
Brindávamos em cálices de vinho
Vinagre
Dos favos de mel
Sorvíamos fel
Mas as lendas
Contos de fadas e fábulas
Que no ouvido um do outro contávamos
Marcaram mais forte
Nossos corações
Nos protegendo da verdade
O mal que definha
Tornou-se ar que respiramos
Água que bebemos e alimento
Necessário padecimento
Veneno fez-se remédio
Remédio, veneno
Contentamento, tormento
Nós dois viciados
No que lentamente nos mata:
Amor com o inimigo
Nosso lema e escudo
Palavras
Do meu filósofo-ídolo:
“Temos a Arte para que a verdade não nos destrua.”
Assim
Nossos Anéis Di-amantes
Não foram partidos
Ainda somos
Os mesmos
Catadores de pérolas
No lixo
Rob Azevedo
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Poesia de Deus
Poesia de Deus
-> Trilha sonora
Sou seu poeta
Homem-menino
Ursinho azul
De pelúcia
Fofinho
Sou a escultura de Apolo
Esperando minha deusa
Vênus
Sou a esperança
No lúmen dos meus olhos
O verde das matas
Sou tudo
O que tu queres
Seu desejo secreto
Mais devasso
Sem pecado
Sacralizado
E delicioso
Sou o leito onde dormes
O edredom que te envolve
Seu travesseiro
Espelho
Escova
Batom
Bolsa
Que levas contigo
Sou seus suspiros
De Amor e Paixão
Seu coração
Descompassado
Seus cremes, perfumes
Sabonetes, shampoos
Estojo de maquiagem
Anéis
Colares e brincos
Sou a lâmina
Que depila cuidadosa
Seu cálice de rosa
E a lingerie
Que te veste
E que se despe
Nos meus dentes
Sou
Seu tesão
Seus pêlos eriçados
Seu uivar de gata
Em pleno cio no telhado
Sou
Seus dedos
Adentrando em seu íntimo
Em perfeito ritmo
Prazer sentindo
Sou
Aquele que vedes
Em sonhos
Quando dormes
Sou suas lágrimas
De saudades
Seu riso
De contentamento soberbo
Sou
Seu doce de coco
Caramelado
E quindim
Pavê de pêssego
Torta de morango
Floresta Negra
Trufas
De todos os sabores
Sou
Seu sorvete de ameixa
E favos de mel
Escorrendo
Em sua boca
Sou
Seu arrepio
Estremecendo inteiro o corpo
Seu revirar de olhos
Ligeiro desmaio
E gemido
Subindo pelas paredes
Sou tudo o que tu queres
O anseio mais delirante
Da sua libido
Sonho de consumo
Sou felino
Sou seu orgasmo
Cristalino
Tão belo
Glorioso
Profundo
Quanto estrelas
Cintilando
No infinito
Sou
O mais almejado
Dos seus sonhos
Femininos
Rob Azevedo
Inconfessável Segredo - Hurting you softly –
Inconfessável Segredo
- Hurting you softly –
-> Trilha sonora
Versos se derramam
Nas brancas folhas
Palco do Poeta
Entoando cantos d`amor
Sob luz de holofote
Algum acorde
Do piano se levanta
A platéia se cala
O peito sangra
D`alma liberta
O coração transborda
O que por dentro chora
Desprendem-se pétalas
Alguém se corta
Com espinhos de rosa
O murmúrio do canto
Ecoando profundo
Ateia a chama
N`alma aflita
D`alguma dama
Contendo o pranto
Enquanto um jovem
Em versos canta
A vida
Da mulher que o ama
Esquivam-se olhares
Mãos tremulas procuram
O companhia do lenço
Que os ampare
O íntimo
A todos se desvenda
Sem rodeios
A gregos
E troianos
Cada verso
Um segredo
Com poder de lâmina
Rasgando a carne
Derramando lágrima
A fantasia
De toda não se despe
D`algum modo reveste
O romance que protege -
Na platéia
Entre drinks
Nuvens de nicotina
E querelas tantas
Ninguém sabe
Qual a dama
Que chora
Porque ama
O amor inaudito
Suavemente desfila
Na voz que canta
Ferindo
Acompanhando o ritmo
Da bateria
Guitarra
Baixo
E retinir do piano
Um jovem
Com o coração da mulher que ama
Entalado na garganta
A todos conta
Na canção que canta
O amor que o toma
Suavemente fere
Com requinte
De vingança
Aquela que tem
Cúmplice
Entre os dedos
Que dispersam aos quatro ventos
Versos de Paixão
Amor
Desejo
Onde cada sentimento
É purpúreo
Sagrado
Inconfessável
Segredo
Rob Azevedo
sábado, 25 de agosto de 2007
Ritual Sagrado - O Banho De Duas Estrelas Ascendentes –
Ritual Sagrado
- O Banho
De Duas Estrelas Ascendentes –
-> Trilha sonora
Tênue claridade
Azul Topázio
Violeta
Espelhos
Vitrais
Frio mármore
Samambaias
Orquídeas
Jardins suspensos
Cascatas
Incensos
Azulejos
Florais
Antiguidade clássica
Grego-romana
Mantos que caem
No mármore
Despindo
Dois corpos
Apolo e Vênus
Deus e deusa
Nus, refletidos
Em espelhos e águas
Ondulantes, cálidas
Tão logo imersos
Sob vapores e aromas
Celestes perfumes
Brancas espumas
Mãos macias
Deslizam na pele despida
Arrepiam-se poros
Percorrem dedos
Por todo corpo
Derramam, espalham
Cremes e óleos
Desvendam santuários
Massageiam, param...
Frescor, fragrância
Suavidade das manhãs
Na reentrância do poço
Bebem o orvalho
Dedos delicados
Derretem aço
Em torvelinhos desejos
Fervilham no corpo
Eriçam pêlos
Mãos suaves delicadas massageiam e param...
Se perdem no plexo
Depilando cuidadosas
O bosque ermo
Vibrante o anelo
Regressa ao útero
Meu corpo, minhas mãos
Em seu corpo
Meu corpo, minhas mãos
Em seu sexo
Em rimas e versos
Fora e dentro
Suas mãos, em meu corpo
Seu corpo entreaberto
Em busca do nexo
Meu corpo sobre
Seu corpo sob
Em frente e verso
Arrepios e suspiros
No desaguar do rio
Em mar profundo
Meu eu
Ao eu feminino se funde
Em parte de mim
No íntimo amado
Tornando-se gotas
No oceano
Na doação completa
A paz inunda
Duas almas
Transformadas em uma
Corpos descansam
Um no colo d`outro
Mãos deslizam
Em desfeitas tranças
Bocas murmuram
Canções de Amor
Lábios se encaixam
Línguas de entrelaçam
Cabeças giram
A língua não pensa
Pressente:
A vastidão do corpo é imensa
A libido que açoita tão grande
A vontade que tenho infinda
A distância que separa pequena...
A dois palmos
Da eternidade...
Perdemos o senso
Que o prazer censura...
Lábios e línguas
Se permitem
Ir além
Do que é finito
No desejo que tortura
Em Noites com Sol brilha
Liberto e anelante grita:
Tudo é permitido!
Imerso no infinito
O Sol na noite cintila
Vaga pelas luas
Cheias
Dos seios de quem se ama
Se põe entre montanhas
Minha boca, minha língua
Em seu corpo
Minha boca, minha língua
Em seu sexo
Sorvendo nas entranhas
Rimas e versos
Fora e dentro
Prazer perplexo
Língua que se perde em andanças
Na vastidão do corpo sorve o gozo
De quem se consente ao direito
À bem–aventurança
No Amor Perfeito
No Eterno Retorno
O regressus ad uterum
Santuário Sagrado Soberbo
Aconchego do lar
Origem de tudo
Onde em suspiros de saciado instinto
Paixão e devaneio
Em ritmo ondulante no íntimo consentido
Aprendo o segredo
Do Sol que refulge no escuro
Arrebatando-nos feito estrelas ascendentes
À imensidão
Da Via Láctea
Rob Azevedo & Karla Julia
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terça-feira, 21 de agosto de 2007
Pai e Mãe - Éolo e Rosa dos Ventos
Pai e Mãe
- Éolo
E Rosa dos Ventos –
-> Trilha sonora
Não sou teu
Não sou de ninguém
Sou do vento
Só ele me tem
Sopra o vento
Se curvam arvoredos
Diante Éolo
Uivante desprende
Ressequidas folhas
Batem janelas e portas
Em seus umbrais
Impele nuvens
E velas
De caravelas
Roda moinhos
Muda o tempo
Levanta poeira
Arranca telhas
Leva consigo
Cartas de amores
Pétalas de flores
Alastra chamas
Enfurece ondas
Ninguém o tem
A ninguém rende contas
Não tem dono nem dona
Sopra o vento
Sons de flauta
O vento en(canta)
Alazões exalta
Crinas balouçam
Nos verdes prados
À trotes largos
Planam aves
Estendendo asas
Olhos de águia
Espreitam presas
Ao sabor dos ventos
Viajam balões
Debicam pipas
Sorriem crianças
Choram damas
Uivante canta
A leveza de ser livre
Sem dono ou dona
Liberto canto
À Rosa dos Ventos
Mãe soberba
Cálice e berço
Impávido conto
Nas contas do terço
Lendas de Éolo
O Pai que escolho
Sou livre
Não tenho porto
Ou ninho
No topo das árvores
Nem cume dos montes
Nasci do Amor
Entre a Rosa dos Ventos
E o deus Éolo
Aos filhos de Gaia
Presos ao chão
Miro o horizonte
O azul celeste
Abro o peito
Solto a voz
Toco harpa
E canto:
Não sou teu
Não sou de ninguém
Sou do vento
Só ele me tem
Aprendi
Com o Pai Éolo
E a Mãe Rosa dos Ventos
A sabedoria
Do sopro que tudo leva
Sobretudo o encanto
Da liberdade
Na magia
De ser pássaro-poeta
E voar
Com asas
De poesia
Rob Azevedo
Meca da Poesia
Meca da Poesia
-> Trilha sonora
Vida longa aos poetas
Peregrinos fiéis de Meca...
Que nosso canto seja jubiloso às almas
Transbordando (en)canto...
Num enlevo místico do espírito
A nós se unirão os deuses do Olimpo
E os bardos gregos antigos
Argonautas excelsos
Aqui aportando
Saudaremos com ramos de louros
Num pomposo sarau à luz da lua
Daremos também boas vindas
A Baco e suas bacantes profanas
Nos embriagando de versos
No vinho extraído
De cachos de poesia
Homero, Aristófanes, Horácio
Cratino, Sólon
Epicarmo, Ésquilo
Alcmeno, Sófron
Ríton, Aristoxeno
Hipónax, Êupolis
Alceu, Safo
Píndaro, Arquíloco
Estesícoro, Anacreonte
Íbico
Deuses poetas
Nós te saudamos
Desde a Grécia, à Babilônia e Meca
E bem vindas
Todas as musas
De céus, águas, píncaros
Bosques ermos e vilas
Rob Azevedo
domingo, 19 de agosto de 2007
Não-Me-Quer
Não-Me-Quer
-> Trilha sonora
No mundo tanta gente
Em meu peito
Um Amor somente
Risos e olhares
Na noite
Promessas e encantos
De mil flores
Aquela que me causa dores
Desejo perdido de amores
D`outras
O vinho não entorpece
A rosa não floresce
Nada apetece
Ao coração
Trancado a sete chaves
Da paixão
Corpo e alma
Jurados
A quem o sagrado
Juramento nega
Dor causando
Desatando o laço
A todas amarei
Sem que ame
Aquela que amo
De que me vale
Caminhar ao cadafalso
Se nele morre
O Amor que devoto?
Contento o ego
O instinto calo
Insensível seco
A flor que quero:
Amor-Perfeito
Dói o peito
Derramo pranto
Transborda o cântaro
E rego
Jardins aonde nascem
Versos
Rezo...
Quiçá algum floresça
Entre os seios
Daquela
Que me nega
Enquanto
De amores mourro
Rob Azevedo
TI AMO! TI AMO! TI AMO! TI AMO! TI AMO!
Dialética da Paixão
Dialética da Paixão
-> Trilha sonora
Tanto que te amo
Que sinto nos ombros
O peso - dizer o que penso -
Ao seu respeito
Te amo de um jeito
Que ninguém entende
Amor de namorado-irmão
Pagão-errante
Tanto que te amo
Que quase enlouqueço
Sabendo que é bem pouco
O que te creio
Te amo de um modo
Que arrepio cada pêlo
Do alicerce ao telhado
Estremeço
Te amo tanto
Que sozinho bebo
Licor absinto
Com pedras
De desengano
Tanto que te amo
Que compreendo:
Nenhum eu te amo
É perfeito
Te amo tanto
Que à Noite Sem Lua clamo
Alívio ao meu desterro
Tanto que te amo
Que muito te conheço
Tão logo me enveneno
Do riso traiçoeiro
Te amo tanto
Que tenho dó
De ser tão só
Quando contigo estou
Tanto que te amo
Que tenho medo
De confessar de repente
Que te odeio
Te amando padeço
O fim que não mereço
Sofrer por dois
Início e fim sem meio
Bebendo palavras
Contraditas
Temendo feridas
Sou ébrio
Do cálice Amor Soberbo
É tanto que te amo
Que solene prometo:
Até que a derradeira estrela
No firmamento se apague
Escreverei poesia
Na esperança tardia
De que antes que a sombra
Derrame o cálice
Seu beijo me cale
Rob Azevedo
sábado, 18 de agosto de 2007
Lizlanne
Lizlanne
-> Trilha sonora
Se fosses à livraria
Se livraria de mim?
Dia após dia
Essa dúvida me persegue...
Seu jeito não é doce
É o fel da noite que amanhece
Quando se encontram nossos lábios
Sinto ácido no beijo
Esbravejo
Quando ouço
Sua filosofia
Antropofágica.
Ressabiado
Olho de lado
Adormeço acordado
Tenho medo
De morrer
Por minhas próprias mãos
Enforcado.
Desiludido
Com minhas ilusões
De Amor Perfeito
Ouvindo Bossa-Nova
Daquela bem
Deprimente.
Mas alguém me disse
Que o Amor Imperfeito constrói...
E da ostra ferida
Nascem pérolas...
Miro meu semblante
Ajeitando o cabelo no espelho
Com ar confuso
Surpreso e ofegante
Por tamanha desigualdade
Diante mim.
Sua imagem refletida
Na superfície vítrea
Num bote traiçoeiro de víbora
Procurando na bolsa não sei o quê
Surpreende meu ser.
O veneno me entorpece...
Padecendo
Vítima de animal peçonhento
O antídoto
Só encontro
Em sua boca...
Rob Azevedo
Save Our Souls
Save Our Souls
-> Trilha sonora
A torneira pinga
Lágrimas em gotas
Na tarde monótona
O que era colorido
Torna-se
Cinza
A pia transborda
Entorna
Retini o gotejar
Por horas e horas
Horas mortas
Cadaveris
Sem sepulcro sepultadas
Abandonadas
Ao relento
Horas sem prumo
Expostas
Diante ao Nada
Da vida amarga
Bússolas tortas
De barcos à deriva
Em mar bravio
Perdido o leme
Mar que transborda
Entorna da pia
Lágrimas de quem chora
Melancolia
Inunda ladrilhos
Afoga
Cães que ladram
Na tarde vazia
Toma o tombadilho
Tomba o navio
Que naufraga decaído
No sem sentido
Rob Azevedo
Poesia, Amor e Arte
Poesia, Amor e Arte
-> Trilha sonora
Meus poemas
Não me deram
Sequer um dollar furado
Às vezes me pergunto:
Escrever poesia dá dinheiro?
Ser poeta é profissão?
Que amargurado devaneio
Aflige meu coração...
De qualquer modo
Escrevo
Comendo o farelo
Do pão
Que o diabo amassou
Escrevo porque preciso
Dinheiro eu mendigo
Na porta da igreja
Vendo incenso
Numa tenda hippie
Minhas vestes
Que sejam retalhos
Costurados
Por minha mãe
Alimento
Pesco num rio
E nalgum pomar tenho
Frutos da estação
No quintal
Da minha casa
Herança do meu pai
Eu crio galinhas
E cultivo hortas
Dinheiro
Eu me viro
Não importa
Se não tenho status
De burguês empedernido
Estou vivo!
Mas sentimento
Do meu profundo íntimo
Não renego
Se não digo
Definho
Agonizo
E faleço
Morte invisível
Porque a alma
Ninguém vê
Nem sabe
Se adoece
Quando morre
Sequer tem enterro
Alma morre?
Ah, que se espantem
Os teóricos teólogos
Filósofos
Do além
Eu
Que não pagarei
Pra ver
Minh`alma morrer
De fome
Sem escrever em versos
O reverso
Do pão e água
Que carece meu corpo
Porque o alimento da minh`alma
É Poesia
Amor
E Arte
Rob Azevedo
Epílogo da Nossa História
Epílogo
Da Nossa História
- Aprendi o valor do silêncio
Quando decidi calar
Para não magoar alguém –
-> Trilha sonora
Deixe-me partir
Sem nada dizer
Palavras
Destruirão tudo
Que vivemos
Boas lembranças
Que permaneçam
Incólumes
Em algum lugar do passado
Minhas razões
Haverão de magoar
Quem um dia jurei amor
O tempo
Abranda o sofrer
Um dia
Se esquece a dor
Eu sofro
Por nós dois
Não quero te ferir
Como os espinhos
Que agora me ferem
Não me prenda mais
Deixe-me beber
Do cálice menos amargo
Seguir meu caminho
Dizer enfim good-bye
Nosso amor
Foi imperfeito demais
Sangra por dentro
Saber
Mera promessa de prazer
Sem futuro
Nem compromisso
Ainda assim te ferindo
O ferimento que teu amor me causou
Foi maior
Se agora me calo
E sigo meu caminho
É porque não quero
Te ver sofrendo comigo
Entenda o sentido
Do verdadeiro amor
Querer o bem de quem se ama
Incondicionalmente
Deixando-me partir
Porque ao teu lado
Não encontro abrigo
Rob Azevedo
Campos de Ouro
Campos de Ouro
-> Trilha sonora
Dourados fios
Graciosos, delicados
Em tons castanhos
Derramados da fronte
Cobrindo ombros
Adornando o riso
São como tranças
Dos lençóis de seda
Revestindo o leito
Onde embriagado me perco
Meu Anjo, Musa e Encanto
És a poesia
Mais linda que já li
Li com o corpo
Senti n`alma
E sorri
Voei sem asas
Brilhei feito estrela
Mergulhei como peixe
No mar de rosas
Inebriante abismo
Violeta, purpúreo
Do eu feminino
E amei
Como nunca antes
Amei ninguém
Flutuando caminhei
Em Campos de Ouro
Conversando com o vento
Indagando à Lua
O por quê de tanto Amor
Que dilacera, dói
É chama
Arder no peito
Inundando o mundo
De paixão em versos
Em silêncio me confesso
Como o Sol que aquece
Do alvorecer ao ocaso
Sem murmúrio algum
Devagar enlouqueço
Da solidão me despeço
Perdido de amores em afagos
Com a Dona Esperança
Jorro pranto
Transbordando no cântaro
Amor derramado
Desato o laço
Num só gole bebo
Sou bêbado
Apaixonado
Meu clamor canto
De mãos juntas rezo
Com o coração amargurado
Ao Pai peço:
Que meus versos
Como a brisa suave,
O copo d`água
No calor dando alento
Acalente o abrigo
Onde vive seu espírito
Em dom que transcende
A carne que somos
No mundo aparente
Tenha a força mística
Das lendas de Shakespeare
Festivais de Belthane
Confissões de Heloïse
Suspiros de um príncipe
Mirando erguido imponente
O Taj Mahal
Símbolo da grandeza
Do Amor que n`alma sente
De magia e paixão vestido
Que o fruto do que sinto
Como a lágrima de um filho
Toque o mais profundo
De seu íntimo
Rob Azevedo
Amor Pagão
Amor Pagão
-> Trilha sonora
Colher de pau
Caldeirão de bronze
Chapéu de bruxa
Tatoo de golfinho
No pé de Ártemis
Sacerdotisa
Branca a magia
Na trilha da Luz
Ao povo Druida
Na maçã a mordida
É sem pecado
Sorver o suco
Da poupa da fruta
O sorriso da deusa
Do alto nos brinda
A liberdade que celebra
Viver a vida
Desatada de nós
Nós dois a sós...
Do equinócio ao solstício
Semeando e colhendo
Festejando Imbolc
Beltane
No manto negro noturno
Contemplando
Ciclos lunares
Feitiço pagão
Ao canto do vento
Murmúrio das águas
Solidão paciente
Das pedras e montes
Vôo dos pássaros
Existir sem queixas
Dos animais silvestres
Raios do Sol
Luz da Lua
Cintilar das estrelas
Serenidade das nuvens
Rugir do trovão
Crepitar das fogueiras
No refúgio acolhedor
Dos sombrios bosques
Buscamos a sabedoria
Dos Carvalhos
Nossa Grande Mãe
Benevolente nos abençoa
Quando eriçamos pêlos
Deitados na relva
Ao Amor entregues
Nas copas das árvores
Sobejam maçãs
Em torno da ilha
Brumas
Somos de Avalon
Eu e ela...
Rob Azevedo
Veneza
Veneza
-> Trilha sonora
O que era sonho
De repente
Se vislumbra
Diante aos olhos
Singrando numa gôndola
Os canais de Veneza
Margeados por casarões milenares
Cruzando o vão das pontes
Ao canto e acordes
De serenata
...come respirare un'aria nuova
sempre di più
e tu e tu amore
vedrai che presto tornerai
dove adesso non ci sei...
Ao contemplarmos
A catedral de São Marcos
Flores que trago no regaço
Entrego à diva do outro lado
Suspirando os ares
Da Cidade dos Apaixonados
Violões não param
Os gondoleiros conspiram
Na melodia de serenatas
Corações descompassados
Disparam
Avistando
A Ponte do Rialto
Rosas desfeitas em pétalas
Feito crianças
A nos perdermos em risos
Jogamos ao alto
O vento leva
Pousam em nossos corpos
E flutuam nas águas
Metamorfoseadas
Em mar de rosas
Quantas românticas histórias
Nos contam Veneza
Vindas d`outras eras
Da potência comercial marítima
Dona de uma das maiores frotas
De toda Europa
Veneza do passado grandioso
Lar de Marco Polo
Contemplada pelas mãos de Michelangelo
Veneza dos sonhos
Da Ponte dos Suspiros
Desta vez, não daqueles
Dos apaixonados sem fôlego
Mas vindos de condenados
Levando consigo a derradeira visão
Do mundo externo
Atravessando do Palácio de Doges
À antiga prisão
Costumeiro palco
De execuções
Subindo o cadafalso
Veneza do presente
Sereníssima nas águas suspensa
Encantamento grandiloquente
Cenário deslumbrante
Veneza do amanhã
Da aurora que espera
Em mil cores
Cumprirmos a promessa
Veneza eterna
Quiçá, seus ares
Que sorvemos em suspiros de amores
Nos dêem a chave
Dos portões da eternidade
O que era sonho
Singrando numa gôndola
Os canais de Veneza
Torna-se
Realidade
E meus lábios
Cerrando os olhos
Pousam nos teus
Assim como
Uma branca gaivota
Na cruz altaneira
Da Catedral de São Marcos
E cantam os gondoleiros
Vibrando as cordas
De seus violões...
Só eles
Derramando de si
O canto dos poetas
Expressam
O que haverá
De inundar minh`alma
Cumprindo-se a promessa:
Sarà sarà l'aurora
per me sarà così
sarà sarà di più ancora
tutto il chiaro che farà
Sarà sarà l'aurora
per me sarà così
sarà sarà di più ancora
tutto il chiaro che farà
Rob Azevedo – Trechos da música La Aurora – Eros Ramazzotti – inclusos no poema.
Noz Moscada
Noz Moscada
-> Trilha sonora
Uma cuia de chimarrão
Na manhã fria
O Sol dissolvendo a neblina
Além, o gado
Ruminando no prado
Pincelado de branco
Da geada de agosto
Cachecol, sobretudo
Botas e luvas
O corpo aqueço
N`alma padeço
Os rigores do inverno
Mil gravetos
Empilhados
Fogueira faço
Toco gaita e bebo
Uma caneca de vinho
Fagulhas rubras
Ascendem aos céus
O pensamento voa
Pelos pampas
Com asas
De gaita
Onde estás
Ó Noz Moscada?
Te procurei num pé
De Araucária
No fruto espinhoso
Duma castanheira
Nos ramos do Cipreste
E no alto do Pinheiro
Teu eu se esconde
Entre cascas
Desafia as palavras
Que meço em desvario
Abrindo aspas
Tua alma se envolve
Por véus
Que descem em cachoeiras
Das Sapucaias
Ó Céus
Metamorfoseado em torniquete
Tornai minha pena
Trituradora da casca
Que te reveste
Ó Noz Moscada!
Tua alma à minha exposta
Será quente
Como a chama da fogueira crepitante
Teu coração, pulsante
Como o alazão que se perde de vista
À trote largo no prado
O desejo, inebriante
Como a vinha dos pampas
Em barril de carvalho envelhecida
Fermentada e servida
Em noite enluarada
O Amor, transcendente
No cerne a suavidade
Da neblina matutina
A vida, alquimia
Etérea magia
A Noz sozinha
À boca unida
Seremos nós
Saciados da fome que esfria
Além do tremor que o inverno nos causa
O invólucro partindo
O fruto se revela
Por entre a casca aberta
Sem pudor se entrega
A quem saliva
Minha mente delira
Vejo os pampas
Cobertos de branco
Pelo orvalho congelado
Tua imagem, a quimera
Mais cobiçada
Esmerada
Em atender o chamado
Da gaita que chora
Devagar se aproxima
Desvanecendo a neblina
Diz bom dia
Abrindo um sorriso
A casca foi partida
A porta aberta
Etéreos em versos
De mãos enlaçadas
Se vão duas almas despidas
Partindo
De encontro à Poesia
Rob Azevedo
O Sonho e o Pesadelo
O Sonho e o Pesadelo
-> Trilha sonora
Vivi dos meus sonhos
E deram alento
Àqueles que à sombra
Deles repousaram
Vivi dos meus sonhos
E muitos deles viveram
Pintei o cinza
Em tons coloridos
Sutis
Sonhei demais
Sonharam comigo
Quando chovia
O dia era límpido
O pranto
Riso
A noite
Era clara
O Sol refulgia
No deserto se via
Campos floridos
Sonhando vivi
Acordado-adormecido
Morto-vivo
Amei demais
Meus sonhos
O Amaram demais
Apaixonamo-nos
Pelo que sonhei
Imaginei que as quimeras
Vislumbradas em sonhos
De dadivosas senhoras
E porvir virtuoso
Fossem aquelas
Nuvens levianas
Ao sabor do vento
E vice-versa
Em cada um dos meus versos
As brancas nuvens
Desvanecidas
Flutuando fugazes
Por todo céu
Imaginaram de mim
Sopro do vento
Os sonhos dourados
Que sonhei
Posto à mesa
Um sonho
No estômago
Manjar de abutre
Quando a digestão não é boa
À noite
Temos pesadelos
E acordamos
Um dia acordei
No meio de um sonho
Tão colorido
Parecia um caleidoscópio
Jardim primaveril
Transformado de súbito
Em calafrios de pânico
Desperto
Num salto da cama
Pisei na realidade
Com os pés no chão
Mirei ao redor
Tudo era opaco
Ao meu lado alguém
Era apenas alguém
Eu idem
Agora que havia acordado
Mirei meu semblante no espelho
Atônito
Olhos esbugalhados
Diante o reflexo perplexo
Embriagado de espanto
Dei-me conta:
Eu era o sonho
Fragmento da ponta
Do iceberg que desconheço
Quem dormia ao meu lado...O pesadelo!
Rob Azevedo
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