quarta-feira, 23 de abril de 2008

Miserabilis




Miserabilis




Fiquei sentado
Na beira do caminho
Esperando o bonde...

Ele não veio
Fodeu!

Mil planos desfiz
De sonhos dourados
Juvenis

Adiei tudo
Para o futuro
Bem distante...
Quem sabe Deus
Um dia virá...

Olhei pro céu...
Nuvens encobriram o Sol
Trovejou
E choveu...

Eu na estrada
Começando o caminho
Sozinho
No meio do lamaçal

Parei
Sob a chuva caindo
Num descampado no fim do mundo
E vi
Meus sonhos passarem
Sem mim
Troçando
Rindo

Passaram-se anos também
E cadê o bonde
Que tanto esperei
Em vão
Será que não veio
Ou cheguei atrasado
E se foi?

Fiquei pra trás...

A lama era tanta
A cada passo mais me afundava
De corpo inteiro no nada

Quando o bonde se vai sem a gente
Tudo morreu
Sem enterro nem vela

Um morto-vivo
Esperando
Passar o tempo
Dar a hora
De ir embora
Pro além mundo
Sem glória
Nem história
Feliz
Na pele sentida

Frus
tra
ção

Maldito mundo cão!

Por que não se abriu o chão
Tragando esse amontoado
De carnes
E ossos
Sem alma
Nem coração?

Ah! Meu Réquiem
Queria eu antes
Que naqueles tempos
Houvesse sido ouvido

Melhor, melhor...

Do que viver
Fazendo hora
Até que badalem os sinos
E eu vá embora

Quisera eu
Nunca ter nascido...

Melhor, melhor...

Do que entender este mundo
Como um lugar
De expiação...

Frus
tra
ção

Meus sonhos se vão
Sem mim
Troçando
Rindo



Rob Azevedo





quinta-feira, 17 de abril de 2008

Dá-me Alívio




Dá-me Alívio
(É uma letra de música no estilo Bossa-Nova - Tom Jobim e cia - para ser acompanhado o canto por um piano.)



Ela é tão linda
Tão linda
Não há poesia que diga
O quanto
O poeta de Amor suspira
Ó vida!
Encanto!

Ela é tão linda
Menina
Tão linda
Em noite de luar na orla marinha
Do Rio
Seu riso
É minha falta de siso
Eu perdido, menino

Ó Meu Cristo
De braços abertos
Desce do alto
Do Corcovado
Vem e me socorre
Corro perigo
Meu coração tão aflito
Morre em suspiro

Vem Meu Cristo
Me socorre
Corro perigo
Meu coração aflito
Morre em suspiro

Ela é tão linda
Quanto o Sol
Amanhecendo
Sobre o mar
No meu Rio

Montanhas, o verde
Palmeiras
Eu canto
Delírio

Ela é linda demais
Tão linda
Não há poesia que diga
O quanto
O poeta de Amor suspira
Ó vida!
Encanto!

Dá-me alívio
Olívia
Dá-me alívio
Olívia
Dá-me alívio
Olívia

Dá-me alívio
Olívia
Olívia
Olívia



Rob Azevedo






domingo, 13 de abril de 2008

Um Canto Para O Tibet




Um Canto Para O Tibet



Om Mani Padme Hum
Ahum
Som
De armas de fogo
Disparando no topo
Das cordilheiras íngremes
Do Himalaia

As neves caem
Brancas
Pombas voam
Brancas
Nuvens cobrem o céu
Brancas
Lírios se abrem
Em pétalas brancas
E ninguém vê
O alvo sinal da Paz

O vermelho sangue
Vem do leste
Inundando o Tibet
Na força
De um bilhão de habitantes

Ordens são dadas
Soldados marcham
Disparam armas

Na bandeira o emblema
Que move a marcha
Rumo à cordilheira:

A cor do sangue

Vindos das entranhas
Da intolerância
De séculos e milênios
Que não se apagam
Soldados marcham

Ó infame tirania
Imperadores
Samurais das trevas
Tanques de guerra
Fuzis e baionetas!

Nossa cidade
Não é proibida
É Flor de Lótus concebida
No Jardim da Paz

Nem muralhas de pedra a cercam
Porque não somos guerreiros
Que dilaceram peitos
E seguem marchando
Sobre cadáveres de irmãos

Renegamos trincheiras, barreiras
Contra inimigos
Semeando a Paz
Estendendo a mão

Toda alma
Seja bem vinda
Quando em si não abriga
Dragões
Da maldade e discórdia

Vinde serena
Límpida
Como água cristalina
E sente-se à mesa
Repartiremos contigo nosso pão

Ofertaremos de bom coração
O humilde teto
De todo e qualquer monastério

Cale-se fuzil!
Torna-te branca da Paz
Vil bandeira sangrenta!

Tornem-se fardas
Mantos
Soldados
Monges

Brados de guerra
Nosso mantra:

Om Mani Padme Hum
Ahum
Mestre Iluminado
Ensinando a compaixão
Por todos seres vivos

Om Mani Padme Hum
Ahum
Lugar sagrado
Sangrando
No teto do mundo
Chamado Tibet



Rob Azevedo







Foi o Vento




Foi o Vento




Quem foi que levou Meu Amor?

Foi o Vento!
Foi o Vento!

Quem foi que me trouxe a Dor?

Foi o Vento!
Foi o Vento!

Ó deus Éolo uivante
Os ramos das árvores se pedem
Esvoaçando verdes folhas
Ondas do mar se levantam
Estouram na praia e rochedos

Fogem velozes as nuvens do céu
Ao léu distante depois do horizonte
Bem além do farol

No cais do porto alvoroço e medo
Uma menina chora
A mãe ora nas contas do terço

- Ó Pescador de Almas!
Velai por nossos marinheiros
Singrando mares em veleiros
Buscam o alimento dos filhos


Arredio o Vento não ouve
Enfurecendo as águas
Açoitando matas
Destelhando casas
Cruza vales e montes

Poeira das estradas
Barulhentas latas
Velhas páginas
De jornais
Seguem caminho
Aonde o Vento vai

E ninguém
Ninguém sabe aonde
Vai o Vento
Com tanta pressa...

No alto da igreja
Uma portinhola aberta
Bate e o Vento leva
Hinários do Nosso Senhor

Noutras janelas
De casas de paredes caiadas
Cortinas caramelo
Esvoaçam onduladas

Derrubam vasos de plantas
Voam papéis

Quando vem o Vento
Em vendaval
Tudo sem dó devassa
Sem destino, afoito, ligeiro
Uivando
No matagal
Sob a força curvando
Com medo e respeito

Roupas quarando no varal
Bandeiras na praça central
Moinhos às margens da ribeira
Bambuzal
Arrozal
Canavial

Sob o Vento
Todos tremem tementes
Se atiçam
Curvam, giram, voam

O Vento uivando
Num rompante de ira
Uma canção me inspira:

Quem foi que levou Meu Amor?

Foi o Vento!
Foi o Vento!

Quem foi que me trouxe a Dor?

Foi o Vento!
Foi o Vento!

Ó deus que esvoaça
Minha cabeleira enquanto canto
Se tudo que há levas
E levaste, também, de mim Meu Amor
Trazendo-me a Dor
Arremessa em tua força meu corpo
Ao mar bravio
Cinza, sem cor
De encontro ao rochedo

Se viver desalmado
Me é por demais pesaroso
Que se partam meus ossos
E sejam tragados
Por redemoinho assombroso

Quero antes
O destino nefasto
Ao ver em vida meu canto
Espalhando lamento
Calando mesmo
O uivo do Vento




Rob Azevedo





quinta-feira, 10 de abril de 2008

Meu Ar




Meu Ar




Eu preciso, por favor
De um balão
De oxigênio
Porque essa mulher quando passa
Me deixa sem ar
Ai, não respiro!
Viro pedra
Estátua de mármore
Estática
Pálida

O mundo pára...

Por fora, é assim
Dentro de mim
Meu coração
Bate
Bate
Bate
Feito um tambor

Bate coração
Bate coração
Bate...

Por causa do Amor...

De tanto bater
Estremece
A estátua de mármore
E bambeiam as pernas...

Mãos tremulam
Feito bandeirolas ao vento...

Ao ouvido o canto
D`algum anjo
Enviado por Eros...

O peito arde...

A visão se embaça...

A vida se enche de graça...

Mas por que
Meu Deus
Roubaram-me o ar?

Se tão docemente
Em prece confesso
Tudo o que quero
É te amar...

Afinal...
O que me importa o ar?
Esse elemento sem o qual
Ninguém vive...

Levem-no de mim
Tu jamais...

És minha vida
O ar que respiro
Sem ti não vivo
Meu Jasmim
Caminho dourado
Rumo ao infinito



Rob Azevedo





segunda-feira, 7 de abril de 2008

Olhos do Amor




Olhos do Amor




Toda vez que te vejo
É com outros olhos
Aqueles que não miram ninguém
Além de você
São os olhos do Amor

Toda vez que te vejo
Percorre em meu corpo
Do início ao fim
Um arrepio

Respiro, suspiro, transpiro
Poesia

Meu dia
Se inunda de alegria
Vem em meu rosto
O sorriso

Meu coração
Canta feliz
Cheio, transbordante
A canção que fiz
Pra outro coração
O teu

É tão simples
Só diz
Três palavras:

Eu Te Amo!

Tenho olhos
Que só olham
Através do Amor
Estes
São teus
Não enxergam mais ninguém

O que acontece
Quando te vejo
Se você soubesse...

A graça
Que vem de ti
E me endoidece

O encantamento
Que me inunda
Em cada pêlo

Amanhece
E acordo
Pensando em nós

Entardece
Sem eu e você
A sós
Tudo entristece

Anoitece
Faço uma prece
Por teu nome
E passo a noite insone

Há um lugar vazio
Ao meu lado
Que só pode ser ocupado
Por Olívia Sampaio

Conversar com as paredes do quarto
É tão chato!
Coisa de poeta apaixonado...

Hipnotizado
Da ponta do cabelo
À raiz da alma
Miro teu retrato
Enfeitiçado

Pego uma folha branca
E escrevo um pouco
Do que sinto
E me deixa louco

Só te quero bem
E a mais ninguém
Nem coisa alguma
Você me basta
Não desejo
Mais nada

Porque só você
Enxergo
Com os olhos do Amor
De resto
O mundo é folha branca
Sem nenhum verso

Com o travesseiro converso!

Nas palavras tropeço...

Da noite me despeço...

Vem amanhecendo o dia
Na rotina
Da minha sina:

Amar
Suspirar
Sonhar
Do nascer ao pôr do Sol
Atravessando madrugadas
Compondo poesia
Inspirado em Olívia



Rob Azevedo








Jasminum Polyanthum




Jasminum Polyanthum




Teu sorriso
É a coisa mais linda do mundo
Muito além do que pode ser dito
Em mil poesias
Sou eu sem tino
É o meu suspiro
O coração batendo fora de ritmo
E esse brilho que trago no olhar
É algo que me rouba o ar
E me dá felicidade

É a pureza
A inocência
A boa criação dos pais
Numa vida cheia de valores
Elevados
E sonhos altruístas

Teu sorriso é alento aos meus dias
É você menina
Linda
Como Deus te fez

E sou eu assim
Esquecido de mim
Bebendo dos teus lábios que sorriem
O gosto por viver

Ah! Quem me dera!
Embriagar-me da tua boca
Sem ar, sem ar, sem ar
De Amor perdido
Beijando o infinito

Ah! Quem me dera
Meu Jasmim!
Tomar num gole
O cálice do teu sorriso

É tão bem que te quero
De um Amor tão puro
Gratuito
Nessas horas vazias
Contemplativo

Um quadro com teu retrato na parede
É o meu portal dos mundos
Desse em que sou um errante sonhador
Para aquele
Onde sei que você existe
E me faz trovador
Por força do Amor

Só queria
Que soubesse
Ao menos um verso
De toda poesia que tenho escrita
No profundo de mim
Pra você Meu Jasmim

Esse verso
Dito por minha alma em teu ouvido sussurrando
É Eu Te Amo!

Eu Te Amo!

Eu Te Amo!




Rob Azevedo





Jasmim




Jasmim




És a flor
Mais bela do jardim
Aquela por quem
Não paro
De compor poesias
Se me calo
Quando contigo me deparo
Bem mais alto falo
Com a voz do coração
Esse que é teu
Se o quiseres...

Amor, te amo
Não importa o tempo
Poesias vou escrevendo
O que sinto confessando
Que não se leva pelo vento
Nem escorre pelos dedos
Feito água
É paixão gravada
Na alma
Espontâneo sentimento
Gratuito
Sem contrapartida

Em contemplação
Naturalmente te amo
Te quero, se me quiseres
Caso não
Te amo ainda assim
Meu Jasmim
Só não te preocupes com nada
Meu Amor é de graça
É semente que brota
Aqui dentro
No encantamento
Que vem
Em sonho cor de rosa

Ao Sol da tua companhia
Floresce noite e dia
Enraizado à beira do regato
Alegria
Por amar alguém tão bela
Tanto quanto
Um Jasmim



Rob Azevedo





quarta-feira, 26 de março de 2008

Seus Sonhos




Seus Sonhos



Não piso
Nem com calma ou devagar
Nem mesmo de forma alguma
Eu vôo
Porque sei que estou
Sobre seus sonhos

Seus sonhos...

Queria sobretudo saber
Que neles estou
Que também sou eles

Não piso
Vôo e acaricio
Seus sonhos imaginando
Que neles estou

Que doce ventura!
Somos nossos sonhos
Como haveria eu
De pisar nas flores
Do jardim de quem tanto amo?

Quem saiba eu
- É a esperança que acalento -
Seja uma delas
Um belo Amor-Perfeito
Imponente
Florescendo

Não haverei nunca de pisar em ti
Meu Jasmim
Nem em mim

Somos nossos sonhos
E quem amamos

Nos meus em noites de verão
Lânguido te vejo
Gravada bem no fundo
Do meu coração

Ou mesmo quando caminho
À luz do Sol pelas ruas
Alheio ao mundo
Por ti suspirando

Meus pés nunca tocarão
Seus sonhos
Ó Meu Jasmim
No Amor que sinto
Criei asas
Para que por sobre eles
Eu voe
E jamais te magoe

Dá-me em troca seu sorriso
Seu ombro amigo
E companhia por algumas horas

Dá-me em troca
Um recanto especial em seu coração
Na certeza de existir em seu pensamento
Com Amor e carinho
E me devote ao menos
Um pouco de saudade

Diga-me um oi
Quando passares por mim
Desejando bom dia
Com ar de feliz

O resto esperarei
Que floresça naturalmente
No jardim dos seus sonhos
Que nunca conhecerão meus pés
Por sobre eles voarei

Porque de sonhos
Entendo e respeito
Tornei-me Mestre
De tanto sonhar contigo
Dias e noites

Ó Meu Jasmim
Que me fala de sonhos tão docemente
Com receios de ser por alguém ferida...

És o meu sonho
Em que vagueio de amores perdido
Em suas madeixas douradas
Castanhas cor de cobre
Navegando em olhos de mel
Como dois rubis estonteantes

Navegando nesse mar de deslumbramento
Em seu sorriso naufrago
Tragado, afogado
Por seu beijo

Meu sonho sagrado
Me dá asas para que voe por sobre os seus
Com zelo devotado
Enraizado na esperança
De que as sementes que do alto lanço
A mim neles floresçam
Num verdadeiro e único
Amor-Perfeito


Rob Azevedo









sábado, 22 de março de 2008

___Infinito___




___Infinito___



Te amo hoje
Como te amei ontem
E te amarei amanhã

Te amo de um Amor calmo e paciente
Perseverante
E inocente

Naturalmente
Como o Sol se levantando todas as manhãs
Iluminando o mundo
Nos aquecendo

Te amo e te amo e te amo
E te amo, te amo, te amo...

Enfeitiçado
Literalmente
Inundado
Por um sentimento
Mágico
Que chamam Amor

Esse que me causa tanta dor
Apertando aqui dentro
Sufocando
Porque nem sempre se pode
Estar ao lado de quem amamos

Te amo e te amo e te amo
E te amo, te amo, te amo...

É a canção
Que ecoa meu coração
Dia e noite

Causa espanto
Eu sei
Tanto Amor assim
Mas não precisa explicação
Apenas que seja grande
Verdadeiro
Único
E gratuito

Se quando te vejo me deslumbro
O que importa a razão?

O pensar?

O medo
De que tudo é ilusão
Que há de nos ferir
Abandonados ao relento
Quando menos esperamos

Quem saberá do Amor
Do que nos reservará?

Flores ou espinhos?

Ambos, senão não é Amor

Esse sentimento
Que não se mede
Do qual ninguém sabe
Só podemos vivê-lo
Ainda sem compreendê-lo

Deixei de lado os porquês
Arrebatado inteiro
Ao firmamento
Por ti

Lá nas estrelas
Elas nos bastam
São o infinito
Que sinto em mim
Quando te beijo

Nada mais
Nada mais além dessas estrelas
Preciso

Nada mais...

São o infinito...



Rob Azevedo






sexta-feira, 21 de março de 2008

___Perfeição___




___Perfeição___



Miro tuas fotos
Algo me invade
Chamado Amor
Esse feitiço
Que me domina
Quando te vejo
Travessura de Cupido
Que cravou distraído
Envenenada de Paixão
A seta dele em meu coração
Gravada com teu nome
Tornando duas coisas
Uma só
Olívia-Poesia
Perfeita rima

Passo o dia inteiro
Assim
De olhos vidrados
Nas tuas fotos
Perdido em devaneios e suspiros
Morrendo de amores
Vendo flores
Nos jardins do teu corpo

Sorvo em segredo
A doçura do teu sorriso
E confesso:

É a coisa mais linda que vi
Desde que nasci

Dessa beleza
Nascem versos
Do profundo de mim

Em cada palavra tua
Torno-me vivo
E acredito
Que o Amor verdadeiro
Existe

Esse que canto
Dias e noites
Em teu ouvido
E suspiro
Porque em toda tua pureza
Disseste a mim
Que crê
No que creio

Essa coisa louca
Que me deixa enfeitiçado
Andando nas nuvens
E muitos dizem
Ser mera lenda
D`outros tempos
Dos contos de fadas

Te amo sem rodeio
E não sou nenhum
Lobo mau
Apaixonei-me mesmo
Sem medo

Como me disseste também
Coração e sentimento
São coisas sérias
Sérias demais...

Não brinque com isso...

Não brinco
É que não dá mais
Para esconder o que sinto
Se cada vez que te vejo
O que acontece não explico
Em nenhum poema
Nem com todo meu lirismo

Poderia dizer que as estrelas
Despencam do céu...

Que me invade um oceano de desejos
E encantamento...

Que me embriago
D`alguma poção mágica
Que me deixa sem tino...

Que me dói o peito
De uma dor
Que é Amor...

Todas essas palavras
Não dizem
O que sinto
Nessas horas caladas
Que passo mirando tuas fotos
Esquecido do mundo

Bebendo teu sorriso...

Bêbado!

Bêbado!

Bêbado!

De tanto
Tanto Amor...

Não tenho pudor
De confessar isso
Expondo minha alma nua

Porque roubaste
Meu coração
Quando te conheci
E está em tuas mãos

Levando-o de mim
Veja como é o Amor
Ainda vejo em ti
Perfeição
Em cada detalhe sutil

Entendo então o pensamento:

“Ninguém é perfeito
Até que nos apaixonemos”



Rob Azevedo






domingo, 16 de março de 2008

Peter Pan – Pra Te Deixar Nas Nuvens




Peter Pan – Pra Te Deixar Nas Nuvens



Vai Amor, me dá um desconto
Para que eu diga minhas bobagens
Seja novamente um menino
Palhaço no picadeiro
Só pra te ver sorrindo
Porque do outro lado de mim
O qual ainda não te mostrei por medo
De me apaixonar por você
Sou toda sensibilidade do mundo
Aquela que toca fundo
E tira nossos pés do chão
Se não veio passear comigo
Na senda que passa por sobre as nuvens
Nem venha
Porque é pra lá
Que vou te levar


Rob Azevedo





sexta-feira, 14 de março de 2008

Alvorecer




Alvorecer


Teu sorriso
É o alvorecer do Sol numa manhã azul
É a pureza de que preciso
É aquilo
Que torna minha vida suave
Meu desejo por viver maior

É tudo o que sinto
Quando te vejo:

Amor

Teu sorriso
Tem a dimensão do infinito
Trazendo consigo
A certeza
De um dia melhor

Em teu semblante
Tua beleza aflora
Tornando-a ainda mais bela
Como o luzir da aurora

É o alvorecer do Sol
Numa manhã azul

É tudo de que preciso...

De resto
Acalentarei meus sonhos
Em bosques ermos
De que teus lábios
Que sorriem
Um dia tocarão os meus
Que vivem a murmurar lamentos
Entristecidos
Apartados da tua boca

Esperarei ainda
Que desse encontro
O alvorecer do Sol
Numa manhã azul
Não deixe mais
Nunca mais
Minha vida


Rob Azevedo




terça-feira, 4 de março de 2008

Melodrama de Dois Corpos Se Espremendo Contra a Parede




Melodrama de Dois Corpos
Se Espremendo
Contra a Parede



Larga desse copo
De Whisky
Apaga o cigarro
E fecha a porta
O assunto
É entre nós

Vem cá Mademoiselle
Andas se embriagando
Demais
E acende
Um cigarro n`outro

Sua vida tão revirada
De ponta à cabeça
Noite virou dia
Dia virou noite

Vejo a hora
Em que de mala e cuia
Virá bater
À minha porta

Fugirmos para o Tibet
Não é
Uma boa idéia...

Nem de Poesia e Amor
Viveremos
Seja lá
Como for

Queima um pouco mais
Dos seus neurônios
Pensando em algo
Diferente...

Abdução por extraterrestres...

Que tal?
Verossímil te parece?

Olha Mademoiselle
Poesia não se come
Nem a fama nos dá cama
Todo poeta
Morreu na penúria
Declamando ao vento enlouquecido
Que as gerações futuras
Lhe renderiam glórias

De corpo e alma
Absortos
Por esse Elixir da Imortalidade
Trilharam seus caminhos
Semeando versos
Esperando, quiçá, um dia
Serem mortos
Famosos
Consagrados
Na Literatura

Objeto de estudo na escola...

É bem assim
Nosso prato de comida
Só vem
Quando já não temos
Fome
Sequer estômago nem boca
Somos apenas
Caveiras se esfarelando
Numa lápide qualquer
De um cemitério além do mundo

Ah! Viajo tanto em minhas querelas!

Ó, Ululante Libélula!
Tudo isso me revolta
Na tela branca deixa nódoa
Inundando o atelier
Num mar de mágoa

Seu equilíbrio se revira
De ponta à cabeça
Nessa paixão mal resolvida
Dividida
Pra nós dois
Esmigalhada

Aflita, sem saída
Trocando o dia pela noite
Paixão por segurança
Busca refúgio
No cigarro
Na bebida
Sobretudo nas quimeras
Que eu mesmo acalento
Em mil poesias

Ah! Um pouco mais
Seremos dois
Bêbados caídos na sarjeta
Dando pano pra manga
A cineasta
De melodrama

E quão bela história se verá
Nas telas Hollywoodianas...

Risos...

Que se danem esses tolos!
Que riem às gargalhadas
Exibindo em suas bocarras
Dentes de ouro
Não passam de devoradores de revistas
Que contam a vida íntima...

Ainda ruminam hipocrisias
Rindo
Do que nos bastidores
Dão muito mais motivo ao riso

O que esperam
Encontrar nas páginas dos diários alheios
Senão tudo aquilo que espanta
E é visto como loucura?

Se há de rir das insanidades dos outros
E os outros rirem das suas
Cometa ao menos
Suas próprias loucuras

Verdadeiro louco é aquele
Cuja grande loucura de sua vida
Foi cometida por outros

Danem-se todos
Que morram em convulsões de riso
Internados neste dourado hospício
Que é o mundo cão

Dane-se ainda
Nossa bestial confusão...

Mas rezemos contritos a Baco
Para que ao menos, algum dia
Nalguma esquina qualquer da vida
Quando na sarjeta estivermos dormindo
E os cães vira-latas vierem lamber nossas bocas
Possamos afugentá-los aos berros
Mais estrondosos do que quaisquer latidos
De tão ébrios de orgulho íntimo estaremos até os últimos fios de nossos cabelos embranquecidos
Porque tivemos
Atitude
E essa será
Nossa oração
Protetora
Alimento
E abrigo

Vomitei a solução
Pra essa intrincada equação
Matemática
Agora vou-me embora
Vou-me embora
Antes que cerrem
As cortinas
E apaguem
As luzes

Alguém sabe onde passa
O ônibus pra Pasárgada?




Rob Azevedo





domingo, 2 de março de 2008

Domingo Pós Scotch On The Rocks




Domingo Pós Scotch
On The Rocks



O céu tomado
Por nuvens cinzentas carregadas
O chão molhado
Dessa chuva fina que não pára
Embrulhado feito pão de padaria
Entre edredons espreguiço
Acordando sem vontade
Numa tarde de domingo
Pós Scotch
On the rocks

Sobre a cômoda
O relógio marca
Algo além
Do meio-dia
Meio quente, meio frio
Do verão que se vai indo

Lembro de alguém
No burburinho dos bares
Entre mares
De cerveja, drinks
E brumas
De nicotina

Em meio ao desfile de moda
Baladas
Rock `n Roll
Espelhos, faróis, perfumes
Olhares, sorrisos
Miragens alcoólicas
Filosóficas

Ó Quimera madrigal!
Vem ao meu encontro
Num duelo de olhos
Fincados um no outro
Até que o sangue
De dentro de mim escorra
Gota por gota
Transbordando
Em teu cântaro
Quando
Há de rir
Vitoriosa

Difusas lembranças
Sobre lençóis
Exalando outro perfume
Exibindo rutilantes
Marcas de batom

Assim como as pedras de gelo
Num copo de Whisky se derretem
O nevoeiro se esvaece
Cada traço se define
Descortinando um rosto...

Lembro mesmo
Quem diria?
Seu nome
E número
De telefone!

Sete – meia – sete
Quatro – cinco
Sobe três
Desce um
Quatro – cinco – nove
Meia – oito
Restam dois...

Biiiiiiip, biiiiiiip, biiiiiiip...

- Alô!

Da memória que se refresca
Florescem Camélias
Num balé coloquial
Brindando apetitoso
Coquetel de frutas

Logo estamos
Embriagados outra vez
A tarde de domingo
Cinza, chuvosa
Morna
Não é mais
Tão somente
Uma vazia tarde
De domingo
Entediante
Nem fria, nem quente

É poesia e prosa
Amorosa
O quente
Esquentando o frio
O arco-íris
Colorindo
Além do céu cinza
O infinito

Mil coisas faremos
Até o luzir de uma nova aurora
Como bons boêmios
Tortos, de tão ébrios
Cantaremos Odes
Aos moinhos de vento
E que a vizinhança toda acorde!
Porque depois morreremos
Num longo suspiro
Sobre lençóis
Encharcados de suor

Ao abrir as janelas
O céu cinza
Na tarde chuvosa
Não nos importará
Nem o Porvir
Ou o bramir
Dos cães vira-latas
Doentios de cólera



Rob Azevedo





sábado, 1 de março de 2008

Estrela Bailarina




Estrela Bailarina


”Somente quem tem o caos dentro de si pode dar à luz uma estrela bailarina.”
(Nietzsche)




Dá-me pena
Ver teu vestido novo
Preto e branco
Que toda feliz
Com ar de criança
Sorrindo me mostra...
Teu sapato de salto alto
Rosto de boneca maquiada
Cabelo de princesa de Mônaco
Brincos, anéis e colares
Reluzindo e chacoalhando...

Parece um carro alegórico
Em noite de Carnaval
Ou ícone às barbies
De Bervely Hills...

Hoje estou sarcástico
Destilando fel
De tão embriagado
Do teu perfume
E minhas retinas
Tão embaçadas
Pelo vermelho incandescente
Das tuas unhas de tigresa
E lábios suplicantes
Pintados de fogo

Voltei a ser implicante...
Inconseqüente, adolescente
Rebelde sem causa
Ébrio delirante
Em qualquer copo
Se não é de um bom Scotch
Mas de água
Vejo uma tempestade
Ao meu ego afrontosa
E quebro eloqüente
Numa cena espalhafatosa
Teu espelho
Onde se miras
Em sonhos cor de rosa

- Só pode haver um Narciso nessa droga!

Grito...

Depois incompreendido
Num arroubo de fúria sem sentido
À luz dos holofotes, que enfim, pairam sobre mim
Pego em teu braço
Contrariado, te empurro pra dentro do carro
E saio
Cantando pneus
Cruzando sinais
Vermelhos
Com destino
Ao motel mais próximo...

Entre quatro paredes despedaço
Teu vestido preto e branco
Tua lingerie rasgo
Do teu cabelo cada mecha desfaço
Acabo
Com a pintura do teu rosto
Que agora ao meu gosto
É um quadro de Renoir

Teu batom
Mais um borrão
Impressionista
Ou obra de vanguarda
Da Semana
De Arte Moderna

Sobre cacos dadaístas
De brincos, anéis e colares
Despojados de fantasias
Gozamos
Em meio ao caos
Onde enxergamos
Como Nietzsche dizia
Uma estrela
Bailarina



Rob Azevedo









quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

L`Amour Et La Paix




L`Amour
Et
La Paix



Vem na noite
Dar-me teu Amor
Transbordando paz
Linda assim como te miro
Sorrindo
Minha menina
Mulher
Linda
Como Deus te fez
Nessa infância que não se perde
Travessa
Sonhadora
Vem e me toma
Brindando champanhe em minha cama
Nesse fogo que não se consome
Incendeia feito chama
Do Sol que não se apaga

Diz, que te faço feliz
E por mim tudo abandona
Essa vida sem paixão
De dor e conveniência

Bem além da aliança
Dos pergaminhos amarelecidos que jazem em pó
Desse teatro que te agonia sem dó
Cá estou, Meu Amor
Arrepiando pêlos
Estremecendo corpo inteiro
Precisando de um abrigo
No teu seio

Lembra dos lençóis
Encharcados de suor
De tanto, de tanto que te amei
Como nenhum outro mais

Vê o vaga-lume
Cintilando perdido na noite
É tudo que tens
E olha agora
O céu pontilhado
De luzes infinitas
Postas lá no alto
Por Nosso Pai Altíssimo

Sou eu, Meu Amor, pra ti sorrindo



Rob Azevedo




terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Nosso Amor




Nosso Amor



Sussurra em meu ouvido
Tudo aquilo de ontem à noite
Mais uma vez
Como o frescor do vento
Que encontrou o Amor de sua vida

Acalenta meu espírito
Me acompanha nas horas sagradas
Das madrugadas
Minhas e tuas

Vem de novo à minha casa
De alma pura
Ser minha até a alvorada

Olha a lua
Iluminando a serena estrada
Indo dar na praia
Onde foste minha
A primeira vez
Inteira na entrega
Apaixonada

Vê a praça
Defronte o coreto
Aquele banco
Onde em noites de domingo
Segura se deita
Com a fronte sobre minhas pernas
Espalhando madeixas
Perfumadas e suaves
Que minhas mãos
Acariciam
Enquanto miras
O céu estrelado
E ouves de mim
Juras
De Amor sem fim

Naquela madeira
Gravei a canivete
Meu coração
Atravessado
Pela seta da paixão
Que me cravaste
Em tua rendição
Não da carne
Que tão rápido apodrece
E são tantas que se oferecem
Mas da alma
Brindando a eternidade

Bebendo desse cálice
Nosso Amor
Bem além da leviandade
Que engana e mata
É contentamento
Imortal



Rob Azevedo





sábado, 16 de fevereiro de 2008

Ballade Pour Psique




Ballade Pour Psique
- - - ♥ Eros & Psique ♥ - - -



Psique
Olhos rasos d`água
Minha alma
Que te fala
Tudo
Que a boca cala

Em cada lágrima
Derramada
O Amor aflora
Da entranha
Aos pêlos
Em meu ser inteiro

Confesso:

Te amo de um jeito
Que em mil versos
Nem um terço
Do que me vai no peito
Esclareço

Deixei de lado
O medo
Palavras ditas
Ao meio
E o segredo
Entre nós

Por mil sóis
Desato os nós
Grito
Estremeço
Em sonhos te vejo
Do sono desperto
Clamando seu nome
Banhado em desejo

Uma canção
Retinindo no fundo
Do meu coração:

Te amo!

Ecoa por todo infinito

Minha face
Se mirando no espelho
Cumpre a jura
Entrega em sua mão o segredo:

Sou eu quem te escrevo
O Sr. Azevedo
Avesso
Ao que chamam
De eu lírico

Porque preciso
Dizer que te amo
Contando o que sinto...

Assim aprendo:

Se confessar
Alivia a alma
O peso de um mundo

Paixão
Apaixonar-se
Apaixonado
Por você...

Não tenho mais receio
Dessas palavras
Desse sentimento

Antes o diga
Do que leve guardado comigo
Ao descanso derradeiro

Nem tenho arrependimento
Por confessar o que sinto
Somente agradeço
Por haver te conhecido

Peça mil vezes
Quantas queira
Repito o que digo
E afirmo:

Não é eu lírico!

Sou eu quem te escrevo...

Psique
Olhos rasos d`água
Minha alma
Que te fala
Tudo
Que a boca cala

Porque preciso
Dizer que te amo
Contando o que sinto...

Assim aprendo:

Se confessar
Alivia a alma
O peso de um mundo

Paixão
Apaixonar-se
Apaixonado
Por você...

Um eco ecoa
Por todo o infinito:

Te amo!

Bem mais do que isso
Inexprimível o que sinto...

E não desdigo
Em nenhum momento
O que afirmo
Somente repito
Quantas vezes queira
Em seu ouvido

Assim flutuo
Na extensão do firmamento
Abraço as estrelas
Porque minha alma
Agora
Confessado o que em mim transborda
É leve, leve, leve como pluma
Que nem mesmo o peso
De um átomo
Terá
Se um dia
Ao acaso
Sem arrependimento nem medo
Em verdade que a tudo transcende
E sentimento à flor da pele
Por própria vontade
E da alma necessidade
Ouvir de seus lábios
A canção que meus versos
Confessam ao seu coração

Rendido, me entrego:

O Amor que move minha pena
É verdadeiro e seu

Grande, tão grande
Que não se mede

Como medir
Cada minuto que passo
Pensando em ti?

Desde que se abrem meus olhos
Ao se fecharem
E fechados em sonhos

Noites insones
Dias acordados sonhando
Imaginando
Nós dois nos amando

Nossos corpos nus
Assim como nossas almas
Perfeitamente
Se encaixando

Nossas formas se completando
Banhadas de Amor
Eros, Psique
Psique, Eros
Ambos
Um só se tornando

Despidos de tudo
Nós dois rendidos
Nos braços um do outro
Sobre lençóis desalinhados que voam
Por todo infinito

Gotas de Amor em seu corpo
Adentrando o íntimo
Uma parte de mim em ti
Se derramando
Num longo suspiro
Ao clamor do seu nome
Como sempre digo

Seu corpo vibrando sob o meu
Num gozo síncrono
Perfeito e lindo

Ao mesmo momento
Cronometrado o segundo
Dois longos gemidos
E meu nome, seu nome
Entrelaçados se clamando

Meu corpo seu corpo
Seu corpo meu
Toda devassidão
Abençoada
Sagrada
Bendita
Sobre a Terra
Sob o Céu

Porque nos amamos
De um Amor sem tamanho
De corpo e alma
Mente e coração
Pura Paixão
O prazer é Amor
O Amor é prazer

Apaixonamos...

Nossos corpos se pedem
Se permitem, se doam
Confessam e saciam
Todo capricho e fantasia
De forma irrestrita

Assim descobrimos
Cada palmo de nossos corpos
Desvendando segredos
E aprendemos
Como nos amarmos
Da forma como queremos
Sermos amados
Tornando
O êxtase sacro

Senti-lo em meu corpo
Vibrando
Bálsamo inefável
Só comparável
Ao sentires dentro de ti
Meu eu transbordando
Amor e Paixão

Entrega total
Incondicional
Libertária
Em cada desejo
Com devoção saciado

Eu canto
Bem sabes
O Amor Sagrado
Aquele que nos eleva
Aonde assentam os deuses:

- O Trono Soberbo
Que governa o Universo
A tudo criou –

Os deuses se amam
Nos amaremos como deuses
Porque somos
Deles imagem em perfeição
Quando o Amor de verdade
Incomensurável
Nos adorna
De cada pêlo à alma

Amemo-nos assim
Sem restrições
Porque os deuses
Sorriram para nós
Nos brindando
Com o cálice do Amor

E embriagado estou
Desse sentimento
Sem tamanho
Que vem de ti

Porque te amo
Porque sou poeta!
Porque te venero
Porque acredito em Deus...

Porque vejo Deus em ti...

Porque me vejo em ti
Como mirando um espelho...

Porque me confundo
A todo momento
Não sabendo mais
Se eu sou eu
Ou se eu sou você
Ou se ambos
Somos o mesmo Ser...

Aquela velha questão
Tão decantada
Por todos românticos
Me vem à mente
De súbito:

Almas gêmeas...

Que se procuram
Em si se completam
Tornando-se uma
Como no início...

Eu sou você
Você sou eu...

Me confundo
Mirando meu semblante no espelho
Vislumbrando seu rosto...

Deixo de lado o espanto
O medo de ser visto
Como um louco
Contemplando coloridas quimeras...

Porque essa lucidez ao avesso
Revirada de ponta à cabeça
Me liberta
Erguendo castelos
De Poesia

Que não se compram
Nem se vendem
E vencem o tempo

São meus versos pra você...

O resto
É pó
Que retorna ao pó
Relegando-se
Ao esquecimento

Só os grandes amores
Amor que seja Amor de verdade
Erguem monumentos
Que se eternizam na humanidade

Os exemplos são tantos
Incontáveis

Assim sendo
Por que não
Ao invés de conter-se
Transbordar-se?

Amarmo-nos...

Apaixonarmo-nos...

Confessarmo-nos...

Num eu te amo sem fim...

Permitamos que essa bênção
Nos invada
Nos tornando um só oceano
De Puro Amor

Amemo-nos
Apaixonemo-nos
Sem restrições
Abençoados
Gozemos
O Amor
Que nos devotamos
Amém!



Rob Azevedo





sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Dialética Existencial




Dialética Existencial


Numa tarde vazia
Filosofando reconheci:
Sou nada!

Nada!

Nada!

Que bom seria
Se todos um dia
Reconhecessem
Serem nada

Nem sequer
Humúnculo
Vindo do barro
Nem pó
Um nada somente

Lapso de segundo
Na eternidade do infinito
Um vaga-lume
Que pisca uma vez
E apaga
Nunca mais acende

Companheiros
Em miséria existencial
Ninguém acima
Nem abaixo
Tudo igual

Por que não viver
Nem arriscar
Se nada somos?
Por que tantos pesares
Se somos nada?

A cova
O fim da jornada
Então, nos embebedemos do vinho
Esvaziando a taça

Se tão cedo tudo acaba
Por que tanto apego
Ao nada inerente
A cada coisa?

Por que o medo?
O desassossego?
O freio?
O fim no meio?

Aos que perderam
Nem a perda existe
Se em nada consiste
O jogo

Aos que venceram
Mero devaneio
Sonho em noite de verão
Que as traças tornam em pó

Sem meu, nem teu
Compadres na miséria
Libertos do peso da posse
Leves como plumas
Com Deus ou ateus
Ricos do Nada
Sem dores de cabeça

O Ter
No sentido amplo da palavra
Pesa na alma
Uma tonelada

O que importa em verdade
Tão somente Ser
Sendo Tudo e Nada

Viver
Isso e aquilo
Por que não vivê-lo
Se tudo acaba tão cedo?

O que não se viveu
De sua parte
Por que tanto alarde?

Livre-se do peso
O rio flui sem que pare
Deságua no mar

Os balões
Só alçam vôos
Leves

Descarregue o fardo inútil
Leveza é a regra de tudo

O Nada pode ser Tudo
O Tudo, Nada
Ambos
Tão somente metáfora

Pensar demais estraga
Sentir tem mais sentido

Ninguém é insensível
À amargura dos pesares
No entanto a liberdade
De menos senti-los
Sem queixas
Resistindo despojado
Mirando os lírios
Torna a vida
Mais suave

De qualquer forma
Existir é presente
Ao Sol
Ou na escuridão da noite

O que é bom
Finda
O que é mal também
Tudo afinal
Tão desimportante
Diante o viver
Por si só
Esse lapso de instante
Mágico que nos brinda

Aproveite a vida
Sem pressões
Agonizantes
Impostas a si mesmo

Simplesmente viver
O ópio
Que nos livra
Do sem sentido
Desembaçando os olhos
Quando não vêem
Tudo
No Nada




Rob Azevedo






quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Desigual




Desigual



Dizem-me louco
Os tolos
Presos ao chão
Não sabendo que vôo...
Ah! Formigas de cabeça oca
Assim os vejo
Voando bem alto
Acima das nuvens
E píncaros dos montes
Ser desigual
É meu trunfo
Honra
Lábaro dourado
Sou desigual
Eu canto
Porque sou
Intelectual
Num mundo
Onde todo mundo
É boçal
Uso chapéu
Quando não usam
Roupa desigual
Fora do padrão normal
Sim, caro irmão
Desertei do rebanho
Que rumina no pasto
Da hipocrisia e ignorância
Tenho identidade própria
Que não é enlatado
De supermercado
No cardápio do meu papo
Nenhum lugar comum desgastado
Que se ouve pelas esquinas
Meu diálogo
Causa estranheza
Eu sei
Quando falo de Persépolis...
Ahn? O que?
Do que se trata?
Ah! Pesquise na enciclopédia!
Ilustre-se!
História Antiga
Faz bem
Pra saúde!
Olhe, não me rotule
Porque não sou igual a você
Ou vai saber
Que te acho
Um tremendo asno
Padronizado
Uniformizado
Enlatado
De supermercado

No mais
Eu vôo bem alto
Você lá de baixo
Nunca vai me entender



Rob Azevedo






Anjo de Amor




Anjo de Amor


-> Trilha sonora


Seu corpo assim
deitada de bruços
uma perna bem aberta
estendida ao lado
dobrando o joelho
dormindo nua
lindamente nua
em cada curva sua
relevo que me arranca suspiros
em redondas formas
repartidas por fenda
que desce maliciosa
ao seu sexo que se mostra
natural, sem rubor
nem guarda
como um anjo adormecido
descansando por mim
que o sono lhe vela
para que o vigor
revigore
doando-me amor
ao despertar
miro esse anjo
rezando
agradecendo
por ser meu
seu sexo assim
inocentemente nu dormindo
seguro na intimidade
do nosso quarto
sem receio algum
restrição ou pudor
em mostrar-se
como veio ao mundo
pelas mãos de Deus
nele os olhos fixo
tão logo enlevo o espírito
e me inspiro
escrevendo versos
desvendando o universo
que é seu corpo
a flor onde pousam meus olhos
é dádiva a mim consentida
pelo Criador dos anjos
agradeço
agradeço
agradeço
dorme, meu amor
dorme
que seu sono velo
mirando-te assim
dormindo nua
como um anjo
de amor


Rob Azevedo








Consumado Enleio




Consumado Enleio

(Com eu lírico feminino)



Arremate-me amor
e me mate de amor
sem pudor
rapte-me e me cale
saciando a vontade
do cair da tarde
ao nascer do Sol
desalinha o lençol
perca-se em meu corpo
naufragando no poço
sem fôlego
vadie pelas Luas
cheias do busto
que é teu
beija meu dorso
penetrando minha alma
domando-me nas rédeas
de minhas madeixas
cavalgando valente
em busca do gozo
abocanha meu pescoço
passeia a língua
da nuca ao colo
descendo ao umbigo
redemoinho à caminho
do paraíso
que é teu consentido
por livre e espontânea
paixão
afogue-se
entre um par de coxas
teu parque
de diversão
beijando o cálice
da minha flor cor de vinho
com devoção
meu sexo rendido
desflorado no leito
abre-se para ti
em pétalas
de Amor-Perfeito
consumado enleio

inteiro prazer
que te consagra
meu homem
eu
tua mulher



Rob Azevedo










terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Um Poema Inocente




Um Poema Inocente



Licor de Jenipapo
Outra cor no ar
Mel e dourado
Sabor de pecado
Menina vem devagar
O fogo vai te queimar
Travessa ateia
Mais a chama
Que incendeia
Ô Emília, boneca de pano
Sem tino nem miolo
O sabugo de milho vai entrar
Na história sem pestanejar
Se esconde do Visconde
E do sapo que goza
De menina mal-criada da roça
Se veste de rosa
Por baixo
Os grandes lábios
Pinta
De rouge-carmim
Ai de mim!
Vão me engolir
In-tei-ro
Indefeso entre um par de coxas
Menina vem devagar
A Cuca vai te pegar
La cucaracha, la cucaracha
Enfiei o cabo
Da vassoura
Na barata!
Saiu desbaratada
Descascando batata
Coitada!
Eu te avisei
Menina
Vem devagar
O Bicho Papão vai te pegar
Tem os olhos enormes
E a boca bem grande
Parecendo morto de fome...
Pergunta pra que?
Pra te comer!

Menina vem devagar
O galo já cantou

A jurupoca vai piar
E o peru
Vem cantando glu-glu...



Rob Azevedo






A Alcova de Don Juan




A Alcova de Don Juan

-> Trilha sonora


Naquela noite
Fria e só
Na penumbra d`algum candeeiro
Entre brumas madrigais
Cruzaram nossos olhos
Estremecendo tudo por dentro
Penetrando a alma
Arrepiando pêlos.
Que força mágica num olhar
E encanto arrebatador no semblante!
Porte esbelto, trajes elegantes
Um olhar
De duração e profundidade
Igual à eternidade
E alguém se derrete
Entregue
Ofegante
Mulher...
No sereno noturno
O frio convertido em calor
Orvalho, em suores de Amor
E dois desconhecidos se amam
De corpo e alma em pleno cio
Um ao outro com volúpia despindo...
Suspiros
Arranhões
Gemidos
Declarações apaixonadas
Em sussurros
Num parque ermo, escuro
Na relva às margens dum lago
O primeiro inefável orgasmo
Masculino e feminino, síncronos.
Ó Dama da Noite!
Teu perfume que inunda o bosque
Mistura-se ao de dois amantes
Inebriantes aromas, marcantes
Rastros invisíveis de Amor
Por onde se vão
E se deitam com paixão.
Ó Constelação de Órion!
Tuas estrelas
Não nos valem
Para contarmos os beijos
Que nos damos...
Contemos todas do céu!
Lábios que se encontram
Se roçam, escorrem um no outro
E se encaixam
Dentes que mordem de leve
Línguas que lambem
E se entrelaçam.
Mãos que suaves deslizam
Por todo corpo feminino
Profanando sagrados paraísos
Pousando no recôndito ninho
Acariciando
Desfolhando a rosa com carinho
Penetrando com a ponta dos dedos
O poço da libido
Umedecido
Pelo prazer consentido
Como um bom vinho
A bom bebedor.
Embriagado, meço no firmamento
A dimensão do infinito
Da anatomia da mulher
A cada palmo mil segredos
Mil oásis, mil devaneios
De perdição e desejo
Dos temores do naufrágio
Ao porto seguro
No colo macio, delicado.
Ó Par de Seios!
Contigo converso
Em sutis colóquios
Sorvendo teus conselhos
São generosos
Meus travesseiros
Após o Amor.
Estamos assim
Enamorados
Perdidos em delírios
Como os grandes navegadores
Deslumbrados com o descobrimento
Do Novo Mundo.
De onde vim?
Vim de onde
O vento surge
Minha alcova, minha cama
Palco do Amor que arde em chama
É na verde grama
Nos bosques, às margens de lagos
Ou na praia
Ao canto das ondas
N`alguma rua escura
Numa escadaria ou varanda
Sacada
De casa abandonada
Ou ainda
Na morada
D`alguma nobre dama
Aconchegado aonde dorme...
Talvez, quem sabe?
No guarda-roupas
Um oportuno esconderijo...
Meu nome?
Don Juan
Sou fogo que consome
Sem que se apague
Sou lenda
Sonho de mulher
Amor e prazer.



Rob Azevedo







domingo, 20 de janeiro de 2008

Chuááááá...




Chuááááá...

-> Trilha sonora


Naquela deserta praia
Sob a Lua cheia
O céu estrelado
A brisa marinha
Balouçando ramos
De palmeiras
Maresia, algas, conchas coloridas
Ao luar
Ondas que murmuram
Lambendo a areia
Trazendo ao vento
Branca escuma
Entre brumas
Da madrugada
Um Amor ao lado
Ao redor da fogueira
Gaita
Violão e vinho
O que mais, meu Deus
Precisamos
Quando estamos
No paraíso
Como no início
Feito Adão e Eva?
Tudo conspira
A favor
Do Amor
Cada estrela inspira
Poesia
Ondas que murmuram
São cantos
Celebrando
Corações
Enamorados
Chuááááá, chuááááá...
Canta o Mar
Pra lá e pra cá
Indo e voltando
Como dois corpos nus
Um sobre o outro
Na vastidão erma da praia
Comungando a Natureza
Se amando
A sós
Na areia
Ao canto do Mar
Chuááááá, chuááááá...
Indo e voltando




Rob Azevedo






quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

O Mensageiro




O Mensageiro


-> Trilha sonora


Slapt, slapt, slapt...
Um homem de galochas vinha
Caminhando na estrada de terra batida
Depois da chuvarada
Béééééérrrrr...
Muge uma cabra
E range o portão
Se abrindo preguiçoso.
Levantei do toco de carvalho
Onde matutava
Tirando o chapéu de palha
Coçando a barba
Mastigando um naco de capim.
Meus olhos cruzaram
Aquele olhar cansado
De quem vem
De léguas além.
Parecia um profeta,
O Visconde de Sabugosa
Ou o Merlin
Mensageiro
D`algum grande segredo.
Fitou profundamente
Por infindáveis instantes
Meus olhos
Desnudando minha alma
Sem murmurar palavras.
Julguei louco
Aquele senhor idoso
Depois cismei
Encabulei e achei
Que estava
Todo cagado
Ou talvez
Com o rosto pintado
De palhaço.
Não! Não era nada disso...
Tampouco me encarava
Querendo briga
Era velho demais para tanto.
Ah! Ninguém mesmo dá ouvidos
A velhos assim...
Senis...
Virei as costa e fui embora
Quando ouvi:

- É este o legado que me dás?!
Virando as costas ao mundo
Deixando-o que escorra
Entre os dedos...
Eu sou você
Seu mundo
Quarenta anos depois...
Não se abandone
Rapaz
Nem espere que o amanhã
Se resolva por si só.
Não se canse tão cedo
De tentar mudar as coisas
Deixando-as como estão
Porque depressa o tempo passa
E quando voltar a te ver
Reconhecerás a mim
Como se olhando no espelho.
Saberás: Eu sou você.
Nessa hora tardia
Sim, não haverá mais como mudar
Os quarenta anos que se passaram
E qual legado haverá me deixado?

...Um eco ecoa no infinito...

E aquela imagem
Desvaneceu-se em brumas
Diante meus olhos.
O que faço da vida
Desde então
Tornou-se poesia
O resto
Pouco importa...




Rob Azevedo





segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Me-Nina




_Me-Nina_


-> Trilha sonora


Lá dentro de mim
No mais profundo
Busquei algo pra te dar
Um conto de fadas
Dos tempos de menina
Lembra?
A inocência de outrora?
A crença que se perdeu?
Envelhecemos a alma
No entanto, ela mesma
Se comove com as lendas
E chora...
Tudo tão ao avesso
Hoje em dia
Que no verso da moeda
Meus versos soam
Como vindos d`algum Don Quixote
Romântico Pós Moderno
Pelejando contra
Os mesmos velhos conhecidos
Moinhos de vento.
Não me importa
Todos envelheceram
Perderam os sonhos
Menos eu
Síndrome de Peter Pan...
- Um menino diante à mulher –
Sereno, pois tenho minha salvaguarda
Meus dons...
Que bom, somos iguais
Enfim!
O par perfeito!
Porque lendo minha história
Sei que se acalenta
Na imaginação
- Esse fabuloso reverso da solidão –
E menina se torna
Idêntica a mim



Rob Azevedo





quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Labirinto dos Sonhos




Labirinto dos Sonhos



Deliro
Feito ébrio enlouquecido?
Vomito um mito!
Da víscera...
Ambígua poesia
Enigma...

Quem entenderia
Senão os filhos
De Platão?

Inusitada e trágica
Sina
Da minha lira
Dramática

Ira que abomina
Em espasmos de agonia
Cataclismo
Surrealista

Insurreição!

- Quebrai as correntes, Ó Zeus
Da Razão!
Já não me entendem
Não!

Ainda murmuram
Que pisei nas flores
E falam de sonhos...

Eu as plantei!

Meus pés
Sabem aonde vão
Ao Bosque da Ilusão

Meu coração
Vai pisoteado
Acorrentado
À maldição
Das almas
Vagando eternamente
Nas sombras do além

Vagar, vagar, vagar...
Num campo de versos
Buscando a remissão
Sem nunca encontrar
Aprisionados
Por nossa
Criação

Eis por que
Eu piso
Nessas flores de ópio!
Nos entorpecem...

Então por que o espanto
Se deliro?

Cometo atos
Que não entendem
Delirante
Meus olhos se abrem
- Abrem as portas
Da percepção -
E compreendem:

Não há salvação!
Incendeie Roma
Devassem os campos
Do Amor

Tornou-se maldição
Eu um bufão
Pregando na praça
- Num dialeto da África -
Para uma multidão
De surdos
De Plutão

Ah! Não podem ver o que vejo...
Só eu, Zeus, só eu vejo
O quão o mundo
Que criamos
Tornou-se herético

Dá-me a Pedra Filosofal...
Alguma panacéia
Haverá de curar
A cegueira
Abissal
Daqueles que lêem
Meus versos

Quem sabe um dia
Possam ler os pergaminhos
Decifrarem os hieróglifos
Desvendando o enigma
Com ajuda dos astrólogos

Nesse dia
A saída
Do campo-labirinto
Encontrarão os ímpios



Rob Azevedo





domingo, 6 de janeiro de 2008

Depois do Amor




Depois do Amor


Devolva-me a crença
No Amor
Sobretudo a crença
No depois do Amor

Devolva-me tudo
O que alguém me roubou

Devolva-me a paz
Que me tiraram
O chão que me levaram
Desanuvie o céu
Pintando-o de azul

Dá-me um ninho
Seguro
Em teu peito

Dá-me alento
Acalma a fúria do vento
Na tempestade

Transforma tormento
Em contentamento

Fugaz
Em eterno
Escuridão
Em luz

Desilusão
Em convicção
Na beleza da vida
E realização
De cada sonho
Que embalei

Meu pranto
Torna ungüento
Que tudo sara
A ferida
Mais profunda
Cicatriza

Transforma
Ilusão
Em pão

Dá-me
Um jardim botânico
Em teu corpo
E morada
Na tua alma

Dá-me algo
Que subsista
Além dos lençóis
Depois do Amor



Rob Azevedo





sábado, 5 de janeiro de 2008

A Chuva É O Que Sinto




A Chuva É O Que Sinto


Canto o que sinto
O que me brinda o momento
Agora
Ao cair da chuva
Na noite soturna
O sentir me inspira
Ceticismo
Torno-me profundo
Como o abismo
Desembocando
No fim do mundo

Aquela impressão
Incompreensível
De que o sonho
Jaz
Em conto
Esmaecido
Consumido pelo tempo

O cantarolar da chuva no telhado
Tem
Seu próprio canto

Nessa hora
O compreendo
Por intuição

Sua linguagem
Não se traduz
Por meio
Da razão

Não se descreve
Em palavras

É insight
Mantra
Ego trip
Jornada
Às profundezas da alma

É lição
Zen-Budista
- A prova do Mestre –

É dizer tudo
Por meio do que não se entende
Sente-se
Pelo sexto-sentido

É refúgio
Convite
À introspecção
E transcendência

Bálsamo
Ilha perdida
Monastério no Tibet
Reticência

É o aguçar dos ouvidos
Tentando compreender um canto
Fundamental e inexprimível
Aos cinco sentidos

É o avesso da razão
Cognição
Sensitiva
Extra-sensorial

Enfim
A chuva
É o que agora sinto
Sentindo
Com o sexto-sentido



Rob Azevedo





Legião Estrangeira – De Fantasmas




Legião Estrangeira – De Fantasmas



Cantei tanto Amor
Um dia a fonte
Da minha alma secou
Estiagem prolongada
O verde definhou
Em folhas ressequidas
O solo rachou
Em profundas rugas

Veio o inverno
Ao sopro do vento
Gelado do Norte
Meu mundo
Entristeceu

Tudo que via
Eram terras nuas
Estéreis
Árvores secas
Galhos retorcidos
Rios mortos

A inocência se perdeu
Sonhos murcharam como as flores
O riso
Não teve mais motivo

Tive medo e chorei
Quando ainda podia chorar
Depois
O sentimento também morreu
Mesmo o rio
Vertido do pranto
Secou cada gota

O maior pesar
Vinha ao me defrontar
Sem força
Para mover uma palha
Diante aos fatos
Impiedosos

Tudo era deserto
Eu um nada em meio ao desterro
Insensível

O bonde da vida indo
Embora
Sem volta
Eu murchando
Tornei-me sombra
Fantasma de mim
Cavaleiro morto por dentro
Cavalgando oculto em armadura
Atado ao cavalo
Por algum escudeiro solidário
Ao que fui no passado

À frente da tropa invisível
Segui guiando
Cruzando o deserto
Como lábaro
Inspirando
Outro tempo
Glorioso

Em mim
Jazia morto
De aparências
Valia o símbolo
E ouvi ao vento:

- Nosso General está vivo
Imbatível nos guia
À vitória!


Mal sabia o vento
Que pesava em minha alma
A mais melancólica
De todas derrotas:

Não havia mais motivo
Pelo que lutar
Nenhuma vitória
A vitória traria
A ninguém

Apagou-se
De todos dicionários
A glória

Viver tornou-se
Sem razão

Nenhuma ideologia
Nos salvaria
Nada
Nem altruísmos
Deus algum
Ou aquela quimera
Que um dia
Nos tempos da inocência
Acreditamos:

- O Amor -

Pois secou-se amargo
Em nossos corações

Na verdade nos trouxe
O pesar
Que agora sofremos

Tornou-se
Nosso inimigo
Carrasco
Cicuta
Engodo
Abutre
Víbora

Em nosso peito
Nos matava
Extirpá-lo
Nos chacinava até a entranha
Da alma

Assim em tese
Morremos
Sem saída
Num beco escuro

O maior espanto:

Mesmo a morte
Morreu!

Destituídos
Desse véu
De misericórdia sombria
Viemos a ser
O que nos tornamos:

Legião estrangeira
De fantasmas
Vagando eternamente
Pelo além
Sem descanso
Assombrando
Penando
Murmurando
Maldizeres
Ainda em cânticos
De Amor



Rob Azevedo








domingo, 30 de dezembro de 2007

Devoção




Devoção


Não, eu não te disse
Da noite triste
Sombria que existe
Quando de partida parte
Quem meu coração reparte
Nem do que amargurado senti
Sem ti ao meu lado
Sequer te contei
Tudo que imaginei
Por horas a fio
Na solidão do quarto
Têm coisas que não te conto
Por falta de coragem
Ou acho bobagem
Ainda aquele receio
De ver-me despido, indefeso
Flagrado em pecado sacrílego
Herético em delito
No recôndito
Do confessionário
Deslumbrado mirando
O crucifixo
Entre dois róseos mamilos

Guardo o segredo comigo
Do templo que ergui
Debaixo do véu
Da tua saia
O altar que venero
Dele sou servo
Devoto fiel
Encontra-se sob o céu
Do Santo Sudário
- A peça íntima que te veste -

Água benta
Nesse altar enlevo
O espírito e rezo
Nele teu cacho de uva
É Minha Santa
Hóstia, vinho e sacramento

Contrito me confesso
De joelhos entre um par de coxas
Minha fronte se coroa
Beijando a Redentora

Acaricia-me as madeixas
Ó deusa e abençoa
Teu servo devoto fiel
Que humilde vos beija
Arrebatado em transe místico
No santuário
Da carne e espírito



Rob Azevedo







sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

No reverso do clamor enche o cálice e toma...




No reverso do clamor
Enche o cálice e toma...


-> Trilha sonora


Moro numa casa pequenina, pobrezinha
Na beira do mar
Não tenho nada pra te dar
Tenho Amor
Tenho Amor
Tenho Amor

Não tem nem linho, nem seda
Ouro nem prata
Vaso de louça, nem cristais
Não tem nada não
Não tem nada não

Tem o Amor
Tem Amor
Tenho Amor

Nada o que roubar
Nem o que se guardar
Nada que envelheça
Nada que pereça
Lágrima aquela
Que te mereça

Não tem teto nem chão
Ao alto o Céu
O Sol
A Lua, as Estrelas
As Nuvens
Abaixo o purpúreo tapete
Do Meu Coração

Não tem sim nem não
Nem contradição
Luz nem sombra
Silêncio nem som

Não tem nada não
Não tem nada não

Tem o Amor
Tem Amor
Tenho Amor

Não tem janela nem porta
Parede nem compota
De doce de Pêra
Nem tem cadeira
Sequer tem cama

Não tem nada não
Não tem nada não

Teus meus olhos a janela
Da alma
Tua minha boca a porta
Nosso Amor a compota
Do doce de Pêra

No lugar da cadeira
Teu trono
No Meu Coração

Na relva à beira da ribeira
Minha tua cama
Rimando com chama
Daquela
Que não se apaga não
Não se apaga não

Sou pobre então
Nada tendo à mão?
Não tem problema não
Não tem problema não
Tenho o Amor
Tenho Amor
Tenho Amor

No Amor tenho
Inspiração
Faço uma canção

Dó, Ré, Mi...

Vejo o universo em ti
Daí a razão
É teu meu verso
Mais pequenino, singelo:

Amo-te!

No reverso do clamor


Se arrepia

Enche o cálice

!et-omA

Meu Amor



Rob Azevedo







segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Jardim Interior




Jardim Interior

-> Trilha sonora


Guardo pra ti um jardim
Onde não murcham flores
Ainda na mais prolongada
Estiagem
Nem cresce erva daninha
Ou coisa alguma devasta
Um jardim que sempre existirá
Florido
E dele as flores
Não podem ser pisadas
Ninguém
Nem nada
Que não seja as mãos
De nossas almas
Para adornar em guirlandas
Notre maison de l'amour
Pode levá-las
Dos canteiros roubando-as

Entre as fronteiras
Não viceja
A vaidade
O orgulho
A dúvida
Interesses
Jamais o mal-querer
E o esquecimento

Atravessa o tempo
Sem a tibieza de espírito, pudor
De declarar os sentimentos
Porque é dádiva
Força interior
Ainda quando jaz ferida
Amordaçada pelo orgulho
A Flor do Amor

De tudo se despe
Das pedras
Ergue castelos
Do veneno na fonte
Remédio
Do espinho que sangra
Brota vinho santo
Transbordando cântaros

Assim nada resta
De material
Que os sentidos embace
Então o milagre:

O coração vê
O que vive
Por si só
Tem vida própria
Imortal valor
Semeado, florescendo
No jardim interior
Que guardo pra ti
Amor



Rob Azevedo





FIZ DE CORAÇÃO... FIZ DE CORAÇÃO...






sábado, 15 de dezembro de 2007

Quem sabe um dia eu volte pra onde estou




Quem sabe um dia eu volte
Pra onde estou


-> Trilha sonora


Já deu minha hora
Meu Amor
Tenho que ir embora
Vem luzindo a aurora
Enxuga a lágrima
Por favor, não chora
Acaso doer bastante
Daquela dor imensa
Abraça a Saudade
Diz bom dia, boa tarde
Tem de mim piedade
Quando vier a noite

Chora o jardim
A Colombina, o Arlequim, a Rosa
Choram as nuvens do céu
Minha alma quem chora

Guarda aquele verso
Nosso Amor é eterno
Rasga aquele outro
Nada na vida é duradouro

Escuta minha prosa
Com as paredes do quarto
De quem parte com o corpo
Permanece de alma

Aguça os ouvidos
Escuta, Amor
Na sinfonia dos Sabiás
Meu coração o Tenor
Cantando
No refrão teu nome

Vê o Sol
Do alto te olhando
Sorrindo e aquecendo
Lembra o manto
De estrelas sem fim
No breu da noite

Agüenta a Saudade
Firme e calma
Conversando com o vento
Os arvoredos
As ondas do mar

Quem sabe um dia eu volte
Pra onde estou
De coração e alma



Rob Azevedo





quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Triangle Royal




_Triangle Royal_


Lençóis, travesseiros, véus
Azul-turquesa no leito
Florais e quadros do menino Deus
Tapeçarias orientais, no ninho perfeito

O H do Rei sobreposto
Aos dois Cs opostos
Entrelaçados de Catherine
Formando o D de Diane
Lareira digna de reis, lustres, vitrais
Teto cofrado, esculturas, romântica vista
Do Rio Cher

Esplêndidos jardins
Em terraços elevados
A Torre de Marques
Estábulos, hortos
Pavilhões de caça
Na imensidão dos bosques

Cenário de sonhos
Do triângulo amoroso
Ménage à trois real –
O Rei, a Rainha
A amante
Favorita do soberano

À Catherine submissa
Diante o Amor do monarca
Por todo reino conhecido
A gentileza de Diane
Em conselhos sobre a vida íntima de cônjuges
E permissões, incentivos
Para que o amado
Ao leito da Rainha se recolha
Providenciando ao trono herdeiros

Em cada ducado
Com toda pompa
Recebida a preferida
Ao lado do Rei
Catherine esquecida
Vem
Dois dias depois

Solenidades
Títulos, honrarias
Propriedades rurais e urbanas
Châteaux e obras de arte
Todo Ouro e libras
À Diane
Venerada como a deusa
Da caça e da Lua

Seu ofício
Entre todos do reino o mais rentável
Cumpre
Na alcova do Rei
Tornando-se manjar da libido

Ouro, prata, jóias
O reino aos pés...
À despeito de coquetéis irrecusáveis
Marionetes em mãos vaidosas
São coadjuvantes na peça
Quando o Amor
A ambos une

Amante ornada em diamantes
De amantes as madrugadas
O depois, o antes
Tão somente nada
Horas contadas

Prepara-te!
Como a Relicário Sagrado
Banquete do Rei
No dever e honra de saciá-lo
Banhada em leite de rosas
Perfumada, maquiada
Depilada e penteada
Por damas de companhia

Ó meretriz elegante
Da fina nobreza
Por detrás dos véus
Refulgindo a pele alva
Abre tua guarda
Oferta a relíquia
Que trazes no corpo
Aos desejos
De teu soberano

Santificado será o gozo
Em Bula Papal
Solenemente trazida
Nas mãos
D`algum cardeal

Santo deleite!
Salvação da alma! – dirá o Sumo Pontífice

Ó, Favorita!
O reino conspira
Em matéria e espírito
Práxis e filosofia
Qualquer heresia
É-nos bendita!

Abre as portas levadiças
De tua fortaleza ao Rei
Adentra-rei
Ainda que me afunde
Perdido no fosso
Que seja aquele
Bem-quisto
Entre duas alvas Camélias



Rob Azevedo








quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Diane




Diane


Diane, teu Rei, das profundezas da alma
Por ti clama, ardendo na chama
Que jamais se apaga, ainda extinta a vida
Vem ao meu encontro, ó pérola feminina!

Sobre o rio, o château mais belo
Erigido do engenho da arquitetura
Contempla com requinte e esmero
Tua fineza, romantismo, vasta cultura

És a eleita que a todas desbanca
Deusa mitológica da caça e da Lua
Enlevo do espírito em noite branca

Vem ao meu encontro por florida rua
De versos, lembranças, paixão, encanto
Encontrarás o Rei em leito de Ouro esperando



Rob Azevedo







O Lago dos Cisnes




O Soneto abaixo o escrevi inspirado no balé dramático de Tchaikovsky – O Lago dos Cisnes. Minha composição – do meio em diante - é um pequeno resumo do enredo da obra de mesmo nome do compositor russo.





O Lago dos Cisnes


Um passeio meditativo num parque
Na beleza estupendo, bosque florido
Verdejante gramado, ao Sol da tarde
Às margens do lago, cenário esplêndido

Cisnes brancos nas águas desfilam
Graciosos, serenos, sonhos invocando
No devaneio do maestro um balé despertam
De reino e feitiço, príncipe e donzela se amando

Juras d`Amor, verdadeira, eterna paixão
Artimanhas de mago, inundando de engano
No cisne negro, malevolente ilusão

Quebrado o juramento, traz o pranto
Persistem votos incólumes no coração
Que se afoga no lago pelo cisne branco



Rob Azevedo






terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Château de Chenonceau




_Château de Chenonceau_


A noite vai alta
Após o Amor com a Rainha
Para que dê herdeiros ao trono
Sorrateiro me despeço
A caminho do prazer verdadeiro
A alcova da favorita
Dona do reino
Do meu coração
A Duquesa de Valentinois
Aquela com quem
O Amor é ardente
Profunda paixão

No leito me recebe
Como Rei
Descortino os véus
Fito olhos lânguidos
Cúmplices
Flamejando desejo
Ao lado
Da favorita me deito
Nua esperando
Banhada em leite de cabras
E pétalas de rosas
Coberta por lençóis de cetim
Suplicando em voz doce
Coroarmos almas e corpos
De Amor
Inteiramente saciado

Ó, deusa serva
Dos meus caprichos
No recôndito do leito
Beije minhas mãos
E tenha a honra
De servir ao teu Rei!

Sou soberano do reino
Teu Rei e vassalo
Ó, minha dona!

Teu corpo é meu recreio
Oásis, aconchego
Perdidamente anseio
Que venha a primavera
E mudemos com a corte
Para o Château de Chenonceau
Sobre o rio Cher

Ao mais glorioso
Esplêndido
Encantador
Romântico
De todos châteaux
Da França

Aquele que vos dei
De presente, ó, deusa!

Onde nossas iniciais
Entrelaçadas
Com resplendor são vistas
Por toda parte

Memorial suntuoso
À minha devoção por ti
Símbolo da paixão
Ícone de amantes
Por Deus escolhidos

Coroa-me de prazeres
Com as delícias do teu corpo
Rendido de coração e alma
Porque destes
Sou teu Rei

Qual de todos os reinos
Haveria eu de mais amar
Senão vós em pura essência?
Ó, Duquesa de Valentinois

Mais cara que todas as terras
Da Europa
De todos continentes

O Amor com que me presenteias
Do cair da noite ao arrebol da aurora
Não tem para ti rivais

Amor sem igual
Nem amanhã
Nem outrora
Nenhum
Da mais excelsa dama
Será digno
De comparar-se
Aquele que me doa
Nas alcovas
Dos châteaux

Que venha a deusa Vênus
Ao reino
Rivalizar contigo...

Ao Olimpo
Regressará
Cabisbaixa
Tendo a deidade
Para ti perdido

Antes
Beijará teus pés
Venerando-te
Pela vitória

Nenhuma jóia
Ou prata
Nem Ouro
Paga
A glória
De vos ter
Em minha cama
Como teu Rei
Ó, Luz
Que eclipsa a aurora!

Minha coroa, meu reino
É a Duquesa
De Valentinois



Rob Azevedo






segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Maîtresse en Titre




_Maîtresse en Titre_
Omnium Victorem Vici



Entre as beldades da corte
Vem ser minha Maîtresse en Titre
No palácio acomodada
Teus aposentos soberbos
Unir-se-ão aos meus
Por túneis secretos

Tornar-te-ei Dama de Honra
Da Rainha
Em breve tempo
Marquesa
Ornada de jóias
Retratada por gênios pintores
Para posteridade
Como exuberante deusa

Dar-te-ei o ducado que queiras
Serás duquesa
Honrarias e títulos de nobreza
Brasões e libras
Renda vitalícia
Prataria e Ouro
Louça chinesa
Magnificentes carruagens
Encantadores châteaux
De Outono, Inverno
Primavera e Verão
Às margens de rios e lagos
Entre bosques e jardins
De contos de fadas

Bem vinda aos prazeres da corte!
Bailes de gala
À fantasia
Festas glamorosas
De sete dias
Celestiais banquetes
Adegas, vinícolas
Transformadas em súditos
Ofertando a safra
Mais primorosa
Solenidades
Com toda pompa
Da monarquia absoluta
Santificada pelo Papa
Incontável criadagem
Uniformizada, sempre atenta
Salões decorados
Com obras de arte
De Rembrandt a Da Vinci
Quadros, esculturas
Cristaleiras
Lustres e vitrais
Tapeçarias orientais
Dramaturgias, sinfonias
Vistas
De preciosos camarotes
No teatro real
Jogos de cartas
Equitação
Caça aos veados
Pesca
Esgrima

Passeios ao Sol
Nos pátios internos do palácio
Sob sombrinhas
Levadas por damas de honra
Jardins esplêndidos
Estátuas clássicas
Chafarizes

Trajes suntuosos
Ostentação
O reino inteiro
Aos nossos pés
De camponês a nobre
Aos cofres
Do tesouro nacional

Cada capricho
Saciá-lo um dever
Dos cortesãos

A preferida do soberano
Maîtresse en Titre
A serviço do Rei
Na alcova elegida
Pela paixão

Mesmo a Rainha
Haverá de beijar-te os pés
Dizer-te boa noite agradecida
Pelos serviços prestados
Ao monarca
Em ménage à trois real
Ao vê-la no cair da noite
Retirar-se em companhia do esposo
Ao teu aposento
De Maîtresse en Titre
Contíguo ao dela

Que enlevo à tua alma feminina
Saber que a Rainha
Com teimosia ferina
Secreto deleite de voyer
Que a alma humilha
Ainda vê teu Amor com o Rei
Ardente, extrapolando a exaustão
Todas as noites
Encharcando o corpo de suores
Através de frestas abertas
Por empregados a mando dela
Na parede que os quartos divide

Choramingando com as confidentes
Confessa:

- Ele nunca me usou tão bem!

Bastardos serão nobres
Duques e duquesas
Marqueses e marquesas
Condes e condessas
Criados pela Rainha
Como os próprios filhos

Ou como queiras
Haverá de criá-los
Também aqueles da soberana
Como teus

Nosso ideograma
Sobre os portais
De deslumbrantes châteaux

Cada súdito
Ao passares se curvará
Humildemente
Todo pedido
Dever e honra cumpri-lo

Ai de quem
Contra si se volte tua ira
Expropriação de bens
E banimento do reino?
Prisão perpétua
Na masmorra?
Forca?
Decapitação?
Esquartejamento?

És a predileta do soberano
Contra ti ninguém pode
Tudo que desejas tens

Em alcova Diamantes
Leito de Ouro
Cravejado de Esmeraldas e Rubis
Acima os dizeres:

A serviço do Rei
Só vivo através dele
Conquistei aquele
Que a todos conquistou





Rob Azevedo








sábado, 8 de dezembro de 2007

O Rochedo de Gibraltar




O Rochedo de Gibraltar


-> Trilha sonora


Alma posta
No papel em branco
Sagrado refúgio
Do poeta saltimbanco

Campos de Lírios
Altar no Templo
Picadeiro do Circo
Alamedas do Palácio

Do mundo esvaído
O passeio em versos
Vôo de pássaro
Navegar em mares

Aonde me levas
Ó, Lira de Poeta?

Ao Rochedo de Gibraltar?

Ondas espumantes em escumas
Dispersas ao vento
A maresia
Garças grasnando

Marinheiros no píer
De toca e tatuados
Ancorando embarcações
Trazendo cestos
Transbordantes de pescado

Olhos mortos
Guelras
Barbatanas
Escamas prateadas
Refulgindo ao Sol
Sobre corpos cinza
Viscosos

Peixe fresco!

Revoada de garças sibilantes
Voando em círculo
Pousando
Andarilhando com pernas
Compridas e finas
Nas beiradas
De caixotes abarrotados

Os pesqueiros balouçam ancorados
Ao sabor das ondas
Peixeiros limpam o pescado
Refletindo ao Sol lâminas
De facas amoladas

Um gato a tudo espreita
Desconfiado
Entre um e outro miado

Rosna
Serpenteia o rabo
Crava na madeira do píer
Afiadas unhas
Escorrendo
Deixando trilhas
Espreguiça
Eriça pêlos
Alisa o bigode
Se lambe
E mia

Rola e se deita
Aconchegado
Num amontoado
De cordas

Espera sua hora
Com a ansiedade dos felinos famintos
Que alguma tripa
Por caridade
Lhe seja dada

Falta ainda
Um bom tanto para o meio-dia
Ao longe alguém assovia
Canções do mar

Mãos calejadas
Pela vida
De marinheiro
Recolhendo cordas
Anzóis e redes
Empurrando barcos
Carregando caixas
Se cortando em facas
Afiadas
E corais

Peles curtidas
Pelo Sol causticante
Morenas
Da cor dos troncos
De amendoeiras

Shorts desfiados
Nascidos
De velhas calças recortadas
Camisetas surradas
Puídas
Manchadas

Pés descalços
Cobertos de calos
Couro de touro brabo

As ondas balouçam
Os últimos pesqueiros
Vão chegando ao píer
Acompanhados
Por revoadas de garças
Em febril algazarra

Ao longe alguém canta
Canções do mar
Canções de Amor
Recordando aos marinheiros
Que amar
Também é preciso

Cumprida a lida
Se vão às suas singelas casas
De paredes caiadas
Contemplando as moças
Passarem ligeiras
Rebolando as ancas
Em saias curtas
Saltitando os seios
Em decotes fartos

Detém-se nas tavernas
Na beira da praia

Uma dose, duas doses, três doses
De bebida forte
Quente
Como o Sol causticante

De repente
A cabeça gira
Um bufão
Toca cítara
Castanholas
Entreolham
Uma jarra
De Sangria

E se vão os cavalos-marinhos
Galopando pelas ruas
À beira-mar...

Se vão com estes
Os peixes-de-asas
Voando em bandos
Cruzando o rochedo
De Gibraltar

Estupenda bebedeira
Ao meio-dia
Quando a noite chega
Pós descanso
Tarde inteira
O marujo se levanta
Da cama
Com bafo de onça
Cabeça zonza
Toma um banho
Se apronta
Ajeita a barba
Põe um pano
De festa
Xadrez
Azul-grená

Água de cheiro
E preces
Profanas
À deusa do mar

E se vai o marujo
Atrás das moças
Que rebolam as ancas
Pelas vielas, nos mercados
E em passes de dança
Nos bailes
De Gibraltar

No caminho
Ancora o lobo dos navios
Nas habituais tavernas
Esvazia canecas
Garrafas
Barris

Embaçada a bússola
Sem Norte nem Sul
Segue rumo
Na esperança
De encontrar
O porto noturno...

A cama
D`alguma moça
Faceira, de olhar brilhante
Riso fácil
Vistosas coxas
Cintura fina
Ancas roliças
Seios firmes
Do tamanho
Exato
Da boca

O porto noturno
Noturno porto
Ancoradouro
No corpo
De mulher
Entre coxas
Abertas
Feito pétalas
De Perfeito-Amor

Mergulho
Na fenda purpúrea
Em busca
Da pérola

Se falasse
O Rochedo de Gibraltar
Diria que vê se amando
Estrelas-do-Mar



Rob Azevedo








sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Por Quem Suspiro?




Por Quem Suspiro?


Nas manhãs
Tardes e noites
Arrebatado o espírito
Por quem suspiro?

O nome de qual dama
Encravou-se em meu peito
Na ponta da lança de Cupido?

Por quem
Ó Lua
Arde a chama?

Minha alma clama
O corpo se revira
No leito

Mourro em suspiro...

Qual diva
Ó Céus
É razão
Do delírio?

A quem meus versos dedico?

Flores em primavera
Se abrem
Em delicadas pétalas

Beldades vistosas
Em rosas
Camélias
Açucenas
Magnólias
Jasmins
Margaridas...

Tantas flores infindas!

Qual delas
Definha meus sentidos
Torna o pranto rio
Faz da lucidez desatino
Viver morrer em suspiro?

Ó Flor, te amarei
Raiando o Sol
Vindo mostrar-me quem és

Basta um sorriso
Onde o meu nele se espelhe
Um afogar-se em olhos
Arrepiando poros

Bastam dois corações uníssonos
Entoando harpa e címbalo
Em boas vindas
Ao Amor Bendito



Rob Azevedo






O Cão




O Cão


Tornei-me um cão
Risonho
Sem alma nem coração
Lambendo o chão

Vagueio pelas ruas escuras
No frio madrigal
Entre brumas
Revirando lixo

Meus pêlos orvalhados
Abrigam pulgas
Cheiro a cão molhado

Rindo demente
Mostro os dentes
Inconseqüente troçando
Da vida alheia

Maldita a minha sina
Clamo companheiros
Em desgraça canina!

Alguém que sinta
A si tão em cão transformado
Sem pedigree, nem dono
Que venha ladrando
De quatro patas
Vadiar no breu noturno

Adeus! Correntes, coleiras, canil
São indignos de mim
E vice-versa

Sou cão vadio
Vagueando por desertas ruas
Revirando lixo
Faminto
Fatigado de amores
Que em cão me tornaram

À promiscuidade do cio
Animal instinto
Sem tino, nem dona
Cantarei minhas trovas em uivos
Ofertando-as à Lua

O Amor único
É humano demais
Num mundo habitado
Por cães

Ladrarei até o dia
Em que restabeleça a fé
E torne
A caminhar de pé



Rob Azevedo






quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Poema Sem Cor




Poema Sem Cor


Sem sentimento
Inspiração
Nem vontade
Escrevo um poema
Nasce pálido
Descamisado
Pé descalço
Sem-teto
Sem-terra
Inválido
Em pecado
Sem sentido
Faminto
Famigerado

Passo o tempo
Deslizando a pena
Sem nem mesmo valer a pena

Tantas sem-razões no mundo
Por que não um poema
Ainda que nasça mudo?

Desnudo
Carrancudo
Sisudo
Robusto ou miúdo?

Falta de inspiração
Amargura dos poetas...
Oh! Meu Deus!
Oh!
Minha pena zombeteira
Escreve poesia desinspirada
Falta de inspiração é tema
Calando qualquer dilema

Que venha um poema cinza
Vazio, desbotado
Sem nada a dizer...
Lembrará os filósofos
Em crise existencial
Diante a vida

Todos nós um dia
Não nos perguntamos a razão de tudo?
Não nos deparamos com o Nada
O absurdo
O tédio
A retina fatigada?

Tão natural do ser humano!

Então...
Falta de inspiração é tema
Calando qualquer dilema



Rob Azevedo






sábado, 1 de dezembro de 2007

Tributo a Ti no Tom




Tributo a Ti no Tom


-> Trilha sonora


Eu tenho que ir
Dindi
Nessa vida num deu pra gente
Amei, sofri
Tenho saudades
Do que não vivi
Nosso Amor não sei por que
É sombra, nuvem, vento
Água escorrendo
Entre os dedos e dos olhos
Eterno etéreo
De pedra e aço
No sentimento
Concreto armado
Castelo erguido na rocha
Fantasma no viver
Agora e aqui
Embora eu queira o que tu queres
Deus não quis
Que vivêssemos as lendas
De nossas poesias

Tenho que ir
Dindi
Vou ouvindo Tom Jobim
Se soubesses o quanto
É difícil pedir
Me deixe partir

Vou indo
Dindi
Chorando demais
Tudo que não vivi

Nossos passeios na praia
De mãos dadas
Nosso descanso na rede
Duma casinha de sapé
No pé da serra

Serenatas ao luar
Contando estrelas
Dias inteiros
No aconchego da cama
Coberta de rosas

Vou indo
Dindi
Sonhando todos esses sonhos
Contando em versos
Histórias de Amor
Contigo
Dindi



Rob Azevedo





O Crisântemo




O Crisântemo


Tan tan, tan tan, tan tan, tan tan...
Tamborilo na mesa
Ecoando no tédio vespertino
Meu nonsense musical

Espero o tempo escorrer
De grão em grão
Formando dunas

Talvez à noite
Alguma novidade
Quem sabe
Uma festa inesperada?

Nessa hora eqüidistante
Do Nada ao Porvir
Ninguém sequer lembra
Que existo

Abandonado no mundo
Soterrado entre ossos de ócio
Miro o vazio
Na folha nua da agenda

Escrevo um poema
Sentindo na língua
A alma do Nirvana...
Quietude
Ostracismo
Paz
O espaço branco...

Pareço exilado
Numa cidadela qualquer
Além da Sibéria

Se eu grito e morro
Alguém ouviria antes da morte
Meu clamor de socorro?

Acaso ouvisse
Se importaria?

O que valho no mundo?

Fatigado imagino
Valer o mesmo que sinto:

Um Nada absurdo...

Menos que um pirilampo...

Por que me cristalizei
Num ser humano?

Não poderia ser tão somente
Um crisântemo?

A vida tão menos complicada
Sem filosofias em horas vazias
Sem exigências
Nem coisa alguma

Sem dores de consciência
Nem perguntas e respostas
Mal formuladas
Sem insônias
Nem tardes entediadas

Até o monótono vazio
Imperturbável
Rotina do dia a dia
Sempre igual
Seria natural
E nenhum pensamento
Discorreria em contrário

Quisera eu ter nascido
Apenas um crisântemo
Inocente
À beira de um rio



Rob Azevedo