quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Consumado Enleio
Consumado Enleio
(Com eu lírico feminino)
Arremate-me amor
e me mate de amor
sem pudor
rapte-me e me cale
saciando a vontade
do cair da tarde
ao nascer do Sol
desalinha o lençol
perca-se em meu corpo
naufragando no poço
sem fôlego
vadie pelas Luas
cheias do busto
que é teu
beija meu dorso
penetrando minha alma
domando-me nas rédeas
de minhas madeixas
cavalgando valente
em busca do gozo
abocanha meu pescoço
passeia a língua
da nuca ao colo
descendo ao umbigo
redemoinho à caminho
do paraíso
que é teu consentido
por livre e espontânea
paixão
afogue-se
entre um par de coxas
teu parque
de diversão
beijando o cálice
da minha flor cor de vinho
com devoção
meu sexo rendido
desflorado no leito
abre-se para ti
em pétalas
de Amor-Perfeito
consumado enleio
inteiro prazer
que te consagra
meu homem
eu
tua mulher
Rob Azevedo
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Um Poema Inocente
Um Poema Inocente
Licor de Jenipapo
Outra cor no ar
Mel e dourado
Sabor de pecado
Menina vem devagar
O fogo vai te queimar
Travessa ateia
Mais a chama
Que incendeia
Ô Emília, boneca de pano
Sem tino nem miolo
O sabugo de milho vai entrar
Na história sem pestanejar
Se esconde do Visconde
E do sapo que goza
De menina mal-criada da roça
Se veste de rosa
Por baixo
Os grandes lábios
Pinta
De rouge-carmim
Ai de mim!
Vão me engolir
In-tei-ro
Indefeso entre um par de coxas
Menina vem devagar
A Cuca vai te pegar
La cucaracha, la cucaracha
Enfiei o cabo
Da vassoura
Na barata!
Saiu desbaratada
Descascando batata
Coitada!
Eu te avisei
Menina
Vem devagar
O Bicho Papão vai te pegar
Tem os olhos enormes
E a boca bem grande
Parecendo morto de fome...
Pergunta pra que?
Pra te comer!
Menina vem devagar
O galo já cantou
A jurupoca vai piar
E o peru
Vem cantando glu-glu...
Rob Azevedo
A Alcova de Don Juan
A Alcova de Don Juan
-> Trilha sonora
Naquela noite
Fria e só
Na penumbra d`algum candeeiro
Entre brumas madrigais
Cruzaram nossos olhos
Estremecendo tudo por dentro
Penetrando a alma
Arrepiando pêlos.
Que força mágica num olhar
E encanto arrebatador no semblante!
Porte esbelto, trajes elegantes
Um olhar
De duração e profundidade
Igual à eternidade
E alguém se derrete
Entregue
Ofegante
Mulher...
No sereno noturno
O frio convertido em calor
Orvalho, em suores de Amor
E dois desconhecidos se amam
De corpo e alma em pleno cio
Um ao outro com volúpia despindo...
Suspiros
Arranhões
Gemidos
Declarações apaixonadas
Em sussurros
Num parque ermo, escuro
Na relva às margens dum lago
O primeiro inefável orgasmo
Masculino e feminino, síncronos.
Ó Dama da Noite!
Teu perfume que inunda o bosque
Mistura-se ao de dois amantes
Inebriantes aromas, marcantes
Rastros invisíveis de Amor
Por onde se vão
E se deitam com paixão.
Ó Constelação de Órion!
Tuas estrelas
Não nos valem
Para contarmos os beijos
Que nos damos...
Contemos todas do céu!
Lábios que se encontram
Se roçam, escorrem um no outro
E se encaixam
Dentes que mordem de leve
Línguas que lambem
E se entrelaçam.
Mãos que suaves deslizam
Por todo corpo feminino
Profanando sagrados paraísos
Pousando no recôndito ninho
Acariciando
Desfolhando a rosa com carinho
Penetrando com a ponta dos dedos
O poço da libido
Umedecido
Pelo prazer consentido
Como um bom vinho
A bom bebedor.
Embriagado, meço no firmamento
A dimensão do infinito
Da anatomia da mulher
A cada palmo mil segredos
Mil oásis, mil devaneios
De perdição e desejo
Dos temores do naufrágio
Ao porto seguro
No colo macio, delicado.
Ó Par de Seios!
Contigo converso
Em sutis colóquios
Sorvendo teus conselhos
São generosos
Meus travesseiros
Após o Amor.
Estamos assim
Enamorados
Perdidos em delírios
Como os grandes navegadores
Deslumbrados com o descobrimento
Do Novo Mundo.
De onde vim?
Vim de onde
O vento surge
Minha alcova, minha cama
Palco do Amor que arde em chama
É na verde grama
Nos bosques, às margens de lagos
Ou na praia
Ao canto das ondas
N`alguma rua escura
Numa escadaria ou varanda
Sacada
De casa abandonada
Ou ainda
Na morada
D`alguma nobre dama
Aconchegado aonde dorme...
Talvez, quem sabe?
No guarda-roupas
Um oportuno esconderijo...
Meu nome?
Don Juan
Sou fogo que consome
Sem que se apague
Sou lenda
Sonho de mulher
Amor e prazer.
Rob Azevedo
domingo, 20 de janeiro de 2008
Chuááááá...
Chuááááá...
-> Trilha sonora
Naquela deserta praia
Sob a Lua cheia
O céu estrelado
A brisa marinha
Balouçando ramos
De palmeiras
Maresia, algas, conchas coloridas
Ao luar
Ondas que murmuram
Lambendo a areia
Trazendo ao vento
Branca escuma
Entre brumas
Da madrugada
Um Amor ao lado
Ao redor da fogueira
Gaita
Violão e vinho
O que mais, meu Deus
Precisamos
Quando estamos
No paraíso
Como no início
Feito Adão e Eva?
Tudo conspira
A favor
Do Amor
Cada estrela inspira
Poesia
Ondas que murmuram
São cantos
Celebrando
Corações
Enamorados
Chuááááá, chuááááá...
Canta o Mar
Pra lá e pra cá
Indo e voltando
Como dois corpos nus
Um sobre o outro
Na vastidão erma da praia
Comungando a Natureza
Se amando
A sós
Na areia
Ao canto do Mar
Chuááááá, chuááááá...
Indo e voltando
Rob Azevedo
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
O Mensageiro
O Mensageiro
-> Trilha sonora
Slapt, slapt, slapt...
Um homem de galochas vinha
Caminhando na estrada de terra batida
Depois da chuvarada
Béééééérrrrr...
Muge uma cabra
E range o portão
Se abrindo preguiçoso.
Levantei do toco de carvalho
Onde matutava
Tirando o chapéu de palha
Coçando a barba
Mastigando um naco de capim.
Meus olhos cruzaram
Aquele olhar cansado
De quem vem
De léguas além.
Parecia um profeta,
O Visconde de Sabugosa
Ou o Merlin
Mensageiro
D`algum grande segredo.
Fitou profundamente
Por infindáveis instantes
Meus olhos
Desnudando minha alma
Sem murmurar palavras.
Julguei louco
Aquele senhor idoso
Depois cismei
Encabulei e achei
Que estava
Todo cagado
Ou talvez
Com o rosto pintado
De palhaço.
Não! Não era nada disso...
Tampouco me encarava
Querendo briga
Era velho demais para tanto.
Ah! Ninguém mesmo dá ouvidos
A velhos assim...
Senis...
Virei as costa e fui embora
Quando ouvi:
- É este o legado que me dás?!
Virando as costas ao mundo
Deixando-o que escorra
Entre os dedos...
Eu sou você
Seu mundo
Quarenta anos depois...
Não se abandone
Rapaz
Nem espere que o amanhã
Se resolva por si só.
Não se canse tão cedo
De tentar mudar as coisas
Deixando-as como estão
Porque depressa o tempo passa
E quando voltar a te ver
Reconhecerás a mim
Como se olhando no espelho.
Saberás: Eu sou você.
Nessa hora tardia
Sim, não haverá mais como mudar
Os quarenta anos que se passaram
E qual legado haverá me deixado?
...Um eco ecoa no infinito...
E aquela imagem
Desvaneceu-se em brumas
Diante meus olhos.
O que faço da vida
Desde então
Tornou-se poesia
O resto
Pouco importa...
Rob Azevedo
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Me-Nina
_Me-Nina_
-> Trilha sonora
Lá dentro de mim
No mais profundo
Busquei algo pra te dar
Um conto de fadas
Dos tempos de menina
Lembra?
A inocência de outrora?
A crença que se perdeu?
Envelhecemos a alma
No entanto, ela mesma
Se comove com as lendas
E chora...
Tudo tão ao avesso
Hoje em dia
Que no verso da moeda
Meus versos soam
Como vindos d`algum Don Quixote
Romântico Pós Moderno
Pelejando contra
Os mesmos velhos conhecidos
Moinhos de vento.
Não me importa
Todos envelheceram
Perderam os sonhos
Menos eu
Síndrome de Peter Pan...
- Um menino diante à mulher –
Sereno, pois tenho minha salvaguarda
Meus dons...
Que bom, somos iguais
Enfim!
O par perfeito!
Porque lendo minha história
Sei que se acalenta
Na imaginação
- Esse fabuloso reverso da solidão –
E menina se torna
Idêntica a mim
Rob Azevedo
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Labirinto dos Sonhos
Labirinto dos Sonhos
Deliro
Feito ébrio enlouquecido?
Vomito um mito!
Da víscera...
Ambígua poesia
Enigma...
Quem entenderia
Senão os filhos
De Platão?
Inusitada e trágica
Sina
Da minha lira
Dramática
Ira que abomina
Em espasmos de agonia
Cataclismo
Surrealista
Insurreição!
- Quebrai as correntes, Ó Zeus
Da Razão!
Já não me entendem
Não!
Ainda murmuram
Que pisei nas flores
E falam de sonhos...
Eu as plantei!
Meus pés
Sabem aonde vão
Ao Bosque da Ilusão
Meu coração
Vai pisoteado
Acorrentado
À maldição
Das almas
Vagando eternamente
Nas sombras do além
Vagar, vagar, vagar...
Num campo de versos
Buscando a remissão
Sem nunca encontrar
Aprisionados
Por nossa
Criação
Eis por que
Eu piso
Nessas flores de ópio!
Nos entorpecem...
Então por que o espanto
Se deliro?
Cometo atos
Que não entendem
Delirante
Meus olhos se abrem
- Abrem as portas
Da percepção -
E compreendem:
Não há salvação!
Incendeie Roma
Devassem os campos
Do Amor
Tornou-se maldição
Eu um bufão
Pregando na praça
- Num dialeto da África -
Para uma multidão
De surdos
De Plutão
Ah! Não podem ver o que vejo...
Só eu, Zeus, só eu vejo
O quão o mundo
Que criamos
Tornou-se herético
Dá-me a Pedra Filosofal...
Alguma panacéia
Haverá de curar
A cegueira
Abissal
Daqueles que lêem
Meus versos
Quem sabe um dia
Possam ler os pergaminhos
Decifrarem os hieróglifos
Desvendando o enigma
Com ajuda dos astrólogos
Nesse dia
A saída
Do campo-labirinto
Encontrarão os ímpios
Rob Azevedo
domingo, 6 de janeiro de 2008
Depois do Amor
Depois do Amor
Devolva-me a crença
No Amor
Sobretudo a crença
No depois do Amor
Devolva-me tudo
O que alguém me roubou
Devolva-me a paz
Que me tiraram
O chão que me levaram
Desanuvie o céu
Pintando-o de azul
Dá-me um ninho
Seguro
Em teu peito
Dá-me alento
Acalma a fúria do vento
Na tempestade
Transforma tormento
Em contentamento
Fugaz
Em eterno
Escuridão
Em luz
Desilusão
Em convicção
Na beleza da vida
E realização
De cada sonho
Que embalei
Meu pranto
Torna ungüento
Que tudo sara
A ferida
Mais profunda
Cicatriza
Transforma
Ilusão
Em pão
Dá-me
Um jardim botânico
Em teu corpo
E morada
Na tua alma
Dá-me algo
Que subsista
Além dos lençóis
Depois do Amor
Rob Azevedo
sábado, 5 de janeiro de 2008
A Chuva É O Que Sinto
A Chuva É O Que Sinto
Canto o que sinto
O que me brinda o momento
Agora
Ao cair da chuva
Na noite soturna
O sentir me inspira
Ceticismo
Torno-me profundo
Como o abismo
Desembocando
No fim do mundo
Aquela impressão
Incompreensível
De que o sonho
Jaz
Em conto
Esmaecido
Consumido pelo tempo
O cantarolar da chuva no telhado
Tem
Seu próprio canto
Nessa hora
O compreendo
Por intuição
Sua linguagem
Não se traduz
Por meio
Da razão
Não se descreve
Em palavras
É insight
Mantra
Ego trip
Jornada
Às profundezas da alma
É lição
Zen-Budista
- A prova do Mestre –
É dizer tudo
Por meio do que não se entende
Sente-se
Pelo sexto-sentido
É refúgio
Convite
À introspecção
E transcendência
Bálsamo
Ilha perdida
Monastério no Tibet
Reticência
É o aguçar dos ouvidos
Tentando compreender um canto
Fundamental e inexprimível
Aos cinco sentidos
É o avesso da razão
Cognição
Sensitiva
Extra-sensorial
Enfim
A chuva
É o que agora sinto
Sentindo
Com o sexto-sentido
Rob Azevedo
Legião Estrangeira – De Fantasmas
Legião Estrangeira – De Fantasmas
Cantei tanto Amor
Um dia a fonte
Da minha alma secou
Estiagem prolongada
O verde definhou
Em folhas ressequidas
O solo rachou
Em profundas rugas
Veio o inverno
Ao sopro do vento
Gelado do Norte
Meu mundo
Entristeceu
Tudo que via
Eram terras nuas
Estéreis
Árvores secas
Galhos retorcidos
Rios mortos
A inocência se perdeu
Sonhos murcharam como as flores
O riso
Não teve mais motivo
Tive medo e chorei
Quando ainda podia chorar
Depois
O sentimento também morreu
Mesmo o rio
Vertido do pranto
Secou cada gota
O maior pesar
Vinha ao me defrontar
Sem força
Para mover uma palha
Diante aos fatos
Impiedosos
Tudo era deserto
Eu um nada em meio ao desterro
Insensível
O bonde da vida indo
Embora
Sem volta
Eu murchando
Tornei-me sombra
Fantasma de mim
Cavaleiro morto por dentro
Cavalgando oculto em armadura
Atado ao cavalo
Por algum escudeiro solidário
Ao que fui no passado
À frente da tropa invisível
Segui guiando
Cruzando o deserto
Como lábaro
Inspirando
Outro tempo
Glorioso
Em mim
Jazia morto
De aparências
Valia o símbolo
E ouvi ao vento:
- Nosso General está vivo
Imbatível nos guia
À vitória!
Mal sabia o vento
Que pesava em minha alma
A mais melancólica
De todas derrotas:
Não havia mais motivo
Pelo que lutar
Nenhuma vitória
A vitória traria
A ninguém
Apagou-se
De todos dicionários
A glória
Viver tornou-se
Sem razão
Nenhuma ideologia
Nos salvaria
Nada
Nem altruísmos
Deus algum
Ou aquela quimera
Que um dia
Nos tempos da inocência
Acreditamos:
- O Amor -
Pois secou-se amargo
Em nossos corações
Na verdade nos trouxe
O pesar
Que agora sofremos
Tornou-se
Nosso inimigo
Carrasco
Cicuta
Engodo
Abutre
Víbora
Em nosso peito
Nos matava
Extirpá-lo
Nos chacinava até a entranha
Da alma
Assim em tese
Morremos
Sem saída
Num beco escuro
O maior espanto:
Mesmo a morte
Morreu!
Destituídos
Desse véu
De misericórdia sombria
Viemos a ser
O que nos tornamos:
Legião estrangeira
De fantasmas
Vagando eternamente
Pelo além
Sem descanso
Assombrando
Penando
Murmurando
Maldizeres
Ainda em cânticos
De Amor
Rob Azevedo
domingo, 30 de dezembro de 2007
Devoção
Devoção
Não, eu não te disse
Da noite triste
Sombria que existe
Quando de partida parte
Quem meu coração reparte
Nem do que amargurado senti
Sem ti ao meu lado
Sequer te contei
Tudo que imaginei
Por horas a fio
Na solidão do quarto
Têm coisas que não te conto
Por falta de coragem
Ou acho bobagem
Ainda aquele receio
De ver-me despido, indefeso
Flagrado em pecado sacrílego
Herético em delito
No recôndito
Do confessionário
Deslumbrado mirando
O crucifixo
Entre dois róseos mamilos
Guardo o segredo comigo
Do templo que ergui
Debaixo do véu
Da tua saia
O altar que venero
Dele sou servo
Devoto fiel
Encontra-se sob o céu
Do Santo Sudário
- A peça íntima que te veste -
Água benta
Nesse altar enlevo
O espírito e rezo
Nele teu cacho de uva
É Minha Santa
Hóstia, vinho e sacramento
Contrito me confesso
De joelhos entre um par de coxas
Minha fronte se coroa
Beijando a Redentora
Acaricia-me as madeixas
Ó deusa e abençoa
Teu servo devoto fiel
Que humilde vos beija
Arrebatado em transe místico
No santuário
Da carne e espírito
Rob Azevedo
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
No reverso do clamor enche o cálice e toma...
No reverso do clamor
Enche o cálice e toma...
-> Trilha sonora
Moro numa casa pequenina, pobrezinha
Na beira do mar
Não tenho nada pra te dar
Tenho Amor
Tenho Amor
Tenho Amor
Não tem nem linho, nem seda
Ouro nem prata
Vaso de louça, nem cristais
Não tem nada não
Não tem nada não
Tem o Amor
Tem Amor
Tenho Amor
Nada o que roubar
Nem o que se guardar
Nada que envelheça
Nada que pereça
Lágrima aquela
Que te mereça
Não tem teto nem chão
Ao alto o Céu
O Sol
A Lua, as Estrelas
As Nuvens
Abaixo o purpúreo tapete
Do Meu Coração
Não tem sim nem não
Nem contradição
Luz nem sombra
Silêncio nem som
Não tem nada não
Não tem nada não
Tem o Amor
Tem Amor
Tenho Amor
Não tem janela nem porta
Parede nem compota
De doce de Pêra
Nem tem cadeira
Sequer tem cama
Não tem nada não
Não tem nada não
Teus meus olhos a janela
Da alma
Tua minha boca a porta
Nosso Amor a compota
Do doce de Pêra
No lugar da cadeira
Teu trono
No Meu Coração
Na relva à beira da ribeira
Minha tua cama
Rimando com chama
Daquela
Que não se apaga não
Não se apaga não
Sou pobre então
Nada tendo à mão?
Não tem problema não
Não tem problema não
Tenho o Amor
Tenho Amor
Tenho Amor
No Amor tenho
Inspiração
Faço uma canção
Dó, Ré, Mi...
Vejo o universo em ti
Daí a razão
É teu meu verso
Mais pequenino, singelo:
Amo-te!
No reverso do clamor
Se arrepia
Enche o cálice
!et-omA
Meu Amor
Rob Azevedo
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Jardim Interior
Jardim Interior
-> Trilha sonora
Guardo pra ti um jardim
Onde não murcham flores
Ainda na mais prolongada
Estiagem
Nem cresce erva daninha
Ou coisa alguma devasta
Um jardim que sempre existirá
Florido
E dele as flores
Não podem ser pisadas
Ninguém
Nem nada
Que não seja as mãos
De nossas almas
Para adornar em guirlandas
Notre maison de l'amour
Pode levá-las
Dos canteiros roubando-as
Entre as fronteiras
Não viceja
A vaidade
O orgulho
A dúvida
Interesses
Jamais o mal-querer
E o esquecimento
Atravessa o tempo
Sem a tibieza de espírito, pudor
De declarar os sentimentos
Porque é dádiva
Força interior
Ainda quando jaz ferida
Amordaçada pelo orgulho
A Flor do Amor
De tudo se despe
Das pedras
Ergue castelos
Do veneno na fonte
Remédio
Do espinho que sangra
Brota vinho santo
Transbordando cântaros
Assim nada resta
De material
Que os sentidos embace
Então o milagre:
O coração vê
O que vive
Por si só
Tem vida própria
Imortal valor
Semeado, florescendo
No jardim interior
Que guardo pra ti
Amor
Rob Azevedo
FIZ DE CORAÇÃO... FIZ DE CORAÇÃO...
sábado, 15 de dezembro de 2007
Quem sabe um dia eu volte pra onde estou
Quem sabe um dia eu volte
Pra onde estou
-> Trilha sonora
Já deu minha hora
Meu Amor
Tenho que ir embora
Vem luzindo a aurora
Enxuga a lágrima
Por favor, não chora
Acaso doer bastante
Daquela dor imensa
Abraça a Saudade
Diz bom dia, boa tarde
Tem de mim piedade
Quando vier a noite
Chora o jardim
A Colombina, o Arlequim, a Rosa
Choram as nuvens do céu
Minha alma quem chora
Guarda aquele verso
Nosso Amor é eterno
Rasga aquele outro
Nada na vida é duradouro
Escuta minha prosa
Com as paredes do quarto
De quem parte com o corpo
Permanece de alma
Aguça os ouvidos
Escuta, Amor
Na sinfonia dos Sabiás
Meu coração o Tenor
Cantando
No refrão teu nome
Vê o Sol
Do alto te olhando
Sorrindo e aquecendo
Lembra o manto
De estrelas sem fim
No breu da noite
Agüenta a Saudade
Firme e calma
Conversando com o vento
Os arvoredos
As ondas do mar
Quem sabe um dia eu volte
Pra onde estou
De coração e alma
Rob Azevedo
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Triangle Royal
_Triangle Royal_
Lençóis, travesseiros, véus
Azul-turquesa no leito
Florais e quadros do menino Deus
Tapeçarias orientais, no ninho perfeito
O H do Rei sobreposto
Aos dois Cs opostos
Entrelaçados de Catherine
Formando o D de Diane
Lareira digna de reis, lustres, vitrais
Teto cofrado, esculturas, romântica vista
Do Rio Cher
Esplêndidos jardins
Em terraços elevados
A Torre de Marques
Estábulos, hortos
Pavilhões de caça
Na imensidão dos bosques
Cenário de sonhos
Do triângulo amoroso
Ménage à trois real –
O Rei, a Rainha
A amante
Favorita do soberano
À Catherine submissa
Diante o Amor do monarca
Por todo reino conhecido
A gentileza de Diane
Em conselhos sobre a vida íntima de cônjuges
E permissões, incentivos
Para que o amado
Ao leito da Rainha se recolha
Providenciando ao trono herdeiros
Em cada ducado
Com toda pompa
Recebida a preferida
Ao lado do Rei
Catherine esquecida
Vem
Dois dias depois
Solenidades
Títulos, honrarias
Propriedades rurais e urbanas
Châteaux e obras de arte
Todo Ouro e libras
À Diane
Venerada como a deusa
Da caça e da Lua
Seu ofício
Entre todos do reino o mais rentável
Cumpre
Na alcova do Rei
Tornando-se manjar da libido
Ouro, prata, jóias
O reino aos pés...
À despeito de coquetéis irrecusáveis
Marionetes em mãos vaidosas
São coadjuvantes na peça
Quando o Amor
A ambos une
Amante ornada em diamantes
De amantes as madrugadas
O depois, o antes
Tão somente nada
Horas contadas
Prepara-te!
Como a Relicário Sagrado
Banquete do Rei
No dever e honra de saciá-lo
Banhada em leite de rosas
Perfumada, maquiada
Depilada e penteada
Por damas de companhia
Ó meretriz elegante
Da fina nobreza
Por detrás dos véus
Refulgindo a pele alva
Abre tua guarda
Oferta a relíquia
Que trazes no corpo
Aos desejos
De teu soberano
Santificado será o gozo
Em Bula Papal
Solenemente trazida
Nas mãos
D`algum cardeal
Santo deleite!
Salvação da alma! – dirá o Sumo Pontífice
Ó, Favorita!
O reino conspira
Em matéria e espírito
Práxis e filosofia
Qualquer heresia
É-nos bendita!
Abre as portas levadiças
De tua fortaleza ao Rei
Adentra-rei
Ainda que me afunde
Perdido no fosso
Que seja aquele
Bem-quisto
Entre duas alvas Camélias
Rob Azevedo
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Diane
Diane
Diane, teu Rei, das profundezas da alma
Por ti clama, ardendo na chama
Que jamais se apaga, ainda extinta a vida
Vem ao meu encontro, ó pérola feminina!
Sobre o rio, o château mais belo
Erigido do engenho da arquitetura
Contempla com requinte e esmero
Tua fineza, romantismo, vasta cultura
És a eleita que a todas desbanca
Deusa mitológica da caça e da Lua
Enlevo do espírito em noite branca
Vem ao meu encontro por florida rua
De versos, lembranças, paixão, encanto
Encontrarás o Rei em leito de Ouro esperando
Rob Azevedo
O Lago dos Cisnes
O Soneto abaixo o escrevi inspirado no balé dramático de Tchaikovsky – O Lago dos Cisnes. Minha composição – do meio em diante - é um pequeno resumo do enredo da obra de mesmo nome do compositor russo.
O Lago dos Cisnes
Um passeio meditativo num parque
Na beleza estupendo, bosque florido
Verdejante gramado, ao Sol da tarde
Às margens do lago, cenário esplêndido
Cisnes brancos nas águas desfilam
Graciosos, serenos, sonhos invocando
No devaneio do maestro um balé despertam
De reino e feitiço, príncipe e donzela se amando
Juras d`Amor, verdadeira, eterna paixão
Artimanhas de mago, inundando de engano
No cisne negro, malevolente ilusão
Quebrado o juramento, traz o pranto
Persistem votos incólumes no coração
Que se afoga no lago pelo cisne branco
Rob Azevedo
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Château de Chenonceau
_Château de Chenonceau_
A noite vai alta
Após o Amor com a Rainha
Para que dê herdeiros ao trono
Sorrateiro me despeço
A caminho do prazer verdadeiro
A alcova da favorita
Dona do reino
Do meu coração
A Duquesa de Valentinois
Aquela com quem
O Amor é ardente
Profunda paixão
No leito me recebe
Como Rei
Descortino os véus
Fito olhos lânguidos
Cúmplices
Flamejando desejo
Ao lado
Da favorita me deito
Nua esperando
Banhada em leite de cabras
E pétalas de rosas
Coberta por lençóis de cetim
Suplicando em voz doce
Coroarmos almas e corpos
De Amor
Inteiramente saciado
Ó, deusa serva
Dos meus caprichos
No recôndito do leito
Beije minhas mãos
E tenha a honra
De servir ao teu Rei!
Sou soberano do reino
Teu Rei e vassalo
Ó, minha dona!
Teu corpo é meu recreio
Oásis, aconchego
Perdidamente anseio
Que venha a primavera
E mudemos com a corte
Para o Château de Chenonceau
Sobre o rio Cher
Ao mais glorioso
Esplêndido
Encantador
Romântico
De todos châteaux
Da França
Aquele que vos dei
De presente, ó, deusa!
Onde nossas iniciais
Entrelaçadas
Com resplendor são vistas
Por toda parte
Memorial suntuoso
À minha devoção por ti
Símbolo da paixão
Ícone de amantes
Por Deus escolhidos
Coroa-me de prazeres
Com as delícias do teu corpo
Rendido de coração e alma
Porque destes
Sou teu Rei
Qual de todos os reinos
Haveria eu de mais amar
Senão vós em pura essência?
Ó, Duquesa de Valentinois
Mais cara que todas as terras
Da Europa
De todos continentes
O Amor com que me presenteias
Do cair da noite ao arrebol da aurora
Não tem para ti rivais
Amor sem igual
Nem amanhã
Nem outrora
Nenhum
Da mais excelsa dama
Será digno
De comparar-se
Aquele que me doa
Nas alcovas
Dos châteaux
Que venha a deusa Vênus
Ao reino
Rivalizar contigo...
Ao Olimpo
Regressará
Cabisbaixa
Tendo a deidade
Para ti perdido
Antes
Beijará teus pés
Venerando-te
Pela vitória
Nenhuma jóia
Ou prata
Nem Ouro
Paga
A glória
De vos ter
Em minha cama
Como teu Rei
Ó, Luz
Que eclipsa a aurora!
Minha coroa, meu reino
É a Duquesa
De Valentinois
Rob Azevedo
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Maîtresse en Titre
_Maîtresse en Titre_
Omnium Victorem Vici
Entre as beldades da corte
Vem ser minha Maîtresse en Titre
No palácio acomodada
Teus aposentos soberbos
Unir-se-ão aos meus
Por túneis secretos
Tornar-te-ei Dama de Honra
Da Rainha
Em breve tempo
Marquesa
Ornada de jóias
Retratada por gênios pintores
Para posteridade
Como exuberante deusa
Dar-te-ei o ducado que queiras
Serás duquesa
Honrarias e títulos de nobreza
Brasões e libras
Renda vitalícia
Prataria e Ouro
Louça chinesa
Magnificentes carruagens
Encantadores châteaux
De Outono, Inverno
Primavera e Verão
Às margens de rios e lagos
Entre bosques e jardins
De contos de fadas
Bem vinda aos prazeres da corte!
Bailes de gala
À fantasia
Festas glamorosas
De sete dias
Celestiais banquetes
Adegas, vinícolas
Transformadas em súditos
Ofertando a safra
Mais primorosa
Solenidades
Com toda pompa
Da monarquia absoluta
Santificada pelo Papa
Incontável criadagem
Uniformizada, sempre atenta
Salões decorados
Com obras de arte
De Rembrandt a Da Vinci
Quadros, esculturas
Cristaleiras
Lustres e vitrais
Tapeçarias orientais
Dramaturgias, sinfonias
Vistas
De preciosos camarotes
No teatro real
Jogos de cartas
Equitação
Caça aos veados
Pesca
Esgrima
Passeios ao Sol
Nos pátios internos do palácio
Sob sombrinhas
Levadas por damas de honra
Jardins esplêndidos
Estátuas clássicas
Chafarizes
Trajes suntuosos
Ostentação
O reino inteiro
Aos nossos pés
De camponês a nobre
Aos cofres
Do tesouro nacional
Cada capricho
Saciá-lo um dever
Dos cortesãos
A preferida do soberano
Maîtresse en Titre
A serviço do Rei
Na alcova elegida
Pela paixão
Mesmo a Rainha
Haverá de beijar-te os pés
Dizer-te boa noite agradecida
Pelos serviços prestados
Ao monarca
Em ménage à trois real
Ao vê-la no cair da noite
Retirar-se em companhia do esposo
Ao teu aposento
De Maîtresse en Titre
Contíguo ao dela
Que enlevo à tua alma feminina
Saber que a Rainha
Com teimosia ferina
Secreto deleite de voyer
Que a alma humilha
Ainda vê teu Amor com o Rei
Ardente, extrapolando a exaustão
Todas as noites
Encharcando o corpo de suores
Através de frestas abertas
Por empregados a mando dela
Na parede que os quartos divide
Choramingando com as confidentes
Confessa:
- Ele nunca me usou tão bem!
Bastardos serão nobres
Duques e duquesas
Marqueses e marquesas
Condes e condessas
Criados pela Rainha
Como os próprios filhos
Ou como queiras
Haverá de criá-los
Também aqueles da soberana
Como teus
Nosso ideograma
Sobre os portais
De deslumbrantes châteaux
Cada súdito
Ao passares se curvará
Humildemente
Todo pedido
Dever e honra cumpri-lo
Ai de quem
Contra si se volte tua ira
Expropriação de bens
E banimento do reino?
Prisão perpétua
Na masmorra?
Forca?
Decapitação?
Esquartejamento?
És a predileta do soberano
Contra ti ninguém pode
Tudo que desejas tens
Em alcova Diamantes
Leito de Ouro
Cravejado de Esmeraldas e Rubis
Acima os dizeres:
A serviço do Rei
Só vivo através dele
Conquistei aquele
Que a todos conquistou
Rob Azevedo
sábado, 8 de dezembro de 2007
O Rochedo de Gibraltar
O Rochedo de Gibraltar
-> Trilha sonora
Alma posta
No papel em branco
Sagrado refúgio
Do poeta saltimbanco
Campos de Lírios
Altar no Templo
Picadeiro do Circo
Alamedas do Palácio
Do mundo esvaído
O passeio em versos
Vôo de pássaro
Navegar em mares
Aonde me levas
Ó, Lira de Poeta?
Ao Rochedo de Gibraltar?
Ondas espumantes em escumas
Dispersas ao vento
A maresia
Garças grasnando
Marinheiros no píer
De toca e tatuados
Ancorando embarcações
Trazendo cestos
Transbordantes de pescado
Olhos mortos
Guelras
Barbatanas
Escamas prateadas
Refulgindo ao Sol
Sobre corpos cinza
Viscosos
Peixe fresco!
Revoada de garças sibilantes
Voando em círculo
Pousando
Andarilhando com pernas
Compridas e finas
Nas beiradas
De caixotes abarrotados
Os pesqueiros balouçam ancorados
Ao sabor das ondas
Peixeiros limpam o pescado
Refletindo ao Sol lâminas
De facas amoladas
Um gato a tudo espreita
Desconfiado
Entre um e outro miado
Rosna
Serpenteia o rabo
Crava na madeira do píer
Afiadas unhas
Escorrendo
Deixando trilhas
Espreguiça
Eriça pêlos
Alisa o bigode
Se lambe
E mia
Rola e se deita
Aconchegado
Num amontoado
De cordas
Espera sua hora
Com a ansiedade dos felinos famintos
Que alguma tripa
Por caridade
Lhe seja dada
Falta ainda
Um bom tanto para o meio-dia
Ao longe alguém assovia
Canções do mar
Mãos calejadas
Pela vida
De marinheiro
Recolhendo cordas
Anzóis e redes
Empurrando barcos
Carregando caixas
Se cortando em facas
Afiadas
E corais
Peles curtidas
Pelo Sol causticante
Morenas
Da cor dos troncos
De amendoeiras
Shorts desfiados
Nascidos
De velhas calças recortadas
Camisetas surradas
Puídas
Manchadas
Pés descalços
Cobertos de calos
Couro de touro brabo
As ondas balouçam
Os últimos pesqueiros
Vão chegando ao píer
Acompanhados
Por revoadas de garças
Em febril algazarra
Ao longe alguém canta
Canções do mar
Canções de Amor
Recordando aos marinheiros
Que amar
Também é preciso
Cumprida a lida
Se vão às suas singelas casas
De paredes caiadas
Contemplando as moças
Passarem ligeiras
Rebolando as ancas
Em saias curtas
Saltitando os seios
Em decotes fartos
Detém-se nas tavernas
Na beira da praia
Uma dose, duas doses, três doses
De bebida forte
Quente
Como o Sol causticante
De repente
A cabeça gira
Um bufão
Toca cítara
Castanholas
Entreolham
Uma jarra
De Sangria
E se vão os cavalos-marinhos
Galopando pelas ruas
À beira-mar...
Se vão com estes
Os peixes-de-asas
Voando em bandos
Cruzando o rochedo
De Gibraltar
Estupenda bebedeira
Ao meio-dia
Quando a noite chega
Pós descanso
Tarde inteira
O marujo se levanta
Da cama
Com bafo de onça
Cabeça zonza
Toma um banho
Se apronta
Ajeita a barba
Põe um pano
De festa
Xadrez
Azul-grená
Água de cheiro
E preces
Profanas
À deusa do mar
E se vai o marujo
Atrás das moças
Que rebolam as ancas
Pelas vielas, nos mercados
E em passes de dança
Nos bailes
De Gibraltar
No caminho
Ancora o lobo dos navios
Nas habituais tavernas
Esvazia canecas
Garrafas
Barris
Embaçada a bússola
Sem Norte nem Sul
Segue rumo
Na esperança
De encontrar
O porto noturno...
A cama
D`alguma moça
Faceira, de olhar brilhante
Riso fácil
Vistosas coxas
Cintura fina
Ancas roliças
Seios firmes
Do tamanho
Exato
Da boca
O porto noturno
Noturno porto
Ancoradouro
No corpo
De mulher
Entre coxas
Abertas
Feito pétalas
De Perfeito-Amor
Mergulho
Na fenda purpúrea
Em busca
Da pérola
Se falasse
O Rochedo de Gibraltar
Diria que vê se amando
Estrelas-do-Mar
Rob Azevedo
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Por Quem Suspiro?
Por Quem Suspiro?
Nas manhãs
Tardes e noites
Arrebatado o espírito
Por quem suspiro?
O nome de qual dama
Encravou-se em meu peito
Na ponta da lança de Cupido?
Por quem
Ó Lua
Arde a chama?
Minha alma clama
O corpo se revira
No leito
Mourro em suspiro...
Qual diva
Ó Céus
É razão
Do delírio?
A quem meus versos dedico?
Flores em primavera
Se abrem
Em delicadas pétalas
Beldades vistosas
Em rosas
Camélias
Açucenas
Magnólias
Jasmins
Margaridas...
Tantas flores infindas!
Qual delas
Definha meus sentidos
Torna o pranto rio
Faz da lucidez desatino
Viver morrer em suspiro?
Ó Flor, te amarei
Raiando o Sol
Vindo mostrar-me quem és
Basta um sorriso
Onde o meu nele se espelhe
Um afogar-se em olhos
Arrepiando poros
Bastam dois corações uníssonos
Entoando harpa e címbalo
Em boas vindas
Ao Amor Bendito
Rob Azevedo
O Cão
O Cão
Tornei-me um cão
Risonho
Sem alma nem coração
Lambendo o chão
Vagueio pelas ruas escuras
No frio madrigal
Entre brumas
Revirando lixo
Meus pêlos orvalhados
Abrigam pulgas
Cheiro a cão molhado
Rindo demente
Mostro os dentes
Inconseqüente troçando
Da vida alheia
Maldita a minha sina
Clamo companheiros
Em desgraça canina!
Alguém que sinta
A si tão em cão transformado
Sem pedigree, nem dono
Que venha ladrando
De quatro patas
Vadiar no breu noturno
Adeus! Correntes, coleiras, canil
São indignos de mim
E vice-versa
Sou cão vadio
Vagueando por desertas ruas
Revirando lixo
Faminto
Fatigado de amores
Que em cão me tornaram
À promiscuidade do cio
Animal instinto
Sem tino, nem dona
Cantarei minhas trovas em uivos
Ofertando-as à Lua
O Amor único
É humano demais
Num mundo habitado
Por cães
Ladrarei até o dia
Em que restabeleça a fé
E torne
A caminhar de pé
Rob Azevedo
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Poema Sem Cor
Poema Sem Cor
Sem sentimento
Inspiração
Nem vontade
Escrevo um poema
Nasce pálido
Descamisado
Pé descalço
Sem-teto
Sem-terra
Inválido
Em pecado
Sem sentido
Faminto
Famigerado
Passo o tempo
Deslizando a pena
Sem nem mesmo valer a pena
Tantas sem-razões no mundo
Por que não um poema
Ainda que nasça mudo?
Desnudo
Carrancudo
Sisudo
Robusto ou miúdo?
Falta de inspiração
Amargura dos poetas...
Oh! Meu Deus!
Oh!
Minha pena zombeteira
Escreve poesia desinspirada
Falta de inspiração é tema
Calando qualquer dilema
Que venha um poema cinza
Vazio, desbotado
Sem nada a dizer...
Lembrará os filósofos
Em crise existencial
Diante a vida
Todos nós um dia
Não nos perguntamos a razão de tudo?
Não nos deparamos com o Nada
O absurdo
O tédio
A retina fatigada?
Tão natural do ser humano!
Então...
Falta de inspiração é tema
Calando qualquer dilema
Rob Azevedo
sábado, 1 de dezembro de 2007
Tributo a Ti no Tom
Tributo a Ti no Tom
-> Trilha sonora
Eu tenho que ir
Dindi
Nessa vida num deu pra gente
Amei, sofri
Tenho saudades
Do que não vivi
Nosso Amor não sei por que
É sombra, nuvem, vento
Água escorrendo
Entre os dedos e dos olhos
Eterno etéreo
De pedra e aço
No sentimento
Concreto armado
Castelo erguido na rocha
Fantasma no viver
Agora e aqui
Embora eu queira o que tu queres
Deus não quis
Que vivêssemos as lendas
De nossas poesias
Tenho que ir
Dindi
Vou ouvindo Tom Jobim
Se soubesses o quanto
É difícil pedir
Me deixe partir
Vou indo
Dindi
Chorando demais
Tudo que não vivi
Nossos passeios na praia
De mãos dadas
Nosso descanso na rede
Duma casinha de sapé
No pé da serra
Serenatas ao luar
Contando estrelas
Dias inteiros
No aconchego da cama
Coberta de rosas
Vou indo
Dindi
Sonhando todos esses sonhos
Contando em versos
Histórias de Amor
Contigo
Dindi
Rob Azevedo
O Crisântemo
O Crisântemo
Tan tan, tan tan, tan tan, tan tan...
Tamborilo na mesa
Ecoando no tédio vespertino
Meu nonsense musical
Espero o tempo escorrer
De grão em grão
Formando dunas
Talvez à noite
Alguma novidade
Quem sabe
Uma festa inesperada?
Nessa hora eqüidistante
Do Nada ao Porvir
Ninguém sequer lembra
Que existo
Abandonado no mundo
Soterrado entre ossos de ócio
Miro o vazio
Na folha nua da agenda
Escrevo um poema
Sentindo na língua
A alma do Nirvana...
Quietude
Ostracismo
Paz
O espaço branco...
Pareço exilado
Numa cidadela qualquer
Além da Sibéria
Se eu grito e morro
Alguém ouviria antes da morte
Meu clamor de socorro?
Acaso ouvisse
Se importaria?
O que valho no mundo?
Fatigado imagino
Valer o mesmo que sinto:
Um Nada absurdo...
Menos que um pirilampo...
Por que me cristalizei
Num ser humano?
Não poderia ser tão somente
Um crisântemo?
A vida tão menos complicada
Sem filosofias em horas vazias
Sem exigências
Nem coisa alguma
Sem dores de consciência
Nem perguntas e respostas
Mal formuladas
Sem insônias
Nem tardes entediadas
Até o monótono vazio
Imperturbável
Rotina do dia a dia
Sempre igual
Seria natural
E nenhum pensamento
Discorreria em contrário
Quisera eu ter nascido
Apenas um crisântemo
Inocente
À beira de um rio
Rob Azevedo
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Piano de Cauda
Piano de Cauda
-> Trilha sonora
O piano soou
A última nota
O drink acabou
A luz se apagou
A porta da taverna
Rangendo se fechou
Tudo que tenho
À frente na noite escura
Sem nem mesmo lua
É uma deserta rua
De paralelepípedos
Aberta no vão
Dos amores arredios
Não obstante
Ecoam em meus ouvidos
Acordes magníficos
De outrora
Gravados
Na memória
Cães ladram
Revirando lixo
Trocando o passo
Vou-me embora
Acendendo
O derradeiro cigarro
Meu ir é tão amargo
Ocre, desbotado
Preso ao passado
Que no íntimo de mim
Pulsa o ímpeto
De voltar d`onde vim
Na taverna
Cerrada a porta
O silêncio
Abissal dos túmulos
A escuridão
Do além mundo
O burburinho
Da boemia se foi
O sorriso
O galanteio
As querelas
De Cupidos tantos
Entorpecidos
De vinho
O piano
Calou-se
No entanto
Com os ouvidos
D`alma
Ainda ouço
Os acordes
Magníficos
De outrora
Da lembrança
Levantam-se fantasmas
Num sarau noturno
E valsa
Dou boas vindas
Aos convivas
Em trajes
Principescos
Nos vitrais
Reflete-se o brilho
De colares
E olhares
Suave
Soa
O piano
Em ritmos
Magistrais
Cavalheiresco
Convido a dama
À dança
No baile
De quem se ama
Minhas mãos
Se entrelaçam em mãos
Suaves, delicadas
Como fina seda persa
No calor d`outro corpo
Embevecido me aqueço
E mãos
Envolvendo pousam
Na cintura esbelta
Dançamos
Nuas peles roçando
Aos acordes
Do piano
Em murmúrios clamando
Eu te amo
Madeixas graciosas
Perfumadas se derramam
Em espáduas preciosas
Descortinando
Duas rosas
Ao som da valsa
Olhos se fecham
Na brisa dos suspiros
A alma se entrega
No encaixe de lábios
A paixão se esmera
Tornamo-nos cada tecla
Do piano de cauda
Que rege a festa
Florida rua
De paralelepípedos
Alvos
E cor ébano
Com destino
Ao fim do infinito
Rob Azevedo
Tordesilhas
Tordesilhas
Singrando mares
Vem a fragata
Sobre ondulantes ondas espumantes
Velas abertas
Ao vento
Cruzando horizontes
À bordo, o poeta
Vem cantante
Na proa, guiando o leme
O arrebol da aurora
Reluz distante
Na ilha
De Bora-Bora
Um beijo flamejante
Do Sol dourado
No oásis
Do Amor sem pecado
Golfinhos em bando
No mar seguem brincando
Descortinando o quadro
Encharcado
De maresia
Constelações
De Estrelas-do-Oceano
Cintilam no manto
Que reveste o corpo
Do deus Netuno
A vida vou levando
De porto em porto
Sou marujo
Cavaleiro
Dos cavalos-marinhos
Tenho minha casa
No abrigo
Dum caramujo
Em companhia
Dos escafandristas
À vinte mil léguas
Submarinas
Procuro tesouros
De galeões naufragados
Em batalha...
Ânforas da Grécia
Porcelana chinesa
Dobrões de ouro
Das terras
Da Andaluzia
Canto histórias
Dos verdes mares
E verdes olhos
Azuis
Castanhos
Negros
Que em tantos reinos
De amores e devaneios
Sem permeio
Nem salva-vidas
Afoguei-me
Canto
Meu destino
Sem dona nem ninho
De encontro
A alguma ilha
Além
De Tordesilhas
Rob Azevedo
Cala-te!
Cala-te!
Cala-te!
Tenho algo a dizer:
Amo-te!
Não reclame
Deixe que eu esbanje
Meu Amor, Meu Amor, Meu Amor...
Senão amordaço
Tua boca
Com a mordaça
Do meu beijo
Roubo-te o fôlego
As palavras
Tua língua entrelaço
Na minha
Enlouqueço
Nós dois
Cala-te!
Porque amo-te
Ainda mais
Do que antes
Só existe
Uma coisa
Importante:
Nós nos amamos
E ponto final (.)
O resto
É poeira na sola
De nossas alparcatas
Ao léu
Bem longe
Naufragam fragatas
O tempo depressa passa
Então
Cala-te!
Os olhos cerre
Deixe que eu te ame
Amando te beije
E transborde o cálice
Enquanto
Teu rancor se cale
Rob Azevedo
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Desatino
Desatino
-> Trilha sonora
No desatino
Do instante finito
Recebo-te em meus braços
Recaindo
Entorpecido do vinho
Do Amor que sinto.
Rezo novena
Sei da ladainha
Da ida e vinda
Alternância
Entre as fases da lua
De riso e lágrima
Lágrima e riso.
Paixão não tem siso!
Negando-me te recebo
E bebo
Na boca sorrindo
O cálice do sofrer.
Embriaguez
Faz tudo esquecer
Num torvelinho
De frágeis ilusões
Remendando cacos
De cristal despedaçado.
O quão sou fraco!
Diante o Amor traiçoeiro
Que vem brejeiro
Numa cilada deliciosa
Apunhalar-me com a adaga da dor
Oculta em pétalas de rosa.
Em nossa história
A felicidade só dura
Até o luzir da aurora
Quando a cotovia canta
Sei que é hora
Da escuridão
Em plena luz do dia.
Essa dor que choro eu sei de cor
Tem a cor da paixão desvairada e rubra
Cega e surda
Vindo como se fora o Sol
Em promessa de verão
Incendiando os campos
Do sofrido coração.
Vai e volta
Como revoada de garças
Brancas e plácidas
Levadas pelo instinto fugaz
Trazidas pela saudade.
Pousam na costumeira deserta praça
Na ida e vinda devassada
Esgarçada, delinqüida, sem força
De clamar
Banhada em mágoa:
Não volte mais
Nunca mais
Pra mim
Rob Azevedo
Caramujo-Bruxo
Caramujo-Bruxo
-> Trilha sonora
Quando esconjuro
Meu Bem-Me-Quer
Sou caramujo
Fujo
Do mundo
De mim mesmo
Torno-me bruxo
Faço feitiço
Suplico
À Lua Cheia
Armistício
No front de batalha
Que maltrata
O coração
Nessas horas
Tortuosas
Tenho dó de mim
Do meu orgulho
Que finge e cala
Não ver
A borboleta
Entre as rosas
No jardim
De Nostradamus
À Merlin e Rasputin
Canto em trovas
O Amor de um Querubim
Ó profetas
Do além
Ajudai-me porque canto
Por saudades de alguém
Profecias
Magias
Cartas de Tarô
Lâmpada de Aladim
Bola de Cristal
Alquimia
Oráculo
São ósculos apaixonados
Nas páginas
Do diário de um Mago
Clamo a todo santo
Compaixão ao pecado
De um anjo caído
Amargurado
Penduro uma guirlanda
De alho
Na porta de meu quarto
Desarrolho
Uma garrafa de vinho
Envelhecida
Em barril de carvalho
Bebo sozinho, me embriago
Na dor que amargo
Depois abro
Enquanto oro
Uma garrafa
De licor Absinto
Na alta madrugada
No céu bailando vejo
Uma girafa
Escarnecendo
Do que dizem meus versos
Ah! Filosofia alcoólica!
Ah! Visão sórdida!
Que vem em miragem caótica
Zombar de minha prosa melancólica
Comigo mesmo em trova
Ó quimera nebulosa!
Ri de mim
Ri bastante
Ainda perto do fim
Sangrando o espinho que corta
Sinto o aroma
Do perfume de Yasmim
Senão naquela
Rósea, úmida, entreaberta
Penetro na concha
Da minha aquarela
De poeta
Nela me escondo
No bem-vindo ostracismo
Fujo
Do mundo
Fleumático cismo
Na profundeza do abismo
O quanto
Tornei-me sombrio
Mil saídas imagino
E vou-me embora pro meu refúgio...
Tenho a ilha
De Avalon
O que importa
Se eu mesmo
Endoidecido
Tranquei a porta?
Senão Yasmim
Devoro
Uma maçã!
Rob Azevedo
domingo, 25 de novembro de 2007
Minha Alma Responde
Minha Alma Responde
-> Trilha sonora
Lembro-me daquela noite
Amor
Em que aflita, hesitante
Indagaste em meu ouvido:
- Tu me amas em verdade?
Sussurrante
Como o vento
No Morro do Vento Uivante
Minha boca se cala
Minh`alma responde:
Amar-te é tão pouco
Tão pequeno
Quanto um único verso
Em meio
Aos mil e um sonetos
De Amor
Que te prometo
Não entendes
Amor-Perfeito?
Amar-te é pouco
É pequeno
É solitária pétala
No seio
Dos Jardins
Da Babilônia
Que em devaneios de poeta
Rasguei o ventre da Mãe Terra
E colhi
Para em tuas mãos
Macias te dar
Rob Azevedo
Refrão da Nossa Eterna Canção
Refrão da Nossa Eterna Canção
-> Trilha sonora
A cada dia se prova
Seja em riso
Seja em palavras
Marejadas em lágrimas:
Verus Amor Vincit Omnia
A cada rompante de ira
- Nunca mais quero falar contigo!
Entendo o tamanho da mentira
Quando sozinho durmo
Sabendo que sentes o que sinto
Prisioneiros do Amor
Vindo ligeiro
No manto da noite
Desvendar o segredo:
Verus Amor Vincit Omnia
Refrão
Da eterna canção
Que conhecemos tanto
Tão bem
Nada parte o grilhão
Do Amor que nos envolve
Nem tente
Teu coração é meu
O meu é teu
Forever
De resto
Não me arrependo
Do espinho
Da flor se abrindo
Porque a cada vez que te firo
Me vedes sofrendo
Bem mais
Do que qualquer alguém no mundo
Agora o pesar é tanto
Que aqueles que me vêem
Já vão encomendando
Meu esquife
No Jardim da Noite Triste
Para lá partirei
Cantando esperançoso
Numa outra vida:
Verus Amor Vincit Omnia
Onde beijar-te-ei
Luzindo
As estrelas
Do infinito
Rob Azevedo
O Bosque das Ilusões Perdidas
O Bosque das Ilusões Perdidas
Fui morar aonde
O Vento faz a curva
A felicidade se esconde.
Meu pranto e a chuva
Vivem em voraz disputa
De quem rega mais
Ou mesmo inunda
Os campos
De minha solidão.
Amargura e lamento
Postos à mesa
Num farto banquete.
Sou o Senhor Desencanto
Respeite meu canto
Se aquiete
Acaso desconhece
O que é o Sofrer.
Padecer de dor que não se vê
É angústia tão cruel
Que peço em súplica ao Céu -
Venha depressa
A Noite
Sem Amanhecer.
Há um lugar mais triste
Que o abismo do Tártaro
- O Bosque das Ilusões Perdidas –
Dê graças a Zeus
De joelhos em prece
Não ser tua morada
Onde tenho minha casa
Com vista para os portões
Dos Campos Elíseos
Sem que nele possa
Jamais adentrar.
Do Vale das Sombras
Ecoam meus versos
Chorando desterro
De imortal martírio o preço
Uma seta de Amor envenenada
Lançada por Cupido em meu peito
Quando era sepulcro
E jazia morto
O cerne vital da paixão.
Corpo fechado – maldição
Minha vida ilusão.
Silêncio!
Deixe as folhas dos arvoredos
Farfalharem ao Vento!
Respeite meu pranto!
Sou o Senhor Desencanto!
Rob Azevedo
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Dor
Dor
-> Trilha sonora
Ah! Maldita Dor!
Bebi da ânfora do desengano?
Pisei nas flores
Do Jardim do Amor?
Ó Noite!
Não serás como outrora
Cântico em leito de rosas
Onde beijaria mil estrelas
Na mesma e lânguida boca
Luzindo o arrebol da aurora
Virá o Vento
Ao acaso
Bater em minha porta?
Seu canto
É meu triste lamento
Na soturna hora
Uivando
Que algum anjo
Compadecido de meu tormento
Venha visitar-me
E traga âmbar
Para ungir meu corpo
Ao deitar-me
Sozinho
Em minha fria cama
Feito lápide
Clamo
Um socorro
Um escudo
D`algum anjo
Que me proteja
Do sofrimento –
Os lençóis que ardiam em chama
Vê-los mortalha
Envolvendo meu corpo moribundo
Solitário
Sobre este
Não sentir escorrendo
Suores de Amor
Mas orvalho do sereno
Como abandonado ao relento
Ah! Maldita Dor!
Saudade lancinante que devora
Da ponta de meu cabelo
À raiz de minh`alma!
Que canto cantarei agora
Sem minha dama de outrora?
Rob Azevedo
Amar, Amor, Sofrer
Amar, Amor, Sofrer
O que seria do Amor
Sem as tempestades?
O que seria de Romeu e Julieta
Sem a morte de ambos derradeira
Na escuridão
Dum mausoléu?
O que seria da Love Story
Sem o triste final?
De Tristão e Isolda
O que seria
Sem a morte do cavaleiro
Em batalha
À beira de um rio?
O que seria
De Casablanca
Sem a despedida
Da escada
De um avião?
O que seria
Do Morro dos Ventos Uivantes
Sem as lágrimas
De Heathcliff e Cathy?
De Abelardo e Heloísa
O que seria?
O que seriam de tantas histórias
Canções e poemas
Sem a dor
Do sofrer?
O que seria
De Cristo
Sem a Cruz
Sem o Calvário?
O que seria?
Amar, Amor, sofrer...
Sagrado Relicário
De riso e pranto
Felicidade e lamento
Rob Azevedo
"Todo grande amor
Só é bem grande se for triste...
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer"...
(Vinicius de Moraes)
Quasar Azul
Quasar Azul
-> Trilha sonora
Dói em mim
Perfume de Jasmim
A saudade
Dói demais
Mentir
Que nosso Amor morreu
Doeu
Como a morte de Deus
O peso da Cruz
Carrego sozinho
Pela Via Crucis
Ao fim do infinito
Onde nada jaz
Tão somente adormece
E renasce
A cada dia mais forte
Que a própria morte
Quiçá em breve eu chegue
Ao fim do infinito
Onde a paixão não morre
Porque lá no destino
Meus lábios
Encontram os seus
Refulgindo a luz
Do Quasar Azul
Senão de saudades
Minha vida se finda
Em derradeira agonia
Carregando a Cruz
Da própria mentira
Que plantei no campo
Do Amor sem tamanho
Rob Azevedo
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Tempestade de Amor
_Tempestade de Amor_
Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.
(Epicuro)
-> Trilha sonora
A fúria das ondas
Açoita inclemente a nau
Arremessando-a contra os rochedos
Velas se rasgam
Mastros se partem
O casco se avaria
Perde-se o leme
A nau deriva
E parece
Irremediável o naufrágio
O Mar a tudo engole
Imenso sem fundo
Escuro
Inexorável destino
Quando o desafiam
Em tormenta voraz
Qual razão de tanta ira?
O que haverá deixado
Netuno tão revoltoso?
Tempestade, Tempestade
Tua insana maldade
Esconde uma só verdade:
Aquela que cala
Sabendo que para bom entendedor
Até o silêncio fala
Ó Tempestade, não sabe a nau
Temendo que naufrague
Que és Tempestade
Tempestade de Amor!
Ó Saudade
Não sabe a Flor
O quanto
Me causas dor
Dor imensa
Sem tamanho
Mais profunda que o abismo
Do profundo mar infindo
Não!
Não é a nau pelas ondas açoitada
Que à deriva naufraga
É Netuno em paixão amargurada
Que a si mesmo se traga
Num Mar de Lágrima
Rob Azevedo
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Por Nós Dois
_Por Nós Dois_
-> Trilha sonora
Por nós dois
De coração partido
Eu parto
Quem entenderia
O por tanto Amor partir
Senão tão somente
Um poeta apaixonado?
Qualquer pretexto é valido
Mesmo o mentir
Negando o sentir
Amor tão grande e cálido
Por nós dois
De coração partido
Eu parto
Se vivendo ao teu lado
Tão somente reparto
Pranto amargurado
De coração partido
Eu parto
Derramando o mesmo pranto
Que ao teu lado
Sem que pare
Derramo
Transbordando cântaros
Amar, Amor, sofrer...
Triste sina
Tudo em minha vida
Uma só coisa
Ninguém me entende
Nada dos meus versos
Que há tanto tempo te escrevo
Te ensina
Minha triste sina
De Amar, Amor, sofrer
Do sofrer
Somente me aparto
Se de coração partido
Sofrendo eu parto
O Amor
Que jurei a ti
Até morrer
Rob Azevedo
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Já Que...
Já Que...
Que as outras morram
De ciúmes
Só farei poemas
Pra você
Já que...
A vida quis assim
Já que...
Jaqueline apareceu
É minha diva
Já que...
Sem você não sei
Nem mais de mim
Por Jaqueline eu vou viver
De amar, Amor fazer
No calor do seio aconchegado
Esperando
O dia claro amanhecer
Já que...
Nossos corpos se entrelaçaram
Já que...
Os lençóis desarrumaram
E no encaixe dos teus lábios
Bebo embriagado
O orvalho das manhãs
De quem amanhece
Apaixonado...
Já que a vida é bela
Para quem vive de amores
Já que em teu espírito e corpo
Sorvo o aroma de mil flores
Já que o céu é infinito
Quando rasga meu peito
A poesia que a ti dedico
Contigo ressuscito contrito
De maldito mendigo
Ao homem no Amor mais rico
Já que
É linda
A vida e você
Jaqueline em versos
Cantarei
Cantarei
Cantarei
Por nós dois
Em honra ao Rei
Que me tornarei
Quando sermos um
Longo suspiro
Abençoado
Pelo Celeste Pai
Rob Azevedo
The Last Good-Bye
The Last Good-Bye
-> Trilha sonora
Estou de partida
Para o Bosque das Ilusões Perdidas
Rasgue minhas fotos
Meus poemas
Esqueça que existi
Em sua vida
Deixe-me seguir
Meu caminho
Sozinho
Não me prenda
Não sou pássaro na gaiola
Nem repita mais
Em meus ouvidos
Forever
Encare a realidade:
Tudo um dia tem seu fim
Mesmo o Sol se apagará
Não vedes que vivemos de passado
E hoje estou triste?
Os versos que te faço
Há muito
Têm gosto amargo
Não são como antes
A pureza se perdeu
Vêm carregados de incertezas
Amarguras
Raiva
Um tanto de Amor
Eu sei
Mas daquele que corta a alma
Cabeça posta no travesseiro
Me pergunto:
O que estou fazendo?
Se tantas vezes jurei
Que partiria no cair da noite
Sendo o destino, no entanto
Seu quarto
Desatar o laço
Não é fácil
É como um vício
Na embriaguez do momento
Se perde o tino
Nos aprofundando no abismo
Mas a lucidez depois
Dói mais fundo
E me pergunto:
O que estou fazendo?
Não tente entender
Minhas razões
Saiba somente
Que as tenho
Não tente entender
O porquê da minha tristeza
Incerteza
Amargura
Raiva
Não tente entender
Nada
Não há Mea Culpa
Para nenhum de nós
Apenas me deixe partir
Livrar-me do fardo
Que pesa em minh`alma
Rob Azevedo
Será?
Será?
-> Trilha sonora
Se eu digo que te amo
Rezando, segurando o terço
De pé junto
Não me perguntes sempre:
- Me amas mesmo?
Nem negues
Minha jura
A cada vez
Que a sacramento:
- Me amas nada!
Porque assim
Me confunde
Eu paro comigo
E penso:
Será que te amo
Realmente?
Confuso no que digo
Por tanto questionamento
Acabo parando – de te amar - e pensando:
Será que realmente
Te amo?
A duvida
Contagia
Bem mais do que qualquer epidemia
Ébrio da incerteza
De tanto bater água mole
Em pedra dura
Já nem em mim mesmo
Acredito
E passo noites insones me perguntando:
Será que realmente te amo?
Ah! Dá um tempo!
Vai que me confundo
Numa dessas reuniões
À sós comigo
E de repente, duvido
Do que eu mesmo digo?
E decido:
Senão te amo
Amarei outro alguém
Rob Azevedo
Amor-Mal-Assombrado
Amor-Mal-Assombrado
Adeus
Amor meu
Adeus
O trem se foi
Eu digo Adeus
Procure os seus!
Mais triste que um Amor
Quando se finda
Só a dor
De um defunto-Amor
Para quem não existe
O descanso, a paz
Da despedida
O alívio
A redenção
Do Adeus
Adeus
Amor meu
Adeus
Procure os seus!
Amor-museu
De passado vivendo
Lembranças d`algum tempo
Quando foi bom
Toca o sino...
Faca de dois gumes
É minha sina:
Tão bom haver sido
Que me guardam
Como peça de antiquário
Apodrecido relicário
Vestígio
De um Amor empoeirado
Espane as teias de aranha!
Mate as traças
Sobre a foto preto e branco...
Aonde se foi a graça
Em meu sorriso amarelado?
Amor-escravo
Acorrentado
Ao passado
Sabe o futuro:
Amor-Mal-Assombrado
Síndrome de Hamlet
Amedronta meu espírito:
Ser ou não ser?
Eis a questão!
Ser um fantasma
Correntes arrastando
Pelo castelo
Maldizendo as chagas
Do coração maculado
Ou feliz campeiro
Colhendo entre flores
Amor-Perfeito?
O queijo
Tem gosto azedo
O vinho, amargo
Uma coruja me espreita
Enquanto morcegos silvam
O luar
Ilumina o túmulo
Uma vela
Quase ao fim
Tremula a chama
E apaga
Minha companheira
Lúgubre
Da derradeira hora
Vem voando
Zigue-zagueando
Desajeitada
Pousa em meu ombro
Ó Mariposa
Por que não vá embora?
Nem tens a doçura da rosa!
Ao menos
Teria algo das flores
Para depositar no túmulo
Do Amor-defunto
Rob Azevedo
domingo, 18 de novembro de 2007
JAQUE
JAQUE
-> Trilha sonora
O bom da vida
Muitas vezes se encontra
Bem mais perto do que pensamos.
Acalentaste teus sonhos
De paraíso de encanto
D`outro lado do Atlântico
Porque longe estava
Milhas sem fim distante
Dos olhos que tudo vê
E por si mesmo
Compreende.
Imaginavas
Não haver pobreza nem dores
Somente riso e flores...
Ah! Quimeras!
Teu desejo
Foi pousar longe
Dos teus
Das águas ondulantes
Que beijam as praias
Verde-amarelas.
Nem tanto ao mar
Nem tanto à terra...
Agora sabes:
Nossas favelas
São mais belas!
Sem hipocrisias tolas
Nem rótulos
De primeiro mundo
E nosso belo
É tão mais formoso
Que chega a ser esplêndido
Inspirando
A Canção do Exílio...
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá...
Meu Deus!
Quando partiste
Rogando em prece pedi:
Não permitas que de saudade eu morra
Estende minha vida
Por vinte dias
E quando volte a amada
Entenda:
O bom da vida
Muitas vezes se encontra
Bem mais perto do que se pensa.
Rob Azevedo
Sentir
Sentir
Descobri que um poeta
É como um cantor
Que precisa cuidar
Atentamente das cordas vocais -
Fazer gargarejo
Não tomar gelado
Não gritar demais
Evitar resfriar-se...
O poeta
No caso
Há que cuidar
Dos seus sentimentos
Porque cada verso
Reflete o que sente
No ponto extremo
Torna-se deserto estéril
Onde nenhuma flor-poesia
Floresce
Morre a cria
Cala-se a Inspiração...
O poeta
Há que sentir!
Lá vem a chuva...
Verso de ira
É meu termômetro que indica
Por qual caminho devo seguir
Qual abandonar
Ah! Quero somente os poemas de Amor!
Sem dúvidas, sarcasmos
Desilusão ou raiva...
Quero um Amor que seja
Como a folha nua
Quando deito a primeira letra
Um campo em branco
Sem histórias sendo
Simultaneamente escritas
Vindas
D`outros tempos
Sem congestionamento
Nem bate-cabeça...
Alguém que viva
Cada coisa
Ao seu momento
Nunca
Ao mesmo tempo
Rob Azevedo
sábado, 17 de novembro de 2007
Não Há Vagas
_Não Há Vagas_
Não há vagas em meu harém
Não há vagas em meu harém
Leia a placa:
LOTAÇÃO ESGOTADA!
Com dinheiro algum se paga
Nem um milhão
Nem um vintém
Não há vagas em meu harém
Beldade da Pérsia
À mais excelsa
Bacante da Grécia
Leia a placa:
LOTAÇÃO ESGOTADA!
Com ouro algum se paga
A única vaga
Exclusiva, cativa
Se encontra ocupada
À sete chaves trancada
Guardada, sacramentada
De Amor jurada
Até o fim da meada
Da vida de Deus
Rob Azevedo
F...
F...
Use
Sem que abuse
Porque o bolo
Meu Amor
Desanda
Quando menos se espera
Saiba que nunca se releva
Avisos
D`alma de quem se exaspera
E ferve
Feito panela
De pressão
Uma hora
Estoura
Já era!
Partiu o coração?
FODA-SE!
Rob Azevedo
=========================================
Minha definição do Orkut:
-> O mais eficiente detector de mentiras que existe.
Hehehehehe...
sábado, 10 de novembro de 2007
(In)farto
(In)farto
"Escravo é aquele que não pode dizer o que pensa". Eurípedes
-> Trilha sonora
Estou farto
Ao que me causa esse estado
Falta o senso de piedade
Para entender que estou farto
Tenho culpa em parte
É bem verdade
Porque me calo
Para que não cause espanto
Quebrando o espelho côncavo
De Narciso envaidecido
A imagem que tenho
De teu Alter-Ego
Não é aquela que tens
Para si
Deixe o leão rugir
Eriçando teus cabelos
Esbugalhando olhos
De estarrecimento
Ao menos
Saberás o que penso
Não vivendo junto a mim
Num mundo falso
Celebremos a verdade
De nossas hipocrisias
Inextinguíveis mentiras
De santos e santas
Do pau oco
O prazo vencido
Da estratégia que utiliza
Tão conhecida
Como a palma da mão
Minh`alma abomina
Resume-se no teorema:
Mostrar o que dá problema
Relevar o que é irrelevante
E calar-se
Quando ambos são redundantes
Em silêncio conveniente
Assim tudo adquire
Ares de naturalidade
E se confunde
Ainda nos deixa
De mãos atadas
Impondo o que na garganta entala
Ah! Minha Virgem Santa
Não me enganas
Nem te engano
Sou anjodemônio
És o fermento
Do meu aborrecimento
Rob Azevedo - VISCERALMENTE ROB!!!
Guns N' Roses - Used To Love Her
I used to love her,
but i had to kill her
I used to love her,
but i had to kill her
I had to put her, six feet under
and I can still hear her complain
I used to love her, (whoa yeah)
but I had to kill her
I used to love her, (oooo yeah)
but I had to kill her
I knew I'd miss her,
So I had to keep her
She's buried right in my backyard
(whoa yeah)
(whoa yeah)
(whoo-oo yeah)
I used to love her,
but I had to kill her
I used to love her, (whoa yeah)
but i had to kill her
She bitched so much,
she drove me nuts
And now we're happier this way, alright
(whoa yeah)
(whoa)
(whoo-oo yeah)
I used to love her,
but I had to kill her
I used to love her (ooooh yeah)
but I had to kill her
I had to put her, six feet under
and I can still hear her complain (yeah-eeeah)
=========================================
Guns N' Roses - Used To Love Her (tradução)
Costumava amá-la
Eu costumava amá-la,
Mas tive que matá-la
Eu costumava amá-la,
Mas tive que matá-la
Eu tive que a pôr seis pés abaixo
E eu ainda posso lhe ouvir reclamar
Eu costumava amá-la, (whoa yeah)
Mas tive que matá-la
Eu costumava amá-la, (oooo yeah)
Mas tive que matá-la
Eu soube que sentiria sua falta,
Assim eu tive que mantê-la
Ela está enterrada bem no meu quintal dos fundos
(whoa yeah)
(whoa yeah)
(whoo-oo yeah)
Eu costumava amá-la,
Mas tive que matá-la
Eu costumava amá-la, (whoa yeah)
Mas tive que matá-la
Ela era cadela demais,
Ela me deixou louco
E agora nós estamos mais felizes desse jeito, certo,
(whoa yeah)
(whoa)
(whoo-oo yeah)
Eu costumava amá-la,
Mas tive que matá-la
Eu costumava amá-la, (ooooh yeah)
Mas tive que matá-la
Eu tive que a pôr seis pés abaixo
E eu ainda posso lhe ouvir reclamar (yeah-eeeah)
Cinderela
Cinderela
Cinderela era aquela
Até meia-noite
Princesa encantada
De incólume castidade
Bastava o relógio soar
As doze badaladas
Em abóbora
Ela mesma se transformava
Debandando em retirada
Aos braços do leiteiro
Coitado do príncipe encantado
Onde foi, meu Deus
Onde foi amarrar a égua?
Cartas de baralho
Marcadas
Desculpas esfarrapadas
Que ninguém acreditava
Ai meu Deus
Tens piedade de mim!
Já não agüento
Fazer-me de cego
E trabalhar feito escravo
Açoitado no lombo
Para que Cinderela
A auto-intitulada
Semi-donzela
Se esbalde
Com Joaquim
José
Manuel
E mais alguém
Vaidade, vaidade
A princesa-abóbora
Fez-me vassalo
Da vil vaidade
Ai de mim!
Que tantas vezes
Chutei o balde
Em vão
Cinderela se vai
E volta
Feito excremento n`água
Aquele mesmo
Que aduba o jardim
Rob Azevedo
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Tábua de Salvação
Tábua de Salvação
Que venham ventos, temporais
Chuvas, tempestades, vendavais
Escureça a treva a luz do dia
Minha regra será do amor a alquimia
Madeixas contra o vento desleixadas
Aderida ao relevo do corpo a roupa molhada
Se despe no mar em sutil transparência
Tragando a nau que à deriva naufraga
Como quem aos céus suplica clemência
Clamando a vida no desejo afogada
Encontro em tua alma da salvação a tábua
Refém e cativa em voluptuosa alegria
Em gratidão devotada à mulher que queria
Da liberdade perdida não sobrevém a mágoa
Rob Azevedo & Karla Julia
(Blas)fêmea
(Blas)fêmea
Ó Fêmea Virgem Santa
Desça do céu
Venha deitar-se em minha cama
Tua candura celeste
Doçura do Éden
Incólume castidade
De Mãe de Deus
Amalgama com toda vontade
Dos porões da minha voluptuosidade
Liberto sem tino
Tornei-me libertário, libertino
Libidinoso menino
Cantando em poema blasfêmia
Inconseqüente, delirante
Tão verdadeiro quanto a Verdade
Queimo dogmas na fogueira
Da Inquisição luxuriante
Ó Virgem Mãe
O que é a deidade
Sem o êxtase do gozo
Criador do Universo?
O Arcanjo Gabriel foi teu amante?
São José o marido traído?
Ah! Quem blasfema
Contra a natureza
Gerando um filho
Sem o encontro de dois corpos
Mutuamente entregues, desnudos
Um sobre o outro...
Eu blasfemo?
Ó Fêmea Virgem Santa
És mãe
Do meu fetiche
Mais secreto
Nem revelado
No recôndito do confessionário
Virgens me instigam
São sinônimos
De ebulição dos meus hormônios
Santas me provocam
Desafiam meus instintos
A pervertê-las ao abismo
Da perdição deliciosa
No coito transformada
Em Rainha Meretriz
De ponta à cabeça
Com mãos e língua
De corpo, alma, mente, coração e membro
Dos mamilos ao bendito paraíso
Um pouco abaixo do umbigo
Cidade da luxúria
Destruída com fogo e enxofre
Descido do céu
Pela ira de Deus?
Não!
Cataclismo de dois orgasmos
Masculino e feminino
Em vulcânica erupção
Ascendendo ao Divino
Em gloriosa redenção
Rob Azevedo
In(can)descente
In(can)descente
Sorvo teus mamilos
Como quem joga no bicho
Em flagrante delito
No útero adultero
Como quem encomenda
A alma ao Diabo
Escrevo um poema
A ti dedicado
Dou um passo ao cadafalso
Sinto a corda no pescoço
E urro
Como boi no matadouro
Caio morto
No breu tenebroso
Degolo
As três cabeças de Cérbero
Adentro no Tártaro
O fogo que arde
É da cor
Do meu rubro desejo
Passagem de ida sem volta
Ao eterno tormento
Onde sou o fígado de Prometeu
Carcomido pelo abutre
Mas teu gozo em minha boca
Teu gozo uníssono ao meu
Tem o sabor do pecado
Do adultério da Mãe de Deus
Assim de bom grado
Rasgo a Escritura, me igualo ao Diabo
Num grau mais baixo
Sou um mero lacaio
A região in(can)descente que habito
Tem a profundeza do abismo
Que engole meu corpo
Entre o par de coxas
Da mulher que atraiçoa
Acendo uma vela
Seguro o terço
Rezo e me despeço
Encomendando num gozo
Minh`alma ao inverso
Do que dizem o Inferno
Rob Azevedo
Ode aos Escribas
Ode aos Escribas
Fala-se muito
Diz-se pouco
Escreve-se bonito
Versos ocos
Daí o por quê
Faço ouvidos moucos
Aos escribas imitadores
De Carlos Drummond
Não me acusem de pretensioso!
Vomitei até meus versos
Quando os reli ao inverso
Sem rima, nem sentido
Poesia sem nexo
Caos perplexo
A sinfonia fez-se barulho
O claro, hermético
O texto, holocausto
Meus testículos preciosos
Um par de ovos estrelados
Liberdade, claustro
Claridade, breu
Trompete, clarinete
Acordeom, gaita
Violão, guitarra
O epitáfio
- Aqui jaz -
Outdoor de show
De New Orleans
Então, caros irmãos
Não me acusem de presunçoso
Não somente os teus
Mas os versos meus
Vomitei-os da entranha
Cuspindo sangue e chama
Quando os reli ao inverso
Rob Azevedo
Nonsense Matinal ou Manhã Azarenta
Nonsense Matinal
Ou Manhã Azarenta
Café com pão
O pão
Cai no chão
Com a manteiga
Virada pra baixo
Encontro uma mosca
Varejeira azul
Boiando em meu café
Debatendo-se, coitada
Em vão
Pra não morrer afogada
Meu microcosmos
É tão trágico
Divago
Soltando
Baforada de cigarro
O leite
Virou coalhada
Fede
E tem gosto horrível
De coisa estragada
Irei aos Cafés
Do Rio de Janeiro
Beberei cerveja no gargalo
Jogarei bilhar
Farei uma fé
No jacaré
Cercando a milhar
Centena e dezena
O algoritmo
Co-seno
Tangente
E dízima periódica
Vai um
Desce dois
Pro quinto dos infernos
Já estamos no térreo
De frente
Pra Atlântica
O expresso Botafogo-Baixo Gávea
Atropela
Um puddle de madame
Que surta na calçada
Aos berros, descabelada
Minha poesia é insurgente
Contra a lógica inconsciente
Do lirismo métrico concebido
Nos versos que escrevi outrora
Reviro os bolsos
Da calça desbotada
E carteira
Procurando
Um real que seja
Resmungando com meus botões
Dou-me conta:
Fiz a conta equivocada
Volto pra casa
Ruminando
O nonsense do nada
Rob Azevedo
sábado, 20 de outubro de 2007
Diana
Diana
-> Trilha sonora
Inspiro, cerro os olhos, imagino
Relaxo o corpo e vôo, sentindo
Nós dois, sobre uma cama de rosas
Em pensamento me dôo
Pétalas no quadro pinto
Devagar se abrindo
Contrito me confesso
Tocando seu corpo
Como um violino
Meu Amor e carinho
Não se mede
Sem contar as estrelas do infinito
Tampouco meu desejo
Companheira dor que arde em meu peito
Nessas noites de solitude insone
Em que derramo nas brancas folhas nuas
Versos banhados em sangue
Dum coração ferido
Atravessado pela seta de Cupido
Que devaneios loucos, incompreendidos
Amarguram a alma dos trovadores
Quem os entenderá?
Algum William Shakespeare
Nos dará as respostas
Formulando teses onde se explique
Por que tanto Amor ao Amor sofrido?
Por que te elevei
Ao píncaro do monte mais alto
Onde já não posso alcançar-te?
Por que te vejo
Na lua refletida
E te procuro trilhando
As sendas da Via Láctea?
Vem para o chão
Meu Amor
Desça das nuvens
Abre mão de ser anjo
Desça do pedestal
Em que assentas como estátua de mármore
Idolatrada Diana
Rob Azevedo
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Cama de Rosas
Cama de Rosas
-> Trilha sonora
Vela no castiçal
Incenso no ar
O quarto em penumbra...
Eu na sombra
Escrevendo poema
Nosso palco de Amor
Ao lado
Cama de Rosas
Em lençóis de cetim vazia
Em minh`alma inspira
Poesia
Em devaneios perdida
Minha pena desliza comovida
Em sonhos de poeta
Meu corpo junto ao seu transpira
Cantamos nosso canto
Cantando seu nome clamo
Amando meu nome clamas
Na cama que se torna chama
Mordendo os lábios
Meus lábios encontram
Nos meus os seus
Como duas mãos juntas que rezam
Da alquimia o feitiço:
Encontrar-te em mim
Quando não estou contigo
Duas almas unindo
Assim que te amo
Elevado em prece
Venerando
Purificando o espírito
Profanando seu paraíso
Em Sacro Sacrilégio
Rob Azevedo
sábado, 13 de outubro de 2007
Foto Preto e Branco
Foto Preto e Branco
-> Trilha sonora
A chama crepita
Amanhã
Será cinza
Meu peito se aperta
Dói
Tudo um dia finda
Vida
Luz do dia
Riso
Jardim florido
Outrora
Fui menino
Brinquei no pátio
De peão
Bola de gude
Roda
Joguei bola
Soltei pipa
Catei conchinha
Na praia
Nadei no mar
Daquele tempo
Sou sombra
Foto preto e branco
Com ar de medo e pranto
Desbotada
Lembrança
Como eu amo
Aquela criança
Fantasma de mim
Que vejo
Em preto e branco
Com ar de medo e pranto
No quadro
Ela
- Digo alto para que todos saibam –
Sou eu!
Tão frágil...
Segurando um brinquedo
Não queria perdê-lo!
Comprado por meu pai
Na feira
Da praça
Singelo
Uma coisa somente
Inerte
Que não responde
No entanto
Naquele momento
Era meu mundo
Alegria
Riso
Dele eu cuidava
Como meu pai e mãe
Cuidavam de mim
Com todo Amor e Carinho
Por algo tão querido
Um dia
O presente quebrou
Eu cresci
A infância findou
O rio segue seu curso...
Ainda tenho meus pais por ora
Ainda tenho
Aquele Amor...
Melancolia
Fluindo o rio
Tanta água secou
E flor murchou
Agora tudo é mais trágico
De brinquedo inanimado
À gente falante
Que sente e se locomove
Feito nuvem flutuante
Me apego
Meu brinquedo era surdo
No entanto me ouvia
Era mudo
E falava comigo
O que ouvir desejava
Pois eu quem por ele falava
Tornando-o vivo
Agora tudo é mais trágico...
Do que faço meu mundo
Alegria
Riso
Cântaro de sentimento
Se move
Por livre e espontânea vontade
Vai para onde bem quer
Diz o que lhe convém
Nem sempre
O que ouvir desejo
Ainda tem o fato
Não raro:
Me fazem de brinquedo
Agora tudo é mais trágico...
Da situação
Perdi o controle
Tenho mais medo
E ar de pranto
Que antes:
O Amor em que me ancoro
Não é o dos meus pais
Não tem
Sua duração
E verdade
Com ar de medo e pranto
Miro o céu
O Sol se põe
A noite cai
Passou o trem
Com destino
A lugar nenhum
Uma vaca mugiu...
A chama virou cinza
Meu peito se aperta
Dói
Medito:
Tudo um dia finda
Vida
Luz do dia
Riso
Jardim florido
Rob Azevedo