sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Chevalier de la Reine
Chevalier de la Reine
-> Trilha sonora
Ó Encanto da Vida
Melodia e Rima
De toda poesia
Que nasce graciosa
Da minh`alma de poeta
És o lúmen dos meus olhos
O cálice da rosa
Brilho da pérola
Flor mais bela
Com pétala
De orquídea violeta
E folha
De Amor-Perfeito
Em meu peito teu nome
Gravado eternamente
Não se vê
Ninguém o lê
Porque te guardo em segredo
Na chama que consome
Dia e noite
Sem que se apague
Da Rainha me consagro
Fiel cavaleiro
Até o fim dos tempos
Em minha cama coroada
Rainha das Rainhas
Do Amor
Da Paixão
Do Desejo
Como Rainha amada
Em cada pêlo saciada
E toda gota de orvalho derramada
Sou dentes, sou língua
Sou lábios e mãos
Cada músculo do meu corpo
A ti consagro
De alma e coração
Ser teu vassalo
Amante-irmão
No Amor abençoado
Cavaleiro devasso
É a chave que temos
Das portas do Paraíso
Onde em glória gozamos
O júbilo de sermos
Eros e Psique
Amor e Libido
Rob Azevedo
Afortunado Enleio
Afortunado Enleio
-> Trilha sonora
Ó Rainha dos meus versos
Sem segredo me confesso
Amar-te tanto e tão perdidamente
Que nada além d`Amor meu peito sente
Peregrino nas alamedas do palácio
Colhi purpúreas flores, trago-as no regaço
Para ornar-te a fronte e o leito
Onde nos deitamos, em afortunado enleio
Teu vassalo me consagro
Sacramentando causa e efeito
Canto em trovas o segredo
Da Rainha sou cavaleiro
Fiel amante-escudeiro
Homem em pêlo jardineiro - Amor-Perfeito
Rob Azevedo
Bem Pra Lá das Pedras do Arpoador
Escrevi o poema abaixo com intenção que fosse letra de música. Se dá para ser adaptado para tanto, não sei ao certo, tem-se que arrumar um músico para compor algum melodia para esses versos e ver se há como transformá-los em música.
Bem Pra Lá das Pedras do Arpoador
-> Trilha sonora
Ao Meu Senhor do Bonfim
Rogando em prece pedi
Pra te trazer pra mim
Se compadece, Ó Meu Deus, das minhas dores
Atende minhas súplicas antes do cair da noite
Devolve meu sono ao lado dela aaaaaaaa ha!
Depois do Amor ôôôôôôrrr ho!
Depois do Amor ôôôôôôrrr ho!
Eu vou bem pra lá das pedras do Arpoador
Vagando pelo meu Rio de Janeiro
Vou navegando num barquinho cor do céu
Aportando no cais da paixão
Encontro em pranto o coração
Da mulher menina que amo
Nua em pêlo me esperando uhhhhhhh hu!
Me esperando uhhhhhhh hu!
Ah! Meu Deus, à saudade eu peço
Que vá embora aaaaaaa ha!
Vá embora aaaaaaa ha!
Morra aaaaaaa afogada nas ondas
Dos lábios dela aaaaaaaa ha!
Aaaaaaaaaaaa ha!
Ó por favor, Meu Deus, Meu Deus
Ó Meu Senhor ôôôôôôrrr ho!
Traz de volta Meu Amor ôôôôôôrrr ho!
Atende minhas súplicas antes do cair da noite
Devolve meu sono ao lado dela aaaaaaaa ha!
Depois do Amor ôôôôôô ho!
Depois do Amor ôôôôôô ho!
Eu vou bem pra lá das pedras do Arpoador
Vagando pelo meu Rio de Janeiro
Vou navegando num barquinho cor do céu
Aportando no cais da paixão
Encontro em pranto o coração
Da mulher menina que amo uhhhhhhh ho!
Nua em pêlo me esperando uhhhhhhh ho!
Me esperando uhhhhhhh ho!
Me esperando uhhhhhhh ho!
Rob Azevedo
Saudade do Old Time
Essa composição abaixo eu escrevi com a intenção que fosse uma letra de música, mas não sei bem se pode ser adaptada para de fato ser uma música. Teria que se arrumar um músico para fazer uma melodia para esse poema e ver se há como ser transformado em letra de música.
Saudade do Old Time
A noite cai
A saudade toma a gente
Sau-da-de
Do old time
Seu nome lembro
E tomo um gole
De um drink
On the rocks
Trinco os dentes
Escrevo num guardanapo
À tinta de caneta
Um poema
Entre meus dedos crepita
A chama dum cigarro
Que me faz
Companhia
Em nuvens de nicotina
Me perco, me acho
Em cartas marcadas
De baralho
Pedras de gelo balouçam
Num copo de whisky
Me olho no espelho
Ajeito o cabelo
Tiro um Az da manga
A saudade dói
Helena
A saudade dói
Nessa mesa de bar
Tem uma cadeira
Vazia sem eira nem beira
Bem na cabeceira
Onde guardei seu lugar
Helena vem depressa pros meus braços
A saudade dói
Helena
A saudade dói
Helena
A saudade é uma dor assim não definida
Que dentro do peito corrói
Dilacera e amargura
É uma dor só resolvida
Quando estou em sua companhia
Helena vem depressa pros meus braços
Vem depressa pros meus braços
Guardei na cabeceira
Dessa mesa de bar
Uma cadeira
Com seu nome
Helena
Esperando a aurora
Iluminar a treva
Chamada Solidão
Que sem dó desterra
Vem depressa Helena
Vem depressa, não demora
Vem luzindo a aurora
Vem depressa
Nada já importa
Vem agora
Vem voando
Vem batendo as asas
Que eu te dei
Mas vem Helena
Vem depressa, não demora
Vem luzindo a aurora
Vem depressa
Nada já importa
Vem agora
Vem voando
Vem batendo as asas
Que eu te dei
Rob Azevedo
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Transcenderemos o Tempo Em Poesias nos Amando
Transcenderemos o Tempo
Em Poesias nos Amando
-> Trilha sonora
Às vezes a gente se perde
Nos caminhos intrincados da vida
E não vê o tempo que passa
Escorrendo entre os dedos
Voltada a visão
Às coisas do mundo
Imergimos em nossos afazeres
E não damos atenção a quem amamos
Da forma como queremos
O Amor adiante
Tão perto
Clamando companhia
E o coração não responde
Da jura se esquiva
Embora nele pulse
E quase estoure
Porque o dia a dia
Voraz nos consome
As estrelas cintilam no firmamento
Lembrando promessas
De lábios se encontrando
Contando o infinito
E miro paralelepípedos
Da rua em que caminho
Contando os passos
Rumo à eternidade
Dos meus versos
Neles
O Amor fazemos
Noite e dia
Feito Poesia
Se me perco nessas ruas
De encontro aos ramos de louros
Que haverão de ornar minha fronte
Da Flor do Amor me afastando
Ó Encanto da Minha Vida
Meu Lirismo e Rima
Do profundo de mim te prometo:
Levar-te-ei comigo
Rumo à eternidade
Transcendendo a noite dos tempos
Gravados com letras de ouro
No Diário Incólume da Paixão
Ao lado dos deuses no Olimpo
Na forma graciosa de versos
Que serão lidos
Encantando corações apaixonados
Despertando suspiros
Enquanto nos amaremos
No seio do universo -
Profundo recôndito íntimo
De cada poesia
Que a ti dedico
Rob Azevedo
Extasis
~ EXTASIS ~
VEO TU CUERPO
ACOSTADO SOBRE EL TAPETE
ENTRE ALMOHADAS
LINDA Y DESNUDA
COMO LA LUZ
QUE BRILLA ALLA AFUERA
DE LA LUNA
LLENA Y DE PLATA
VEO TU RELIEVE
MONTAÑAS REDONDAS
CURVAS SINUOSAS
INSINUANTES
BOSQUES HERMOSOS
EN SILENCIO
DEL ALTO DE UN PALCO
ADMIRO ESE DESLUMBRE
NATURAL QUE ME ESPERA
OFEGANTE, INSACIABLE
POZO DE LIBIDO
TOQUE DE MIDAS
QUE LA NOCHE
TRANSFORMARÁ EN DIA
ASI QUE MI CUERPO
JUNTO AL TUYO
MOJADO COMO ROSAS POR LA LLOVIZNA
DE TANTO HABER AMADO
LLEGAR EN UN LARGO SUSPIRO
AL EXTASIS
HABRÁ ENTONCES NACIDO EL SOL
ASI COMO UNA FLOR
EN LOS JARDINS
DE MI CORAZÓN
AMANECIENDO
HASTA LLEGAR EL DIA PLENO
PODRÉ EN FIN
DECIR EN VERDAD
TE AMO!
Rob Azevedo
Nau Desilusão
Nau Desilusão
Desenganado do mundo
Ouvindo uma bossa-nova
Daquelas que afogam a gente
Na mais profunda fossa
Num dia amargo
De céu cinza
Levanto a âncora
Da Nau Desilusão
Içando velas parto
Sem olhar pra trás
Nos acordes dum violão
Onde haverei de aportar
Ou se hei de naufragar
Cruzando mares
Não me importa
Se em nosso jardim
Murcharam as flores
E as luzes do palco
Amor-Perfeito
Se apagaram
As cortinas se fecharam
Minha trupe mambembe
De saltimbancos arlequins
E bobos da corte
Se despede
Num triste adeus
Zarpando na Nau
Desilusão
Rob Azevedo
Anel Di-amante
Anel Di-amante
-> Trilha sonora
Fui teu lacaio
Mais um caso
Entre flores
Na tua agenda
Foste pra mim
Mais uma mucama
A deitar-se em minha cama
E juramos as juras
De Romeu e Julieta
Profanando o sagrado
Com tamanha doçura
Que oculta no buquê de rosas
Não se via
A lâmina da adaga
Que nas costas
De ambos se cravava
Teu sorriso me feria
O meu te atraiçoava
A Arte nos protegia
Da completa ruína
Assim um romance vivemos
Fingindo acreditar
Em histórias da carochinha
Brindávamos em cálices de vinho
Vinagre
Dos favos de mel
Sorvíamos fel
Mas as lendas
Contos de fadas e fábulas
Que no ouvido um do outro contávamos
Marcaram mais forte
Nossos corações
Nos protegendo da verdade
O mal que definha
Tornou-se ar que respiramos
Água que bebemos e alimento
Necessário padecimento
Veneno fez-se remédio
Remédio, veneno
Contentamento, tormento
Nós dois viciados
No que lentamente nos mata:
Amor com o inimigo
Nosso lema e escudo
Palavras
Do meu filósofo-ídolo:
“Temos a Arte para que a verdade não nos destrua.”
Assim
Nossos Anéis Di-amantes
Não foram partidos
Ainda somos
Os mesmos
Catadores de pérolas
No lixo
Rob Azevedo
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Poesia de Deus
Poesia de Deus
-> Trilha sonora
Sou seu poeta
Homem-menino
Ursinho azul
De pelúcia
Fofinho
Sou a escultura de Apolo
Esperando minha deusa
Vênus
Sou a esperança
No lúmen dos meus olhos
O verde das matas
Sou tudo
O que tu queres
Seu desejo secreto
Mais devasso
Sem pecado
Sacralizado
E delicioso
Sou o leito onde dormes
O edredom que te envolve
Seu travesseiro
Espelho
Escova
Batom
Bolsa
Que levas contigo
Sou seus suspiros
De Amor e Paixão
Seu coração
Descompassado
Seus cremes, perfumes
Sabonetes, shampoos
Estojo de maquiagem
Anéis
Colares e brincos
Sou a lâmina
Que depila cuidadosa
Seu cálice de rosa
E a lingerie
Que te veste
E que se despe
Nos meus dentes
Sou
Seu tesão
Seus pêlos eriçados
Seu uivar de gata
Em pleno cio no telhado
Sou
Seus dedos
Adentrando em seu íntimo
Em perfeito ritmo
Prazer sentindo
Sou
Aquele que vedes
Em sonhos
Quando dormes
Sou suas lágrimas
De saudades
Seu riso
De contentamento soberbo
Sou
Seu doce de coco
Caramelado
E quindim
Pavê de pêssego
Torta de morango
Floresta Negra
Trufas
De todos os sabores
Sou
Seu sorvete de ameixa
E favos de mel
Escorrendo
Em sua boca
Sou
Seu arrepio
Estremecendo inteiro o corpo
Seu revirar de olhos
Ligeiro desmaio
E gemido
Subindo pelas paredes
Sou tudo o que tu queres
O anseio mais delirante
Da sua libido
Sonho de consumo
Sou felino
Sou seu orgasmo
Cristalino
Tão belo
Glorioso
Profundo
Quanto estrelas
Cintilando
No infinito
Sou
O mais almejado
Dos seus sonhos
Femininos
Rob Azevedo
Inconfessável Segredo - Hurting you softly –
Inconfessável Segredo
- Hurting you softly –
-> Trilha sonora
Versos se derramam
Nas brancas folhas
Palco do Poeta
Entoando cantos d`amor
Sob luz de holofote
Algum acorde
Do piano se levanta
A platéia se cala
O peito sangra
D`alma liberta
O coração transborda
O que por dentro chora
Desprendem-se pétalas
Alguém se corta
Com espinhos de rosa
O murmúrio do canto
Ecoando profundo
Ateia a chama
N`alma aflita
D`alguma dama
Contendo o pranto
Enquanto um jovem
Em versos canta
A vida
Da mulher que o ama
Esquivam-se olhares
Mãos tremulas procuram
O companhia do lenço
Que os ampare
O íntimo
A todos se desvenda
Sem rodeios
A gregos
E troianos
Cada verso
Um segredo
Com poder de lâmina
Rasgando a carne
Derramando lágrima
A fantasia
De toda não se despe
D`algum modo reveste
O romance que protege -
Na platéia
Entre drinks
Nuvens de nicotina
E querelas tantas
Ninguém sabe
Qual a dama
Que chora
Porque ama
O amor inaudito
Suavemente desfila
Na voz que canta
Ferindo
Acompanhando o ritmo
Da bateria
Guitarra
Baixo
E retinir do piano
Um jovem
Com o coração da mulher que ama
Entalado na garganta
A todos conta
Na canção que canta
O amor que o toma
Suavemente fere
Com requinte
De vingança
Aquela que tem
Cúmplice
Entre os dedos
Que dispersam aos quatro ventos
Versos de Paixão
Amor
Desejo
Onde cada sentimento
É purpúreo
Sagrado
Inconfessável
Segredo
Rob Azevedo
sábado, 25 de agosto de 2007
Ritual Sagrado - O Banho De Duas Estrelas Ascendentes –
Ritual Sagrado
- O Banho
De Duas Estrelas Ascendentes –
-> Trilha sonora
Tênue claridade
Azul Topázio
Violeta
Espelhos
Vitrais
Frio mármore
Samambaias
Orquídeas
Jardins suspensos
Cascatas
Incensos
Azulejos
Florais
Antiguidade clássica
Grego-romana
Mantos que caem
No mármore
Despindo
Dois corpos
Apolo e Vênus
Deus e deusa
Nus, refletidos
Em espelhos e águas
Ondulantes, cálidas
Tão logo imersos
Sob vapores e aromas
Celestes perfumes
Brancas espumas
Mãos macias
Deslizam na pele despida
Arrepiam-se poros
Percorrem dedos
Por todo corpo
Derramam, espalham
Cremes e óleos
Desvendam santuários
Massageiam, param...
Frescor, fragrância
Suavidade das manhãs
Na reentrância do poço
Bebem o orvalho
Dedos delicados
Derretem aço
Em torvelinhos desejos
Fervilham no corpo
Eriçam pêlos
Mãos suaves delicadas massageiam e param...
Se perdem no plexo
Depilando cuidadosas
O bosque ermo
Vibrante o anelo
Regressa ao útero
Meu corpo, minhas mãos
Em seu corpo
Meu corpo, minhas mãos
Em seu sexo
Em rimas e versos
Fora e dentro
Suas mãos, em meu corpo
Seu corpo entreaberto
Em busca do nexo
Meu corpo sobre
Seu corpo sob
Em frente e verso
Arrepios e suspiros
No desaguar do rio
Em mar profundo
Meu eu
Ao eu feminino se funde
Em parte de mim
No íntimo amado
Tornando-se gotas
No oceano
Na doação completa
A paz inunda
Duas almas
Transformadas em uma
Corpos descansam
Um no colo d`outro
Mãos deslizam
Em desfeitas tranças
Bocas murmuram
Canções de Amor
Lábios se encaixam
Línguas de entrelaçam
Cabeças giram
A língua não pensa
Pressente:
A vastidão do corpo é imensa
A libido que açoita tão grande
A vontade que tenho infinda
A distância que separa pequena...
A dois palmos
Da eternidade...
Perdemos o senso
Que o prazer censura...
Lábios e línguas
Se permitem
Ir além
Do que é finito
No desejo que tortura
Em Noites com Sol brilha
Liberto e anelante grita:
Tudo é permitido!
Imerso no infinito
O Sol na noite cintila
Vaga pelas luas
Cheias
Dos seios de quem se ama
Se põe entre montanhas
Minha boca, minha língua
Em seu corpo
Minha boca, minha língua
Em seu sexo
Sorvendo nas entranhas
Rimas e versos
Fora e dentro
Prazer perplexo
Língua que se perde em andanças
Na vastidão do corpo sorve o gozo
De quem se consente ao direito
À bem–aventurança
No Amor Perfeito
No Eterno Retorno
O regressus ad uterum
Santuário Sagrado Soberbo
Aconchego do lar
Origem de tudo
Onde em suspiros de saciado instinto
Paixão e devaneio
Em ritmo ondulante no íntimo consentido
Aprendo o segredo
Do Sol que refulge no escuro
Arrebatando-nos feito estrelas ascendentes
À imensidão
Da Via Láctea
Rob Azevedo & Karla Julia
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terça-feira, 21 de agosto de 2007
Pai e Mãe - Éolo e Rosa dos Ventos
Pai e Mãe
- Éolo
E Rosa dos Ventos –
-> Trilha sonora
Não sou teu
Não sou de ninguém
Sou do vento
Só ele me tem
Sopra o vento
Se curvam arvoredos
Diante Éolo
Uivante desprende
Ressequidas folhas
Batem janelas e portas
Em seus umbrais
Impele nuvens
E velas
De caravelas
Roda moinhos
Muda o tempo
Levanta poeira
Arranca telhas
Leva consigo
Cartas de amores
Pétalas de flores
Alastra chamas
Enfurece ondas
Ninguém o tem
A ninguém rende contas
Não tem dono nem dona
Sopra o vento
Sons de flauta
O vento en(canta)
Alazões exalta
Crinas balouçam
Nos verdes prados
À trotes largos
Planam aves
Estendendo asas
Olhos de águia
Espreitam presas
Ao sabor dos ventos
Viajam balões
Debicam pipas
Sorriem crianças
Choram damas
Uivante canta
A leveza de ser livre
Sem dono ou dona
Liberto canto
À Rosa dos Ventos
Mãe soberba
Cálice e berço
Impávido conto
Nas contas do terço
Lendas de Éolo
O Pai que escolho
Sou livre
Não tenho porto
Ou ninho
No topo das árvores
Nem cume dos montes
Nasci do Amor
Entre a Rosa dos Ventos
E o deus Éolo
Aos filhos de Gaia
Presos ao chão
Miro o horizonte
O azul celeste
Abro o peito
Solto a voz
Toco harpa
E canto:
Não sou teu
Não sou de ninguém
Sou do vento
Só ele me tem
Aprendi
Com o Pai Éolo
E a Mãe Rosa dos Ventos
A sabedoria
Do sopro que tudo leva
Sobretudo o encanto
Da liberdade
Na magia
De ser pássaro-poeta
E voar
Com asas
De poesia
Rob Azevedo
Meca da Poesia
Meca da Poesia
-> Trilha sonora
Vida longa aos poetas
Peregrinos fiéis de Meca...
Que nosso canto seja jubiloso às almas
Transbordando (en)canto...
Num enlevo místico do espírito
A nós se unirão os deuses do Olimpo
E os bardos gregos antigos
Argonautas excelsos
Aqui aportando
Saudaremos com ramos de louros
Num pomposo sarau à luz da lua
Daremos também boas vindas
A Baco e suas bacantes profanas
Nos embriagando de versos
No vinho extraído
De cachos de poesia
Homero, Aristófanes, Horácio
Cratino, Sólon
Epicarmo, Ésquilo
Alcmeno, Sófron
Ríton, Aristoxeno
Hipónax, Êupolis
Alceu, Safo
Píndaro, Arquíloco
Estesícoro, Anacreonte
Íbico
Deuses poetas
Nós te saudamos
Desde a Grécia, à Babilônia e Meca
E bem vindas
Todas as musas
De céus, águas, píncaros
Bosques ermos e vilas
Rob Azevedo
domingo, 19 de agosto de 2007
Não-Me-Quer
Não-Me-Quer
-> Trilha sonora
No mundo tanta gente
Em meu peito
Um Amor somente
Risos e olhares
Na noite
Promessas e encantos
De mil flores
Aquela que me causa dores
Desejo perdido de amores
D`outras
O vinho não entorpece
A rosa não floresce
Nada apetece
Ao coração
Trancado a sete chaves
Da paixão
Corpo e alma
Jurados
A quem o sagrado
Juramento nega
Dor causando
Desatando o laço
A todas amarei
Sem que ame
Aquela que amo
De que me vale
Caminhar ao cadafalso
Se nele morre
O Amor que devoto?
Contento o ego
O instinto calo
Insensível seco
A flor que quero:
Amor-Perfeito
Dói o peito
Derramo pranto
Transborda o cântaro
E rego
Jardins aonde nascem
Versos
Rezo...
Quiçá algum floresça
Entre os seios
Daquela
Que me nega
Enquanto
De amores mourro
Rob Azevedo
TI AMO! TI AMO! TI AMO! TI AMO! TI AMO!
Dialética da Paixão
Dialética da Paixão
-> Trilha sonora
Tanto que te amo
Que sinto nos ombros
O peso - dizer o que penso -
Ao seu respeito
Te amo de um jeito
Que ninguém entende
Amor de namorado-irmão
Pagão-errante
Tanto que te amo
Que quase enlouqueço
Sabendo que é bem pouco
O que te creio
Te amo de um modo
Que arrepio cada pêlo
Do alicerce ao telhado
Estremeço
Te amo tanto
Que sozinho bebo
Licor absinto
Com pedras
De desengano
Tanto que te amo
Que compreendo:
Nenhum eu te amo
É perfeito
Te amo tanto
Que à Noite Sem Lua clamo
Alívio ao meu desterro
Tanto que te amo
Que muito te conheço
Tão logo me enveneno
Do riso traiçoeiro
Te amo tanto
Que tenho dó
De ser tão só
Quando contigo estou
Tanto que te amo
Que tenho medo
De confessar de repente
Que te odeio
Te amando padeço
O fim que não mereço
Sofrer por dois
Início e fim sem meio
Bebendo palavras
Contraditas
Temendo feridas
Sou ébrio
Do cálice Amor Soberbo
É tanto que te amo
Que solene prometo:
Até que a derradeira estrela
No firmamento se apague
Escreverei poesia
Na esperança tardia
De que antes que a sombra
Derrame o cálice
Seu beijo me cale
Rob Azevedo
sábado, 18 de agosto de 2007
Lizlanne
Lizlanne
-> Trilha sonora
Se fosses à livraria
Se livraria de mim?
Dia após dia
Essa dúvida me persegue...
Seu jeito não é doce
É o fel da noite que amanhece
Quando se encontram nossos lábios
Sinto ácido no beijo
Esbravejo
Quando ouço
Sua filosofia
Antropofágica.
Ressabiado
Olho de lado
Adormeço acordado
Tenho medo
De morrer
Por minhas próprias mãos
Enforcado.
Desiludido
Com minhas ilusões
De Amor Perfeito
Ouvindo Bossa-Nova
Daquela bem
Deprimente.
Mas alguém me disse
Que o Amor Imperfeito constrói...
E da ostra ferida
Nascem pérolas...
Miro meu semblante
Ajeitando o cabelo no espelho
Com ar confuso
Surpreso e ofegante
Por tamanha desigualdade
Diante mim.
Sua imagem refletida
Na superfície vítrea
Num bote traiçoeiro de víbora
Procurando na bolsa não sei o quê
Surpreende meu ser.
O veneno me entorpece...
Padecendo
Vítima de animal peçonhento
O antídoto
Só encontro
Em sua boca...
Rob Azevedo
Save Our Souls
Save Our Souls
-> Trilha sonora
A torneira pinga
Lágrimas em gotas
Na tarde monótona
O que era colorido
Torna-se
Cinza
A pia transborda
Entorna
Retini o gotejar
Por horas e horas
Horas mortas
Cadaveris
Sem sepulcro sepultadas
Abandonadas
Ao relento
Horas sem prumo
Expostas
Diante ao Nada
Da vida amarga
Bússolas tortas
De barcos à deriva
Em mar bravio
Perdido o leme
Mar que transborda
Entorna da pia
Lágrimas de quem chora
Melancolia
Inunda ladrilhos
Afoga
Cães que ladram
Na tarde vazia
Toma o tombadilho
Tomba o navio
Que naufraga decaído
No sem sentido
Rob Azevedo
Poesia, Amor e Arte
Poesia, Amor e Arte
-> Trilha sonora
Meus poemas
Não me deram
Sequer um dollar furado
Às vezes me pergunto:
Escrever poesia dá dinheiro?
Ser poeta é profissão?
Que amargurado devaneio
Aflige meu coração...
De qualquer modo
Escrevo
Comendo o farelo
Do pão
Que o diabo amassou
Escrevo porque preciso
Dinheiro eu mendigo
Na porta da igreja
Vendo incenso
Numa tenda hippie
Minhas vestes
Que sejam retalhos
Costurados
Por minha mãe
Alimento
Pesco num rio
E nalgum pomar tenho
Frutos da estação
No quintal
Da minha casa
Herança do meu pai
Eu crio galinhas
E cultivo hortas
Dinheiro
Eu me viro
Não importa
Se não tenho status
De burguês empedernido
Estou vivo!
Mas sentimento
Do meu profundo íntimo
Não renego
Se não digo
Definho
Agonizo
E faleço
Morte invisível
Porque a alma
Ninguém vê
Nem sabe
Se adoece
Quando morre
Sequer tem enterro
Alma morre?
Ah, que se espantem
Os teóricos teólogos
Filósofos
Do além
Eu
Que não pagarei
Pra ver
Minh`alma morrer
De fome
Sem escrever em versos
O reverso
Do pão e água
Que carece meu corpo
Porque o alimento da minh`alma
É Poesia
Amor
E Arte
Rob Azevedo
Epílogo da Nossa História
Epílogo
Da Nossa História
- Aprendi o valor do silêncio
Quando decidi calar
Para não magoar alguém –
-> Trilha sonora
Deixe-me partir
Sem nada dizer
Palavras
Destruirão tudo
Que vivemos
Boas lembranças
Que permaneçam
Incólumes
Em algum lugar do passado
Minhas razões
Haverão de magoar
Quem um dia jurei amor
O tempo
Abranda o sofrer
Um dia
Se esquece a dor
Eu sofro
Por nós dois
Não quero te ferir
Como os espinhos
Que agora me ferem
Não me prenda mais
Deixe-me beber
Do cálice menos amargo
Seguir meu caminho
Dizer enfim good-bye
Nosso amor
Foi imperfeito demais
Sangra por dentro
Saber
Mera promessa de prazer
Sem futuro
Nem compromisso
Ainda assim te ferindo
O ferimento que teu amor me causou
Foi maior
Se agora me calo
E sigo meu caminho
É porque não quero
Te ver sofrendo comigo
Entenda o sentido
Do verdadeiro amor
Querer o bem de quem se ama
Incondicionalmente
Deixando-me partir
Porque ao teu lado
Não encontro abrigo
Rob Azevedo
Campos de Ouro
Campos de Ouro
-> Trilha sonora
Dourados fios
Graciosos, delicados
Em tons castanhos
Derramados da fronte
Cobrindo ombros
Adornando o riso
São como tranças
Dos lençóis de seda
Revestindo o leito
Onde embriagado me perco
Meu Anjo, Musa e Encanto
És a poesia
Mais linda que já li
Li com o corpo
Senti n`alma
E sorri
Voei sem asas
Brilhei feito estrela
Mergulhei como peixe
No mar de rosas
Inebriante abismo
Violeta, purpúreo
Do eu feminino
E amei
Como nunca antes
Amei ninguém
Flutuando caminhei
Em Campos de Ouro
Conversando com o vento
Indagando à Lua
O por quê de tanto Amor
Que dilacera, dói
É chama
Arder no peito
Inundando o mundo
De paixão em versos
Em silêncio me confesso
Como o Sol que aquece
Do alvorecer ao ocaso
Sem murmúrio algum
Devagar enlouqueço
Da solidão me despeço
Perdido de amores em afagos
Com a Dona Esperança
Jorro pranto
Transbordando no cântaro
Amor derramado
Desato o laço
Num só gole bebo
Sou bêbado
Apaixonado
Meu clamor canto
De mãos juntas rezo
Com o coração amargurado
Ao Pai peço:
Que meus versos
Como a brisa suave,
O copo d`água
No calor dando alento
Acalente o abrigo
Onde vive seu espírito
Em dom que transcende
A carne que somos
No mundo aparente
Tenha a força mística
Das lendas de Shakespeare
Festivais de Belthane
Confissões de Heloïse
Suspiros de um príncipe
Mirando erguido imponente
O Taj Mahal
Símbolo da grandeza
Do Amor que n`alma sente
De magia e paixão vestido
Que o fruto do que sinto
Como a lágrima de um filho
Toque o mais profundo
De seu íntimo
Rob Azevedo
Amor Pagão
Amor Pagão
-> Trilha sonora
Colher de pau
Caldeirão de bronze
Chapéu de bruxa
Tatoo de golfinho
No pé de Ártemis
Sacerdotisa
Branca a magia
Na trilha da Luz
Ao povo Druida
Na maçã a mordida
É sem pecado
Sorver o suco
Da poupa da fruta
O sorriso da deusa
Do alto nos brinda
A liberdade que celebra
Viver a vida
Desatada de nós
Nós dois a sós...
Do equinócio ao solstício
Semeando e colhendo
Festejando Imbolc
Beltane
No manto negro noturno
Contemplando
Ciclos lunares
Feitiço pagão
Ao canto do vento
Murmúrio das águas
Solidão paciente
Das pedras e montes
Vôo dos pássaros
Existir sem queixas
Dos animais silvestres
Raios do Sol
Luz da Lua
Cintilar das estrelas
Serenidade das nuvens
Rugir do trovão
Crepitar das fogueiras
No refúgio acolhedor
Dos sombrios bosques
Buscamos a sabedoria
Dos Carvalhos
Nossa Grande Mãe
Benevolente nos abençoa
Quando eriçamos pêlos
Deitados na relva
Ao Amor entregues
Nas copas das árvores
Sobejam maçãs
Em torno da ilha
Brumas
Somos de Avalon
Eu e ela...
Rob Azevedo
Veneza
Veneza
-> Trilha sonora
O que era sonho
De repente
Se vislumbra
Diante aos olhos
Singrando numa gôndola
Os canais de Veneza
Margeados por casarões milenares
Cruzando o vão das pontes
Ao canto e acordes
De serenata
...come respirare un'aria nuova
sempre di più
e tu e tu amore
vedrai che presto tornerai
dove adesso non ci sei...
Ao contemplarmos
A catedral de São Marcos
Flores que trago no regaço
Entrego à diva do outro lado
Suspirando os ares
Da Cidade dos Apaixonados
Violões não param
Os gondoleiros conspiram
Na melodia de serenatas
Corações descompassados
Disparam
Avistando
A Ponte do Rialto
Rosas desfeitas em pétalas
Feito crianças
A nos perdermos em risos
Jogamos ao alto
O vento leva
Pousam em nossos corpos
E flutuam nas águas
Metamorfoseadas
Em mar de rosas
Quantas românticas histórias
Nos contam Veneza
Vindas d`outras eras
Da potência comercial marítima
Dona de uma das maiores frotas
De toda Europa
Veneza do passado grandioso
Lar de Marco Polo
Contemplada pelas mãos de Michelangelo
Veneza dos sonhos
Da Ponte dos Suspiros
Desta vez, não daqueles
Dos apaixonados sem fôlego
Mas vindos de condenados
Levando consigo a derradeira visão
Do mundo externo
Atravessando do Palácio de Doges
À antiga prisão
Costumeiro palco
De execuções
Subindo o cadafalso
Veneza do presente
Sereníssima nas águas suspensa
Encantamento grandiloquente
Cenário deslumbrante
Veneza do amanhã
Da aurora que espera
Em mil cores
Cumprirmos a promessa
Veneza eterna
Quiçá, seus ares
Que sorvemos em suspiros de amores
Nos dêem a chave
Dos portões da eternidade
O que era sonho
Singrando numa gôndola
Os canais de Veneza
Torna-se
Realidade
E meus lábios
Cerrando os olhos
Pousam nos teus
Assim como
Uma branca gaivota
Na cruz altaneira
Da Catedral de São Marcos
E cantam os gondoleiros
Vibrando as cordas
De seus violões...
Só eles
Derramando de si
O canto dos poetas
Expressam
O que haverá
De inundar minh`alma
Cumprindo-se a promessa:
Sarà sarà l'aurora
per me sarà così
sarà sarà di più ancora
tutto il chiaro che farà
Sarà sarà l'aurora
per me sarà così
sarà sarà di più ancora
tutto il chiaro che farà
Rob Azevedo – Trechos da música La Aurora – Eros Ramazzotti – inclusos no poema.
Noz Moscada
Noz Moscada
-> Trilha sonora
Uma cuia de chimarrão
Na manhã fria
O Sol dissolvendo a neblina
Além, o gado
Ruminando no prado
Pincelado de branco
Da geada de agosto
Cachecol, sobretudo
Botas e luvas
O corpo aqueço
N`alma padeço
Os rigores do inverno
Mil gravetos
Empilhados
Fogueira faço
Toco gaita e bebo
Uma caneca de vinho
Fagulhas rubras
Ascendem aos céus
O pensamento voa
Pelos pampas
Com asas
De gaita
Onde estás
Ó Noz Moscada?
Te procurei num pé
De Araucária
No fruto espinhoso
Duma castanheira
Nos ramos do Cipreste
E no alto do Pinheiro
Teu eu se esconde
Entre cascas
Desafia as palavras
Que meço em desvario
Abrindo aspas
Tua alma se envolve
Por véus
Que descem em cachoeiras
Das Sapucaias
Ó Céus
Metamorfoseado em torniquete
Tornai minha pena
Trituradora da casca
Que te reveste
Ó Noz Moscada!
Tua alma à minha exposta
Será quente
Como a chama da fogueira crepitante
Teu coração, pulsante
Como o alazão que se perde de vista
À trote largo no prado
O desejo, inebriante
Como a vinha dos pampas
Em barril de carvalho envelhecida
Fermentada e servida
Em noite enluarada
O Amor, transcendente
No cerne a suavidade
Da neblina matutina
A vida, alquimia
Etérea magia
A Noz sozinha
À boca unida
Seremos nós
Saciados da fome que esfria
Além do tremor que o inverno nos causa
O invólucro partindo
O fruto se revela
Por entre a casca aberta
Sem pudor se entrega
A quem saliva
Minha mente delira
Vejo os pampas
Cobertos de branco
Pelo orvalho congelado
Tua imagem, a quimera
Mais cobiçada
Esmerada
Em atender o chamado
Da gaita que chora
Devagar se aproxima
Desvanecendo a neblina
Diz bom dia
Abrindo um sorriso
A casca foi partida
A porta aberta
Etéreos em versos
De mãos enlaçadas
Se vão duas almas despidas
Partindo
De encontro à Poesia
Rob Azevedo
O Sonho e o Pesadelo
O Sonho e o Pesadelo
-> Trilha sonora
Vivi dos meus sonhos
E deram alento
Àqueles que à sombra
Deles repousaram
Vivi dos meus sonhos
E muitos deles viveram
Pintei o cinza
Em tons coloridos
Sutis
Sonhei demais
Sonharam comigo
Quando chovia
O dia era límpido
O pranto
Riso
A noite
Era clara
O Sol refulgia
No deserto se via
Campos floridos
Sonhando vivi
Acordado-adormecido
Morto-vivo
Amei demais
Meus sonhos
O Amaram demais
Apaixonamo-nos
Pelo que sonhei
Imaginei que as quimeras
Vislumbradas em sonhos
De dadivosas senhoras
E porvir virtuoso
Fossem aquelas
Nuvens levianas
Ao sabor do vento
E vice-versa
Em cada um dos meus versos
As brancas nuvens
Desvanecidas
Flutuando fugazes
Por todo céu
Imaginaram de mim
Sopro do vento
Os sonhos dourados
Que sonhei
Posto à mesa
Um sonho
No estômago
Manjar de abutre
Quando a digestão não é boa
À noite
Temos pesadelos
E acordamos
Um dia acordei
No meio de um sonho
Tão colorido
Parecia um caleidoscópio
Jardim primaveril
Transformado de súbito
Em calafrios de pânico
Desperto
Num salto da cama
Pisei na realidade
Com os pés no chão
Mirei ao redor
Tudo era opaco
Ao meu lado alguém
Era apenas alguém
Eu idem
Agora que havia acordado
Mirei meu semblante no espelho
Atônito
Olhos esbugalhados
Diante o reflexo perplexo
Embriagado de espanto
Dei-me conta:
Eu era o sonho
Fragmento da ponta
Do iceberg que desconheço
Quem dormia ao meu lado...O pesadelo!
Rob Azevedo
De Novo Um Menino
De Novo Um Menino
-> Trilha sonora
Tarde ensolarada
De inverno
O céu é azul
As pessoas seguem pelas calçadas
Ocupadas, com seus afazeres
Eu sigo sozinho
Procuro seu rosto
Em cada semblante que vejo
Me encontro e me perco
Saudades sinto
Imerso no vazio
Contemplo o céu
Tão azul
Meu horizonte tão cinza
Sem sua companhia
Uma mesa de bar
Um drink, um cigarro
São companheiros
Da melancolia
Se o dia é quente
Minha vida é fria
Um sorriso
Num papel de foto
Olhar de rubi
Rosto de anjo travesso
A lembrança do perfume
Dos seus cabelos
Dourados, castanhos
Derramados sobre os ombros
É tudo que tenho
Outrora
O cinza era azul
O frio, quente
Você meu Sol
Minha menina
O acaso da vida
Leva o que amamos
Como folhas secas pelo vento
Agora diante a mim
Ao sem sentido
Perdido me reconheço:
Sou apenas um menino
Contendo o choro
A dor que me fere
Rasgando a entranha
É saber:
O melhor de mim te devotei
Sem merecer na partida
Sequer sua mão
Estendida sobre meu ombro
Uma palavra de afeto
Um adeus sincero
Além imaginei em devaneios
Que merecia
Algumas palavras
De vez em quando
Tão fáceis:
- Oi, como tem passado?
Continuo crendo
Que mereço
Por tudo que vivemos
Só queria que soubesse
Em meus últimos versos:
Ainda é tempo
Me faça ao menos
Saber que existo
Que existi
Algum dia
Em sua vida
Viramos a página
No entanto não precisa
Rasgá-la, jogá-la fora
Na cesta de lixo
Por mais que me doa
Haver me doado
Tão intensamente
E me ver nessa tarde
De mãos vazias
Você sempre existirá
Nalgum lugar
Muito especial da minh`alma
Guardada com todo carinho
A sete chaves
Te amarei como lembrança
Que o mesmo vento que te leva
A todo instante me traz
Senão como seu homem
Te amarei como irmão
Senão com meus lábios
Nos seus
Te amarei com meu respeito
E constante atenção
Vigilante, me preocuparei contigo
Perguntarei sempre
Se está tudo bem
Sobretudo
Serei seu amparo
Para que tudo eternamente
Em seu viver esteja bem
Ainda que agora
Eu quem precise socorro
Serei sempre seu salva-vida
Farol em mar bravio
Cais do porto
Serei tudo que digo
Se ao menos
Lembrares que existo
Um eco me aflige
Congela meu espírito:
Por tudo que vivemos
Pensei que merecia
Um oi, tudo bem?
Tão pouco o que peço
Agora entendo
Eu homem-menino
Ofertando ajuda
À mulher-menina que tive
Sou eu quem clamo
Do íntimo d`alma socorro
Nessa tarde e vida vazia
Desamparado, perdido
Agora compreendo
Que te amei demais
Bem mais do que devia
Bem mais do que merecias
E é triste
Nem ter ouvido na partida
Em voz sentida
Entrecortada por soluços de pranto:
- Adeus, nosso Amor se finda
Mas continuas existindo em minha vida
Como um grande amigo
Rob Azevedo
Louco Me Chamam
Louco Me Chamam
-> Trilha sonora
Ontem você disse
Que me amava
Hoje você diz:
Adeus
Ontem eu sorria
Agora eu choro
A vida hoje suporto
Ontem vivia
Embora não via
O valor que agora vejo
Em você enquanto
Em lágrimas me afogo
Te perdi, eu sei
Mas não te perdi em vão
Te perdi para que tivesse
O valor que agora te dou
Não te tendo
Ao meu lado
Cada detalhe teu
Hoje me é tão caro
Nenhum ouro
Do mundo compra
Teu sorriso
Não tem preço
Cada palavra tua
Um oi, um tchau
Teus cabelos balouçando
Sobre os ombros
Um olhar
Vindo dos teus olhos
Lúmen dos meus
Em devaneios
Me arrepia pêlos
Teu toque de pele
Me estremece inteiro
Ouvir teu coração batendo
Junto ao meu
Cântico dos anjos
Teu beijo... Ah!
( - Vácuo sem fim
Em meus versos
Palavras não encontro - )
O que sinto
Nem digo
Sangro
Mancho o papel
Onde escrevo
De vermelho
Paixão
A outros
Causo espanto
Porque amo tanto
Que o Amor que canto
Se desnuda aos olhos de todos
Causando pudor
Em vê-lo nu
Na essência concebida
Pelo Criador
Só um Amor assim
O universo fez existir
Só Ele pode medir
A extensão do que não se mede
O infinito
Louco, me chamam aqueles
Que me vêem pelas ruas
Declamando versos
Ao vento
Louco, me chamam aqueles
Cegos
Que não vêem
Enquanto vejo
Estou desperto
Louco, me chamam aqueles
Que não aprenderam
Colher no negro manto noturno
A Lua
Para iluminar
O leito
Onde nos amamos
Louco me chamam
Eu que tanto aprendi amando
Aprendi os segredos do céu
Desaprendendo
A dizer adeus
Louco portanto me chamam
Porque em troca
Do que me tornou encanto
Desaprendi
A lhe dizer adeus
Ou escrever a ti
Amor Sem Fim
Meu último canto
Rob Azevedo
segunda-feira, 9 de julho de 2007
San Pedro de La Sierra
San Pedro de La Sierra
...........I
No meio do mato
Uma casa
De sapé
Telhas de barro
Cor de terra molhada
Chaminé de zinco
Umbrais das janelas e portas
Azul marinho desbotado
Brancas paredes
Alta do chão
Erguida por vigas de madeira
Fugindo da umidade
Por debaixo
Armazém de lenhas
Pro fogão dos eremitas
E ninho dos gatos malhados
Janis Joplin, Mel e Che
Ao lado a horta
De verduras tantas
Frutos intocados da terra
E água dos regatos e chuva
Regatos que formam pântanos
E lago defronte
Jardins cristalinos de flores de lótus
Águas que murmuram
No correr das cachoeiras
Incessante o canto não pára
Da água entrechocando nas pedras
Cobertas de musgos, entre samambaias
O verde inunda os olhos
Em folhagens, galhos e troncos
Torna-se o mundo
Abrigo dos pássaros
E todos seres da floresta
.........II
O contorno das colinas ao longe
Sob o manto das névoas
Estradas sinuosas
A se perderem detrás do montes
Vilarejos pacatos ao léu
Um coreto, uma igrejinha
Uma ruazinha central
Meia dúzia de mercearias
Um cavalo passa
Outro além
Puxando carroça
Chapéu de palha
Fumo de rolo
Camisa quadriculada
Cachaça da venda
Do Seu José
Na noite de sábado
Diz o cartaz:
Cabeça de Égua
No Forró Estrela
Sanfona
Triângulo
Bumbo
Cuíca
Chocalho
Cavaquinho
Saia vermelha e amarela
De babado rendado
Girando no salão
No burburinho de gente
Que se esbarra, se acotovela
Aos passos da dança
Um beijo roubado na alta noite
Quando os gatos são pardos
E namoram no telhado
Juras de Amor, promessas
Paixão que se alvoroça, incendeia
Requebrando nos quadris da menina
Roçando as pernas do caipira
Guiando a dama com mãos envoltas na cintura
Beijo roubado
Vira doado
Devora lábios
Línguas e pernas se entrelaçam
E roçam
Rastro vermelho de batom
Por todo rosto e pescoço
Do cavaleiro que conduz a dama
Mãos na cintura
Mente que imagina
A moldura em que se pega
No vai e vêm do Amor
Mãos intrometidas
Deslizam por quadris que requebram
Beliscam, apertam
Vulcões despertam
A cabeça gira
O olhar se finca
Nos seios da menina
Que saltam pelos decotes
Duas colinas roliças
Saltitantes gelatinas pontiagudas
Nos picos róseas
Vez ou outra se mostram
No bailado da dança
Aguando a boca
Luzes violetas piscam
Vermelhas, laranjas, verdes, azuis, amarelas
O homem se enfeitiça
A mulher atiça
De mãos enlaçadas
Cruzando a porta
Do Forró Estrela
Se vão embora
À luz de pirilampos
E Lua cheia
Colhendo cadentes estrelas
Trilhando estradas sinuosas
De terra batida
Subindo a colina
Sob os olhos da Camélia Prateada
Confidente testemunha
Dos corações enamorados
Dez passos um beijo
Dez beijos uma jura
De Amor e Desejo
Cem beijos uma cura
De um mal qualquer
Mil beijos uma flor
Em pétalas se abre
Bem-Me-Quer
Na tosca madeira da porta
Da casinha de sapé
No alto da colina
Se abrindo floresce
Nas tranças da rede
Em que adormece
Extenuado de prazer
Um homem embalado
Num colo de mulher
Rob Azevedo
Don Juan
♥ Don Juan ♥
Sou o lendário Don Juan...
Nunca me aproveito das mulheres
Dou a elas prazer
Se assim desejam
-> Trilha sonora
Os dons de Don Juan
Levo no sangue
Sou doutorado no Amor
Aquele que é eterno
Na duração dum segundo
Num toque de pele
Cada pêlo se arrepia
A chama arde
Cruzando meus olhos verdes
Penetro o íntimo d`alma
Da mulher que se rende
Ao Amor ardente
Perde a cor e treme
Meu nome é Don Juan
Oferto uma rosa
Presa nos lábios
Sob a capa, meu corpo
Perdição das deusas
À luz de velas
Serenata “caliente”
Choram violões
E roubo num lance
Mil corações
Em voz rouca
Sussurrante
Declarações
Jamais ouvidas
Invadindo o âmago
Da mulher que deseja
O instinto que clama
Devassidão no leito
Ao lado de quem
Entregar-se é honra
E o Amor perfeito
Rob Azevedo
Casablanca
Casablanca
-> Trilha sonora
O Amor diz adeus
Para quem espera
Na estação de trem
Sob a chuva
Nas palavras
Escritas num bilhete
Ninguém entende
A razão
Porque transcende
Toda explicação
Confunde
Quando deveria
Clarear
Se despedindo
Na última linha
Com jura eterna
Entre dois amantes
Apaixonados:
I`ll always love you
Por que todo romance
Que vence a noite dos tempos
Tornando-se monumento
Do Amor
É triste?
De trovador
Hei de ser
Sofredor
Eu que tanto amo?
Quisera Deus
Não houvesse
Inventado o sofrimento
Para quem sente
Amor tão grande
Partirei sozinho
Para Casablanca
Onde sorverei
Minha tristeza
Nos acordes
Dum piano
Sangrando
Dia e noite
Nas mãos de mestre
Do velho Sam:
As Time Goes By
Em tempos de cólera
Que disparam canhões
Enfrento a maior batalha
Dentro de mim
Lembrança duns olhos
Que não me saem do pensamento
Fino semblante
Sutil, delicado
Madeixas de seda perfumada
Duma boca tão terna e doce
Que meus lábios
Jamais esquecerão
Lembranças
E os acordes
Do piano
Em Casablanca
Sussurram
Nos ouvidos de minh`alma
Que as pessoas dizem adeus
O Amor não
Insiste em crescer a cada dia
No coração de quem ama
Amargurado pela saudade
Enquanto o tempo passa
Rob Azevedo
sábado, 7 de julho de 2007
Madrigal dos Aflitos - Romeu & Julieta -
...♡ ♥ ♡ ♥ Madrigal dos Aflitos ♥ ♡ ♥ ♡
♥-♥-♥-♥-♥- Romeu & Julieta -♥-♥-♥-♥-♥
Estórias tristes
De Amor
São maiores
Shakespeare
Tinha razão
Romeu e Julieta
Não podiam viver
E serem felizes para sempre
O Destino perverso
Havia de pregar-lhes
Grande peça
E morrerem afligidos
Nas próprias mãos
Do Amor
Tão curtamente
Vivido
Assim eternizados
Transcendem os séculos
Que se sucedem
Não em túmulos padecidos
De mármore frio
Mas nos corações
De amantes enternecidos
E a lua quando vai alta
No madrigal derradeiro
Dum suicida em prantos convertido
Vertendo amores não vividos
Uma canção ecoa mais forte
Dando alento e esperança
Na alma dos aflitos
Sons de órgãos
Cânticos de anjos
E as lágrimas do piano
Celebram Romeu
Exaltam Julieta
E o Amor de ambos
Atravessa a noite dos tempos
Sepultados
Nos corações apaixonados
Rob Azevedo
Um Anjo do Céu
Um Anjo do Céu
-> Trilha sonora
De repente
Gostei de você
Meu coração bateu mais forte
O astral subiu ao alto do monte
A felicidade inundou minha vida
De repente
Me peguei pensando em nós
Deitado na solidão do quarto
Mirando o teto
Enxergando teu rosto
De repente
Suspirei sozinho
Olhei pro lado
Te procurei na varanda
No corredor
Dentro do armário
Confundi você
Com desconhecidas
Trafegando pelas ruas
O telefone tocou
Meu coração disparou
Era o pessoal
Do Telemarketing
Ouvi uma voz
Doce
Sussurrando coisas
No quintal
Adivinha quem lembrei?
De repente eu acordei
Pra vida flutuando
Num mar de rosas
Meditando perguntei
A um solitário num bosque
Mirando um par de cisnes
Enamorados desfilando
No espelho das águas
Dum lago resplandecente:
- O que se passa em meu peito?
Tenho andado diferente
Cismando pelos cantos
Sentindo falta de alguém
Que não me sai do pensamento...
- Meu jovem
Olhai o par de cisnes
Graciosos nas águas
Do lago defronte
São enamorados
Se os bichanos inocentes
Necessitam companhia
Que se dirá de nós
Seres humanos
Nesse mundo tão carente?
Companheiro, te digo
Seu coração foi roubado
Já não te pertence...
- Não me deixe aflito
Amigo desconhecido
Desvanece as brumas
De tanto mistério
Sou vítima de feitiço?
- És vítima do encanto
Comum àqueles que amam
Alvejados pelas setas
De Amor envenenadas
Do Anjo Cupido
- Como é isso
Estou amando?
- Amando de paixão
Jovem companheiro
- Mas veja o casal de cisnes
Enamorados
Desfilando no lago
São dois
E eu estou sozinho
Como posso amar assim?
Acaso sou Narciso
Que ama a própria imagem
No espelho refletida?
- Meu jovem
Faça por onde
Dela se aproxime
Devote carinho
Declare o que sente
E peça a Deus em prece
Quando adormece
Que te faça merecedor
Atento e zeloso
A todo instante
Que o Amor vos brindará
Gratuitamente
Porque o Amor
Quando transborda num coração
Inunda outro coração
No mesmo Amor
Tornando-se ambos
Um oceano
De puro Amor
Tudo se resume
Em doar Amor
Fazer por onde
E esperar
Desperto
Que a semente germinará
Em seus jardins
Fincando raízes
Crescendo
Florescendo
Desabrochando Amor
- Ó companheiro
Que tão sabiamente fala
Amores são como flores
É preciso se cuidar
Ser bom jardineiro
Para que floresçam
Em belos ramalhetes
E o jovem a suspirar
Assentado à beira do lago
Inebriado de encantos
Levantou-se
Despediu-se
E seguiu caminho
Rumo ao pôr do sol
Assoviando pelas veredas dos bosques
Dialogava com tulipas
Jasmins e avencas
E arvoredos floridos
Em doces colóquios
De idílios amorosos
E de repente
Entristecido
Sentiu saudades
De alguém
Que feito semente
Germinava
No profundo íntimo
De seu coração
Fincando raízes:
Uma menina mulher
Mais deslumbrante
Que todas as flores
Um Anjo
Um Anjo do Céu
Por quem morria de amores
Rob Azevedo
Colhe Rosas
Colhe Rosas
-> Trilha sonora
Colhe rosas
Em meus lábios
Que nascerão mais rosas
Tantas quanto
São as estrelas do céu
Colhe rosas
Em meus lábios
Que colherei minha rosa
Em teus lábios
Rosas
Com meus lábios
Corpo e Alma
A mesma Alma
Que te fala
Em meus versos
Derramando Paixão
O toque do beija-flor
A rosa desabrocha
Nascendo mais rosas
Regadas no cio do Amor
Colhe rosas
Em meus lábios
Que estrelas contaremos
Cada qual que reluz
Nos canteiros do firmamento
Colhe rosas
Em meus lábios
Que minha rosa
Colherei
Em teus lábios
Rosas
Rosas semeando
Nos jardins
De meu coração
Rob Azevedo
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Transbordando Êxtase no Santo Graal
Transbordando Êxtase No Santo Graal
-> Trilha sonora
Minhas mãos envolvendo aquela cintura
Macia, fina, delicada
Trazendo para junto de mim
Em ímpetos de volúpia desmedida
Minha Princesa Amada.
Nossos corpos se encaixando
Na perfeição de anatomias
Feitas uma para outra
Roçando nuas
Comprimindo-se
No movimento do vai e vem
Feito ondas do mar
Explodindo na praia
Indo e voltando...
O calor do corpo
Pele na pele
O mais íntimo de nós
Em profundo contato.
Nas leis da física
A fricção
Entre o rígido e o macio
O profundo e o extenso
Em doação total
Nos ensandecendo
Na umidade quente
Desprendendo energia
Percorrendo dos pés à cabeça
Arrepios e tremores.
Concentrado no centro de nós
O Olho do Furação Kundaliní
Em dois Chakras Muladhara
Que originam a vida
Se amando com paixão:
O Chakra da mais pura essência feminina
Com aquele
Da masculinidade que se encaixa
Na forma exata que o completa.
A Perfeição de Deus
Que assim nos fez
Encontra-se infinitamente além
Em Seu Trono
Aos dogmas humanos.
A nós amantes
O beneplácito desse êxtase
Que avidamente buscamos
Não é privilégio único
Dos deuses celestes.
Gozamos
Cada momento
Em toda sua extensão ilimitada
Abençoados
Pelo Pai Altíssimo
Porque nos escolhemos
E nos amamos em verdade
Somos cúmplices
No desejo que devotamos
Um pelo outro
No mais profundo
De nossas almas.
Rendemo-nos
Santificados
No Amor que fazemos
Infinito e soberbo
Venerável
Mais-que-perfeito
Sacralizado em cada ato
De nossos corpos desnudos
Se entregando rendidos
Ao prazer irrestrito
De quem lhe ama e é amado
Comungando
O lúmen de nossos espíritos
No Amor ao Amor consagrado
Que deliciosamente fazemos
Abençoados por Deus.
Segurando-a pela cintura macia
Minhas mãos trazem-na para junto de mim
Num movimento de vai e vem
Em ímpetos de volúpia
Penetrando-a pelas ancas
Libertando suspiros
Deleitando nossas almas.
Na duração infinita do ato
Minhas mãos percorrem seu corpo
Acariciando, apertando, arranhando
E tudo se perdoa
Na redenção que há de vir
No cataclismo de nossos orgasmos
Arrebatando-nos ao firmamento.
Minhas mãos a prendem por mechas
De suas negras madeixas
E tenho minhas rédeas
Em meu cavalgar
Penetrando o Cálice Santo Graal
Onde haverei de transbordar
O gozo na mulher que amo.
Sou seu cavaleiro real cavalgando-a
Domo-a nas rédeas de suas madeixas
E na cintura fina e delicada.
Ah, Minha Princesa Amada!
Com seus lábios rosas
Sorverá de mim o vinho mais puro
De minha masculinidade
No íntimo recôndito
De sua essência mulher.
Minha língua percorre seu dorso
Sentindo o calor da pele
E vou cobrindo-a de beijos
Em veneração apaixonada.
Estrelas cintilam ao redor de nosso leito...
A nós acostumados a mirarmos o céu noturno
São as constelações mais deslumbrantes que já contemplamos
Profundo deleite além de todo mundano.
Na longevidade do coito
Seu nome em sussurros clamo
Em tom que transcende
Os limites da própria Paixão.
Em voz profunda e cândida
Ouço de minh`alma o bálsamo:
Meu Amor, Eu Te Amo!
Te Amo, Te Amo, Te Amo...
Deus meu, como Eu Te Amo!
E seu nome vou clamando
Em sussurros apaixonados
Entrecortados por suspiros
Em Meu Amor cavalgando
Feito deusa venerando.
De súbito o arrepio
Vem da planta dos pés e vai subindo
Percorrendo coluna acima
Tremendo corpo inteiro
Enquanto olhos se reviram
Duas frontes são coroadas com aureolas douradas.
Faces se enrijecem
Advindo ligeiro desmaio
Entramos em alfa
Na leveza de plumas
Vagando pela eternidade
Acordando despertos.
Nos gemidos mais animosos e longos
Gatos que namoram nos telhados se espantam
E transformam-se suaves suspiros
Em vendavais de Paixão.
Minha Princesa no momento do êxtase
Clama meu nome dizendo Eu Te Amo
Na voz mais doce
Que pude ouvir desde que fui parido.
E transbordo no Cálice Santo Graal
Precioso íntimo da mulher que amo
O gozo de minh`alma inebriada de encanto
Ao clamor de meu nome sussurrando:
Meu Amor, Eu Te Amo!
Rob Azevedo
Desculpa Se Desculpas Te Peço
Desculpa, Se Desculpas Te Peço
Perdoa-me
Por AMAR-TE assim
Por esse amor
Não caber em mim
Buscar a ti cegamente
Em cada noite insone que passo
A desejar-te
Teu corpo que me é sagrado
Nu em pêlo
Comigo e não tê-lo
Para que a meu modo
Ainda sem motivos
Desculpas peça
Penetrando tua alma
Em minha cama coberta de rosas
Subir contigo ao firmamento
Transformando a noite
Em dia pleno
Fazendo um amor
Perfeito
Que seja inteiro
Digno e merecedor
Em cada toque
Que te arrepie a pele
E te faça mulher
A mim teu homem
Que só te quer
Somente deseja contigo
Suspiro...
Em cada suspiro
Em cada gemido, beijo
Deslize de língua
Pelo teu corpo nu
Contentando cada pedaço
De mulher saciada
Como de fato mereces
Saberás que TE AMO!
Fazendo assim o amor
Como fizesse uma prece
Por minha vida
Por tua vida
Por minha vida
Junto a tua...
Verás que TE AMO!
Perdoa-me
Por desejar-te febril
Sem poder sequer sentir tua pele
Deslizando em meu corpo
Se esse fogo me consome ardente
Estando QUEM TANTO AMO
A minha frente
Sinto a ti presente
Desejando-me
Sem que possa tocar-te
Desculpa, se desculpas te peço
Se a Deus agradeço
Haver te conhecido
Desculpa meu jeito
Desculpa se te surpreendo
Desculpa se teu sorriso
Me faz estremecer
Desculpa se a ti sinto
Correndo em minhas veias
Se te levo no peito
Feito tatuagem
Desculpa se vejo nos teus olhos
Os filhos que ainda não tive
Desculpa se te venero
Desculpa se te adoro
Desculpa se te quero
Desculpa pelo ontem
Que TE AMEI o dia todo
Desculpa por hoje
Que TE AMO inteira
Desculpa pelo amanhã
Que TE AMAREI em dobro
Desculpa se te encontro
Em todo mundo que vejo
Desculpa se estou rouco
De tanto dizer EU TE AMO
Desculpa se sou louco
Se estou certo ou se me engano
Mas olhai o céu límpido
Meça nas estrelas no breu noturno
A grandeza do meu amor
Que te adorna de rosas
Que deseja dar-te de presente
Todas flores que possam haver nos campos
Céu e mar
Milhões de beijos
E mesmo que não haja culpa
Em nenhum de nós
Se pecamos por encanto
Desculpas te peço
Com paixão mais profunda
Que mares no infinito
Por escrever-te tantas palavras
Dar-te demonstrações sem fim
De entrega e carinho sem igual
E não ser ainda merecedor
Do teu Amor
Além peço somente
Enquanto padeço essa dor
Que dói em meu peito
E me consome ardente
Que me digas :
O que posso fazer
Para ser enfim merecedor?
Porque se o amor tem limites
Eu o ultrapassarei por ti
MEU AMOR...
Rob Azevedo
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Razão de Viver
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♥ ♥ ♥ ♥ ♥ Razão de Viver ♥ ♥ ♥ ♥
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-> Trilha sonora
Na solitude de meu reino
No píncaro do monte mais alto
Pastoreio meus sonhos
De Amor-Perfeito
Somente sozinho
Refugiado em mim mesmo
Sorvendo em segredo
O silêncio de minh`alma
Sou eremita em meus recônditos
E vislumbro em êxtase
Os bosques de Verona
Sons de piano
Harpas de anjos
E o cantar das cotovias
Elevam-se aos céus
Transbordando meu coração
Contemplando de relance
Num beijo profundo
Romeu inebriado de amores
Beijar a Doce Santa
Julieta
São as lendas da paixão
Que tocam a alma das pessoas
Transcendendo a noite dos tempos
Triste é saber
Que aqueles que choram
Comovidos com a história
Derramam o pranto
Também
Por se darem conta
No âmago de si mesmos
Que em tantos Romeus
Que um dia escalaram até a sacada
De suas janelas
Trazendo na boca a rosa
E nas Julietas que esperavam
Desferiram em suas costas
O aço cruel da adaga
Quando às suas vidas o fim deram
O par romântico dos sonhos
Cada um a si mesmo
Ao ver o outro perdido
E perdida suas razões
De viver
Rob Azevedo
A Face de Deus
Os três poemas que seguem integram minha série de poemas intitulada Sacro Sacrilégio na Sacristia, a qual consta de cerca de 50 poemas, onde cada um continua a história contada pelo poema anterior e o todo compõe uma história coerente e ordenada cronologicamente - é um Romance em Poemas.
(Embora que os três poemas seguintes, no conjunto do meu Romance em Poemas, não se encontram um imediatamente após o outro, mas há alguns poemas entre eles.)
Escrevi o poema exibido nesta postagem - A Face de Deus - com eu lírico feminino para dar voz à personagem Eliza, do meu Romance em Poemas - Sacro Sacrilégio na Sacristia.
Entendam, então, que o poema A Face de Deus, como todos os poemas que integram minha série de poemas Sacro Sacrilégio na Sacristia são como um capítulo de uma história composta de 50 capítulos.
Neste blog exibo - de modo esparso - apenas alguns desses cerca de 50 poemas que compõem meu Romance em Poemas Sacro Sacrilégio na Sacristia.
A Face de Deus
-> Trilha sonora
A despeito de tudo que compreendo
Por que foges de mim?
Lembro-me daqueles versos
Que em minhas mãos defronte a capela
Esquivando os olhos e trêmulo
Numa tarde serena me deste
Escritos do próprio punho
E não me engano
Vertidos do coração
De quem ardente ama
Quando acende a chama
Do Amor e alguém se apaixona
Em poeta se transforma
A compor trovas em bosques ermos
E se conversa
Com arvoredos
Confessando-se
Inebriado de amores
Faz-se promessa
Ao vento
Perde-se o tino
E miramos nas águas do lago
Diferente de Narciso
A imagem de quem amamos
Em nosso próprio reflexo
Quando o sentimento que devotamos
Não encontra abrigo
No peito de quem amamos
De nossos olhos
Derramam-se tantas lágrimas
Quanto são aquelas
Das nuvens quando choram
Por que foges de mim?
Atado a nós intrincados
Que compreendo mas não entendo
Por que desatá-los não pode
Não vedes a grandeza do Amor
Que a ti devoto?
Transforma-te por completo
De uma vez por todas
Em poeta!
E chora versos
Como desilusões e lamento
Amargamente eu choro
E sonha
Como sonham todos poetas
De tanto sonhar
E trovas compor
Tornar-se-á peregrino
Nos desertos da Lua
E saiba também
Tornar-se-á
Meu Trovador
Meu Eterno
Amor
Conhecedor dos mistérios d`alma
Saberás:
Quando vertem-se versos
Na folha nua semeando amores
No coração d`alguém floresce
Amor-Perfeito
Endoideça de vez
Como endoideço
Quando te vejo
E compõe Sonetos
Como aqueles que me deste
Nas mãos defronte a capela
Numa tarde serena
Mas antes que sozinha enlouqueça
Teus nós desata
E toma meu corpo
Nu em pêlo
Sem medo
Quebrando teus votos
Entrega-te ao desejo
Amando-me na relva
À margem da cachoeira
Onde me banho
Como se fora
Nos Jardins da Babilônia
Que juntos contemplaremos
A Face de Deus
Rob Azevedo
CÂNTICO DOS CÂNTICOS
CÂNTICO DOS CÂNTICOS
-> Trilha sonora
Libido
Açoitando a alma
Dum servo de Deus
Votos de castidade
E desejos da carne
Amor celestial
Intocável
E Amor terreno
Ao alcance das mãos
Devaneios em noites insones
Amargurando na solidão do leito
E mesmo na clausura
Na mais dura penitência
Sentindo em pensamento
Pele na pele
Doação de calor
Formoso corpo feminino
De jovem despida
Sob o seu
Ofegante
Apertando-o com mãos macias
Arranhando-lhe as costas
Recebendo-o entre as coxas
Uivando suaves gemidos
E libertando a brisa dos suspiros
Morder a carne nua
Por toda a parte
Escorrer os lábios
E cobri-la de beijos
Cabelos desleixados
Corpos banhados em suores
Gemidos amorosos
Homem e mulher
A sussurrar os nomes
Um do outro
Deus contra tais desejos
O que pode?
Ele que é invisível
Não O vemos
Nem ouvimos
Sequer sentimos
Feito o vento
Acariciando a face
Em dias ensolarados
E Deus acaso proíbe
O que Ele mesmo
No alto de Sua Perfeição
Assim concebeu?
O Amor carnal
Se não foi Ele
Quem o criou?
A vida
Donde vem
Senão do encontro
Entre o corpo masculino e feminino
Um sobre o outro?
E o Cântico dos Cânticos
A mais bela
Das canções de Salomão?
Tantas vezes estudamos
Nas Sagradas Escrituras
Acaso seus textos
São apartados do que é Sagrado?
Não relata o Amor
Da mulher a esperar o amado
Suplicante em seu quarto
Para que cubra seu corpo?
O amado não deseja tê-la
Noites e dias
Mesmo que sobre verdes gramados?
Não fez dela
O motivo maior de sua vida
Ao lado do Pai Eterno
Santificando o desejo que arde
Na carne queimando-a?
Saciar o Amor
Por Deus concebido
Não é pecado
É unir-se ao Altíssimo
Em júbilo e gozo
Entoando o Cântico dos Cânticos
A mais bela
Das canções de Salomão
Ledes no Livro Sagrado;
O que dizem pecado
É abençoado
Pelo Espírito Santo
São os campos
Onde a vida nasce;
Vento soprando
Frescor nos prados;
Água cristalina
Que abranda a sede;
Razão de existir
Amar e ser amado
Dividido me vejo
Entre a voz do coração
E aquelas
Vindas dos homens
Que impuseram à mente
Impurezas
Que derramaram na fonte
Envenenando quem procura
Molhando a boca
Aplacar d`alma a secura
Tudo pende
Dum lado a outro
Algumas vezes perdôo
O que clama meu peito
Adiante culpo
Num momento clareio
Mais tarde escureço
A vontade se rende
A mente nos prende
O coração dói
A razão consola
E diz chora
Que minha palavra
Desde agora
Até o crepúsculo da vida
É não!
O instinto deseja
Quebrar votos de castidade
Trilhar que seja a senda
Da perdição
Dogmas proíbem
O que nas palavras do próprio Deus
Gravadas nas Escrituras Sagradas
É a mais bela
Das canções de Salomão:
O Cântico dos Cânticos
Rob Azevedo
Uma Experiência Espiritual...
Uma Experiência Espiritual
Entre Duas Almas
Que Fazem Amor
Ao Homem
Abre-se a Porta
Do Paraíso e Entra
Num Corpo de Mulher
Em Glória
-> Trilha sonora
Um homem à caminho
Do Paraíso
Partindo grilhões
De princípios abstratos
Tão fortes
Quanto correntes de aço
Estilhaçados
Na força dum beijo
Apaixonado
Verus Amor Vincit Omnia
O Verdadeiro Amor Vence Tudo
Sempre vencerá
Desde o início
À noite dos tempos
Lábios escorrem
Um n`outro
Se encaixam
Braços se envolvem
Em torno do corpo
Um anjo que um dia vira
Na capela
Entoando a Deus seu canto
Arrebatando o liberta
Do que a natureza não nega
É morte lenta
Quando a vida nos contempla
Com puro Amor
De homem para mulher
De mulher para homem
Na forma pelo Criador
Concebido em perfeição
O Arcanjo sorri
E soam cornetas
Serafim toca flauta
Davi
Como se outra vez
Derrubasse Golias
Alardeia num bumbo
Salomão, na harpa
Entoa o Cântico dos Cânticos
Quatro mãos
Percorrem todo corpo
Um do outro
Duas bocas se doam
E se perdem por caminhos
Bem-aventurados
Um atalho, um desvio
E um homem descobre
Que a anatomia feminina
É infinita
Entre desfeitas mechas de cabelo
Um, dois, três, quatro, cinco
Mil beijos
Botões se abrem
O corpo em parte se despe
Homem e mulher se levantam
E seguem à caminho
Do Paraíso
Heleno – o nome real do monge
E não de conversão à vida monástica
Enlaça a mão de Eliza
Cruzam a porta dos fundos da capela
Se banham na chuva
Em direção à casa de hóspedes
Um pouco além da área defronte
O Mosteiro Santa Cruz
Uma chave gira
E o antigo leito
Onde Heleno dormia
Nos tempos de noviço
Sonhador com a vida de monge
Aconchegante se mostra
Uma saudade ao inverso
Lhe dá uma pontada
De dor no peito:
Não da época de jovem
Recém chegado ao mosteiro
Em que pernoitava naquele recinto
Tentando o viver contemplativo
De abandono do mundo
A dor que lhe dói
É o tempo
Sem aquele Amor consumido
Não diria perdido
Porque a Deus foi entregue
Mas por que não
Ao contrário da solidão que vivera
Sempre esteve ao lado de Eliza
Desde a flor da vida?
Diria que são saudades
Do que não se viveu
Uma saudade invertida
Quando os caminhos são outros
O Amor nos brinda
E nos obriga
Repensarmos tudo
Tomarmos atitudes
E mudarmos o rumo
A velha questão
Do caminho bifurcado:
Escolhe-se um
Abandona-se outro
Hesitar estagnado
Entre os dois
Não se pode
Mas o coração não pensa
Confunde
Faz promessa
E duas bocas se encontram
Se beijam
O resto
Deixa pra amanhã
Que Deus resolve
Heleno
Sobre Eliza se deita
Lhe despe a camisa
Já ao meio aberta
E peça por peça
Vislumbrando o que vira
Outro dia na cachoeira:
Um corpo de beldade
Nu em pêlo
Arranca de si seu negro manto
Hábito de monge
Com raiva incontida
E tripulante de sua boca e língua
Navega nos mares
Da pele desnuda de Eliza
Abdômen
Umbigo
Dois arredondados relevos
Que nutrem a vida
Quando recém-nascida
Nada lhe foge
E nos lábios sorve
Desejo de viver
Mais mil anos
Venerando aquele corpo
Onde a alma que tanto ama
De uma paixão desmedida
Em pura luz se abriga
A dimensão de tudo se perde
Quando se ama
Desmedidamente
Noites e dias se confundem
Se deita e se levanta
Tendo consigo acesa a chama
Da lembrança de quem
Desmedidamente se ama
Quando cerram-se os olhos
No repouso noturno
A imagem d`alguém nos vem
Tão clara e nítida
Quanto verdadeira
Em sonhos e delírios
No amanhecer ao abri-los
Se toma desse alguém o pensamento
Como água
Um sedento
E se vive
A conversar com o vento
Chegado tão esperado momento
O que era parte
Torna-se todo
E quem dormia
Se vê desperto
Mirando diante si
O que era sonho
Passível ao toque
Deslizar na pele
Ao homem
Abre-se a porta
Do Paraíso e entra
Num corpo de mulher
Em glória
De olhos fechados
Não sonha tê-la
Como tantas vezes
Fizera em noite insone
De olhos fechados
A tem
Sob seu corpo
Nos lençóis da cama
Morde seu queixo
Segurando-a pela cintura
Deslizam mãos
Abocanha seios
Escorre a língua
Que se perde
No infinito
Do corpo feminino
Do colo
Vai à orelha
E volta à espádua
Descendo em viagem
Ao umbigo
Da mulher que tem
Sobre a cama
Ardente e nua
Ele se rende
Ao Amor dela
Ela se entende
Mulher dele
E se entrega
Enquanto a penetra
O que vive dentro
Aflora à pele
De cada um
Transpirando
Em suores
E carne
Torna-se alma
O que vem de dentro
Do homem que suspira
Na mulher transborda
Não são mais
Dois corpos nus
Que fazem Amor
Mas duas almas nuas
Que se amam
De corpo e alma
Discutem os teólogos
O sexo dos anjos
Mal sabendo
Que só os anjos entendem
O que é Amor
Entre almas
Amor que transcende
A limitação do corpo
Que nos prende
Na matéria
Amor que vence
A noite que a tudo escurece
Atravessando
O portal da vida
Amor que ressuscita
Cristo
Que é Amor
Amor que precisa
D`outro Amor
Para que viva
Amor é Amor
Não se entende
Nem se explica
É Amor
Amor
Amor e Amor
Que aos homens
Felicita
Erguendo do sepulcro
Morto de três dias
Que morreu
Por Amor
E Amor
Quando aflora na carne
O que dentro habita
É uma experiência
Espiritual
Entre duas almas
Que fazem Amor
Com as bênçãos
De Deus
Unindo-se
Em Trindade
Santíssima
Rob Azevedo
EU SEI
EU SEI
-> Trilha sonora
Eu sei que você sabe
Meu Amor é teu
Sei o que sente
Ainda quando foge
Sei que me devolve
O Amor que te oferto
Eu sei...
Sei que me quer
Laços te prendem
Confundem o pensar
Inibem a flor
Mas a semente brotou
Há de vingar
Eu sei...
O Amor que te dei e dou
Floresceu
Cresceu
Quando te amei
Eu sei que você sabe
Teu Amor sou eu
Sei porque sofreu
Tanto quanto sofri
Quando menti
Que meu Amor não é teu
Nem sempre a boca
Confessa
O que vai no peito
E dói no coração
Só o manto da noite
Desvenda o segredo
Quando se deita na cama
E põe a cabeça
No travesseiro
Você quem desejo
O corpo que deseja você, é meu
Teu pensamento primeiro
Na luz da manhã
Sou eu
Que te acompanha
O dia inteiro
Sob o calor do Sol
Caindo a tarde
E se aquece no breu
Em fugir da solidão
Mirando estrelas no céu
Eu sei
Que você sabe
Teu Amor sou eu
Sei porque sinto
O que sente
No fundo d`alma
Meu Amor é teu
Rob Azevedo