quarta-feira, 4 de julho de 2007

Templo Em Si Mesmo




Templo Em Si Mesmo


As pessoas se perguntam
Por que suas vidas não são um mar de rosas
Mas repletas de espinhos que ferem
Sendas tortuosas
Sombrias, íngremes
E grandes pedras por onde trilham

As pessoas se perguntam por que Deus não as ouvem
E tudo em suas vidas acontece ao contrário do que querem

As pessoas se perguntam:

Por que Deus não me dá o que peço?

E se rebelam
Não crêem mais que exista algo Maior acima de nós
Insondável e Infinito
Criador do Universo

As pessoas questionam
E não entendem por que Deus não atende ao que pedem...

Mas algum dia
Um único dia que seja
Quem tanto assim se pergunta e se rebela
Se perguntou por que não dá a Deus
Tudo o que Ele do mesmo modo pede?

Lamuriam-se
Entretanto, ao acaso, dão a Deus tudo o que Ele deseja
Para que possam se perguntar com tanta amargura
Por que Deus não lhes dá tudo o que desejam?

Eis a questão!
Se de sua parte não Lhe é dado tudo o que Ele pede
Tampouco vos será atendido todos seus pedidos!

Sê humilde, irmão, irmã!
Vos é dado na proporção do que vós dá a Deus
Assim ensinou
São Francisco:

É dando que se recebe!

E que ninguém se iluda
Com vida de bonança material
Riquezas e aparências
Porque essas coisas
Como é dito
As traças roem
E mãos alheias levam

O verdadeiro presente
Que Deus pode lhes dar
É construir em vós mesmos
Seu Templo Sagrado
Numa real pessoa
De caráter e nobreza
Inabalável
Além do mundano
Pessoa que doa ao mundo
Tudo de si
Sem nada pedir
Porque é Templo erguido
Em sua própria força
Interior



Rob Azevedo






EU TE AMO!




EU TE AMO!

-> Trilha sonora


Esse rio entre nós
E eu que não nado tanto
Tenho medo de me afogar
Mas o desejo que arde
Faz a gente perder o tino
Sabendo quem ama distante
Enquanto repouso aqui sozinho
Na outra margem do rio

Quando sai
Ponho a cabeça no travesseiro
Em segredo te desejo
Ao meu lado
No aconchego da minha cama
Iluminada por velas vermelhas
Cor da Paixão
Em castiçais inundando
O ambiente
De perfume de rosas

Não sabes o quanto
Imagino suspirando
Nossas pelas roçando
Eu sentindo
A maciez da sua
Lisa e perfumada
Aninhando-se na minha
Com a barba por fazer
De dois ou três dias
Cheirando resquícios
De loção amadeirada
Nesse meu jeito selvagem
Puro instinto
Sei que dou a segurança
Que precisas
Nos pêlos de meu peito
E relevo de músculos
Seu porto seguro
Em que repousas docemente
A fronte e derrama o pranto
Confessando do fundo d`alma
Em voz suave
O que da mesma forma sinto:

A paixão sem tamanho
Que nos alimenta
Em nossos corpos entrelaçados
Assim despidos
E nos une
Dizendo um pro outro a cada instante
O que nossos olhares entregam...

Aquelas três palavras mágicas
Ditas com inteira verdade:

EU TE AMO!



Rob Azevedo





Eu Ainda Te Amo




Eu Ainda Te Amo


-> Trilha sonora


Toda vez que partes
Penso comigo:
Eu ainda te amo!
Saiba disso
E nunca se esqueça
Quando à noite se deita
Deixe de lado todo o resto
Tantas conjecturas
E lembre-se somente
Tenha a certeza:
Eu ainda te amo!
O que dissemos
Um ao outro
Não importa
Porque sabemos:
Ainda nos amamos
E esse ainda
Tem a duração
Da eternidade
Brigamos e reatamos
Reatamos e brigamos
Mas sempre
Sempre nos amando
Essa certeza lhe dou
Assim como sei que a tenho
Bem no fundo
De seu coração
Onde escuto
A mesma melodia:
Eu ainda te amo!
E a extensão desse Amor
É bem maior que tudo
Tem o tamanho
Do que não se mede:
O infinito




Rob Azevedo





Encanto




Encanto



O gosto ainda sinto
Adoçando a boca
Puro encanto
Vinho
Licor Absinto

Teus lábios
Tocaram os meus
Perdi o tino
Ecoaram cânticos
Acordes
Piano e violino
Harpas dum anjo
Menino
Soprano - o Serafim

Ai de mim!
Em todo rosto
Que vejo
O teu encontro
Doce ninfa
Orquídea violeta!

Tua ausência
Rasga meu peito
Em lancinantes dores

Na lembrança
Teus olhos
Cor d`esperança
Dão alento
Ao poeta
Que sonha amores

Divago em caminhos incertos
Procuro-te
No armário de meu quarto
Na geladeira
No forno
Corredor
E sótão...

Perambulo pelas ruas
Suspiro
Rendido de bom grado
Ao teu encanto
Sereno e tranqüilo

Tanta paz
A cada dia
Tua companhia
Traz...

Se soubesses
Orquídea violeta
Estrela de Davi...

O bem que te quero
A saudade que sinto
Não tem tamanho
Anoitece meu dia
Feito o manto negro
Suave
De teus cabelos

Anoitecendo
Espero somente
O que prometeste
Sussurrante
Em meu ouvido:

As Noites com Sol...



Rob Azevedo





Deus te Guarde




Deus te Guarde



O cenário que vejo da janela do meu quarto
De repente me entristece
Céu tão cinza
E murmúrio de chuva caindo
Mergulha minh`alma em nostalgia

As montanhas ao longe
Têm aspecto sombrio
Como se nossas dores
Nada importassem

A claridade se esvai
Devagar anoitece
E o tic-tac do relógio
Soa monótono
Ecoando tempo perdido

Mirei outrora o céu cinzento
Agora um retrato preto e branco
Dum menino esmirrado
Na formatura do ginásio

No verso da foto
Linhas tremidas
Por ele mesmo escritas:


Deus te guarde
Por todos os dias de tua vida
Mãe
Essa foto é pra você



Olhei pro lado
Levantei da cadeira
Fui ao quarto de minha mãe
Idosa
Deitada na cama
Mirava um ponto vazio no teto
Nem se mexia
Era como se eu não estivesse ali
Quietinha
Serenamente
E doente
Fazia oito anos
Entrevada naquela cama

Lembrei de quando entreguei à minha mãe
Aquele retrato preto e branco
Da formatura do ginásio
Segurando orgulhoso meu diploma
Que me fez tão contente
À ela chorar tanto
Naquele instante
Fui novamente o menino esmirrado
Tímido e sonhador
Que sentava nas últimas cadeiras das salas de aula
E na hora do recreio
Abria a mochila
Pagava o lanche preparado por ela
Comia num canto do pátio
Um tanto envergonhado

Todas as manhãs
Bem cedo
Ela quem me acordava
Preparava meu café
Me aconselhava mil coisas
E se despedia de mim
Com um beijo no rosto
Acenando dizia:


- Deus te guarde!


Quando voltava da escola
Preparava meu almoço
E eu lhe respondia mil perguntas
Sempre mentia
Dizendo que todas minhas notas
Foram azuis

Ela ficava tão feliz
Torcia tanto por mim
Que ainda hoje não admito
Que alguém me diga
Ser meu fã número um
Porque esse lugar
Tem cadeira cativa
E é dela
Sempre devotada comigo a vida inteira
Até quando pôde
E não tão somente
Quando viu meu lado bom florescido
Por ela educado
Gentil com todos

Foi testemunha de minha asma
Em crises tenebrosas
Deixando a família inteira em pânico
E minha rebeldia infanto-juvenil
Sempre quebrando as vidraças da sala
E vasos de plantas
Jogando bola dentro de casa
Matando as aulas da escola
Autêntico turista
E se envolvendo em brigas de rua
Fui crescendo e perdendo o rumo
Chegando em casa embriagado
Fumando cigarro e maconha no quarto
Mas um dia acertei o prumo
Ela deu graças a Deus
E ouvi então seus conselhos:

Sou um bom rapaz
A custa de seu empenho

O amor dessas mulheres
A quem tenho feito tantas poesias
É passageiro
Passageiro e enganoso
Hoje diz eternidade
Amanhã adeus
No intervalo
Nem sei

Mas o amor que ela me deu
Não se apagou
Com o tempo
Nem porque adoeceu
E já não pode me dizer Eu Te Amo
Agora lembrando de tudo eu sei
Pus a foto do menino esmirrado
Na formatura do ginásio
Em cima da cômoda
Ao lado da cama de minha mãe
E me retirei ao meu quarto
Quando voltei para lhe dar boa noite
Vislumbrei seu olhar
Fixo naquela foto
Como se lembrasse o que havia escrito no verso
E de seus olhos
Docemente
Vertia lágrimas
Feito a chuva caindo lá fora
Do céu cinza

Não afeito ao choro
Pela dureza de meu espírito
Retribuí tamanho amor
Numa prece silenciosa:


- Deus te guarde
Mãe!




Rob Azevedo





Das Terras D`Além Mar - O Equilíbrio Distante –




Das Terras D`Além Mar
- O Equilíbrio Distante –


-> Trilha sonora


Bem de longe imagino
Sua face no espelho
Ajeitando o penteado
Namorando a si mesma
No amor próprio bem cuidado
Nesse jeito maduro de ser
Pés no chão e sensato
O equilíbrio certo
Que preciso

Nas horas vazias
Cultura e artes
Que doces colóquios!

Entre nós
O Atlântico
Zarparei um dia
N`alguma nau
Lusitana
Com destino às terras
D`além mar

Desbravando o oceano
Atingirei no porto
O equilíbrio distante
Sereno e firme
No seio
De seu amor
Terno e cândido

Na baixa lisboeta
Andaremos à margem
Do rio Tejo
No Bairro Alto
Visitaremos o café
A Brasileira
Em tempos idos
Freqüentado por Fernando Pessoa

Em sutis idílios
Entre goles de capuccino
Um poema de amor
Declamarei em seu ouvido
Num sussurro inaudível

Os castelos do século XIV
O Fado, Algarves
Os Açores
Lugares encantados
Ao seu lado visitarei
Levando em meu alforje
De Bardo andarilho
Vinho do Porto

No roteiro
O túmulo de Camões
Pérola Mor
Dos deuses da Poesia

Ó amiga
Das terras lusitanas!
Em sua companhia
Depositarei flores
No frio mármore
Da lápide
Derramando uma lágrima
Sentindo
Que o amor arde
Sem muitas vezes
Quem ateou fogo
Ainda estando ao lado
Veja em si
A causadora do incêndio



Rob Azevedo




"O Amor é um fogo, que arde sem se ver"

Camões








Caviar no Jantar




Caviar no Jantar



Caviar e Poesia no jantar
À beira mar
Suco de graviola
Preces à Iemanjá
Alquimia dum poeta
Inebriado no vinho
Ápice do verbo
Reticências... Amar
No presente conjugado
O passado esperado
Do futuro sonhado
Hoje encontrado
Em quitutes de Caviar
Roscas de Poesia
Na bandeja de prata
Salada de frutas
Gracejo do menino
Que a menina quer beijar

O menino dum lado
A menina do outro
A mesa tão grande
Beija-la não dá!
Menino numa ponta da mesa
Menina na outra cabeceira
A distância é tamanha
Igual a vontade
Encaixar a boca
Na boca da menina
Com gosto de Caviar

Faço uma reza ao santo:

- São Conrado me ajude!
A distância é grande
A vontade tamanha
Hoje ela disse:


- Em voz aveludada, amorosa –



- "Estou tão dengosa
Saudades senti"...



- São Conrado me ajude!
Eu moro nas montanhas
Depois do jantar
Estou de partida
Partido meu coração será!


Poesias de Amor
Quitutes de Caviar
Suco de graviola
You`re just too good to be true
Na vitrola
Florbela espancada
Coitada!
Nabokov virou salada
Lolita, eu pensava
Era prostituta, vadia, mal cheirosa
Da Vila Mimosa...

No jarro de flores
A Rosa encantada
No manto de madeixas
Cor de noite
A Orquídea
No regaço eu queria
Desflorada!



Rob Azevedo






Causa Mortis




Causa Mortis


-> Trilha sonora


Aquela pergunta
Martirizando minha consciência
Às três da madrugada
Enquanto ela dorme:

Será que algum dia
Entenderá minha agonia?

Pensará em mim ainda?

Terá dúvidas
Se realmente a quero?

E se quero
Não é pouco
O sentimento que move
Meu ser inteiro
É Amor
Puro

Ah... Eu faço tudo errado
E logo a mim vem pedir ajuda
Eu que estou tão perdido
Feito bêbado no banheiro
Contando num punhado de notas de um real
Daquelas bem amassadas encontradas no fundo do bolso
Quanto dinheiro ainda tenho

E o bonde vai passando e não alcanço...
Que agonia!
Será que a luz de minha vida
Haverá de esperar-me?

A gente pega outro bonde...
Pega o das nove
Ou o trenó de Papai Noel
Isso caso não passe
Teu Natal em Nova Iorque

Confundo as pessoas
Em meus versos
Uma hora estão na segunda
Outra na terceira
Mas acelero
Engato a quarta marcha
Porque a Musa é sempre a mesma
Desde que a conheci

Estou tão confuso
Que a cada dia
Meus poemas tornam-se Barrocos
Sempre o paradoxo
Do querer
E não poder
Da vontade
E do sinal vermelho
Dizendo pare!

Ajude-me você então!
Mas nem sei
Se a essa altura
Posso ser ajudado
Mergulhado no fosso
De meu próprio desgosto

Quando se aproximas
E quase podes tocar-me
Eu cavo mais o buraco
Onde me encontro

Mas ainda não vejo terra
Sobre meu corpo
Logo não estou enterrado
Estou vivo e não morto
Então
Alguma saída
Deve haver

E quando não houver mais saída
Deixar-me-ei morrer
Por inanição
Fumando serenamente meu derradeiro cigarro
E contando piada pro Diabo
Lembrando a última vez
Que disseste em prantos:


- Meu poeta, Eu Te Amo!


A ti, minha Lua Dourada
Restarão meus poemas
Ofertados de coração
Ora rindo contigo
Além chorando juntos
Ou eu sozinho
Com a cara enfiada no travesseiro

Quando de mim sentires saudades
E eu deitado na tumba
Caveira apodrecida
Releia minhas poesias
E não te esqueças
Foram todas verdadeiras
Tanto quanto
Meus versos derradeiros
Que serão lidos em meu túmulo:


Aqui jaz um poeta

Causa Mortis: AMOR
Porque de Amor
Também se morre




Rob Azevedo





Conte Sempre Comigo




Conte Sempre Comigo


-> Trilha sonora


É tão bom estar contigo
Sabendo o que devotamos um ao outro:
Puro carinho
Sentindo-nos navios ancorados
Em porto seguro

Tão grata essa confiança:
Saber que somos
Pau pra toda obra
Ainda que de vez em quando
Quebremos o pau
Como bem sabemos
Se assim fazemos
É porque nos demos
Essa tamanha intimidade
Sem igual
E o que nos une
São sentimentos incontroláveis
Que chamam de Paixão
Afinal o que importa
É que sabemos:
Que podemos um ao outro
Revelar nossos segredos
A ninguém ditos
Ainda que sussurrados no ouvido
E compartilharmos
Maliciosamente fetiches
Sem pudores tolos

Porque somos unha e carne
Irmão e irmã
E eu sei
Que você tem Síndrome de Florbela
Eu tenho também!
Ao contrário:
O irmão que se apaixona pela irmã
Dedicando à amada vinda de seu sangue
- Em meu caso espiritualmente –
Poesias sem fim
De Amor que não tem tamanho

É tão bom saber disso tudo
Acordar todas manhãs
Após dormir com a cabeça tranqüila
Sabendo que poderei sempre
Contar com sua fiel companhia
Assim como você com a minha



Rob Azevedo





Lavrador de Palavras




Lavrador de Palavras


Os bons morrem primeiro
Primeiro morrem os bons
Depois os bon vivants
Então, finalmente, os bois

No pasto rumino
Um naco de poesia
Deleitando degusto
Filosofia
Em campo abro valas
Correndo o arado de meus traços
Semeio com mãos calejadas
De lavrador de palavras
Minha nova safra
De poemas amargos

Quiçá a colheita
Não será devorada pelos corvos
Pus no meio
Do branco papel onde germinam versos
Um espantalho

Nem as ervas daninhas
Apodrecerão nenhuma estrofe
Se cuidadoso eu podo
Cada folha nua onde escrevo
E meus dedos
Extirpam o joio
De toda rima

Desflorando todo pasto
Reviro a terra, garimpando
Dentre minhocas airosas
Jazidas de húmus

Transbordando o alforje
Carrego sobre meus ombros
Alimento decomposto
Negro e úmido
Depositando nos canteiros
Onde nascem meus versos

A estiagem racha o solo
Impede que floresça a vinha
Definha tudo que é plantado
E nada vinga

Sem os frutos
Nos galhos das videiras
As bacantes não têm o vinho
Onde se embriagam de poesia

Nuvens quando não brindam
Meus campos de água
Lágrimas de Amor derramo
Regando o cultivado

E florescem nos prados
Da semeada folha nua
Sorrindo a primavera
O trigo d`alma
De nós, os bardos



Rob Azevedo





segunda-feira, 2 de julho de 2007

O Beijo Dos Meus Versos




O Beijo Dos Meus Versos


-> Trilha sonora


Dôo em versos minh`alma
Derramando meu coração
Nos cântaros da poesia
Transbordo Paixão

Beba da fonte
Que jorra de mim
Assim como um dia beberei
As lágrimas que te faço
Derramá-las

Leia meus traços
Como quem beija minha boca
Que neles doarei
Meus lábios imersos
Em profundo Amor

Em meus versos
Habita a essência
Do meu Ser
Recôndita e pura
Desnudando-se inteira

Não ledes palavras
Mas minh`alma
Incólume da razão
E qualquer máscara
Em seu estado criança
Como foi concebida
Por Deus

No que escrevo confesso
O que sinto deveras
No âmago de cada entranha
Aflorando nos poros
Numa catarse visceral

Quando seus olhos deslizam em meus versos
E são versos de Amor que assumo
Ledes o Amor mais puro
Que move meu espírito
Num sussurro indizível
Em cantarolar de gotas da chuva
Sobre os telhados

Leia e toque cuidadosamente meus versos
Porque em muitos deles
Existem dores
Que não podem imaginar
O comum dos homens

Feito adaga no coração cravada
Sangrando-o sem que o mate
São dores que martirizam
Em noites insones
Em horas vazias na solitude dalgum bosque
Nas mesas das tavernas
Caminhando nas ruas entre tanta gente
Com o olhar perdido mirando longe
Ou mesmo em repouso na cama estendido
Ouvindo canções que ainda mais agonizam

Sê atenta e cuidadosa com meus versos
Respeitando-lhes o pranto quando verte
E dor ao gritar em silêncio

Não ledes palavras simplesmente
Sem vida nem sentimento
Mas ledes minh`alma
Meu coração, mente
Vísceras, pêlos
Desejos, sonhos
Medos, segredos
Dores e amores
Espinhos e flores
Diamantes e pedras
Confissões sem fim
Lançadas nos ares
Como quem lança ao vento
Tudo que lhe afoga
Para que leve de si
E possa viver

Meus versos
São como os rituais de purificação
Nos rios sagrados da Índia
Onde o fiel imergindo o corpo nas águas
Espera que levem
De encontro ao Oceano que tudo abrange
O que lhe pesa n`alma

Se me amas
Ó Ninfa a Quem Canto
Leia meus versos
Como quem beija minha boca
Doando não somente os lábios
Mas a essência inteira
De si mesma
Num arrebatamento ao firmamento
No alvorecer
Do Amor Pleno




Rob Azevedo






Noite Blues




Noite Blues

-> Trilha sonora



Como um blues
Ouço você
Batendo à minha porta
No meio da noite
Dispensemos o motel
Meu Amor
Estou sozinho em casa
Depois de duas doses
Dum bom scotch
Entre idílios ardentes
Minha boca
Se borrará de batom inteira
E despirei suas roupas
Lentamente
Tocando seu corpo
Como deve ser tocado
Com muito cuidado
E devoção apaixonada
Porque no palco
Da minha cama
Você é a protagonista
Estrela única
Meu espetáculo
Sob luzes
Não de holofotes
Mas de velas vermelhas
Cor da Paixão
Em castiçais exóticos
E abajur
Donde nascem estrelas
Brilhando nas paredes do quarto

Nos enroscamos um n`outro
Pernas e braços entrelaçados
Perfumes e suores misturados
Ao canto em sustenido
Sussurros e gemidos
De dois amantes apaixonados
E seu resto de batom
Já mancha meu corpo inteiro
Cada pedaço
E me encaixo
No vão de seu corpo
Devagarzinho
E vou entrando
Como o queres
Com muito cuidado
No sentido amplo da palavra
Embriagando-me de amores
Arrepiando a libido
Nessa entrada
No recinto sagrado
Templo do Amor
Entre um deus fálico
E a deusa
Ventre Celeste

Fechando o primeiro ato
Da sinfonia
Em plena sintonia
Ao canto em sustenido
Nosso mais longo
Suspiro


E o mundo se torna
Blues...




Rob Azevedo






Noites Ensolaradas




Noites Ensolaradas


-> Trilha sonora


Meu Dengo
Não tenha medo
De se apaixonar
Nem de confessar
O que sente
No fogo que aflora
Dominando
Devassando a alma
Porque o bom que há
É amar
Trocar carícias
Beijar
Se entregar
A quem a ti se entrega
E confessa
No calor de cada rima
Que deixou se levar
Pela correnteza
Fluindo em direção
Ao Mar Se Apaixonar

Porque um Amor
Que se encaixa
Um n`outro
Em perfeita harmonia
Feito peças certas
Que se combinam
Num quebra-cabeça
Não é coisa que se encontra
Nas esquinas
Ou mesmo nos confins
De Andrômeda
Que cintila bem longe
Onde mirando estrelas
Suspiro contemplando
Em devaneios
Sua miragem
Nua em pêlo
Ouvindo num ofegante
Sussurro
A voz que clama:



Vem
Fazer Amor comigo
Dividir minha cama
Saciar o cio
Acender a chama
Que ilumina a noite
Incendeia o corpo




Num eco escuto
Mirando as constelações
Brilhantes de Andrômeda:




Vamos fazer Amor
Vem dividir minha cama
Saciar o cio
Acender a chama
Que ilumina a noite
Incendeia o corpo



Vem
Ouve minha voz que clama
Fazer Amor contigo
Dividir sua cama
Saciar o cio
Acender a chama
Que ilumina a noite
Incendeia o corpo



Vem fazer Amor comigo
Dividir minha cama
Saciar o cio
Acender a chama
Que ilumina a noite
Incendeia o corpo




Então não relutemos
Vamos fazer Amor
E gozemos
De corpo e alma
O bom da vida
Amar



Rob Azevedo





F-O-R-E-V-E-R




F-O-R-E-V-E-R


-> Trilha sonora


Meu Amor, sinta a chuva de novembro
Caindo dos céus
Banhando o corpo
Sou eu quem choro
Assentado numa nuvem
Derramando pranto
Porque o tempo
Senhor Perverso
Alheio ao coração
Prega peças
Àqueles que amam
Dizendo não
Quando o desejo
Revira e contorce
Cada entranha
Clamando o sonho
Encarcerado
No calabouço
Dos amores adiados

A chuva de novembro
Sempre doeu profunda
Em minh`alma
Sem explicação
Talvez despertada
No dia daqueles que partiram
E jamais voltarão

Lembro
Que tudo no mundo
Passa
E o tempo se esvai
Sem que possamos retê-lo
Nas mãos
Em breve nada seremos
E o Destino Perverso
Diz não!

As rosas com as quais
Haveríamos de nos coroar
Haverão murchado
Em meus lábios
Esperando os seus

E a chuva de novembro
Meu Amor
São minhas lágrimas
Derramadas das nuvens
Onde estou
Aquele que prometeu
Voar contigo
Porque vôo sozinho
Avistando num mundo estranho
Sem piedade para com aqueles que amam
Minha outra metade
- Essa lenda dos românticos
E daqueles que acreditam
Nas Idas e Vindas –

Entristecida
Esperando este bardo imbranato
Num Campo de Orquídeas
Soletrando em voz entrecortada em pranto:

F-O-R-E-V-E-R



Rob Azevedo





As Dores de Eliza na Solidão do Leito




Os dois poemas seguintes integram a minha série de poemas intitulada Sacro Sacrilégio na Sacristia, que consta de algo em torno de 50 poemas, onde cada um segue a história contada pelo poema anterior - o todo forma uma história coerente e ordenada cronologicamente - é um Romance em Poemas.

E nesse poema imediatamente a seguir, eu assumi o eu lírico feminino para poder dar voz à personagem Eliza do meu Romance em Poemas Sacro Sacrilégio na Sacristia.

No poema que vem após - na série não é sequência do poema acima, mas existem outros poemas entre os dois - retorno ao eu lírico masculino.







As Dores de Eliza
- Na solidão do leito –

-> Trilha sonora


Meu Amado
Tão querido
Ar que respiro
Água que bebo
Alimento que sacia
Minha fome do espírito

Meu bem querer por ti
Eu meço
Nas estrelas do infinito

Porque te amo
Mesmo que não esteja comigo
Todas as noites durmo contigo
Porque está em meus sonhos
De olhos fechados te vejo
Quando à noite me deito

No pulsar dolorido
De meu coração
E fluir sem sentido
Do sangue em minhas veias
Quando nos aparta o destino
Profundamente sinto
Como o pedaço
Mais importante de mim
Você em meu íntimo

Meu Homem-Menino
Herói e Cavaleiro
Amor da Minha Vida
Bravo Guerreiro
Trovador dos Versos
Que iluminam minha treva
E Salvador da Noite
Que sem dó desterra
Os tempos passam
Tudo muda
As flores morrem
E sigo te amando
Ainda que o acaso
Sem dó nos aparte

Porque tanto te amo
Sem que sinta cansaço
N`alma ou no corpo...

Todas as noites durmo contigo
A perder-me em suspiros
Banhada em calafrios

De tanto imaginar-te
Ó Meu Bravo Guerreiro
Trovador dos Versos
Que iluminam minha treva
Ainda que não esteja
Ao meu lado onde me deito
Em desejos perdida
Sinto teu corpo
Sobre o meu
Comprimindo-se
No deleite do Amor

Noturnas horas passam
Através delas eu passo
Clamando teu nome insone

Após o êxtase profundo
Tão profundo quanto mares no infinito
Que em devaneios imagino os olhos turvando
Em segredo sigo sonhando
E sinto teu cheiro
Tua respiração sobre meus seios
Onde descansa a fronte
Do Amor que fizemos

Aninhado em meu colo
Saciado e feito anjo
Em miragem te vejo
E velo teu sono
A Deus agradecendo

Ó Meu Bravo Guerreiro
Trovador dos Versos
Que iluminam minha treva
Venha salvar-me da noite
Que sem dó me desterra!
Porque tua morada eu fiz
Em meu coração
Assim encontro
Tua imagem
Em cada estrela refletida
E gole d`água
Que sedenta bebo

Sem que possa tê-lo
Imagino teu beijo
Aplacando minha sede
De teu Amor

Todo alimento que nutre
A fome de meu espírito
Tornou-se pensamento
Onde sinto teu corpo
Saboreado feito pêssego
Desejo maduro

No ar que respiro
De tanto lembrar-te
Num profundo suspiro
Sinto que invades
Meu ser inteiro
Dando a vida que preciso
A todo momento

Assim vivo
Caminhando a cada dia um passo
De encontro ao Amor Verdadeiro
Confesso segredos:

Em todo amanhecer
Desejo que você
Meu Homem-Menino
Herói e Cavaleiro
Amor da Minha Vida
Bravo Guerreiro
Seja a imagem primeira
A mirarem meus olhos
Refletindo bem querer
Dando bom dia
Beijando minha testa
Meus cabelos acariciando
Chamando tua amada
Que tanto te ama
De Meu Anjo


Se fores a mim proibido
Confesso que sem medo
Arranco meu coração e morro!
Porque vida que seja tão sofrida
É pena maior
Que a morte do corpo




Rob Azevedo





SEU ETERNO HERÓI




SEU ETERNO HERÓI

-> Trilha sonora


Heleno lança ao longe
A cabeça do Dragão das Sombras
Limpa as mãos na armadura
E crava a Espada de Luz
No corpo inerte do derrotado

Abre os braços num largo sorriso
Para receber a Amada
Rainha de Seus Sonhos

Esta vem ainda trêmula de medo
A derramar rios de lágrimas
E lhe abraça
Sendo girada no ar por Heleno

Olhando-a no fundo dos olhos
Doando todo o Amor de seu peito
Lhe diz do fundo d`alma:



- Serei sempre
Seu Eterno Herói
Amor da Sua Vida
Cavaleiro Audaz
Bravo Guerreiro
O Melhor de Todos
Trovador dos Versos
Que iluminam a treva
Redentor da Noite
Que sem só lhe desterra
E clamas:



- Venha salvar minh`alma!


- Sim, eu saciarei seu corpo
E salvarei sua alma
Todas as noites

Porque serei sempre
Seu Eterno Herói
Para sempre
Amor da Sua Vida
Cavaleiro da Luz
Girassol Apaixonado
Florescendo no seio
Dum Campo de Orquídeas
Jardineiro Zeloso
A cuidar do Amor-Perfeito
Homem-Menino
Palhaço no Picadeiro
Para que se abra seu riso
E Bardo Capitão
Da Nau Inspiração
Onde és
A Timoneira do leme
De meu coração
Rumo ao distante
Quasar Azul

Serei sempre
O Contador das Histórias
Que embalam fantasias
Sheherazade Homem
Narrando em mil e uma poesias
Mil e uma Noites Ensolaradas
De Puro Amor

Seu Pensamento Primeiro
Na luz na manhã
Que te acompanha
O dia inteiro
Sob o calor do Sol
Caindo a tarde
E se aquece no breu
Em fugir da solidão
Mirando estrelas no céu
Quando clama em sonhos
Atravessando vales sombrios
Que sua alcova visite
Em seu leito me deite
Nos seus lábios me afogue
Perdido em desejos

Serei sempre Seu Herói
Invencível
O Melhor Guerreiro
De Todos os Reinos
Porque tenho o dom
De fazê-la perder o fôlego
E a dimensão do universo
Na duração dum beijo
E quando ledes comovida
Cada verso que lhe escrevo
Ou em sentir-se segura
Eternamente segura
Quando a tenho em meus braços
E repousa a fronte em meu peito
No descanso
Do Amor que antecede o sono
Amor que fizemos
Como a flor
Amor-Perfeito

Serei sempre
Para sempre
Seu Poeta Encantado
O Mago das Palavras
Autor dos Versos
Que tocam sua alma
E lhe faz
Derramar o pranto

Serei sempre
Aquele com o qual se desentende
E depois reata
Por não agüentar
Tamanha saudade
Voltando
Mais apaixonada

Serei sempre Seu Herói
Para sempre
Seu Eterno Herói Cavaleiro
Aquele que lhe diz:


- I `ll stand by you FOREVER
You can take my breath away


E serás para mim
Até que se apaguem todas as estrelas do firmamento
Eternamente


Minha


Venerada


Tão Amada


Musa


A Rainha dos Meus Sonhos


Florescendo no seio


Dum Campo de Orquídeas


Em Poesias


De Mágico Amor


Com A


De Ab Aeterno


E Ad Infinitum




Rob Azevedo






O Salto do Anjo




O Salto do Anjo

-> Trilha sonora


Por você eu largaria
um mundo
soberbo de encantos
e mesmo o paraíso
entre arcanjos
abriria mão sem drama
bateria as asas e voaria
pousaria em teus jardins
de orquídeas violetas

De que me vale a Cidade dos Anjos?
lá do alto
sem medo
num salto apaixonado
nem olharia pra trás
me atiraria
declamando poesias de Amor
caindo devagar
feito pétalas
de Amor-Perfeito

A vida
é um leque de escolhas
seguimos por um caminho
abandonamos outro
e tudo com o que sonhamos
para termos
pagamos um preço

Os melhores vinhos
são caros

No entanto
o Amor de Romeu
não se compra
com nenhum dinheiro

E para se ter Julieta
que não mire
em nenhum instante
outros olhos
e se desdobre

Ainda que o mundo nos confunda
e nos dias de hoje
o Amor se veja do lado oposto
sempre sinto
com a cabeça posta no travesseiro
que no fundo de mim o que mais desejo
plantado nos jardins de meu peito
é o Amor-Perfeito
e não esse
que se ofertam pelas ruas:

Amor-ao-Avesso



Rob Azevedo






domingo, 1 de julho de 2007

Amor Vincit Omnia




Amor Vincit Omnia

->Trilha sonora


Um anjo vivia
No reino celeste
Agraciado pelas bênçãos de Deus
Nos jardins do Paraíso
Colhia flores
De todas as cores
Açucenas
Acácias
Dálias
Lilases
Hortênsias
Rosas
Orquídeas
Jasmins
Flores sem fim...

Feliz, feliz...
Na claridade reluzente
Do Amor infinito
Vindo do Altíssimo
Aquele que É Refúgio
Fortaleza
E lhe deu asas
E voava
Nos canteiros do firmamento
Em constelações colhendo flores
Entoando cânticos e salmos
Com Serafim e Arcanjo

O Pai Eterno um dia
Pediu que chamassem o pequeno anjo
Anjo menino de Luz
Que tinha mil anos

Humilde
Compareceu diante ao Pai
Ofuscado por tamanha claridade
Que a tudo iluminava
Transbordando Amor e Paz


- A Voz do Altíssimo -


- Anjo Menino
Deixará o Paraíso
Descerá ao Planeta Azul
Ofertará seu Amor
E Minha Força
Que transcende montanhas
E a tudo restaura
A quem peregrina
Nos desertos da vida
Crendo sombras
O eclipse da luz
Que antecede a alvorada

Apressa-te Anjo Menino
Bate as asas e voa
Desce ao Planeta Água
E leva contigo
Os dons que te dei
Por Minha Graça Infinda
Fortalece com teus versos
A menina de verdes olhos
Que deles
Derrama lágrimas



E o Anjo Menino
Aquiesceu, humilde e sereno
Agradecendo ao Pai
Conceder a ele
Missão tão bela
Imersa
De tamanho Amor
E Onisciência
Insondável
E desceu à Terra

Assumiu a forma de homem
Para que ninguém se espantasse
Com sua forma fabulosa
De menino alado
Resplandecendo Luz

Vestiu-se com trajes modernos
Incorporou a seu modo
Alguns dos hábitos
Daqueles que habitavam
O mundo dos homens

Nos caminhos da vida
Numa noite vazia
Com saudades do Paraíso
Encontrou a menina
De verdes olhos
E madeixas negras
Onduladas
Em voz de veludo
Carinho que transbordava
A cada palavra

Ah! Deslumbramento!
Confundiu-se...
Haveria se deparado
Com outro anjo de luz
Emanando beleza e encanto
A qual ainda não vira
Em todo reino celeste?

Era um anjo missionário
De primeira viagem
Não sabia ao certo como agir
Nem o que sentia
De repente
Ardendo no coração angelical
Parecia fogo queimando por dentro...

Calou-se de palavras ditas pela razão...
Ofertou em versos
À menina de verdes olhos
Ou anjo de formosura transcendente
Os dons que Deus lhe deu:


- Missionário do Amor
Vim ao mundo
A clareza da missão
Que carrego em meus ombros
Só entende meu Pai:

DIZER QUE TE AMA!

Se te vires chorar
Enxugarei tuas lágrimas
Concedendo meu ombro
A ti consolarei
Sendo amigo fiel
Teu sorriso haverei de restaurar

Jamais deixarei caíres
Haverei de ser teu amparo
Andando de mãos enlaçadas contigo
E se te vires cair
Perdida em vales sombrios
Nada temerás
Haverei de erguê-la em meus braços
Conduzi-la a prados verdejantes
Ornar a pura seda
De tuas madeixas
Com Orquídeas violetas
E vendo-te fortalecida
Erguida restaurada
No Amor do Altíssimo
Saberás:

Nós te amamos
Estamos aqui despertos
Zelosos e devotados
Sempre ao teu lado
Sempre...



E os dias foram se passando
O anjo menino
De mil anos
Todas as manhãs
A Deus agradecia
Haver conhecido
Em missão tão grande e bela
Aquele anjo
Maior, bem maior
Que ele, uma anjo pequenino
Ao lado da menina caminhando

Só não sabia o anjo
Que haveria, sem que escolhesse
Beber desse cálice
Sem nem mesmo saber o que era
Descobrir o Amor
O Amor dos homens
E apaixonar-se
Pela menina
De olhos cor de esperança
Madeixas cor de noite
Ornada por orquídeas
Violetas

E quando dele
A menina se ausentava
O anjo menino cantarolava:


Nas estrelas do céu haveremos de contar...


Beijos de Amor

Feito Arte

Em poesias

E flores


Ab Aeterno...

Amor Vincit Omnia...

Amor Benedictus, Benedictus, Benedictus.




Rob Azevedo







Campos de Orquídeas Regados no Pranto




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Campos de Orquídeas
Regados no Pranto


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-> Trilha sonora



Os anjos de Deus
Não são como os homens
Que livremente, bem podem
Seus corações permitirem
Arderem em sentimentos de amores

Um anjo não pode
Tendo vindo ao mundo
Enviado pelo Altíssimo
Para que dela cuide
Inebriar-se no encanto
De mulher confiada
A sua guarda celeste

A missão que lhe foi dada
Que se perca não permite
Em nenhum instante
Da razão clarividente
Ou que tenha
O coração perdido
De incompreendidos sentimentos
Em turbilhões revoltosos
A visão obscurecendo
Antes que cubra os olhos

Tudo que amamos
Consideramos como nosso
E o bem que lhe queremos
É sempre aquele
Entrelaçado a nossa vida

Mas Deus cria
A cada um nesse mundo
Livres, sem donos
E tem para todos
Seus Desígnios e Planos

Dele somos
De ninguém mais

Mas por que um anjo
Acometido de sentimentos humanos
Cisma por recantos
Ermos, suspirando
Em dores se contorcendo
O coração sangrando
Ardendo incendiado
Pelo fogo da paixão?


- Ah, Deus
Que pesares da consciência
Como é fraco o anjo
Diante a carga confiada
Para que nos ombros carregue!

O que a Deus pertence
Querer como seu
E perder-se em desejos
Pensamentos lascivos
Aos anjos não permitidos



- Penitente, penitente, penitente
Tornai-te penitente
Ó anjo!
Rasga tuas entranhas
Sorvendo o fel das dores
Dilacera a carne
Em impiedosos açoites
E não te poupe!
Tua alta linhagem honre
De anjo celeste
E livra-te, lançando distante
Tentações humanas

O amor das mulheres
É inconstante
Passageiro como nuvens
Flui e se transmuta
Como as águas dos rios
E fere e sangra e mata
Feito lança envenenada
Cravada no peito

Escutai meus conselhos
Mantenha tuas fronteiras
Donde ela não ultrapasse
Nem vós, ultrapassá-las te arrisque
Se for preciso, te afaste
Ou conhecerás
A dor dos homens

Assim tua missão confiada
Cumprirás
Vencendo as tentações
Regressará em glória
Ao Reino Celeste
Onde o Amor que tens
É Eterno, sem limite



E o anjo entristecido
Bate as asas e voa
Bem alto
Condoendo-se pousa
Numa nuvem
E lacrimeja
Fazendo chover nos prados
Sobejamente
Regando na Graça por Deus concedida
Sorvida em cálice amargo
Campos de Orquídeas
A flor preferida
Daquela por quem
Seu pranto vertia
Sentindo a tristeza cair-lhe profunda
Em sua alma de Luz



Rob Azevedo






Oiseau Bleu




Oiseau Bleu



Manto azul
Que reveste o corpo
Pluma de pássaro
Precioso
Canto doce
Asas de Amor

Voai sobre os prados verdejantes
Sorvendo o néctar dos jardins floridos
Metamorfoseado nalguma orquídea lacrimosa
Haverei de beijar candidamente
A boca que colhe de mim
Alimento e perfume

Voai rasante sobre os mares
Encontrai a ilha distante
Aonde jurei esperar-te, Oiseau Bleu
Ao cair da tarde, colorindo o céu
No arrebol que precede o cintilar das estrelas
A plumagem azul que te reveste
Manto que do frio protege
E mantém a castidade da carne
Devagar haverei de despir
Nalgum ninho nos ramos de palmeira majestosa
À beira mar
Vislumbrando num arroubo do espírito
Alvas espáduas nuas
Turvando a vista imersa em gozo
E claridade que ofusca o luar
Vinda do rosto e madeixas que adornam
Vinda dos ombros e colo
Braços e mãos
Busto, abdômen, umbigo
Pernas e pés delicados
Ancas e dorso
De deusa Vênus
Pássaro mulher

No luzir da liberdade
Que convém às aves
Serei homem pássaro
E agasalho do corpo despido de penas
Contemplando o incendiar das nuvens
Em vermelho Paixão
Voaremos ao Sol que refulge
Além da linha do horizonte
Pousaremos nalguma estrela cintilante
Cultivando Amor nos jardins do Eterno

Se a noite que vir não preceder o alvorecer
Concedendo a ti o Excelso as dádivas
De ser anjo mulher
Inebriado em devaneios de amores
Vos suplicarei devoto em prece:

Voai tão alto quanto puder
Que ainda a vida seja curta
E não haja mal que eternamente dure
Minh`alma ousará ser liberta
Preso à terra tristonho mirando teu vôo
Meu semblante tornar-se-á sombrio
Os olhos perderão o brilho
Vertendo lágrimas
De minhas dores nascerão asas
Da saudade germinará a semente
Florescendo o sonho de ser pássaro
E voarei contigo
Oiseau Bleu
Por todo céu




Rob Azevedo





Fruto Santificado




Fruto Santificado


-> Trilha sonora


Trepei na árvore
Colhi a maça madura
Sorvi na boca
Senti o gosto
Dum tecido macio
Rosado, carnoso
Doce, úmido
Sabor de beijo
Colorido de batom vermelho

Cerrei os olhos
Flutuou meu corpo
Umedeci os lábios
Tingi a língua
No fruto do pecado
Santificado
Provando a maça madura
Feito passarinho
Sugando o néctar
Dentro do ninho
Devagarzinho
Saboreando sem pressa
O manjar favorito

Trepando na macieira
Segurando nos galhos
Vi o mundo do alto
No enlevo de meu espírito
Desprendido do mundo
Contemplei o infinito
Num arrebatamento íntimo
Amoroso e místico
Em estrelas cadentes
Cintilantes despencando
De constelações sobrenaturais
Dourando num rastro
O sem cor da noite

Ó Chuva Estelar
Vinda no arroubo do êxtase
Da carne e d`alma
Jorrando n`outro corpo
Feito Via Láctea!
Iluminai o breu de meus versos madrigais
Inspirai minhas trovas
Clareando formosa mulher desnuda em meus braços
Lânguida e ofegante
Balouçando madeixas onduladas
Derramadas nas espáduas alvas
Revestindo o busto
Onde saltitam mamilos enrijecidos
Pontiagudos e atrevidos
Aguando minha boca
Deslizando em meus peitos mãos suaves de seda
Fitando-me ardente o fundo dos olhos
Sussurrando palavras travessas
Suplicadas numa prece profana
Ao pé do ouvido
Enquanto morde minha orelha:


- Ó meu poeta faminto
Devassa minha fruta
Rosada e úmida
E me engole inteira
Sou tua maça madura!




Rob Azevedo





Amor Mais-Que-Perfeito




Amor Mais-Que-Perfeito



De tanto desejar
Beijar-te
Minha boca água
E sinto
Que lábios coloridos
Em tons rosas
Se umedecem
Esperando o toque
Para que lhes penetre
O íntimo da alma
E goze
Ardente o encaixe

De tanto imaginar
Sei que tenho
Quem desejo
Presente
Ainda na distância
Na ausência que agonia
Quando se queria
Um corpo sobre o outro
E no momento que vem depois
Do Amor conjugado
No tempo Mais-Que-Perfeito
Esparramados na cama
Lado a lado
Libertando em brisas suaves
Suspiros que não terminam
E palavras
De completa intimidade
Somente próprias
Daqueles que dividem
Lençóis, cobertores e travesseiros
No mesmo leito
Banhando esses adereços
Do orvalho derramado
De dois corpos conjugando
Amor no tempo
Mais-Que-Perfeito


Rob Azevedo





Amor, Paixão e Cio




Enquanto sonhavas umedecida, fantasias e devaneios eróticos, minha pena ensandecida, escrevia poemas libidinosos... Agora teus olhos atentos, comovidos se movem, percorrendo meus traços, esgueirando-se adiante, contemplando o fogo de minhas letras...

Assim sinto, tua Alma Nua, em cada pêlo devassa, como te quero, fazendo amor comigo, nos versos que a ti dedico...




Amor, Paixão e Cio


Na vertigem da miragem
Provocante a libido se aquece
Em ofegante pérola rubra
Colhida na concha úmida
Rendida, entreaberta
Em lençóis acetinados
Rosados cor de vulva

Suores misturados
No calor do alumbramento
Regando flores em fogoso leito
Deslizam em espáduas nuas
Sinuosas curvas
Seios pontiagudos
Relevos que se encaixam
Insinuantes nos lábios
Dum lobo sedento
Marinheiro audaz
Afogado em poço de encanto
Sorvendo o vinho de Baco
No oásis do corpo feminino
Puro gozo
Pêssego maduro
Que ardente saboreio

Em suspiros, a brisa
Suave que refresca
Dois corpos
Rumo ao ápice do desejo

Num ciclone a libido
Refulgindo o Êxtase
Os dentes crava
No colo desnudo
Deixando marcas
Vendavais libertando
De suspiros e gemidos
Uivando em desalinho
O canto devasso
Do pecado sagrado:

Amor, Paixão e Cio



Rob Azevedo





Triste Fim De Um Espermatozóide Na Quaresma




Triste Fim De Um Espermatozóide Na Quaresma

-> Trilha sonora



No paraíso ovular
Nadavam imersos em líquido
Alvo, espesso
Infindos irmãos
Corpos de girino
Compartilhavam o sonho
Tornarem-se humanos

Como erupções vulcânicas
Eram lançados ao mundo
Bastava o sangue
Volúvel do hospedeiro
Queimar ardente
Jorrando brancas lavas
Feito a Via Láctea

A partida era dada
Iniciada a jornada
Ao som de Carruagens de Fogo
Confetes e serpentinas
Louros e coroas de rosas
A glória era almejada
Tornar-se humano
Ser um bípede
Viver num mundo
Onde o meio circundante
Fosse oxigênio

Infundindo a si mesmo
No fértil tempo
Na acolhedora forma ovular
Tornariam-se um
Germinando no aconchego do ninho
Completado o ciclo
Seria vomitado das entranhas
Em humana forma
Com pés, braços, tronco
Cabeça, olhos, boca, orelhas
Ganharia a vida aos berros
Irritante choro
De boas vindas aos progenitores

Doce devaneio de Manoel
Um espermatozóide
Como tantos outros
Almejava somente
Em sonhos de criança
Ser humano...

De repente, num dia
As trombetas soam
O alarme é dado
O sonho poderia ser realizado!
Pois o hospedeiro estava excitado
E copulava, copulava, copulava...

A futura hospedeira
Que em seu ninho abrigaria
Aquele que alcançasse a glória
Nela a fertilidade reinava
Seria agora!

O alarme soa mais alto...

Num cataclismo vulcânico
Um rio de alva lava jorra
No espetáculo da Via Láctea
Espermatozóides disparam
Num ímpeto de fúria
Alcançar a glória a vida seria

Manoel, inspirado na trilha sonora
De Elvis
It`s Now or Never
Cruza o extremo da Pélvis
Deixando o Cabo da Boa Esperança
Adentra na Caverna da Perdição

Incontáveis eram os irmãos
Compartilhando o mesmo sonho
Tornar-se bípede humano
Gerado na espiritual criação
Dos matreiros desígnios de Deus

Maratona ao fim chegando
Manoel lidera impávido
A diferença só ampliando
Jubiloso em pleno gozo
A vitória gozaria!

À ovular alma gêmea
Manoel se juntaria
Germinaria
Tornaria-se bípede humano
Nascendo banguela
Trinta e dois dentes teria
Mãos e pés
Olhos esbugalhados
Duas fossas nasais...

Manoel lidera
Ao som de It`s Now or Never
Confiante no caminho contempla
Alvos tijolos cortantes
Em duas fileiras dispostos
A superior e a inferior

Desliza num tapete que se move
Parecendo dotado de vida
Rubro feito uma língua...

Mais adiante avista
O que parece ser uma amídala!
Imerso em saliva
Sem graça finge
Não crer adentrar a faringe!

Triste fim de um espermatozóide sonhador...

Em plena quaresma
A via errada percorria
O antigo hospedeiro não copulava
Somente se divertia...


- E agora
O que resta, Manoel?



- Nada meu senhor...
Entrei pela goela!




Rob Azevedo







DEUS E OS CARETAS




DEUS E OS CARETAS

-> Trilha sonora


Deus não me faz careta
Nunca me disse que sexo é feio
Não me impede de ser devasso
Nem de tomar cerveja
Fumando cigarro
Não desliga o Rock `n Roll que escuto
Dizendo que é música do Diabo
Nunca foi me buscar na boate
Às quatro e meia da madrugada
Ou na casa da luz vermelha
Tampouco numa roda de amigos
Algum dia tampou minha boca
Quando disse um palavrão
Ou meus olhos
Deslumbrando por baixo da mesa
A cor da calcinha de Julieta
Deus é bem transado
E faz Amor com muitas deusas
Odeia a censura
Vive desnudo
E inventou a natureza
Deus é jovem
Não rabugento, neurótico
Que explode de ira à toa
Nem se considera o dono do mundo
Ditando leis nas tábuas de Moisés
Ou dando importância
Ao muro das lamentações
E jamais cobrou dízimo
Por estarmos vivos
Deus não é culpado quando morremos ou ficamos doentes
Nem por infelicidade alguma
Cada uma dessas coisas
Ditas a mim por revelação de um anjo
Cantando um Blues Technno Trance
Numa grande festa Rave
São papos dos caretas
Profetizando teoria
Esses homens cabeças duras
Que inventaram Deus
Quando Ele já existia




Rob Azevedo





Testamento Apócrifo - Palavras da Verdade e Salvação




Testamento Apócrifo

Palavras da Verdade e Salvação


GÊNESIS


1 Deus é aquele que inventou a natureza
O Diabo inventou o homem
E os homens são aqueles
Que pensam haverem inventado os dois

2 - Cismando haverem inventado o Incriado
Inventaram haverem sido criados por Ele
Rastejando ao lado de vermes
Descobriram-se criados pelos diabos


ÊXODO


1 Os homens inventaram Deus
Quando Deus já havia inventado o universo
O Diabo espantado com a falta de nexo
Perplexo em cada ato do homem malcriado
Vomitado de suas entranhas numa poça de sangue
E língua de fogo
Expulsou o homem do Inferno
E foram dar nos Jardins do Éden
Adão e Eva
Ambos grandes inventores atrapalhados
Inventaram num surto de loucura o pecado
E foram expulsos do Paraíso onde viviam exilados

2 - Perambulando em dimensões paralelas
Perderam-se em orgias com Seres do Astral
E tiveram grande prole
De seres humanos inventores de dogmas
E Caim matou Abel
Foram vistos nas noites nos bares de Marte
Embriagados e criando caso
Intitulando-se com Serafim e Arcanjo
Os criadores de Deus e o Diabo

3
- Em cada planeta onde estiveram
Todas as constelações e galáxias
Foram espancados e convidados a fugirem em retirada

4 - Sem restar alternativa
Os grandes inventores navegadores do espaço
Inventaram a Arca de Noé
E vieram dar a Terra sem deixar sinais
Com toda sua prole de animais


LEVÍTICO


1 Povoaram o mundo
Inventaram as tábuas de Moisés
Ditando códigos e leis
Decretando impostos e dízimos
Blasfemando contra Deus e o Diabo
Inventaram que a terra e tudo que há nela
Não é partilha de todo aquele que nela habita

2
- Ergueram templos nas praças
E escreveram livros grossos de contos e fábulas
A Vaca Profana, a líder da manada
Em suas tetas sagradas amamentava incontável turba
De plebeus, nobres e sacerdotes
Mas a ganância era tanta
Que sua bolsa de leite rompendo
Estourou na cara do profeta

3 - O Sumo Sacerdote revoltado
Em concílio com o Grão-Vizir
Instituiu a Inquisição
E queimaram na fogueira todos adoradores
De deuses pagãos
Que em cinzas abandonados ao relento
Tiveram seus bens saqueados
Pela Sacra Ordem dos Templários


LAMENTAÇÕES


1 Os povos caíram em trevas
Desde os Celtas aos Druidas e Vikings
Imersos em carnificinas e guerras
Epidemias, fome e mazelas
Mas a cada dez que morriam
Cento e doze nasciam
E as nações continuaram crescendo
Procriando desgraça noite e dia
Embora o Amor fosse julgado
Sujo, pecaminoso e feio

2 – Céus nublaram
Rios e mares secaram
Florestas tornaram-se desertos
E da terra semente não florescia
Aglomerados em centros urbanos
A humanidade erguia suas casas
Séculos se passaram
E ergueram prédios de quarenta andares
Em concreto e ferro

3 – No espetáculo nefasto
Do Big-Bang humano
Resultado lamentável:
Já não havia espaço pra ninguém
Sequer donde retirar o sustento
Homens se devoravam sedentos
Nos campos, cidades e favelas
Em cada morro oculta entre barracos
Uma boca de tráfico de drogas
Vigiada por escopetas calibre doze

4 – Os sacerdotes do Novo Mundo
Empunhavam seus cedros de pérolas
Sentados em tronos de ouro
Defecando notas de Dollar
E andando cantarolando o Hino da Pátria

5 – Reunidos em seus plenários
Confabulavam novas guerras
Derramando mares de sangue
De outros seres que não o deles
Assim os engravatados de sapatos lustrados
Viviam petrificados de mente e espírito
Tendo a gola engomada e topete penteado
Num canto de seus gabinetes
Um cofre abarrotado de prata
Diamante, rubi e esmeralda


APOCALIPSE


1 Deus cultivando seus jardins na constelação de Órion
Visitando os Três Reis Magos
E o Diabo na constelação de Taurus
Sentado na estrela Aldebaran
Fumando calmamente um cigarro
Assistiam ao noticiário intergaláctico
Passivamente acompanhando os fatos
Um e outro eram sempre os culpados
Pela guerra no Oriente Médio
Atentado em Nova Iorque
Prostituição na Ásia
Fome e atraso na África
As mazelas da América Latina
Cada venda de drogas na esquina
Trabalho infantil
Catástrofe nuclear
Flora e fauna em agonia
Camada de ozônio degradando
E toda e qualquer miséria

2 - Deus e o Diabo se reuniram
Escandalizados daqueles seres bizarros
Povoando a Terra
Um fragmento estelar azulado
No seio da Via Láctea
Chegaram ao consenso
Após sete minutos ou quatrocentos e vinte segundos
Não seria preciso destruírem o mundo
Varrendo do espaço o planeta perdido
Deflagrando as trevas do Apocalipse
O fim estava em andamento
Nas mãos do próprio homem
Exclusivo autor de sua sina
Antropofágica
E as trombetas anunciando o momento derradeiro
Haviam há tempos soado
E ninguém expiando no Purgatório
Ou ardendo nas chamas do Inferno
Seria depois perdoado
Tampouco recebido em glória
Ao lado do Pai Eterno

3 - Decididos não moverem uma palha
Lamentaram a desventura dos homens
Deram as costas, lançando um último olhar resignado
Ao agonizante planeta azul insólito
E opostos que eram
Cada um seguiu pro seu lado
Deus pro Sul
E o Diabo pro Norte

4 -
E os homens todos
De braços dados
Seguiram pra Morte...



Rob Azevedo - O Profeta





Sentimento




Sentimento


Todo bom poeta
Quando escreve sangra
A folha em branco mancha
Do sentimento que se derrama
De dentro d`alma

Grandes pesares
Dão luz a grandiosos poemas
Pungentes, tocantes
Como um berrante

Paixão que se sente
Da ponta do cabelo à entranha
Do estômago
Pari versos
Que arrepiam o âmago
Dos românticos

Saudade quando arde
Dói fundo no peito
Revira a gente na cama
Insone, clamando algum nome
A pena se contorce e grita:

Não me abandone!
Reflita
Entenda que mereço
Sua visita
Em meu endereço

Da melancolia
Nasce poesia
De cor opaca
Cinza

Tem sentimento
Que nos aniquila
Tão logo em linhas
Brotam rosas
Apodrecidas

Tudo é delicado
Em se falando
Do espírito do Poeta
Ser sentimental
Que vive noutra época
Na idade média

Digo dos amores
Soberbos de glamour
Perfeitos
Incólumes

De modo que tudo o afeta
Mesmo o afago
Com luva de pelica
Às vezes parece
Bofetada

Uma aresta
Pode ser a fenda
Que engole sem volta
O Poeta

Versos
São sentimentos
Se quando lidos são sentidos
Como quem sente
O sentir de cada verso
No Amor ou Dor que sofre
A mão que segura o terço
Não são brandos
São intensos

Sentimentos são indomáveis
Brabos, impetuosos
Nos levam por sendas inusitadas
No lombo de cavalo arisco
Tempestivo
Nunca se sabe quando vem o alvoroço
Que nos derruba - ou a garupa
Nem quando há de vir
Algum prado verdejante
Sereno
Onde se contemple
Um riacho correndo

Monto no lombo
Desse animal selvagem chamado Sentimento
E cavalgo
Sabendo
Que nunca haverei de domá-lo
Tem hora que caio
Mas levanto

Segue galopando contra o vento
Relinchando
Faiscando cascos
Sangrando minhas mãos
Segurando firme as rédeas

Em vão...
O Sentimento não tem direção...

O mundo ao redor
Que o faz
Seguir por esta senda
Ou aquela
Se alimentar da espiga de milho
Ofertada na mão
Ou derrubar de súbito
Quem nele tente
A montaria



Rob Azevedo







A Grande Pirâmide




A Grande Pirâmide


"O tempo ri para todas as coisas, mas as pirâmides riem do tempo".
(Provérbio Árabe)

-> Trilha sonora



O que move meus versos
Senão o Amor?
A quem os oferto
Senão ao sol que refulge
Em noites vazias
No acre fel da solitude
O frio d`alma cinza
Aquece
Ilumina
Colore

Sussurram meus traços
Lascivos ao pé do ouvido
Confissões dum coração enamorado
Aprendiz dos dons da alquimia
E platônico, na cor lilás caminha
Andarilho nas sendas do arco-íris
O destino são lábios róseos
Embebedar-me de amores
E no pouso voar mais alto
Coroar-me de flores, antes que murchem
E tudo se finde
Despido do eu acalentado em abraços
Molhado de orvalho, saciado o cio
O que poderia ter sido abstrato
Lembrança em foto três por quatro
Tornar-se-á palpável
Cheiro, calor, suor e gozo

Uma miragem - distante - move meus passos
Em romaria a ponte que atravesso
Conduz ao beijo
Sonhado em noites sem fim
Ópio do desejo e cálice de Baco

Na mansa voz de veludo
A leveza duma pluma
E sentimento maior que o mundo
Ora se derrama em prantos
Indefesa e delicada menina
Além se ergue
Acima de todo mundano
Onde me encontro
Plebeu pequenino
Diante à princesa
E me acanho

Por que tamanha grandeza
Em favos de mel se reveste
E fragilidade de teias de aranha?

Mal sabe quem o pranto verte
A paixão na qual se desmancha
Aquele à sombra do Amor que arde

Demonstrar sentimentos
Não é sinal de fraqueza
Mas força d`alma
E ser humano
Não pedra inerte

Quiçá quem ouve
Mesmo querer sente
Como desvendar o mistério
Se não dizê-lo?

O coração
A quem ofertamos não escolhemos
De assalto nos é roubado
Nas armadilhas de Cupido

Se com ouro e prata
Bem querer não se paga
Em versos vos dou
Confissões plenas de Amor

Por que não haveria de amá-la
Ou fingir o que sinto?
O que se abriga em meu peito
Eu meço
Em cada manhã que acordo
Lembrando um mesmo nome
Abrindo os olhos seu corpo desejando
Tendo o pensamento assim imerso
Vivo a sonhar amoroso e lascivo
Um sonho lindo e platônico
De Amor sem fim

A imaginação daqueles que amam
Quimeras no deserto concebem
Pirâmides em meio ao desterro
Erguidas em pedras colossais
Causam espanto
Transpassado o prisma dos olhos
Às próprias mentes
Daqueles que imaginaram

Não se pergunte a razão
Daqueles monumentos
Plenos de nonsense
Dentre dunas e castigados pelo sol

Um dia haverá de indagar
A quem Amor consagrado doa
Se há de durar o que sente
Ou é feito águas dum rio

Respondo em silêncio
Erguendo colossos no deserto
Desafio a inclemência de Chronus
Ávido consumindo o Tempo
Na brevidade da vida
De meu Amor o real tamanho
Não cabe

Quando tanto Amor
Ousares imaginar
Saberás...

A vida é pequena
As águas dos rios haverão secado
As florestas por onde corriam
Tornar-se-ão desertos
E as quimeras concebidas por nós visionários
Lá estarão, desafiando a noite dos tempos

Volto os olhos ao deserto estéril
Onde nenhuma erva floresce
E vejo a Grande Pirâmide
Imponente
Gizé-Quéops

Erigida
Em 2.550 A.C.

D`outro lado
O Nada
Onde esteve a Razão





Rob Azevedo






Uma História de Amor ao Logo do Nilo


Nefertiti era filha de Dushratta, rei de Mitâni. Mas, como era normal acontecer nos casamentos entre crianças, Akhenaton e a pequena princesa cresceram ternamente ligados um ao outro e, como o passar dos anos, transformaram a afeição em amor. Então, até onde a história conta, Akhenaton, em contraste com a maioria dos reis da Antiguidade e de sua própria estirpe, parece ter-se contentado, durante toda a vida, com o amor de uma única mulher, dada a ele como Grande Esposa, quando ainda era apenas uma criança. Akhenaton e Nefertiti se amavam com fervor. O jovem rei não havia tomado “esposas secundárias”, seguindo o costume de seus antepassados, simplesmente porque nessa sua única rainha, “seu coração encontrava a felicidade”, tal como ele mesmo declarou em tantas inscrições. A extraordinária importância que ele atribuiu a sua amada, pode bem ser a prova de tudo quanto ele sentiu. Sendo assim, podemos deduzir que tenha compreendido, melhor do que qualquer outro homem, o valor supremo da ternura e do prazer.


(Texto extraído de site sobre o Egito antigo.)





Conchinha do Mar & Cavalo Marinho - Forever




Conchinha do Mar & Cavalo Marinho
-♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ Forever ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥-

-> Trilha sonora



Todos os dias quando acordo
Penso em você
Olho pro lado e não te encontro
Águam meus olhos
Choro
Com a cabeça posta
No travesseiro

Debaixo dos lençóis
Sorvendo seu perfume
Queria enlaçar-te
Logo ao ver a luz do dia
Beijar-te a boca
Tornando uma nossas almas
E a testa docemente
Chamando-lhe de Meu Anjo
Seus cabelos acariciando
Perguntando se foram bons
Os sonhos que teve
E se acaso neles
Como de costume
Fui personagem
Protagonista

Nossa cama
Nosso parque
De diversões
Por que deixá-la?
Não, o café da manhã
E tudo mais
Fique pra depois
Da Roda Gigante
Montanha Russa
Ringue de patinação
Pula-pula
Carro bate e volta
Carrossel
Balão de gás
Maçã do Amor
Pipoca
Algodão Doce

Colóquios matinais
Intermináveis
Aconchegados em nosso quarto
Sob lençóis

Cultura e toda Arte
No imutável cardápio
Do colorido bate-papo

Causos engraçados e piadas
De sobremesa
Saboreando o riso um d`outro
No calor da cama

Ah! Sempre um intervalo
Para que três mil beijos
Sejam dados
E peçamos BIS!!!

E minha voz terna sussurrando:


- Meu Amor, acordei apaixonado
Pela milésima vez
Que durmo ao seu lado

Nenhuma novidade
Nas mil noites além de Bagdá
Em que ardentes nos perdemos
No meu coração quando acordo
Tudo se repete!



- Paixão
Todos os dias desperta
Assim como desperto
Quando abro os olhos
E vejo nossos corpos
Roçando a pele, abraçados
Sabendo que dormimos
Feito conchinha do mar
Tendo antes do sono cavalgado
Em Meu Cavalo Marinho



- Amor, debaixo da tenda dos lençóis
Sou seu Sultão
Ó Minha Sheherazade
Na próxima noite
Contaremos mil e uma...

Retorne a narrativa
Das Mil e Uma Noites
Ao primeiro conto
Façamos um flash-back
Em câmera lenta
E entremos em loop infinito
Sempre ao chegarmos
Ao que antecede
Aquele que termina

Que depois te conto
Ao final de cada conto
Qual meu plano!



- Paixão
Amei!
Você é um gênio!



- Não, Meu Amor
Minha Vida
Luz do Meu Dia
Essa é outra história
Não saí duma lâmpada
Em nuvem azulada
Tampouco sou Ali Babá...
Eu sou o Sultão!




Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo
Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo...

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo
Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo...




O mundo inteiro acordou
E todos continuaram adormecidos
Mas aqueles que se levantaram da cama
Somente ao se deitarem os sonâmbulos
Estavam despertos
Em nome do Amor



Rob Azevedo






As Mil e Uma Noites de Poesia...




As Mil e Uma Noites de Poesia
- Sheherazade e o Poeta -



Acompanhado de mim
Trilhando sendas
Com destino à róseo jardim
Sou andarilho
Zigue-zagueando
Pelo corpo feminino
Meu alimento a esperança
Que vem da íris
De olhos verdes
Que dia e noite me iluminam
Luz que é força
Em minha jornada
Através de desertos
Desafiando placas desbotadas
Onde se lê:

Não!

A cada passo
Sob o Sol escaldante
Fome e sede padeço
Nem leve brisa dá alento
Revigoro meu intento
Recordando:

O que era impossível
Foi feito
Por aquele que não sabia
Que impossível era

Tão logo acredito
Sabendo que nada sei
Ser a única certeza que tenho


Ademais
Peregrino calejado nesse caminho
Compreendo:

O Amor não cabe
Em teorias
Nem palavras ditas
Na prórpia pessoa
Dar-te-ei uma máscara
E saberei a verdade
Assim como sabes a minha
Quando escrevo poesia

Nietzsche dizia:

"Não ames o próximo, ame o distante."

Imbuído dessas palavras
Miro a estrela mais alta
Esquivando-me dos pirilampos
Luzindo nas madrugadas
Ao alcance das mãos

Caminhei sendas tortuosas
Em busca da pérola mais casta
E preciosa
Cruzei mares, montes e desertos
Padeci mil mortes amargas
Renascendo a cada alvorada
Avistei bela imagem
Envolta em bruma de mistério

Numa placa em letras garrafais
Lia-se:

NÃO!

Nas estrelinhas do aviso
Um tímido sim
A tábua de salvação
O encanto das jóias
Numa jazida de esmeraldas
Cor de verdes olhos

Ah! Teorias enfatizadas!
Acaso o Amor
É equação matemática?
Química quântica?
Extrato de conta bancária?
Código de ética
De relações humanas duvidosas?
Palavras negativas
Em tons de filme de Hitchcock
Ditas após horas de reflexão
Posta a cabeça no travesseiro
Mirando o teto
Medindo nele o insondável
Incomensurável infinito
Na segurança da vida
Esmorecida a cada dia?

Ah, longe de mim!
Não digo sim
Tampouco não
Onde a senda há de nos levar
Não sei
Não se pode determinar

Mas levante-se!
Avance alguns passos
Olhai da janela do quarto
No breu da noite límpida
Estrelas luzindo
No firmamento...

Tente contá-las uma a uma...

Entendas agora
Em cada ponto estelar cintilante
A infinidade de mistérios existentes
No Reino do Amor
Bem além do infinito
Acima do mundano
Em que medes
Dogmas de Deus
Sentimentos humanos
Intangíveis, sem razão...

Lembre-se Sheherazade
Que as noites prometidas
São mil e uma
O final de tantas histórias
Que mal começamos
O sabes...
E essa que ledes, é só mais uma delas...

Mirando o firmamento estrelado
Compreendendo que estrelas
São mistérios do Amor
Sim, entenderás:

Existem mais estrelas no céu
Do que supõem
Nossas vãs teorias




Rob Azevedo





Aladim & Yasmim




Aladim & Yasmim


Num reino árabe
Transcendente no tempo
O gênio da lâmpada
Vindo ao mundo
Numa nuvem pálida
Desvanecida no ar
Encontra Aladim
Cismando de amores
Fitando Yasmim
Ao sabor dos ventos
Perdido em encantamento
À beira mar
No alto de pedras
De praia deserta
Paralisado contempla
Miragem ao léu
E turva-se a visão
De Aladim
Entre espumantes ondas
Aves brancas
Olga marinha
Rosadas conchas
Castelos construía
O Amor media
Em grãos de areia
Sem ser visto
Mirando Yasmim
Banhar-se nas águas

O gênio da lâmpada
Se compadece e pára
Diante seu amo
Lânguido e retido
De Amor padecido



- Meu amo
Bem sabes
Sou escravo de tua vontade
Livra-te das dores
Dessa vida afligida
Pedes Yasmim
Tudo de que precisa
E concede a mim
Liberdade merecida



- Ó Servo da Lâmpada
Se queres ser livre
Partes tranqüilo
Mas a morena que me encanta
Balouçando nas águas
Madeixas onduladas
Cor de nanquim
Não pedirei
Vinda dum ato de mágica

Se queres ser livre
Entendas a liberdade
Se Amor desejo
Que seja gratuito
De própria vontade

O que ofereces
Aceitar não posso
Magoando a espontaneidade
Do puro Amor

De resto
Só o pó
Das coisas vãs
Nada enobrecem
Somente envenenam
As fontes
De tudo que é belo

Segues teu caminho
Ó Servo da Lâmpada
Estás liberto!



Aladim vê a si mesmo
Solitário
Na extensão da praia
Medindo em grãos de areia
Contados um a um
O Amor sentido
Por Yasmim
Em segredo contemplando-a
Oculto por pedras
Banhar-se nas ondas
Mais adiante

O Amor que ia em seu peito
Ninguém sabia
Ninguém podia medi-lo
Nem ele mesmo
Sequer entendia

Desde o dia
Que cruzou aqueles olhos
Cor de mares
Sentiu neles nadar
Em repleta felicidade

Esquivando-se a esperança
Que deles vinham
Se Yasmim
Sequer parecia
Saber que Aladim existia
Quedou-se em silêncio
Buscou lugares ermos
Viveu em suspiros
De amores pela morena
Madeixas onduladas
Cor de nanquim

Aladim a contemplava
Banhar-se nas águas
Do verde mar
Como quem eleva
Preces a Alá

Num acaso do Destino
A fúria duma onda
Traga Yasmim
Que perdendo sentidos
Num desmaio obscurecida a visão
No breu eclipsando o dia
Naufraga no mar

Um Raio dos céus
Atinge Aladim
Queima-lhe entranhas
Em desespero parte
Metamorfoseado num herói
Tendo a força dos Raios
Mergulha nas ondas
Submerge nas águas
Resgata Yasmim

Conduzida nos braços
De volta à praia
Aladim
Oferta-lhe a vida
No ar dos pulmões
Beijando Yasmim
A primeira vez

Tão logo perde a conta
Rendido no encanto
De Yasmim
Que retorna à vida
Abrindo os olhos
Mirando um anjo

De volta à luz
Yasmim
Princesa da Arábia
Agradecida
Oferece a Aladim
Seu Reino
Em voz de veludo
Tom suplicante
Diz
:


- Cumprirei teus desejos
Quaisquer sejam
Fá-lo-ei feliz
És meu Amo
À partir de hoje



- Aladim responde: -


- Se sou teu Amo
E todos meus desejos
Realizas
Atenda somente
Meu único pedido:

De teu Amo
Ser completo
Transbordante
Em ti desejo
Ser Raio de Sol
Ainda d`outro lado do mundo
Dourando a lua cheia
Eleva marés
Clareia noites

Olhai o coração
Com flecha atravessando
Desenhado na areia
Antes que ondas
Apaguem-no
Ledes nele
Nossos nomes
Entrelaçados

Teu Amo
Não te deseja
Ao custo de códigos de honra
Serva
De vontades vãs
Cobiça de riqueza
Coroa e nobreza
Invencíveis guerreiros
De sangrentos reinos
Despotismo
Luxúria e infâmia

Não desejo o pó
Das trevas
Que cega os olhos
Vindo das asas
De borboleta
Que enxergo tão perfeita
Acalentando
O sonho encontrado

Nem haverei de queimar tuas asas
Feito chama de vela
Que atrai e encanta
Na ardência do fogo
Mata

O Amo
Deseja Amor
De livre vontade
Escolha própria
Único, verdadeiro
Puro e inteiro
Devotado
Não inconstante
Feito marés
Nem fúria de ondas
Estourando na praia
Apagando corações
De Amor Eterno
Desenhados
E derribando
Castelos de areia

Teu Amo
Clamando d`alma
Ser teu Amor
Necessita
Se assim também carece
O que peço
Feito ar que respira
E luz do dia

Porque teu Amo
Rendeu-se ao Amor
Porque Te Amo
Ser Amo renuncio
Se Te Amo
Sentindo perfume
De Jasmim
Andando em nuvens
Cruzando céus
Após torrentes
Sou arco-íris
Multicor
Relâmpago
Iluminando noites
Lembrando
Yasmim




Rob Azevedo





A Casinha Branca, Eu e Meu Bem




A Casinha Branca, Eu e Meu Bem

-> Trilha sonora


No alto da colina
Depois de Lumiar
Uma casinha
Branca e pequenina

No alto da colina
Tinha
- Ainda tem -
Uma casinha
Branca e pequenina

Vem Meu Bem
Vem à pé ou de trem
Vem de trenó
E traz o cachecol
Porque no alto da colina
No meio da floresta
É frio à beça
Mas não esquenta!
Tem fogão à lenha
Fogueira no quintal
E eu, Meu Bem
Pra te esquentar

Vem depressa
Vem que tem
Até cachoeira
Bem de frente
Pra casinha branca
No topo da serra

Ao murmúrio das águas
Entrechocando-se nas pedras
Dormimos à noite
Ou passamos acordados
Fazendo Amor

A luz é de vela
E lampião
O chão de madeira velha
A tinta da parede
Toda lascada

De dentro da casa
Se vê o telhado
E teias de aranha

A vassoura, Meu Bem
É de piaçaba
As cadeiras
São tocos de amendoeiras

Mas vem depressa
Porque a cama
Na verdade é rede
E nosso Amor
Vai ser diferente

Caindo o breu da noite
No quintal da casinha branca
Só a luz das estrelas
Alguns pirilampos
E quem sabe?
A Lua Cheia

De repente
Metamorfoseado num duende
Sou Poeta!
Trovador noturno
Ungido
Na força da semente
Navegante numa canoa
De fina seda persa

Abraço meu violão
Com tanta paixão
Que lembro nós dois
E faço serenata

Vem Meu Bem
Mas vem depressa
Eu te espero
A felicidade também
Em São Pedro da Serra



Rob Azevedo





No Cárcere da Razão




No Cárcere da Razão



Algo em meu peito
Não se cala
Não se abala
Nem se paga
Algo em meu ser
Não se mede
Nem se apaga
Sempre existirá
Enquanto viver.
Algo em meu peito
Arde
Seja noite
Dia
Fim de tarde
Alvorecer
Enquanto viver
Existirá.
Algo em meu ser
Nasce
Brota no papel
Em linhas tortas
Incertas
Palavras marejadas
Em lágrimas
Riso
Dor ou paixão
Seja sem tino
Filha da liberdade
No cárcere
Da razão.
Algo em meu ser
Arde enquanto nasce
Rasgando o véu
Desafia
A lâmina fria do aço
Dói em meu peito
Lacerantes são as dores
De parto.
Algo em meu ser
Não se abala
Jamais se cala
Fala
Diante a iniqüidade
Esbraveja
Chora
Ama
Grita
Explode
Em alto som:

- SOU POETA
CONFESSO!
ESCREVO VERSOS.



Rob Azevedo






Brado Guerreiro - Aos Poetas do Armagedon -




Brado Guerreiro
- Aos Poetas do Armagedon -



Ó Quimera do Desejo!
Quisera Deus
Meu canto tivesse a força
Derrubar as fortalezas do inferno
Calar a voz dos homens maus
A tirania dos prepotentes
Feito Cristo amotinado
Ordenar ao temporal:

Cessem os ventos!
Cale-se o trovão!
Diante minha autoridade
Anule-se a tormenta!
Reine a calmaria
Vinde a nós a paz!

O humano coração se contenta
Na verdade que liberta
Libertos seremos
Ainda que tardiamente

Por que temem?
Homens de pouca fé!
Eis que é longa a senda
Tortuosa e íngreme
Como os vales da morte
Os arqueiros das sombras
Nos alvejam pelas costas
Disseminando o ódio e a inveja
A usura e a ganância
A fome e a miséria
Irmãos guerreiam entre si
A paz é dispersa
Ó Deus!
Pais e filhos choram
Enterram seus mortos
Sob sombrio céu
Quisera Deus meu canto
Viesse como alento
Erguendo-nos mais fortes
Sorvendo esse fel
Sentindo o aço da lâmina
Fria, cruel
Rasgando o peito em cortes
Sangrando almas
Derramando a lágrima
De amados irmãos
Surgirá o Sal da Terra
Do cálice renegado
Será feita a vontade
Cumprindo-se a promessa
O auto sacrifício libertará
Nosso canto ecoará mais alto
Ofertando aos povos redenção

Avante irmãos
Uni-vos!
Revistam-se de armadura
Desembainhem a espada
Pois a hora é chegada
Deixemos as trincheiras da alma
Marchemos ao combate
Ao campo de batalha
Rumo à vitória triunfal!



Rob Azevedo






Bravos Bardos Ébrios Guerreiros




Bravos Bardos Ébrios Guerreiros



Vamos atacar pelos flancos
Adentrando profundo nas ancas
De assanhadas pérfidas potrancas
Das madeixas, rédeas na cavalgada
Polindo a arma-dura, erguendo a espada
Maquiavélicos mal não faremos
Feito víboras, picando pelas costas

Arrombando todas as portas
Nós os bravos guerreiros
Profetas Revolucionários do Reino
Fartaremos a fome do cio

Faremos escravas e cadelas
Violaremos todas donzelas
À chibatadas no lombo
Bofetadas
Mordidas e pancadas
Gozaremos o suspiro mais longo

Marquês de Sade, estuprado
Escandalizado
Olhos esbugalhados
Fugirá em prantos

Menina, mãe, avó
Vizinha e galinha
Égua pangaré pocotó
De nenhuma teremos dó!

Curraremos todas
Porque somos os bravos infantes
Devassos, ébrios e malditos
Centopéias cintilantes
Que trafegam insolentes
Somos em verdade
Virtude resplandecente
Na extensão do infinito verdejante

Boêmios Poetas Compadres
Avante! Erguei vossos cedros!
Declamemos nosso brado
Honremos o Reino
Somos os Bravos Bardos Ébrios Guerreiros!

Uhaaaaaaaa!!!

A Santíssima Virgem Mãe das Ex-Donzelas salve nossas putas!!!

Salveeeeeee!!!

Baco salve nossos bêbados bacantes!!

Salveeeeeeee!!!

Homero, Aristófanes, Horácio
Cratino, Sólon
Epicarmo, Ésquilo...
Deuses Poetas salvem nossos versos, desde a Grécia à Atlântida e Parnaso!!!

Salveeeeeeee!!!

Os leões da arena engolidos sem dores
No Coliseu Romano são flores
Somos os gladia(trova)dores!!!

Uhaaaaaaaa!!!

A cavalaria de Brancaleone vingaremos
Aliados aos druidas, celtas e vampiros romenos

Uhaaaaaaaa!!!

Os dons de Don Quixote aprendemos
A cada moinho no duelo vencendo!

Uhaaaaaaaa!!!

Viva Maria Antonieta, a Rainha da França!!!

Viva!!!!

Viva Joana D`Arc, nunca pegou na lança,
Morreu - em Lesbos - guerreira, carburada na fogueira!!!

Viva!!!!!

Viva os cafunés da Nega Fulô!!!

Viva!!!!

Deus salve o Sacro Império Caótico Alcoólico Romeno!!!

Salveeeeeeeee!!!!

Viva Zaratustra, Cleópatra e Tom Zé!!!

Uhaaaaaaaaa!!!

Viva nossa farta cultura!!!

Uhaaaaaaaaa!!!

Viva os eremitas do Tibet!!!

Uhaaaaaaaaa!!!

Os crocodilos do Eufrades!!!

Uhaaaaaaaaa!!!

Viva nós os confrários
Revolucionários
Fogueteiros
Herdeiros
Do trono de Nero!!!

Uhaaaaaaaaa!!!








- Acabô a pinga... Compra mais lá na venda, seu Zé!


- Ué? Cadê a pinga?

Acabô a mardita
Da cana com mé?
Vô lá na venda
Comprá logo um toné!

Seu Mané!





Rob Azevedo